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"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



domingo, 16 de dezembro de 2012

BRF BRASIL FOODS: TRABALHADORES DA UNIDADE DE PONTA GROSSA (PR) ENFRENTAM GIGANTE POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO










GREVE NA BRF DE PONTA GROSSA (PR): EMPRESA TENTA INTERDITO PROIBITÓRIO. JUSTIÇA NEGA E PARALISAÇÃO CONTINUA.

Em nova assembleia realizada nesta sexta-feira (14) trabalhadores reafirmaram disposição para a luta e apresentaram contraproposta à empresa.




Rui Amaro Gil Marques
Direto de Ponta Grossa (PR).



A paralisação dos trabalhadores e trabalhadoras na Brasil Foods (BRF) unidade de Ponta Grossa, região dos campos gerais do Paraná, completou nesta sexta-feira (14) o seu 3º dia.

Na tarde de quinta-feira (13) a empresa, através do seu departamento jurídico, entrou com pedido de Interdito Proibitório na Justiça do Trabalho em mais uma tentativa de intimidar os trabalhadores parados e enfraquecer a greve. No entanto a decisão da Justiça veio contra as pretensões da empresa validando a paralisação dos trabalhadores.


Cassação de Mandato Sindical

Um fato marcou a greve dos trabalhadores da BRF de Ponta Grossa na madrugada desta sexta-feira (14). Um diretor do Sindicato que decidiu por furar a greve e voltar ao trabalho acabou acirrando os ânimos dos trabalhadores que exigiram que ele tivesse o seu mandato revogado. O que acabou acontecendo por deliberação de uma assembleia convocada pelos próprios trabalhadores que exigiram que o sindicato tomasse uma decisão a respeito. Por maioria absoluta dos cerca de 600 trabalhadores presentes esse diretor teve o seu mandato cassado. Cabe recurso na Justiça, mas o sindicato afirmou que irá respeitar e acatar a decisão dos trabalhadores.


Contraproposta dos Trabalhadores

Para demonstrar que não estão fechados a reabertura das negociações os trabalhadores decidiram por encaminhar a empresa uma contraproposta.  Organizados todos discutiram os números apresentados anteriormente à BRF no início das negociações salariais e decidiram por fazer uma nova proposta:  Reajuste de 10% em substituição a primeira que era de 13%, cesta básica de R$150,00 em substituição a primeira que era de R$250,00.


Intransigência

Infelizmente a BRF não abre mão de sua intransigência e exige que os trabalhadores “aceitem” a sua proposta de reajuste salarial de 8,5% e cesta básica de R$120,00. A empresa também não quer cancelar as demissões dos trabalhadores que aderiram a greve e mantem os descontos dos que continuam parados. Desde o início das negociações com os sindicatos que a empresa tem forçado a barra utilizando de sua força para intimidar dirigentes sindicais e trabalhadores. Na verdade para a BRF negociar é o mesmo que fazer valer os seus interesses e só.


Lucros Cada Vez Maiores


A empresa Brasil Foods (BRF), criada a partir da fusão das gigantes Perdigão e Sadia é o exemplo mais acabado de como funciona o capitalismo selvagem praticado por essas verdadeiras predadoras do mercado globalizado. Para superá-la talvez só mesmo as gigantes do petróleo, as montadoras de veículos, as mineradoras e os bancos tamanha é a ferocidade com que atua na disputa por fatias cada vez maiores do mercado de produtos alimentícios industrializados.
Com lucros e investimentos cada vez maiores, contando ainda com a benevolência financeira do governo federal através dos polpudos empréstimos do BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, a gigante BRF ameaça e destróis os seus concorrentes tanto aqui no Brasil como no exterior onde a sua presença vai se tornando parte do cotidiano.
Tendo como investidores os famosos Fundos de Pensão de empresas estatais (Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal entre outros) e os chamados aplicadores no mercado de ações (os especuladores) a empresa tem se colocado como uma atraente fonte de dividendos para os que buscam lucros com menos riscos.
Afinal, fugir dos riscos do mercado tem sido a tônica do crescimento da BRF. A filosofia da empresa é aquela já conhecida de cortar gastos ao extremo para expandir os seus lucros e dos acionistas ao máximo, nem que para isso ser alcançado mantenha salários reduzidos e faça de tudo para peitar os sindicatos mais arredios ao seu controle e aqueles que optaram por ficar fora de sua “área de influência”.
E não são apenas os sindicatos de trabalhadores que sentem o seu enorme poder de fogo. Os produtores de frangos fornecedores da BRF também sentem a pressão da empresa na hora de negociar com ela. Não são eles quem ditam os preços das aves mas a BRF que impõe o valor que ela ser o adequado para os seus interesses.  Em 2011 na cidade paranaense de Dois Vizinhos os produtores locais se organizaram e promoveram uma manifestação contra a forma que a BRF se relaciona com eles. Muitos a beira da falência por causa da política de preços praticados pela empresa que paga o que quer pelo fornecimento de aves e não o quanto seria justo para ambas as partes.

