Click na imagem para acessar o site

Click na imagem para acessar o site
click na imagem para acessar o site
"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

POR QUE LUTAMOS? OS DILEMAS DAS ESQUERDAS


Por que lutamos? Os dilemas das esquerdas.

Regiane de Paula Sweredah da Silva
(professora universitária)
Coletivo de Ação Direta Comunistas no Brasil ADC, de São Paulo (SP).


Tenho conversado e trocado idéias com muitos militantes da esquerda oficial (PT e PCdoB) como também com os da oposição de esquerda (PCB, PSTU e PSOL) e todos eles, cada um ao seu jeito, me diz praticamente a mesma coisa. Ou seja, que temos que utilizar da política institucional para alavancar projetos de leis que beneficiem aos trabalhadores e os demais explorados pelo sistema. Que só assim poderemos promover reformas no sistema capitalista em beneficio dos trabalhadores e da ampla maioria da população. Os mais à esquerda dentro do PT fazem algumas criticas superficiais, mas sempre ressaltando os avanços do governo do presidente Lula. A oposição de esquerda trata o governo de “união nacional” de Lula como um governo subordinado ao capital que aplica uma forte política assistencialista. No que devemos concordar plenamente.

Mas acredito que as razões desse dilema não passam apenas por uma critica revolucionária ao reformismo social-liberal da esquerda institucionalizada. Elas têm a sua origem na maneira como cada organização compreende a realidade e dela tira a sua maneira de atuação frente a determinada situação histórica. E as situações históricas são produtos das lutas dos explorados contra os exploradores, dos escravos pelo fim do regime de escravidão, dos camponeses contra os latifúndios e assim por diante.

Desta forma devemos compreender que o sentido das nossas lutas não pode estar subordinado as atividades dos partidos políticos, dos sindicatos e do social-reformismo. Vejo que as nossas lutas têm como objetivo principal destruir o capitalismo e sua sociedade de classes e, assim, das mais variadas formas construirmos o socialismo e uma sociedade nova baseada na cooperação de todos e todas. Uma sociedade que todos nós acreditamos, apesar dos fracassos, que pode ser construída.

Aqueles que optaram pelo social-reformismo acreditam que as leis aprovadas em defesa dos trabalhadores e por avanços sociais e políticos podem levar o capitalismo a transformações estruturais que possibilitem uma maior distribuição da renda nacional, diminuição dos índices de pobreza e de analfabetismo. Em outras palavras o chamado capitalismo de face humana. Um sistema em que mesmo existindo a divisão social do trabalho, a dominação econômica e política de uma minoria de parasitas sobre a grande maioria que trabalha, possa beneficiar a maioria da população e aos trabalhadores. O que é uma contradição em si. Essa crença me lembra aquela história da mitologia grega onde um deus foi castigado, tendo que carregar uma enorme pedra sobre os ombros até o cume de uma montanha. Mas que todas as vezes que chegava ao topo a pedra escorregava caindo às profundezas. São organizações políticas que carregam pedras e com elas transformam as nossas lutas em meros slogans eleitorais que por eles nunca serão implementados.

Nós temos consciência disso porque compreendemos que o social-reformismo e o social-liberalismo não podem empreender reformas sociais, políticas e econômicas no sistema capitalista porque não possuem poder político e base social suficientes para isso. E não possuem porque desenvolvem uma política de colaboração de classe e de troca de querelas parlamentares contra os partidos dos patrões em que nada colaboram para a organização e conscientização dos trabalhadores e da população explorada. Esses partidos e organizações não se empenham mais na colaboração e organização de nossas lutas reais. Como defensores de reformas sociais graduais e discutidas jamais levarão a cabo atividades políticas que possam colocar em risco o poder político e econômico da classe dominante e do estado. O problema aqui é de cunho ideológico. E a ideologia, como todos nós sabemos, é o modo do pensar e do agir coletivo numa sociedade em que uma minoria detém o poder sobre a maioria. . Isto é, da sociedade de classes.

A classe que domina utiliza-se dos mais diversos meios para convencer a maioria dominada de que essa sua dominação é normal e legal. Que ela é a condição básica para a existência da humanidade e sua evolução social. Que sem essa dominação a maioria estará entregue a regressão social, ao barbarismo, ao totalitarismo e ao populismo político. Que a democracia não pode existir sem a sua dominação. Até porque essa dominação é condição fundamental para que exista a democracia. E a democracia já nasceu de um sistema político onde apenas uma minoria podia discutir assuntos da polis (cidades-estado na Grécia antiga), alterar e impor leis de seu interesse e escravizar ou banir os dissidentes e prisioneiros de guerra. Ela só não é a mesma porque os explorados por séculos a fio vêem lutando contra essa situação. E não foram as reformas que obrigaram as classes dominantes a aceitar e respeitar as reivindicações da maioria rebelada. Foram as revoluções. E como ato político coletivo fruto da vontade política coletiva a revolução é a violência coletiva destruidora que criará o novo. Uma revolução que não conduza nessa direção será apenas o seu contrário; uma contra-revolução, um ato reacionário.

