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"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



domingo, 29 de maio de 2011

ESPANHA - REPRESSÃO DO ESTADO CONTRA MANIFESTAÇÃO NA PRAÇA CATALUNHA - DESALOJO DE PLAZA CATALUnA 27 MAYO 2011

NOVO CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO: MAIS UMA TRAIÇÃO DO PC DO B CONTRA OS TRABALHADORES.

Na foto Aldo Rabelo (PC do B) e a senadora do DEM, Kátia Abreu, junto com ruralistas numa manifestação pela aprovação do novo código florestal brasileiro.

O VERDADEIRO CARATER DE CLASSE DO PC DO B


A defesa intransigente dos interesses do agronegócio e do latifúndio levada adiante pelo PC do B na questão da mudança do Código Florestal brasileiro demonstra o quanto esse partido já se tornou mais um entrave às lutas dos trabalhadores do campo e da cidade.


Rui Amaro Gil Marques

Coletivo de Ação Direta Comunistas no Brasil ADC Paraná


O deputado federal Aldo Rabelo, do PC do B, demonstrou como Relator do projeto de alteração do Código Florestal brasileiro o quanto o seu partido se afastou das lutas dos trabalhadores do campo e da cidade. Rabelo, em seu relatório final, fez o possível para garantir que os ruralistas tivessem seus interesses protegidos, como também se mostrou um baluarte do atraso da política brasileira.


Não foi a toa que a senadora Kátia Abreu (DEM) e presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) fez questão de levá-lo para todas as manifestações organizadas pelos grandes fazendeiros e pelo latifúndio em favor das mudanças no Código Florestal. Ela, inclusive, chegou a chamá-lo de “um comunista que defende a agricultura e os produtores rurais brasileiros contra as ONGs ambientalistas financiadas por governos estrangeiros, um companheiro de primeira hora na luta em defesa dos interesses nacionais” nos seus vários discursos no senado e nas manifestações promovidas pela CNA.


Rabelo e o seu PC do B, seguindo o curso lógico dos partidos da esquerda institucional, fazem de tudo para demonstrar a classe dominante que é um partido “comunista” defensor da legalidade, do progresso nacional e que no seu “caminho ao socialismo” há espaço para os interesses daqueles que exploram a classe trabalhadora e roubam as nossas riquezas naturais. Para Rabelo e o PC do B as lutas de classes e a revolução definitivamente são peças de museu e que não existem antagonismos entre os interesses daqueles que nos exploram e os nossos interesses de classe explorada.


Rabelo e o seu partido defenderam justamente aqueles que mais lucraram com os quase 30 anos de ditadura militar no Brasil. Gente que financiou a repressão, os seqüestros, a violência e os assassinatos cujas vitimas foram inclusive militantes do próprio PC do B que lutavam contra a ditadura e o atraso do latifúndio. Para Rabelo e o PC do B o progresso nacional está intimamente ligado ao fortalecimento do agronegócio e a manutenção da expansão do latifúndio em detrimento da recuperação das áreas devastadas e da proteção das nossas florestas, incluída aí a Amazônia e sua enorme biodiversidade.


O PC do B, através de Rabelo e dos seus outros 12 deputados federais, expôs qual é a sua verdadeira visão de agricultura e de desenvolvimento nacional. Ou seja, uma agricultura voltada quase que exclusivamente para a exportação e um desenvolvimento nacional conservador que mantenha as atuais estruturas sociais e econômicas intocáveis. A mesma que vem sendo aplicada há mais 500 anos em nosso país.


O PC do B e seus valorosos deputados liderados por Rabelo se juntaram ao que pior existe na política brasileira. Enquanto no Pará e em outras regiões camponeses são assassinados por lutar contra o latifúndio e a destruição das florestas os “comunistas” do PC do B defendem os interesses dos criminosos e dos inimigos das florestas no congresso nacional. Rabelo e o PC do B não só se sujaram as suas mãos com o sangue dos que tombaram defendendo a reforma agrária e o meio ambiente como também se colocaram contra as lutas dos trabalhadores brasileiros por um país verdadeiramente independente sem miséria e fome. O que jamais será alcançado defendendo o atraso e o latifúndio. Nas próximas propagandas do PC do B eles poderiam acrescentar o seguinte slogan: “PC do B, o partido do socialismo e do latifúndio”.

Crise nuclear japonesa estimula protestos anti nuclear na Europa

Confrontos na Grécia

A Grécia em greve

Os gregos estão indignados e revoltados cada vez mais

15 de Maio em Espanha! Indignados e organizados

sábado, 28 de maio de 2011

ITÁLIA: CRESCEM AS LUTAS OPERÁRIAS CONTRA A CRISE.

Lutas operárias agora atingem a Itália
Escrito por Partido de Alternativa Comunista - Itália
Sex, 27 de Maio de 2011 04:12

Sobre a onda das revoluções no mundo árabe e as novas manifestações na Europa (Grécia, Espanha, Portugal, Grã-Bretanha etc.) as lutas dos operários começam a se reconstituir também em nosso país. Os difusores de ilusões – desde os ministros aos burocratas sindicais – convidam os operários a “esperarem” tempos melhores, convencendo-os a aceitarem acordos que prevêem demissões em massa (talvez disfarçada e camuflada de “mobilidade” ou de “afastamento temporário do trabalho”, porém, há poucas horas os operários deram uma justa resposta a estas manobras e enganos. Enquanto a empresa Fincantieri apresentou um plano que prevê mais de 2500 demissões e o fechamento das unidades de Sestri Ponente em Gênova e Castellammare di Stabia em Nápoles e a um drástico redimensionamento da companhia de Riva Trigo em Gênova, a revolta e mobilizações dos operários não suportou esperar.
Em Castellammare: os operários ocupam a sede do município e bloqueio de estrada
Já no fim da noite de segunda feira, 23 de maio, os operários do canteiro de Castellammare, com cerca de centenas de pessoas, ocuparam a sede da prefeitura. Entretanto, a presença de policiais prontos a utilizarem a força contra quem reivindica direito ao trabalho foi algo presente, porém dezenas de operários conseguiram entrar e ocupar por várias horas o edifício central. Os operários demonstraram entender perfeitamente de que lado estão os representantes das instituições locais: significativamente obrigaram o prefeito, capitão da polícia e o vice prefeito a ficarem trancados nos seus escritórios. Depois de meses de promessas vazias e pedidos de calma da parte dos representantes das instituições, hoje os operários pedem justamente a conta: é a expressão de uma justa revolta contra quem, por vários meses contando mentiras ( e continuando a contar, o prefeito teve a coragem de dizer, na tentativa de desmobilizar a manifestação, que no protesto dos operários havia “infiltração da máfia”!). O protesto dos operários se estendeu sobre a estrada sorrentina, onde o tráfego foi fechado por centenas de manifestantes por diversas horas.
Gênova: prefeitura ocupada!
A justa revolta operária explodiu também em Gênova, terça feira de manhã, onde centenas de operários da Fincantieri tomaram conta das filas de uma manifestação de um sindicato “institucional” puxado pelo prefeito de Gênova e de outros representantes e direcionaram o protesto para a ocupação da prefeitura, que por ocasião era cercada por agentes de polícia antimotim. Um operário na frente da tropa de polícia comentou ironicamente: “olha a resposta que recebemos do Estado”. Mas os operários não se deixaram intimidar manifestando suas revoltas contra o executivo da companhia, Giuseppe Bono, e contra o ministro do desenvolvimento econômico Paolo Romani. Logo depois tentaram romper o cordão policial reivindicando seus direitos e seus postos de trabalho. A reação por parte da polícia como sempre foi violenta: alguns operários ficaram feridos. Mas os trabalhadores em luta demonstraram saber se defender não se intimidar.

Ocupação da fábrica e controle operário: a única resposta diante da crise

O Partido de Alternativa Comunista exprime todo apoio a luta dos operários do grupo Fincantieri: uma luta que deve servir de exemplo para todos os operários que hoje estão para perder seu posto de trabalho. As promessas da parte dos ministros e administradores, os acordos rebaixados das burocracias sindicais e seus pares (acordos que prevêem amortizadores sociais e mobilidade), os pedidos de “calma” e a espera de “tempos melhores”, diante dos olhos dos operários representam: todo o tipo de mentiras e enganações úteis somente para fragmentar e abrandar as lutas em detrimento dos interesses dos patrões. Os operários da Fincantieri hoje demonstram a toda a classe trabalhadora como se responde as demissões e ao fechamento das fábricas: com a resistência operária, com a luta dura e com a legítima defesa organizada contra a violência dos patrões e do Estado.

