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"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

TEMPOS DE VIOLÊNCIA - UMA REFLEXÃO SOBRE O QUE POUCOS TÊM CORAGEM DE FALAR

ARTIGO – TEMPOS DE VIOLÊNCIA

Autor: Rui Amaro Gil Marques – jornalista e assessor de comunicação sindical

Nos últimos 12 anos temos constatado que juntamente com a melhora do nível de vida de milhões de brasileiros, infelizmente também vemos o aumento da violência em vários segmentos da sociedade.
Não bastasse a violência gerada pela exclusão social temos ainda a violência produzida pelo machismo, pelo preconceito e pela homofobia. Segundo dados divulgados pelos próprios governos e Organizações Não Governamentais (Ongs) ligadas aos Direitos Humanos e as minorias os números são mais que preocupantes, são assustadores.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

As mulheres mesmo depois de ter uma lei especifica aprovada para protegê-las de agressões sofridas dos seus próprios maridos e companheiros continuam sendo vítimas as centenas de espancamentos, ameaças de morte e de assassinatos dos mais cruéis. Mesmo com a Lei Maria da Penha os agressores continuam fazendo suas vítimas sem que as autoridades desenvolvam políticas e ações repressivas para diminuir e tentar acabar com esse problema que aflige principalmente as mulheres mais desamparadas devido a sua condição social. Não que isto deixe de acontecer nas classes média e alta. O que demonstra principalmente uma confiança na impunidade presumida pelos agressores. Raramente alguém é condenado por agredir a esposa ou namorada.

VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS

Outro dado muito preocupante é sobre a violência praticada contra crianças e adolescentes que, segundo várias pesquisas, também tem crescido nos últimos anos. Abandonos, espancamentos, trabalho infantil, estupros e prostituição se tornaram palavras corriqueiras na imprensa em relação a situação da criança no Brasil.

As autoridades, mais uma vez, parecem impotentes para combater essa situação de risco. Crianças dormindo pelas ruas, outras sendo exploradas em trabalhos perigosos para a saúde, pedofilia, abusos sexuais por familiares e conhecidos e prostituição infantil viraram rotina e parecem não comover mais ninguém. O que é pior ainda existe o tráfico de bebes onde quadrilhas formadas por enfermeiras, médicos, advogados, servidores públicos e até mesmo pessoas ligadas a entidades de defesa da criança ganham dinheiro vendendo recéns nascidos.

TRÁFICO DE PESSOAS

Outro tipo de crime que também vem crescendo muito nos últimos anos é o tráfico de pessoas, principalmente de mulheres que são enganadas e levadas para outros países para servirem de escravas sexuais na Europa e Estados Unidos. Até uma novela já foi feita baseada nesse crime hediondo, mas o sensacionalismo pulverizou o debate sério sobre o tema. As autoridades novamente se vêm sem muito poder fazer porque a falta de verbas, de estrutura e de pessoal especializado contribui para a impunidade dos criminosos.

PRECONCEITO, HOMOFOBIA E VIOLÊNCIA

O preconceito racial e social também produz a sua violência cotidiana contra nordestinos, negros, índios, mestiços e pobres. Quanto mais os negros conseguem chegar as escolas e universidades mais cresce a violência racial contra eles.

Isto ficou muito explicitado com as campanhas desenvolvidas em quase todos os estados do país contra o Programa de Cotas Raciais nas Universidades Públicas. O debate foi pautado mais sobre o preconceito racial do que verdadeiramente sobre a situação histórica do negro no Brasil e a dívida histórica que a sociedade branca tem com esse povo.
Para muitos os negros ainda são vistos e tratados como seres humanos inferiores que não podem se misturar com os filhos das pessoas bem nascidas nos bancos escolares e universitários. É o poder branco saindo das sombras para mais uma vez demonstrar a sua incompreensão sobre o que é a humanidade.