Fugindo da Crise e Lucrando cada vez mais
No início de 2012 a BRF, maior exportadora global de carnes de aves, anunciou um lucro líquido de R$ 1,37 bilhão em 2011, alta de 70% na comparação com 2010, impulsionada pelo bom desempenho do mercado externo.
"A BRF fechou o ano de 2011 com resultados expressivos. A empresa superou as estimativas de crescimento de receitas líquidas e investimentos mesmo diante do cenário econômico instável que permeou o período no mercado internacional", afirmou a companhia em seu comunicado à imprensa especializada.  Ver o site do Grupo Globo de Comunicação:  http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2012/03/lucro-da-brf-salto-70-em-2011-com-impulso-do-mercado-externo.html. – dados divulgados pela própria empresa.
"Estamos contentes com o resultado, porque foi um ano de cenário muito hostil para o nosso setor (...) aumentamos o faturamento no ano em mais de R$ 3 bilhões", disse o presidente executivo, José Antonio do Prado Fay, em conferência de imprensa para comentar o balanço.
As vendas externas somaram R$ 10 bilhões no ano passado, incremento de 12,3% sobre o ano anterior. Segundo Fay, houve crescimento das vendas para a África e para os países do Oriente Médio, mesmo com os conflitos da Primavera Árabe, que chegaram a afetar os embarques para estes países. Ele acrescentou que o Japão, que apresentou importante incremento, também teve aumento após tsunami que devastou parte do país em 2011.
A companhia informou ainda que a receita líquida somou no ano passado R$ 25,7 bilhões, alta de 13,3% ante 2010, "sustentadas principalmente pelo bom desempenho do segmento de carnes no mercado interno, da área de food services e do mercado externo".
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortização) em 2011 aumentou 23%, atingindo resultado recorde de R$ 3,2 bilhões.

BRF DIVULGA RESULTADOS DE 1º TRIMESTRE, COM CRESCIMENTO  DE 5,3% NA RECEITA E LUCRO DE R$ 153 MILHÕES

A companhia conquistou o grau de investimento na avaliação das três principais agências de rating.  A BRF fechou o primeiro trimestre de 2012 com receita líquida de R$ 6,3 bilhões, valor 5,3% superior ao mesmo período do ano anterior.  O lucro bruto no trimestre totalizou R$ 1,3 bilhão, recuo de 13%, refletindo primordialmente os desafios no mercado externo onde foram
experimentadas quedas importantes de preço. O lucro liquido no trimestre foi de R$ 153,2 milhões. Já o EBITDA atingiu R$ 532 milhões, margem de 8,4%, comparado com R$ 816 milhões do ano anterior e margem de 13,6%.  

Os resultados da companhia refletem cenário conjuntural desafiador  no mercado externo, como já observado no quarto trimestre de 2011. Alguns mercados importantes como  Japão e Oriente Médio ainda sofrem processo de ajuste e normalização do nível de estoques, e de fluxos de mercadorias. A receita com exportações foi de R$ 2,4 bilhões no trimestre, praticamente no mesmo patamar comparado com o primeiro trimestre do ano passado.