As direções sindicais (da Uilm, da Fim, mas também da Fiom), depois de ter alimentado ilusões entre os trabalhadores e depois de ter prorrogado a luta, hoje, anunciam ...somente 8 horas de greve! No momento em que seria necessário proclamar uma greve prolongada em todos os estabelecimentos do grupo, com ocupações das fábricas, o anuncio de 8 horas de greve parece tragicamente ridículo. Dia 06 de junho está previsto um novo encontro entre a empresa e os sindicatos: os operários têm nestas horas demonstrado que estão dispostos a lutarem até o fim. É necessário avançar no nível de enfrentamento: as greves simbólicas de poucas horas ou de apenas um dia, como a experiência nos ensina que podem somente dar a vitória para os patrões com a imposição de demissões.

O Partido de Alternativa Comunista, ao lado dos trabalhadores do grupo Fincantieri, reivindica:
- Ocupação das fábricas e greve prolongada até a retirada de todas as demissões!
- Organização de autodefesa operária: os trabalhadores têm todo o direito de defenderem suas lutas e seus postos de trabalho!
- Abertura dos livros contábeis da Fincantieri: os operários têm o direito de conhecerem as contas reais!
- Controle operário das fábricas!
Lutamos e nos unimos na perspectiva de desenvolver e as lutas contra o ataque do governo e patronato! Coordenemos as lutas em nível europeu e internacional!
Tradução: Rogério Freitas

ESPANHA: CRESCEM AS MOBILIZAÇÕES CONTRA A CRISE CAPITALISTA

“Indignados” invadem as praças da Espanha contra a crise e o desemprego
Escrito por PSTU - Brasil

“Rebeldes sem causa?”. Não, “rebeldes sem casa”, ironizam manifestantes
Os jovens e trabalhadores da Espanha querem transformar o país em um novo Egito. Mas agora, no lugar de Mubarak estão a crise, o desemprego, as reformas e os cortes sociais do governo do primeiro-ministro ‘socialista’ José Luis Zapatero, cujo governo joga sobre as costas dos trabalhadores, sobretudo os mais jovens, as conseqüências da recessão.
Inspirados pela onda de revoltas que percorre o Norte da África e o Oriente Médio, dezenas de milhares de espanhóis ocupam as praças de centenas de cidades em todo o país, tendo como epicentro a Praça Puerta del Sol, no centro de Madri, em que elegeram a nova Praça Tahir. Bandeiras do Egito erguidas pelos manifestantes deixam claro de onde vem a impulso para a jornada de lutas.
Indignados
O movimento foi deflagrado no dia 15 de maio, domingo, quando uma jornada de protestos levou dezenas de milhares de espanhóis às ruas. A partir de uma convocação difundida pelas redes sociais da Internet, um grupo de jovens acampou na praça do centro de Madri e, em poucos dias, foi seguido por outros milhares de outros jovens, assim como trabalhadores e desempregados.
O número de “indignados”, como são chamados pela imprensa, passou dos 50 no domingo do dia 15 para 4 mil pessoas na quarta. Na noite de sexta-feira, dia 20, algo como 25 mil pessoas, segundo a própria polícia, lotavam completamente a Praça de Madri e a multidão já tomava as ruas e as praças ao redor.
A fim de manter as praças permanentemente ocupadas, os jovens e trabalhadores adotaram um sistema de rodízio. A população vem apoiando de forma massiva as manifestações ajudando, entre outras coisas, na alimentação dos acampados. E, assim como na Praça Tahir, a própria população se organiza para garantir a existência do acampamento, com comissões cuidando da alimentação, limpeza ou comunicação.
A Espanha é o país europeu que mais sofre com o desemprego, que atinge mais de 20% da população e mais de 40% dos jovens. O movimento, chamado de 15-M, além de repudiar os ataques do governo espanhol aos direitos sociais, rechaça os partidos tradicionais do país, os sindicatos e as centrais atrelados ao Estado, como a CCOO e a UGT.
Sem emprego, e sem medo
Assim como a onda de revoltas nos países árabes, as ocupações das praças na Espanha, fruto de uma mobilização espontânea, pegou a todos de surpresa. A tag (expressão) #spanishrevolution se propagou no mundo todo e, do dia 15 ao dia 20, já havia sido escrita quase 600 mil vezes no twitter. A imprensa tenta agora decifrar o significado da mobilização que tomou conta do país. O que parece indiscutível é que os jovens perderam a paciência com a grave crise e os sucessivos ataques do governo à população. E resolveram agir.
Diversos manifestos foram divulgados pelos manifestantes, com reivindicações que vão a empregos, moradias e melhores salários a reforma política e maior democracia, daí um dos slogans do movimento “Democracia Real Ya”.
Usando como pretexto as eleições municipais desse dia 22 de maio, a Junta Eleitoral e o Supremo Tribunal decretaram as manifestações ilegais. Os jovens, porém, não recuaram e estão dispostos a confrontar a decisão judicial, sob os gritos de “no, no vamos, no vamos”. A polícia, por outro lado, mesmo reconhecendo a “ilegalidade” da manifestação, declarou que não iria dispersar a manifestação, caso não ocorresse nenhuma “perturbação” à ordem.
A verdade é que tanto a polícia quanto o governo se vêem impotentes diante da onda de mobilizações, que só cresce na Espanha e se espalha agora para outros países, como a Itália.

CUBA: A POLÊMICA SE AMPLIA.