HOMOFOBIA

Outros que sofrem com a violência crescente na sociedade brasileira são os chamados gays, lésbicas, transexuais, transgêneros, travestis e homossexuais. Recentemente dois irmãos foram assassinados por estarem se abraçando numa praça em Belo Horizonte. Em São Paulo um pai e o filho foram espancados por estarem caminhando de mãos dadas pelas ruas quando ambos voltavam para casa. Lésbicas foram agredidas em boates e lanchonetes no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis.
Gays são atacados em plena luz do dia principalmente em Porto Alegre e São Paulo por grupos neo-nazistas, os assim chamados Carecas. E, tragicamente, mais uma vez as autoridades se demonstram incapazes para combater esses criminosos. Uma incapacidade real e também desprezivelmente fundamentada no preconceito contra essas minorias marginalizadas.

Na cidade de Guarulhos (SP) um travesti foi assassinado com mais de 20 facadas no rosto. Na grande São Paulo dezenas de travestis e transexuais são agredidos e assassinados quase que diariamente.

DEPOIMENTOS COLHIDOS POR MIM EM SÃO PAULO (SP)

Luana Marchiore (22 anos), nome verdadeiro Luis Roberto Vellas, que vive de programas nas noites no bairro da República já foi agredido várias vezes, inclusive por policiais militares. “Não adianta chamar a polícia, pois eles jamais ficam contra os agressores”, afirmou.

Amanda Keller (21 anos), não quis revelar o verdadeiro nome, é amiga de Luana e divide um quarto com ela, também já sofreu agressões e depois de chamar a polícia acabou sendo detida e encaminhada a uma delegacia para prestar depoimento. “Me senti um lixo, foi como se eu tivesse agredido e não sido agredida”.

Karla Brunni Liz (19 anos), nome de batismo Marcio da Silva de Carvalho, veio de Campinas para São Paulo há 6 meses e, segundo relatou, também já foi vitima de agressão física por parte de grupos homofóbicos. “Chegaram de carro, estacionaram e me fizeram sinais. Fui em direção deles e quando cheguei perto todos saíram do carro e passaram a me empurrar, dar socos, chutes, rasgaram minhas roupas, me roubaram, cuspiram em mim, foi horrível, ainda tenho algumas marcas no corpo”.E

ASSASSINATOS DE "MORADORES DE RUA"

Outro fato que vem acontecendo muito nos últimos anos é o assassinato de mendigos, sem teto e indígenas que acabam passando as noites nas praças das grandes cidades.

Em Campinas, Belo Horizonte, São Caetano do Sul, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba só para citar alguns casos mendigos foram espancados ou assassinados a tiros, e ainda pior, queimados vivos por grupos de extermínio formados em sua maioria por ex-policiais militares a serviço de comerciantes locais.

Em Belo Horizonte um individuo que se afirma neo-nazista atacou e agrediu um mendigo a socos e a ponta pés postando depois as fotos da agressão em seu perfil no facebook afirmando que "como cidadão de bem" estava limpando a cidade.

VIOLÊNCIA POLICIAL NAS FAVELAS E NAS PERIFERIAS

Outro dado assustador é o aumento dos assassinatos cometidos por policiais militares onde os do estado de São Paulo lideram o ranking da violência policial com folga em comparação aos de outros estados.

As vítimas são em geral moradores dos bairros das periferias e das favelas das grandes cidades do estado. No Rio de Janeiro a situação não é muito diferente. Lá a PM é acusada de ter sequestrado e sumido com o pedreiro Amarildo entre outros casos de violência policial naquele estado.

Mesmo os dados apresentados pelo governo e pelas ONGs esses números ainda podem ser questionados porque não refletem bem a realidade, uma vez que nem todos estão dispostos a falar. O medo colabora para que esses criminosos fiquem impunes e o preconceito transforma as vitimas em culpados pelas agressões sofridas. É como disse um rapaz demonstrando toda a força da homofobia e do preconceito:“viado tem apanhar para virar homem”.

Enquanto a sociedade, governos e autoridades não fizerem nada para coibir essas crescentes ondas de violência o futuro não será nada promissor, mesmo com todas as conquistas sociais e econômicas que os brasileiros obtiveram nos últimos anos.

AÇÃO DIRETA

AÇÃO DIRETA
O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

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