Por outro lado, a companhia teve bom desempenho com as vendas no mercado interno/varejo que somaram R$ 3 bilhões, crescimento de 11%, a despeito de consumo abaixo das expectativas no varejo brasileiro.   Da mesma forma, o segmento  de  food service apresentou boa performance e obteve receita 10,4% superior. Foram lançados 11 produtos entre linhas in natura e processados para grandes redes globais, plataforma de salgados, linha grill e produtos para rotisseria.

A companhia também conquistou o grau de investimento das três principais agências mundiais de classificação de risco (rating). As agências enfatizaram as vantagens competitivas como marca, distribuição, governança corporativa e solidez financeira entre outros.  Entre os meses de março e abril, a Standard & Poor´s e Moody´s atribuíram o grau de  investimento enquanto a Fitch Ratings reconfirmou a nota dada há um ano.
Fonte: http://www.brasilfoods.com/ri/siteri/web/arquivos/Release_1T12.pdf  - dados divulgados pela própria empresa.


A BRF, salários, benefícios e sindicatos: Arrocho, intimidação e troca de favores


Uma estratégia da BRF para manter os seus lucros protegidos das crises econômicas é a maneira como ela se relaciona com os seus “colaboradores” espalhados pelas suas plantas no Brasil. A sua política de Recursos Humanos também não é nova. Ela segue o velho receituário de tratar os salários como custos e não investimentos. Sendo assim ela arrocha salários e concede o mínimo de benefícios para os trabalhadores.

A sua relação com os sindicatos que representam os seus funcionários vai do agrado, da troca de favores, a intimidação e ao confronto aberto.  Sindicatos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, só para mencionar esses três estados onde ela tem uma presença muito forte na economia da região sul, são exemplos dessa sua lógica de proteção dos seus interesses econômicos.

Em Santa Catarina a maioria dos sindicatos, com raras exceções, sempre acabam por aceitar as imposições da empresa. Existem casos em que a empresa e o sindicato fizeram parcerias para a construção de academias e centros de lazer para os seus funcionários.  A BRF ajudou financeiramente nessas construções que passaram para o bem móvel do sindicato onde inclusive é taxativa a presença da empresa com propagandas na sede da entidade. No Rio Grande do Sul e no Paraná a realidade não é muito diferente.

Nas cidades de Carambeí e de Ponta Grossa os sindicatos ali existentes podem ser chamados de “ovelhas negras”, pois dificilmente se curvam aos interesses da empresa. O sindicato STIMLACA, da cidade de Ponta Grossa, é um exemplo de como a BRF trata os desobedientes. Os representantes da empresa que negociam os acordos coletivos de trabalho com os demais sindicatos do estado não o aceitam na mesma mesa de negociação, fazem campanhas internas contra a participação dos seus funcionários nesse sindicato e pressionam os dirigentes sindicais de todas as maneiras possíveis.

Para aqueles que optam por um relacionamento “harmônico” com a BRF existe a política da troca de favores, da premiação, do tratamento diferenciado na hora de negociar aumentos salariais e benefícios para os trabalhadores. Para os arredios, rebeldes e independentes temos a pressão, o arrocho e o confronto aberto puro e simples. Como é o caso das negociações salariais de 2012/2013 onde mais uma vez o sindicato de Ponta Grossa e seus dirigentes foram postos para fora das discussões iniciadas com os demais sindicatos de Toledo, Dois Vizinhos, Paranaguá e Francisco Beltrão.  Outro que ficou de fora foi o SINTAC da cidade de Carambeí onde a empresa tem uma de suas principais plantas no Paraná com cerca de 4,5 mil funcionários.

Ainda em Santa Catarina a BRF demitiu dirigentes sindicais e no Paraná, em Carambeí, ela demitiu trabalhadores da Comissão de Negociação criada pelo sindicato local para participar das rodadas de negociação salarial deste ano.  Somente com muita pressão do sindicato é que ela decidiu rever essas demissões. Por mais que ela tente se mostrar como uma empresa moderna, na realidade ela é só mais uma que explora ao máximo a força de trabalho passando por cima de tudo e de todos para conseguir cada vez mais lucros e o domínio completo do mercado onde atua. As doenças do trabalho também tem maior incidência entre os seus funcionários. Será apenas coincidência? Acredito que não.

AÇÃO DIRETA

AÇÃO DIRETA
O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

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