Cuba: a polêmica se amplia
Escrito por Eduardo Almeida
Qua, 25 de Maio de 2011 01:31
O debate sobre a situação cubana irá, cada vez mais, dividir águas na esquerda latino-americana. A LIT-QI publicou recentemente uma declaração sobre Cuba chamando a solidariedade ao povo cubano. O documento gerou duras respostas dos setores castristas. Uma delas nos chamou a atenção, a do PC brasileiro, assinada por dois militantes que afirmam serem estudantes e morarem na ilha.
A resposta teria a vantagem de partir de um elemento a favor (militantes que estão vivendo em Cuba) para lhe dar certa autenticidade. Infelizmente, todo o texto vem carregado das piores características do stalinismo: falsificações grosseiras para tentar ganhar uma discussão.
Estive em Cuba em 1996. Não com uma delegação oficial, nem dependendo dos favores do governo cubano. Acho que a esquerda latino-americana deveria viajar e ver o que se passa na ilha para se posicionar com clareza. Ou seja, fazer o que esse texto de militantes do PCB busca esconder, ver o que acontece em Cuba neste momento.
Uma cubana me dizia nessa viagem que o povo cubano acha que toda a "esquerda latino-americana" apoia o governo. As contradições na ilha estão se aprofundando e podem ocorrer explosões semelhantes às do Leste Europeu. É importante que todos se preparem para enfrentar esse desafio, ou uma nova leva de desencanto vai se abater sobre a esquerda no continente, como a que houve depois do Leste.
O PC brasileiro apoia 500 mil demissões?
O fato mais impactante no último congresso do PC cubano foi a demissão de 500 mil trabalhadores públicos. Isso é só o início, porque estão previstas 1,3 milhão de demissões. Isso iguala essas resoluções à dureza dos planos neoliberais do FMI que estão sendo aplicados em todo o mundo. Na verdade, supera a maioria deles, porque atinge 10% de toda a força de trabalho cubana (cinco milhões).
Esse fato é chamado no documento dos militantes do PCB de "redistribuição, e não a demissão, como insiste erroneamente a LIT, dos trabalhadores nos diferentes setores da economia”. Teria, segundo o PCB, o objetivo de "diminuir a burocracia do Estado".
Como não pode justificar o injustificável, o PCB falsifica a realidade. Essas 500 mil pessoas estão sendo convidadas a trabalhar por conta própria ou se juntar a cooperativas, com grandes chances de fracasso em uma economia em crise. Isso vai ter enormes consequências sociais e políticas. Está havendo um ataque brutal aos trabalhadores cubanos, nossos irmãos de classe. A atitude do PCB é ainda mais grave do que a da CUT e da Força Sindical, que se calaram em relação às quatro mil demissões nas obras de Jirau. O PCB defende as demissões, se solidarizando com os patrões, o governo cubano.
O PC brasileiro contra o igualitarismo
Um segundo fato de enorme impacto social e político foi o fim da caderneta de racionamento, a "libreta". Ela foi reduzida ano após ano, já não correspondendo mais do que às necessidades alimentares de menos de uma semana na vida de um cubano. Agora ela acabou.
Raúl Castro, em seu discurso perante o congresso do PC, atacou a libreta por seu "nocivo caráter igualitarista".
Isso foi previsto na declaração da LIT, que diz: “a maioria dos produtos que faziam parte da caderneta de abastecimento foi eliminada, ao mesmo tempo em que se anuncia o fim da própria caderneta”.
O PCB repete Castro: "Isso realmente tem acontecido, no entanto, os produtos têm sido redirecionados aos setores sociais mais desfavorecidos. O fim do igualitarismo é uma das metas em curto prazo, já que isso não é um princípio socialista. Se é fato que a sociedade cubana hoje apresenta níveis de desigualdades (em proporções abismalmente distintas de qualquer sociedade capitalista), é dever do Estado socialista buscar um resgate do equilíbrio. Esse é um dos atuais objetivos. A caderneta pode num futuro deixar de ser universal para atender mais e melhor aos que mais precisam".
Ou seja, o PCB se solidariza com o "fim do igualitarismo" citado por Raúl Castro e concorda com o fim da libreta. Mas diz que é para "um resgate do equilíbrio" e para ajudar "os que mais precisam".
Em uma primeira fase da transição ao socialismo, não se pode chegar ao objetivo estratégico socialista "a cada um segundo suas necessidades, de cada um de acordo com suas capacidades". Essa meta só pode ser atingida em uma situação de abundância, produto de uma planificação internacional da produção socializada. Mas a busca do igualitarismo - da redução das desigualdades - é sim uma meta da transição ao socialismo.
Isso não tem nada de nocivo, caso o objetivo seja realmente o socialismo. Este não é o caso de Cuba com a restauração do capitalismo. Lá o princípio aplicado é outro: a distribuição determinada pelo mercado, segundo o dinheiro dos que podem comprar.
O PCB defende um salário médio de 18 dólares?
O PCB admite que o salário dos cubanos é de 18 dólares, mas logo depois busca justificar esse absurdo: "O salário mínimo é de cerca 400 pesos cubanos, equivalentes aos 18 dólares relatados no texto da LIT. Mas o essencial que omitiu é o real poder aquisitivo do peso cubano internamente. Exemplifiquemos. O quilo do arroz e do feijão custa 2 pesos cubanos, equivalente a 15 centavos de real para o cubano."
Ou seja, os cubanos realmente ganham pouco. Menos ainda do que admite o PC, porque o salário médio e não o mínimo é de 18 dólares. Mas, segundo o PC, os cubanos gastam menos ainda para viver. Isso é apenas mais uma mentira. Não se encontra nada nos "mercados oficiais" por esses preços. Mas existem em todos os bairros os "shoppings", que são pequenos ou grandes mercados em que se vendem todos os produtos encontrados em um estabelecimento semelhante nos bairros populares brasileiros. Semelhante também nos preços, proibitivos para os cubanos, que ganham cerca de R$ 30 mensais.
Existe um Estado operário em Cuba?
Para o PCB, as medidas do governo cubano servem para reforçar o socialismo: "Através do controle do Estado sobre as principais empresas estratégicas, planificação da economia e a manutenção das mais importantes conquistas da revolução nas áreas da saúde, educação, arte e cultura e produção de ciência e tecnologia, Cuba pode resistir a tal contra-ofensiva."
A primeira discussão é se continua existindo um Estado operário em Cuba ou não, exatamente porque essas premissas tidas pelo PC como óbvias, simplesmente não existem.
Uma economia em transição para o socialismo, ainda em meio a dificuldades, produz em grandes empresas estatais, de forma planificada, para satisfazer as necessidades da população. Sua relação com o mercado mundial, sempre fonte de tensões permanentes pelo domínio imperialista, é feita de forma centralizada pelo Estado. Assim, um Estado operário se caracteriza pela planificação da economia, pelo monopólio do comércio exterior e pela estatização das empresas.
A planificação da economia foi abolida em julho de 1992. Na mesma época, foi eliminado o monopólio do comércio exterior, passando o comércio a ser feito diretamente pelas empresas.
Os setores mais importantes da economia cubana foram privatizados. Hoje, o polo mais dinâmico é, sem dúvida, o turismo, em mãos de multinacionais europeias, como as redes Sol e Meliá. Desde 1994 a produção de açúcar já estava, pelos dados do próprio governo, com cerca de 80% em mãos de cooperativas privadas. A empresa estatal telefônica cubana (Etecsa) foi privatizada antes mesmo que a Telebrás no Brasil, na forma de “empresa mista”. Foi repassada para o grupo mexicano Domus e depois para uma subsidiária da italiana Telecom. O grupo europeu Altatis comercializa os charutos cubanos, e a empresa francesa Pernord Ricard controla o Havana Club, um rum cubano.
A economia cubana produz para o mercado a partir da restauração do capitalismo, da mesma forma que a China. O Estado é definido pelo marxismo a partir das relações de propriedade que defende. O Estado cubano defende essas novas relações, devendo ser caracterizado como um novo Estado burguês.
As perdas nas conquistas
É evidente que a ilha ainda mantém algumas conquistas que foram produtos da revolução. Os índices sociais cubanos são melhores que os de muitos países imperialistas. Isso só mostra o que pode fazer uma economia estatizada e planificada, apesar da burocracia. Mas essas conquistas estão claramente em retrocesso com a restauração do capitalismo e, agora, com as decisões do congresso do PC.
Quando estive em Cuba, conversei muito com as pessoas. Como sou da área da saúde, entrei em um hospital de Havana e falei com um médico de pronto-socorro, que fazia um trabalho bem parecido com o que faço em hospitais de São Paulo. Ele me recebeu muito bem, me mostrou com tristeza a situação em que trabalhava, sem materiais básicos, e que os pacientes tinham de trazer lençóis para as macas. Por fim, me falou quanto ganhava: oito dólares, naquela época. Eu lhe perguntei como vivia. Respondeu que alugava um quarto para turistas em sua casa. E me perguntou se eu não queria ficar lá também.
Próximo aos hotéis em Cuba há uma permanente legião de prostitutas. Um sintoma gravíssimo dos males do capitalismo. Nenhum militante de esquerda, que ainda tenha algo de revolucionário em suas veias, pode deixar se indignar com essa realidade.
O regime de Cuba é um exemplo?
Existe uma ditadura em Cuba, que ainda tem bases sociais em um setor restrito da população. Essa ditadura é repudiada pela maioria do povo cubano. Basta conversar com as pessoas nas ruas, desde que seja fora das vistas dos membros do PC ou do Estado. Uma ditadura que tem nos Comitês de Defesa da Revolução (instalados em cada quarteirão) uma espécie de delegacia de polícia política local.
Falei com uma operária de uma fábrica de carteiras de couro que recebia seis dólares mensais naquela época. Perguntei a ela por que não existiam greves em Cuba. Ela me respondeu que o sindicato era ligado diretamente ao dono da fábrica. Se alguém protestasse seria demitido, preso e nunca mais conseguiria emprego.
"A presença nas assembleias não é obrigatória, mas é difícil chegar numa em que não exista ao menos um representante por família. Inclusive as crianças têm direito a expressão, e o utilizam intensamente”, descreve o PCB.Estive em uma dessas "assembleias populares". Era uma reunião de umas oitenta pessoas, das quais quinze participavam e as outras estavam formalmente, por obrigação.
Perguntei o motivo e logo soube que, se não frequentar as "assembleias", a pessoa pode ser denunciada pelos CDRs. Por isso estavam ali, assim como eram obrigadas a ir às "marchas" e "passeatas".
Entre as quinze que participavam estavam moradores descontentes que denunciavam a situação realmente terrível de um edifício que (como muitos em Havana) tinha já desabado em parte e ameaçava cair de vez. Os representantes do PC não deram nenhuma resposta concreta às demandas e terminaram elegendo seu delegado.
Censura à imprensa
Segundo o PCB, quanto ao acesso à informação no país, “é verdade que o Granma é o órgão de informação oficial do Partido Comunista Cubano, que é distribuído em todo o país. Mas o/a autor(a) do texto esqueceu de informar sobre as outras dezenas de publicações especializadas, políticas, culturais e de lazer publicadas em todo o país, por organizações populares, nas quais as críticas e autocríticas ao processo revolucionário são frequentes, quase cotidianas... Infelizmente, talvez não pôde aproveitar os debates com especialistas cubanos e de outros países sobre a situação no Oriente Médio, ocorridos no programa Mesa Redonda, que diariamente enfoca temas de importância nacional e internacional em horário nobre."
Ou seja, segundo o PCB, não é verdade que existe uma censura brutal em Cuba. Há debates, críticas e autocríticas, uma verdadeira democracia não só nos jornais, mas também na TV e "sem propaganda comercial".
Sim, existem muitas publicações e programas de TV. O Granma é o único jornal diário. E todas as outras opções, rigorosamente todas, de acordo com a política do PC cubano. Por exemplo, não existiu nenhum programa em que se pôde assistir a uma crítica ao apoio de Cuba a assassinos e genocidas como Kadafi ou Assad.
Perguntamos aos autores do artigo: vocês estariam de acordo que o PSTU apresentasse essas críticas a Fidel na TV cubana? Ou ainda no jornal Granma? Ou vocês estão de acordo com a ditadura de partido único na ilha? Estão de acordo com a proibição de que partidos como PSTU ou PSOL existam hoje em Cuba?
Apesar de vocês terem acordo com a ampla maioria das posições do PC cubano, não estão completamente de acordo em tudo. Recentemente o PCB publicou uma dura crítica ao presidente Chávez por ter entregado à polícia colombiana o jornalista Javier Pérez Becerra, diretor da agência de notícias ANCOLL. Fidel manteve o mais absoluto silêncio sobre o tema.
Vocês estariam de acordo em exigir que fosse lida a declaração de vocês na TV cubana? E fariam no tom mais fraternal possível a crítica ao comandante Fidel pelo seu inadmissível silêncio?
Opino que vocês não fariam isso. Se isso acontecer, ficará demonstrado que vocês sabem que o reino do debate, da crítica e da autocrítica não existe. É apenas mais uma fantasia a serviço da defesa de uma ditadura stalinista. Infelizmente, uma defesa feita também com métodos stalinistas.
Fonte: Jornal Opinião Socialista no. 423/maio de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