E os sociais reformistas desejam realizar exatamente essa revolução social e política sem o uso da violência. São como os pastores que pregam no deserto. Levam os explorados a acreditar que a sua libertação não se dará em razão de suas lutas, mas sim pela atuação de um partido, de um líder e pela delegação de poderes. E esse tipo de atuação leva a maioria para longe dos seus verdadeiros interesses. Ao invés da maioria lutar pelo fim da dominação de classe ela é levada a acreditar que deve delegar essa função a um punhado de políticos eleitos através de eleições e que, quando empossados em seus gabinetes, farão leis para diminuir a exploração e democratizar o estado. Leis que serão obedecidas pelos exploradores sem nenhuma reação. Que não será necessária uma revolução violenta “onde milhares morrerão”. Dirão que as revoluções sangrentas sempre acabaram em tirania.

Que como cordeirinhos devemos esperar pelo milagre da benevolência da classe dominante para que ela concorde em diminuir um pouco a sua exploração. Devemos esperar que ela, através do dialogo e das instituições do estado, seja convencida a ceder e a abrir mão do seu poder de classe dominante. Enquanto esperamos vamos aproveitar para participarmos, como “bons cidadãos”, da construção e do fortalecimento dessa democracia votando em eleições periódicas. Mas se optarmos pelo boicote, pelo voto nulo e pela denuncia do sistema democrático e suas instituições como farsas da dominação do capital, como optamos, é necessária a formulação de uma alternativa de luta viável para esse momento de apatia da classe trabalhadora devido a sua ilusão política a respeito do governo Lula, do presidente Lula, do PT e do lulismo em geral.

Por outro lado, a esquerda marginal (aquela sem partidos oficiais, sem sindicatos burocráticos e sem líderes “carismáticos”) tem uma dificuldade enorme para se explicar enquanto movimento anti-sistema, anti-capitalista, anti-autoritário, anti-estatal, anti-liberal e anti-reformista. Se formos contrários (e somos!) a essas eleições que não mudam o essencial, mas apenas semeiam ilusões entre as massas trabalhadoras e populares, temos a obrigação de repensar nossa atuação.

Mais uma vez a questão passa pela ideologia e pela compreensão. O que somos nós? Quem somos nós? Por que somos assim? Quem são os nossos aliados? Quem são os nossos inimigos? Somos um produto do meio, de suas contradições sociais, econômicas e políticas. Podemos escolher ser parte desse meio. Uma adesão que nos levará ao nosso próprio fim e o de todo o planeta. Como também podemos escolher o caminho da luta, do confronto, das manifestações e das convulsões sociais. O caminho da revolução realizada de forma violenta contra a violência da reação da classe dominante e do estado. E as escolhas são atos de vontade política individual ou coletiva.

No caso dos partidos políticos reformistas a história já demonstrou aonde nos levam as suas políticas de desarme ideológico e de colaboração de classes. A Revolução Espanhola e a guerra civil, a Frente Popular na França, o fracasso da revolução alemã e a ascensão do nazi-fascismo, a política de coexistência pacifica entre o stalinismo e o capitalismo, a ditadura do Partido Comunista Chinês e o fim melancólico do socialismo cubano. Isto só para citar alguns exemplos.

E os nossos caminhos? Quais os caminhos que estamos fazendo e trilhando ao mesmo tempo? Em quais lutas reais estamos inseridos? Qual é o peso de nossas organizações junto aos movimentos sociais e aos trabalhadores? São questionamentos que nos devemos fazer periodicamente. Não devemos sentir vergonha em reformular nossas atitudes e métodos de atuação. Estou dizendo reformular e não abandonar. Acreditamos na possibilidade de derrotar o capitalismo e devemos pautar a nossa atuação por essa certeza. Devemos dizer aos trabalhadores no que acreditamos e porque lutamos. Devemos demonstrar a justeza de nossa luta no desenrolar de todas as demais lutas. É uma tarefa árdua. Mas quem disse que a revolução é algo fácil de ser realizado?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

AÇÃO DIRETA

AÇÃO DIRETA
O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

Marcadores