NOTA DO COMITÊ CENTRAL DO PCB SOBRE A DISSIDÊNCIA DE SÃO PAULO.



imagemCrédito: PCB

(Nota Política do PCB)

Um grupo reduzido de militantes do PCB de São Paulo anunciou, em nota pública, sua decisão de retirar-se das fileiras do Partido. Este grupo era dirigido por um pequeno núcleo de dirigentes partidários de São Paulo.

Trata-se de uma articulação cujos primeiros sintomas apareceram já no XIV Congresso do Partido, em outubro de 2009, quando esse núcleo dirigiu ação organizada de um grupo de delegados paulistas, alguns desconhecidos da direção do partido em SP. Foi a única delegação em que esse fenômeno se deu, pois na tradição dos congressos comunistas os delegados são plenos e não representantes de Estados e muito menos de grupos.

Frustrados em sua ilusão de ganhar projeção no Congresso, e sem apresentar nenhuma divergência política que pudesse dar base a uma justificativa para a saída da organização, partiram para um projeto de se fortalecer como grupo em SP, com métodos antileninistas, tentando construir no Estado um “bunker” para tentar levar a luta interna em âmbito nacional, com os olhos voltados para o próximo congresso. Chegaram recentemente, sem sucesso, a promover viagens a outros Estados para tentar abrir dissidências regionais.

Mais alguns fatores abortaram este plano que, como veremos, dialoga com interesses externos ao Partido. O primeiro fator foi a abertura de um processo disciplinar para apurar indícios de formação de grupo, que até agora havia resultado na expulsão de um único militante (o mais deletério e desagregador) e na suspensão de um outro que, convidado a esclarecer suas divergências ao CC (Comitê Central), não compareceu às reuniões convocadas.

Mas o fator mais importante foi a divulgação de uma Nota Política da CPN (Comissão Política Nacional) do PCB, a partir de uma decisão do Congresso e do Comitê Central, sobre a questão sindical, que aqui analisaremos mais adiante.

É importante esclarecer que nenhum militante foi expulso por divergir politicamente. Pelo contrário, a postura da Direção Nacional foi sempre de trazer o debate para o campo político, como a decisão de chamar os envolvidos para que apresentassem seus motivos nas instâncias adequadas ao debate, ao invés de usarem - como fizeram e ainda estão fazendo mesmo fora do Partido - meios eletrônicos para além dessas instâncias e até das fronteiras partidárias.

No entanto, para o grupo dissidente, o debate político não interessava, uma vez que sua tática era imolar-se como vítimas de uma perseguição injusta. A expulsão de um único militante, que se recusou reiteradamente a exercer o direito de defesa para fazer a discussão política, se deu por causas muito precisas: recusa a acatar o chamamento do CC para apresentar sua defesa; boicote a resoluções partidárias; ameaças constantes de agressão física e intimidações a dirigentes e militantes de base; práticas renitentes de insuflar a militância e os amigos do PCB contra o Partido e sua direção e outras ações fracionistas e desagregadoras.

As táticas utilizadas pelo grupo para recrutamento foram a calúnia e o envenenamento político contra membros da direção nacional e regional, o acirramento de uma falsa contradição entre militantes e intelectuais orgânicos do Partido, como se o trabalho no movimento de massas fosse incompatível com a produção teórica e como se esta fosse da responsabilidade apenas de acadêmicos. Trata-se de uma postura própria de um obreirismo primitivo, vinda de militantes de classe média que se autoimaginam operários, numa construção tipicamente pequeno-burguesa.

Outra tática utilizada foi a criação de falsas polêmicas. A mais grosseira delas é a “acusação” de que a direção nacional do PCB está mudando a linha política do partido, conciliando com o programa democrático popular, o governo Dilma e correntes reformistas.

Com estas práticas fracionistas e contando com uma infraestrutura e recursos acima das possibilidades materiais das demais direções estaduais do PCB, esse pequeno núcleo acabou por levar alguns jovens militantes a se organizarem numa “cruzada” dos “militantes sociais”, para salvar o PCB dos “intelectuais, pequenos burgueses e reformistas”. Um verdadeiro Exército de Brancaleone, que não merecerá a mínima referência na história do PCB, da mesma forma como aconteceu com os que tentaram o mesmo tipo de ação – voltada diretamente para o ingresso em outra agremiação política – no XIII Congresso do Partido, em 2005. Vão para o lixo da história e vagarão erraticamente à procura de organizações que estejam à altura de sua “combatividade”.

Não se envergonham inclusive de espalhar notícias mentirosas, tentando insinuar que a saída de militantes se dá em âmbito nacional. Não tiveram êxito em “levantar” o PCB em qualquer outro Estado e, em São Paulo, envolveram poucos militantes. Na reduzida relação dos signatários do manifesto, metade é de apenas uma cidade de São Paulo (Campinas). Ainda constam nomes de desconhecidos, de pessoas que abandonaram há muito tempo o trabalho partidário, de não militantes do PCB e inclusive de alguns que foram incluídos à sua revelia e que já começam a informar à direção do Partido sua contrariedade com o uso de seus nomes.

Estamos certos de que alguns dos militantes que assinaram este documento e que não forem para o campo do anticomunismo, acabarão se envergonhando de terem sido cúmplices, a maioria como inocentes úteis, de mais uma infrutífera tentativa de desagregar o PCB. Quanto aos mentores do grupo, a sua saída depura ideologicamente e fortalece organicamente o PCB. E ainda nos ajuda a tirar do episódio importantes lições para a defesa e o fortalecimento do Partido.

Contudo, a saída deste pequeno grupo de militantes do PCB de São Paulo deve, sem dúvida, ser objeto de uma análise autocrítica do Comitê Central e, sobretudo, da Comissão Política Nacional (CPN) do Partido.

As razões principais que propiciaram esse fato – e que precisam ser enfrentadas e superadas - são as debilidades do nosso trabalho de formação política e ideológica, o recrutamento superficial, a falta de um instrumento ágil de comunicação interna e deformações no exercício do centralismo democrático que, para se desenvolver como um caminho de mão dupla, necessita de células vivas, em interação permanente com as direções intermediárias e destas com o Comitê Central.

O processo e os desafios da reconstrução de um partido revolucionário não podem ser idealizados. Temos nossas limitações e sabemos que o processo de reconstrução – assim como o processo revolucionário em geral – não é linear e muito menos imune a contradições políticas, culturais, sociais e ideológicas, pois se dá em meio a uma sociedade capitalista. Assim, reconhecemos que estas debilidades permitiram que este pequeno núcleo de dirigentes partidários de SP tivesse espaço para articular um grupo e criar uma luta interna claramente artificial.

A direção nacional do PCB tem outra autocrítica a fazer. A conciliação com este grupo, desde antes do XIV Congresso, e a morosidade em abrir o processo disciplinar, o que só aconteceu recentemente e assim mesmo para apurar “indícios” de formação de grupo. De fato, foi grande a paciência da CPN, que conciliou novamente quando, no Congresso da UJC (União da Juventude Comunista), em 2010, tentaram dar golpes para dividir e tirar o brilho do evento, inchando número de delegados, agindo como bancada e apresentando uma tese paralela no segundo dia de realização do evento.

Mas não é mais necessário apurar estes “indícios” de formação de grupo. Tanto era um grupo, que saíram em grupo, o que é uma anomalia num partido comunista, em que a adesão é voluntária e individual. A saída em grupo exime a direção do Partido do ônus da prova de que havia um grupo!

O grupo já está caracterizado e público, mas o processo disciplinar não se encerrou, pois ainda é preciso analisar outros aspectos da questão, inclusive a postura que adotarão outros poucos ativos organizadores do grupo cujos nomes surpreendentemente não constam no manifesto de ruptura. Não pensem os militantes e amigos do Partido que a conta está fechada. A qualquer momento, podem surgir mais algumas poucas defecções públicas de figuras messiânicas e autocentradas, que podem optar por dar um toque pessoal e performático à sua saída, talvez para valorizar o seu “passe”, como já fizeram alguns. Esperamos, sinceramente, que estejamos enganados.

O processo disciplinar continua também, porque o CC vai ser informado detalhadamente, pela CPN, de fatos recentes que serão revelados na próxima reunião, inclusive de que membros do grupo que não são do CC e dirigentes de outras organizações tinham acesso, na íntegra, a documentos confidenciais e reservados ao CC. Mas, para além da cortina de fumaça das falsas divergências, fica claro, inclusive no documento de saída do grupo, que efetivamente há uma única divergência, que tem um conteúdo restrito à questão sindical.

Justiça seja feita, o primeiro signatário do manifesto de ruptura, o único deles que é do CC, foi renitente em expor essa divergência, lamentavelmente apenas por meios eletrônicos. Jamais expôs suas divergências presencialmente, pelo menos nas instâncias formais do Partido. Não compareceu ao XIV Congresso, apesar de delegado, e nas duas únicas reuniões do CC em que esteve presente permaneceu menos da metade de sua duração.

Sua maior preocupação, desde 2009, é atacar e desacatar uma única resolução do Congresso, boicotando o diálogo do PCB com as correntes sindicais do PSOL, com vistas à recomposição política da INTERSINDICAL que se dividiu em duas, em 2007, ficando em uma delas o PCB e a ASS (Articulação Sindical Socialista) e, na outra, as correntes sindicais do PSOL que não aderiram à CONLUTAS.

Sem querer desqualificá-lo, compreendemos que esta sua obsessão política tem muito a ver com o fato de, sendo empregado do combativo Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, conviver diuturnamente com valorosas lideranças da ASS, que discordam da proposta do PCB de aproximação com os companheiros que mantêm a outra INTERSINDICAL, com vistas à recomposição do campo original da entidade na perspectiva de sua ampliação com outros setores classistas.

O problema não é um militante pensar dessa maneira. O problema é ele descumprir resoluções congressuais adotadas democraticamente, neste caso por unanimidade. E ainda mais sendo um membro do CC.

domingo, 15 de maio de 2011

O MOVIMENTO SINDICAL E A REFORMA DO CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO: O DEBATE QUE NÃO HOUVE.

O Movimento Sindical e a Reforma do Código Florestal Brasileiro: O Debate que não houve.

“Parece que o movimento sindical acredita que a discussão sobre a reforma do Código Florestal não é de interesse dos sindicatos e nem dos trabalhadores. O que a meu ver é um erro de dimensões graves para o desenvolvimento do país”.


Rui Amaro Gil Marques
Assessor de Comunicação da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Paraná (FTIA PR).


A discussão da reforma do Código Florestal Brasileiro pega fogo no Congresso Nacional. Os ruralistas capitaneados pela Senadora Kátia Abreu (DEM) e presidente da Confederação Nacional da Agricultura e do Agro-negócio (CNA) apóiam freneticamente o projeto apresentado pelo deputado Aldo Rabello (PCdoB) que defende entre outras tantas barbaridades o perdão das dividas dos ruralistas, o perdão de multas por desmatamento irregular e o aumento das áreas para a agricultura e a criação de gado. O que na pratica significa mais desmatamento nas áreas destinadas a reserva de florestas e da biodiversidade.

Enquanto entidades da sociedade civil, ambientalistas, cientistas, alguns partidos políticos vinculados aos movimentos sociais e o MST brigam para que a reforma pretendida pela moto-serra comunista de Aldo Rabello e dos ruralistas não seja aprovada, os sindicatos preferem ficar fora dessa discussão toda. O que nos leva a pensar que os dirigentes das nossas entidades sindicais parecem acreditar que este assunto nada tem haver com as questões que dizem respeito aos trabalhadores e as condições de vida e de trabalho da maioria da população brasileira. Um erro gravíssimo que terá conseqüências prejudiciais em nossa luta política por uma sociedade que respeite a diversidade e proteja o meio ambiente da devastação capitalista.

Fico preocupado com a falta de debates sobre a reforma no Código Florestal no meio sindical. Essa aparente falta de compromisso dos sindicalistas com a preservação de nossas florestas e do meio ambiente revela um estreitismo político e ideológico que aprofunda ainda mais o fosso que separa o movimento sindical das questões urgentes da sociedade brasileira que devem ser debatidas para que possamos enfrentar melhor os oponentes do desenvolvimento econômico sustentável e da preservação de nossas florestas.

A reforma no Código Florestal pretendida pelos ruralistas vai desgraçadamente aumentar a miséria e o desmatamento. Vai permitir que os latifúndios se apropriem de vastas regiões hoje cobertas por florestas onde existem ecossistemas ainda desconhecidos. A soja, o milho, o arroz, o gado e os lucros do agro-negócio não podem substituir as enormes riquezas naturais que pertencem a todos os brasileiros. Infelizmente o movimento sindical preferiu ficar longe desta discussão de grande importância para o futuro do Brasil. Talvez acreditem ainda que ecologia e a defesa das florestas e dos ecossistemas ainda são tarefas dos ambientalistas. O que é uma pena para todos os trabalhadores e mais um ponto para os ruralistas e os defensores do capitalismo.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

PCB: 40 MILITANTES DE SP DEIXAM O PARTIDO. A BUROCRACIA STALINISTA CONTINUA FAZENDO SUAS VITIMAS NO PCB.

Carta coletiva de ruptura com o Partido Comunista Brasileiro - PCB
Por 40 ex-militantes do PCB 11/05/2011 às 10:28


Assistimos, indignados, a luta fratricida que se desenrolou nos últimos meses dentro do PCB. Desde o inicio alertamos que a intransigência da dita direção levaria a resultados catastróficos para a organização e para luta de classes em São Paulo e quem sabe em todo país

ESCOLHEMOS FICAR AO LADO DE QUEM LUTA!

(Carta coletiva de ruptura com o Partido Comunista Brasileiro - PCB)

Assistimos, indignados, a luta fratricida que se desenrolou nos últimos meses dentro do PCB. Desde o inicio alertamos que a intransigência da dita direção levaria a resultados catastróficos para a organização e para luta de classes em São Paulo e quem sabe em todo país. Porém, mesmo com todos os apelos para o bom senso, a Comissão Política Nacional (CPN) preferiu seguir com o processo persecutório contra reais dirigentes políticos desse partido, militantes que tem inserção direta com a luta de classes e com as massas, decidindo pela expulsão do camarada Magrão das fileiras do PCB.

O processo que nos levou a essa situação foi marcado por flagrante desrespeito a qualquer norma baseada no centralismo democrático e no princípio de camaradagem. Vejamos:

1- O rompimento de princípios em torno do funcionamento partidário ? principalmente do centralismo democrático - foi feito primeiro pela CPN, acarretando desgaste público de quadros do partido, como é o caso da famigerada "Nota Pública", em que se tentou inutilmente enxovalhar o nome de dirigentes partidários.

2- O próprio Comitê Central reunido em março, fez autocrítica desse erro, mas não das suas conseqüências, mantendo a punição dos que reagiram a ele.

3- A Comissão de membros do Comitê Central de São Paulo, que substituiu a Comissão Política Regional dissolvida arbitrariamente pela CPN no final de 2010, e cujas funções foram cessadas por decisão do C.C. em março, excedeu-se em suas funções. Todavia, a direção nega-se a fazer o debate com a base do que teria levado a essa situação, preferindo, de forma administrativa, punir militantes eleitos como bodes expiatórios, num processo-farsa, cuja pena maior cabe àqueles que foram acusados de menor culpa.

Isso nos coloca em uma encruzilhada e nos obriga a escolher um caminho.

De um lado temos uma direção ultrapassada e envelhecida, sem qualquer prestígio junto à militância do Partido, formada principalmente pelos membros da CPN e por oportunistas que a ela se aliaram, que se apropriou da legenda do PCB. Seu método de ação no interior do Partido sempre foi o de solapar todo o trabalho político construído por um novo núcleo dirigente, que foi capaz de reinserir o PCB nas lutas reais da classe trabalhadora. Inconformados por perderem o comando político do PCB em São Paulo para os dirigentes que agora tratam de expurgar, aplicaram uma política de boicote à direção legitimamente eleita na Conferência Estadual de 2009. Seu método de ação foi o de insuflar e apoiar a formação de grupos no interior do PCB, principalmente uma tal de Fração Agrária e Instituto Cultural Lyndolfo Silva, em flagrante desrespeito às normas do centralismo democrático, cujo objetivo não era outro senão o de inviabilizar o trabalho de direção do Comitê Regional de São Paulo. Sempre mantiveram uma postura destrutiva no que tange à construção do PCB, sob a lógica mesquinha de que aquilo que eles não dirigem é preciso ser destruído. Tudo isso é feito com um único propósito: fortalecer a posição de um núcleo pequeno-burguês que se apropriou da legenda do PCB para utilizá-la em suas negociatas no mundo acadêmico.

Pelas mãos desses dirigentes, a ação do PCB hoje se limita a realizar seminários e debates acadêmicos, recusando qualquer política séria que o transforme no principal operador político da classe operária brasileira. Acusam os que querem construir um Partido com presença nas lutas reais dos trabalhadores de movimentistas para justificar a inércia política em que estão lançando o PCB. Estão distantes da realidade brasileira e são incapazes de construir mediações que permitam aos comunistas um diálogo com as massas. O resultado de tudo isso é um partido que está, tática e estrategicamente à deriva. Porém, o desmonte do PCB em São Paulo operado por esse grupo pequeno-burguês e oportunista através da perseguição e expulsão de dirigentes e militantes, visa outro fato mais grave: mudar a linha política do Partido, tanto em sua estratégia pela reaproximação com o programa democrático-popular e as tarefas inconclusas da burguesia, como na sua tática sindical, abandonando a construção da Intersindical, Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora, para reaproximar-se do PSOL.

De outro temos militantes e dirigentes com vínculos orgânicos e inserção real na luta operária, na luta estudantil, nos movimentos negro e de mulheres e nas lutas sociais em geral, não só no estado mas em todo o país. A preocupação constante desses companheiros foi a de tornar o PCB um operador político no seio do movimento dos trabalhadores. O resultado é o notório avanço do PCB em São Paulo no último período e sua reinserção no movimento de massa. Essa conquista pode ser observada no crescimento quantitativo e qualitativo das células para a qual foram fundamentais os camaradas hoje perseguidos pela CPN. É esse PCB, de luta e com referencia no movimento social, que está sendo expurgado do Partido por uma burocracia formada por professores universitários, que levam o PCB a sobreviver de notas públicas cada vez mais rebaixadas[1].

Chamados então a escolher entre um desses caminhos, escolhemos estar ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo. Elegemos como nosso campo de batalhas as greves operárias, as lutas diárias no campo, as batalhas estudantis, dos negros e das mulheres e não os gabinetes universitários.

Por essas razões, considerando inaceitáveis as decisões no que se refere à questão de São Paulo e pelos rumos políticos imprimidos ao PCB pela CPN, os militantes abaixo assinados informam seu desligamento político e organizativo dos quadros do Partido Comunista Brasileiro. Uma saída razoável seria a de permanecermos no interior do PCB para fazer a disputa interna. Porém, concluímos que não há mais possibilidade para o debate em torno dessas questões, pois o desgaste interno gerado já não encontra mais reversão, além do que o revigoramento político no interior do Partido perante as bases será novamente atropelado por essa direção anacrônica. Além do mais, essa disputa serviria apenas para sugar nossas energias, nos desviando de objetivos mais importantes. A luta de classes não espera e não perdoa erros recorrentes. Preferimos, desse modo, romper com o PCB para preservar nossa força e integridade política, utilizando-a para objetivos mais construtivos. A alguns camaradas que ficam desejamos força e coragem, com a esperança de que sejam capazes de corrigir os rumos do PCB. Com esses, certamente estaremos nas mesmas trincheiras das lutas cotidianas.

São Paulo, 10 de maio de 2011.

Assinam:

1 ? Renato Nucci Junior
2 - Alexsandro Lelis Moreira
3 ? Vinícius Gonzaga
4 ? Davisson Canguçu
5 ? Luis Eurípedes Baio Zuqueto
6 ? Celso Aparecido Lopes
7 ? José Roberto de Oliveira
8 ? José Carlos Alexandre Silva dos Santos
9 ? Marcelo Alves de Oliveira Luiz
10 ? Edvaldo Pereira da Silva
11 ? Milena Regina Degrossoli
12 ? Júlio Farias Ribeiro
13 ? Antônio Ramos
14 ? Paulo César dos Santos
15 ? Paula de Araújo
16 ? Marcos Alves de Oliveira Luiz
17 ? Agostinho Rodrigues dos Santos
18 ? Rita Marta de Souza
19 ? Paulo Sérgio dos Santos
20 ? Fábio Oliveira
21 ? Marcelo Otávio
22 ? Aparecido Dias de Lima
23 ? Leonardo Sacramento
24 ? Tiago Barbosa
25 ? Everton Souza de Araújo
26 ? Dorival Vieira
27 ? Vinícius Boim
28 ? André Gustavo de Almeida
29 ? Odair Dias Filho
30 ? Roger Ramzani
31 ? Luciano Kalango
32 ? Eric Thal
33 ? Renato Fagundes
34 ? Renato Abreu
35 ? Juliano Zequini Polidoro
36 ? Raoni Pereira Jerônimo
37 ? Vanessa Faro
38 ? Sandro Rogério Lima Santos
39 ? André Rocha Cruz
40 ? Gustavo Henrique

segunda-feira, 9 de maio de 2011

MARKETEIROS DE OBAMA VÃO ATUAR NO BRASIL.



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Empresa que elegeu Barack Obama aporta no Brasil

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Chega ao Brasil através de uma parceria com a Prole Gestão de Imagem, do Rio de Janeiro, a AKPD Global, divisão internacional da AKPD Message & Media, empresa de David Axelrod, o marketeiro de Barack Obama.


Estiveram no Rio de Janeiro na semana passada para anunciar a parceria estratégica – que não prevê troca de ações – Joe Goldberg e Andrew Bleeker, o primeiro vice-presidente da AKPD Global e o segundo sócio da AKPD e presidente do Bully Pulpit Interactive, braço digital da empresa.


A AKPD passa a ter um pé na América Latina, de acordo com seus planos de expansão pela região. A Prole, que tem sede na Urca, no Rio de Janeiro, também está em expansão e abre seu escritório em São Paulo. A empresa brasileira – responsável pelas campanhas recentes do Governador Sergio Cabral e do Prefeito Eduardo Paes – passa a contar com a estrutura internacional da AKPD, que tem escritórios em NY, Chicago, Washington e Los Angeles. Ambas planejam realizar projetos de marketing político em conjunto na América Latina.


Na foto, da esquerda para a direita: André Eppinghaus (sócio Prole), Joe Goldberg, Andrew Bleeker e Renato Pereira (sócio Prole).

domingo, 8 de maio de 2011

COLETIVO LENIN - RIO DE JANEIRO RJ

Um passo à frente na luta contra o capital
Toda a força aos movimentos populares do Rio de Janeiro!
Nasce a União de Resistência dos Povos em Luta


Nota da Direção do Coletivo Lenin


Nos últimos dias 22,23 e 24 foi realizado, na ocupação Quilombo das Guerreiras um seminário para tentar aproximar diversos setores dos movimentos populares e também indígenas, convocado sob o nome de III Confederação Tamoia dos Sem-Teto em homenagem às históricas lutas contra a opressão e dominação das elites, que se estende desde a resistência dos índios tamoios no Rio há mais de 200 anos até os dias de hoje no capitalismo com a resistência dos sem-teto e moradores de comunidades em processo de remoção.



Esse seminário foi o resultado dos esforços conjuntos de organizações ligadas às causas indígenas e urbanas, com o centro do evento tendo sido lançar uma plataforma comum de ação e de resistência entre os movimentos, organizações, ocupações e comunidades ali presentes, como um contra-esforço à ofensiva do capital e do Estado com os recentes projetos de preparação para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.



Após três dias de grandes debates e discussões, durante os quais circularam cerca de 200 pessoas, aprovou-se na Plenária Final a criação de uma frente de lutas, chamada de União de Resistência dos Povos em Luta, que será um fórum permanente de organizações e movimentos, todos unidos em torno da luta contra o genocídio indígena, da luta pela moradia e da resistência aos ataques e remoções promovidos pelo capital e o Estado para a preparação da Copa e das Olimpíadas.



A primeira tarefa dessa União de Resistência será organizar uma coluna própria no 1º de Maio no Rio, convocado pela CSP-Conlutas, denunciando os ataques das prefeituras e dos governos estadual e federal contra os povos indígenas, moradores de prédios ocupados e das favelas, buscando ainda organizar uma manifestação em frente ao Museu do Índio, no Maracanã, que está ameaçado de despejo para virar estacionamento.



Ao final da Plenária, foi formada uma comissão para sintetizar uma carta de princípios dessa frente, além de preparar uma carta aberta apresentado a União de Resistência e convocando os demais movimentos sociais que não estiveram presentes no seminário para comporem essa luta. Também foi decidido que, para garantir a divulgação e o crescimento da União de Resistência, serão produzidos boletins periódicos que deverão circular nas comunidades e ocupações e nos diversos setores dos movimentos sociais, além de um blog e uma lista de e-mail para contatos.



Já integram essa frente o Acampamento Indígena Revolucionário (AIR), a Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST), o MCP (Movimento de Comunidades Populares), o Coletivo Guerreiros Urbanos, alguns moradores das históricas ocupações Quilombo das Guerreiras e Chiquinha Gonzaga, além do Coletivo Comunista Alexandra Kolontai e nós do Coletivo Lenin (CL). O Fórum de Educadores Populares, mesmo tendo participado ativamente da organização do seminário, foi o único setor presente que não integrou a União de Resistência, tendo requisitado que se faça uma reunião de balanço da comissão organizadora do evento, a qual eles integraram. Já o MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados), que também esteve presente no seminário, ainda não se posicionou de forma clara se irá integrar ou não a frente criada.



A criação dessa frente é uma enorme vitória para os movimentos sociais do Rio (e também uma iniciativa para que se faça o mesmo em outros lugares do Brasil), que desde 2008 vem sofrendo uma grande repressão por parte dos governos. Desde nossa entrada no movimento popular do Rio de Janeiro, integrando o então Comitê Contra o Choque de Ordem, nós do Coletivo Lenin sempre defendemos a necessidade do fragmentado movimento popular carioca se unificar para responder aos ataques e remoções dos governos. A criação da União de Resistência dos Povos em Luta é o primeiro grande passo dessa importante batalha!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

CUBA, O 6º CONGRESSO DO PCC E O SOCIALISMO - 1 Texto.

Apontamentos sobre as mudanças aprovadas no 6º congresso e os rumos da revolução cubana


imagemCrédito: Unamérica

Juliano Medeiros*

Terminou na última terça-feira, em Havana, o 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba. Uma vez concluídas as discussões, é possível analisar mais concretamente os impactos da chamada reestruturação econômica sobre a revolução cubana e dialogar com as muitas preocupações que têm sido manifestadas em relação às mudanças no sistema econômico. Além das propostas na economia, o Congresso apontou ainda mudanças na estrutura política do partido e do Estado, que serão debatidas numa conferência específica, a realizar-se em janeiro do próximo ano, e que buscará colocar o partido e o Estado no ritmo da modernização proposta inicialmente no campo econômico. Portanto, atenho-me aqui apenas às mudanças previstas para a economia.

Antes, é preciso fazer uma preliminar. Muito se escreveu sobre o caráter do Congresso e o quão inócuo ele seria diante do poder concentrado nas mãos de uma “elite burocrática” que controla o partido e o Estado. Estive em Cuba entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano e pude atestar o engajamento da sociedade cubana nas discussões preparatórias ao Congresso. Em todos os bairros, nas escolas, nos CDRs, nas fábricas e nas organizações políticas – Federação de Estudantes Universitários, Central dos Trabalhadores de Cuba, Federação de Mulheres – discutia-se ativamente os impactos das medidas propostas pelo “Projeto de Lineamentos da Política Econômica e Social”.

Portanto, não procede a idéia de que o Congresso foi realizado apenas para aprovar aquilo que o Comitê Central já havia determinado. Definitivamente, em Cuba não se vive uma “democracia de fachada”. Aliás, as diferenças circulavam livremente no debate pré-congressual, e iam desde a proposta de abolição da famosa “libreta” até o regime de produtividade, passando pelo problemático bimonetarismo, e encontrando pouco consenso mesmo entre os quadros do partido. Aliás, fruto do debate realizado nos diversos segmentos da sociedade cubana, foi apresentada ao Congresso a proposta de reformulação de cerca de 68% das diretrizes apresentadas inicialmente, o que demonstra a força das organizações sociais no debate preparatório ao Congresso.

Os debates econômicos

Uma das críticas que o processo de reestruturação econômica tem recebido esta no fato de colocar a produtividade no centro do problema econômico. Sob a idéia de que “socialismo é igualdade de direitos e oportunidades, e não igualitarismo” o Congresso questionou o atual sistema econômico, inspirado no modelo soviético de Estado e de economia e baseado na estatização de todas as atividades econômicas. As soluções apontadas, apesar do temor de setores da esquerda latino-americana, em nada se parecem com a abertura chinesa ou vietnamita dos anos 70/80, muito menos podem ser anacronicamente comparadas a uma espécie de perestroika tardia.

A economia cubana sobrevive apesar de sua irracionalidade, mas sobrevive mal. Numa fazenda em que seriam necessários cinco trabalhadores para cumprir com qualidade as tarefas de produção, havia dez. Trabalhadores do serviço público, com jornada diária de oito horas, que vão embora no meio da jornada. Jovens completamente desinteressados por qualquer profissão que envolva tarefas braçais ou manuais. Menosprezo pelo trabalho no campo. Esses são apenas alguns dos sintomas identificados ao longo dos últimos anos.

Como enfrentar essa situação? É fato que Cuba necessita de recursos capazes de manter os excelentes serviços prestados pelo Estado. Mas o país não é auto-suficiente em praticamente nenhum ramo da economia. Para ter acesso a bens indispensáveis à sua sobrevivência, Cuba precisa recorrer ao mercado internacional, onde os preços são determinados pela concorrência entre grandes grupos econômicos e monopólios. Para ter acesso a esses bens, Cuba precisa comercializar seus excedentes, precisa produzir mais, vender mais; e para isso, tem de alcançar níveis máximos de produtividade. Essa explicação, um tanto prosaica, seria dispensável, não fosse o fato de grande parte das análises sobre as mudanças aprovadas pelo 6º Congresso do PCC desconsiderarem esta realidade. Em bom “economês”, Cuba precisa manter um saldo favorável de sua conta corrente, o que significa exportar mais, importar menos, gerando mais dividendos e remessas. A linguagem parece estranha à retórica da revolução cubana, mas está presente como meta dos Lineamentos (Capítulo II, item nº 40) que foram amplamente discutidos pela sociedade cubana.

Usemos um exemplo concreto. Digamos que em uma usina de açúcar, sejam necessários para cumprir as metas de produção um total de 30 trabalhadores. Porém, ao invés de 30, a usina emprega 50. Essa situação diminui a produtividade e gera vários outros problemas. A usina, assim, precisa diminuir seu quadro funcional de 50 para 30 trabalhadores para ajustar-se às metas de produtividade. Para isso, será composta uma comissão formada por trabalhadores e os diretores daquela unidade de produção. Essa comissão receberá dos trabalhadores uma proposta com os nomes dos 20 funcionários que deverão ser dispensados com base em critérios objetivos. Uma vez dispensados daquela unidade de produção, o Estado lhes oferecerá duas opções de reocupação laboral:

a) Receber crédito para a abertura de um pequeno negócio familiar (um restaurante, uma sapataria, uma marcenaria, etc.);

b) Recolocação em outro ramo da produção estatal – preferencialmente na agricultura.

Caso o trabalhador demitido não queira abrir seu próprio negócio e nem esteja disposto a seguir trabalhando em outro setor da produção estatal, ainda assim o Estado lhe oferecerá cinco meses de seguro-social. Isso, incrivelmente, não está presente na maioria das análises que tem sido publicadas. Reclamam que o Estado cubano não está disposto a manter indefinidamente os indivíduos que não querem trabalhar e não mencionam que ele, o Estado, oferecerá pelo menos duas alternativas de ocupação imediata ao trabalhador dispensado. Um estranho socialismo este defendido por certos analistas, onde o trabalho ocupa posição secundária em relação aos deveres de um Estado paternalista.

Concretamente, além da realocação de uma parte dos trabalhadores hoje localizados em setores estatais da economia, a proposta aprovada prevê que os trabalhadores que vierem a se tornar empreendedores por conta própria ou micro-empresários pagarão um imposto sobre os rendimentos que poderá chegar aos 50% para as receitas mais altas da tabela, evitando assim o surgimento de uma pequena-burguesia vinculada ao setor de serviços. Além disso, um decreto-lei do Conselho de Estado regulamentou recentemente a atuação das empresas mais eficientes, e determinou que cada unidade, de acordo com a sua tecnologia, elaborará a sua própria estrutura e organização, “redimensionando os processos que não atinjam os níveis de rentabilidade previstos, bem como os que perderam a sua competitividade”. Ou seja, a autonomia das unidades de produção será o elemento que garantirá um processo de reordenamento da força de trabalho o mais objetivo possível, evitando apadrinhamentos ou subjetivismos.

Assim, a idéia de uma abertura descontrolada da economia está completamente fora de questão, tanto quanto a idéia de um processo de demissões em massa, conforme tem sido divulgada pela imprensa burguesa e pelos oportunistas de plantão: os trabalhadores que serão dispensados de seus postos terão ao menos duas opções para seguirem ajudando seu país. Enquanto isso, ao contrário do que aconteceu em países como a China, o grande capital privado internacional não terá um milímetro a mais de espaço que aquele reservado a ele no setor de turismo hoje.

Por fim, é preciso lembrar que muitos analistas que oram criticam as mudanças aprovadas pelo 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba, omitem de suas análises os impactos do bloqueio econômico imposto pelos EUA há mais de 50 anos. Informe publicado pelo governo de Cuba sobre a Resolução 64/6 da Assembléia Geral da ONU, revela os prejuízos do bloqueio à economia do país. Segundo o documento “os danos econômicos se devem fundamentalmente à necessidade de adquirir medicamentos, reativos, peças de reposição para equipamentos médicos, instrumentos e outros insumos em mercados distantes e muitas vezes com o uso de intermediários, o que traz um incremento nos preços”. Apenas entre abril de 2009 e março de 2010, o bloqueio trouxe um prejuízo de mais de U$ 155 milhões nas relações comerciais de Cuba com o exterior, valor irrisório considerando-se a balança comercial de países desenvolvidos, mas que afeta duramente a frágil economia cubana.

Por tudo isso, fica evidente que as mudanças aprovadas pelo Congresso não ameaçam as conquistas essenciais da revolução cubana nem interferem em seu caráter profundamente comprometido com o socialismo e a justiça social. Os problemas de Cuba são conhecidos e não é possível enfrentá-los com frases de efeito ou saídas de manual. É tarefa do povo cubano reinventar seu socialismo. Até lá, confiemos nos homens de Praia Girón.

*Juliano Medeiros é Editor-Geral de Unamérica.

CUBA, O 6º CONGRESSO DO PCC E O SOCIALISMO.

O 6º CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA CUBANO E AS MUDANÇAS ECONÔMICAS EM CUBA.

O “Socialismo Cubano” e a derradeira hora da verdade


Rui Amaro Gil Marques

Coletivo de Ação Direta Comunistas no Brasil ADC Paraná

Acabamos de acompanhar a realização do 6º Congresso do Partido Comunista Cubano onde a principal discussão foi a econômica. Nesse Congresso, que contou com a participação de 1.300 delegados, o destino da pequena ilha isolada pelo imperialismo foi decidido sem questionamentos mais profundos.

Sim, a ilha de Fidel (que agora não comanda mais nada oficialmente) vai mesmo enterrar o seu “socialismo” e desfigurar as conquistas da sua revolução. E o motivo é mais que óbvio: não pode haver socialismo num só país por mais que os pseudo-intelectuais-marxistas e seus partidos burocráticos digam o contrário.

O próprio Marx várias vezes foi categórico em fazer essa afirmação. E isto pelo simples fato de que tal como o capitalismo, o socialismo para ser vitorioso tem que ser antes de tudo internacional. Afinal de contas ambos são sistemas econômicos além de políticos. A história das revoluções socialistas no século 20 demonstra claramente essa verdade absoluta mesmo que os “comunistas marxistas-leninistas” não a aceitem.

Cuba vai voltar ao capitalismo. Mas um capitalismo feito pelos cubanos. Um sistema econômico que irá preservar as conquistas sociais da revolução, mas que porá um fim ao chamado igualitarismo econômico existente hoje na ilha. As primeiras medidas anunciadas mesmo antes do Congresso e reafirmadas por ele serão as demissões de funcionários públicos, o fechamento de fábricas estatais obsoletas com a conseqüente demissão dos seus trabalhadores e a liberação pelo estado para que a população possa abrir seus próprios negócios como restaurantes, hotéis, sapatarias, oficinas mecânicas, cooperativas e pequenas lojas.

O que na pratica significa que haverá desemprego mesmo que o estado pague aos trabalhadores sem trabalho um auxilio social válido por 05 meses. Depois desse prazo o trabalhador deverá procurar uma nova ocupação. Isso não nos parece familiar? Pois é, o “socialismo cubano” para continuar “existindo” terá que adotar medidas típicas de uma economia de mercado onde a mão invisível é quem regula tudo e a todos. Isto é, quase tudo e quase todos. Para que isso possa ser posto em pratica a constituição deverá ser reformulada para ser adequada aos “novos” tempos e dar legitimidade às novas medidas do estado.

Cuba está há mais de meio século sob pesado embargo dos EUA e para que sua economia continue a sobreviver os dirigentes do estado e do partido, que afinal de contas são a mesma coisa, tiveram que aceitar os conselhos dos seus aliados “comunistas” chineses, que transformaram a China na maior fábrica do mundo onde os operários recebem os piores salários e são controlados por uma ditadura comandada pelos novos ricos, donos do exército e do Partido Comunista Chinês.

O que mais será necessário para que a esquerda burocrática e institucionalizada do mundo inteiro, principalmente da América Latina, enxergue o que está acontecendo em Cuba? Provavelmente estão acreditando que os cubanos criarão uma nova forma de capitalismo social onde a exploração dos trabalhadores pelos capitalistas não terá lugar pelo fato de que não existirão capitalistas em Cuba. Promessa do Partido Comunista e do estado. E a raposa cuidará com amor e carinho de suas galinhas!

A verdade é que a revolução cubana foi vitima da própria esquerda burocrática mundial e em particular da esquerda latino-americana. Uma revolução contra o imperialismo só poderá ser vitoriosa para sempre se o imperialismo for derrotado em todas as frentes. O que não aconteceu porque os partidos da esquerda latino-americana se comprometeram até a medula com o imperialismo e sua democracia de fachada. E como todos nós sabemos não se servir ao mesmo tempo a dois senhores. Ou se é contra o imperialismo de fato, ou se é aliado dele. Nessa questão não existe meio termo. É igual a gravidez. Não existe mulher metade grávida. O resto é conversa de boteco e discurso de burocratas para enganar os militantes dos seus partidos ditos socialistas, comunistas, de trabalhadores e revolucionários.

Cabe a todos nós que somos militantes da esquerda marginal, saber analisar com a frieza necessária os acontecimentos na ilha, tirar deles as lições importantes e em nossos países aprofundar o debate para a organização independente dos trabalhadores e em nossas lutas contra o estado e o imperialismo. Fazendo isto estaremos colaborando verdadeiramente com os trabalhadores não só de Cuba, mas de todos os países porque a revolução socialista é por natureza internacional. O tal do “socialismo num só país” está definitivamente morto e enterrado porque já nasceu para durar pouco tempo mesmo.

AÇÃO DIRETA

AÇÃO DIRETA
O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

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