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"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



domingo, 26 de setembro de 2010

MARINA SILVA E A ECOLOGIA NEOLIBERAL


Marina, a improvável segunda morte de Chico Mendes





O verdadeiro mestre não é somente o professor que sabe dar a aula com a lição na ponta da língua – é, sobretudo, aquele que sabe fazer discípulos. Quanto ao discípulo, é este mais do que o aluno que aproveita a lição na sala de aula. Na verdade, corresponde ao prolongamento do mestre, retendo-lhe o fascínio pelo resto da vida, como se o saber do professor continuasse a acompanhá-lo além do curso, alongando-lhe a presença.




Por Gilson Caroni


Diante disso, cabe perguntar se Marina Silva, ao reconstruir sua persona política com um viés inequivocamente conservador, não está produzindo a segunda morte de Chico Mendes, 22 anos depois de ele ter sido abatido a tiro de espingarda no quintal de sua casa?Cortejada pela grande imprensa como possibilidade de levar a eleição para o segundo turno, Marina parece bailar nas decisões hamletianas: faz que vai e volta do meio para trás como cantilena do Grande Sertão. Já não convida mais seu coração para dar batalha.

Quando está madura a oportunidade de colocar o Brasil na trilha das aspirações populares, a “cabocla de tantas malárias e alergias” coloca-se como linha auxiliar de uma elite desprovida de projeto de consenso para o país.Rifando sua biografia, tergiversa sobre questões caras ao campo democrático-popular do qual, até bem pouco tempo, foi militante expressiva. A mulher que apostava na organização do povo como único agente capaz de resolver seus próprios problemas, elegendo suas prioridades e lutando para atingi-las, deu lugar a uma “celebridade” que, pretextando buscar um novo espaço político, reproduz o discurso dos editoriais reacionários.

Deixou de dar valor ao partido político, ao sindicato, aos movimentos populacionais, às ações associativas. Esqueceu que são essas as instâncias capazes de superar um modo de vida que não corresponde às expectativas reais dos seres humanos de verdade.Sua candidatura busca cobrir um vazio que não existe. Hoje, todos reconhecem que o crescimento econômico deve ser visto como condição necessária, mas não suficiente, do desenvolvimento social.

O governo petista criou as condições políticas para o surgimento de uma nação que efetivamente combate a miséria e a pobreza extremas, implementando princípios econômicos que aumentaram a oferta de emprego e a remuneração condigna de trabalho.Há oito anos, a visão progressista contempla valores ambientais imprescindíveis à saúde e ao bem-estar do ser humano, não isentando, como muitos querem crer, as elites regiamente capitalizadas nos tempos do consórcio demo-tucano. Sendo assim, onde estaria a novidade, e até mesmo a necessidade da agenda de Marina Silva?Equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável são elementos indispensáveis ao futuro do país.

Exigem do movimento ecológico uma reformulação radical que o torne matriz de uma nova esquerda. A Amazônia é um exemplo. Seu desmatamento é obra conjunta de latifundiários, grandes empresários e empresas mineradoras. São os inimigos a serem confrontados prontamente. É essa a perspectiva da “doce” Marina e seus aliados recentes?Quando em entrevista a uma revista semanal, a ex-ministra do Meio Ambiente disse: “tenho um sentimento que mistura gratidão e perda em relação ao PT. Sair do partido foi, para mim, um processo muito doloroso. Perdi quase 3 quilos. Foi difícil explicar até para meus filhos. No álbum de fotografias, cada um deles está sempre com uma estrelinha do partido.

É como se eu tivesse dividido uma casa por muito tempo com um grupo de pessoas que me deram muitas alegrias e alguns constrangimentos. Mudei de casa, mas continuo na mesma rua, na mesma vizinhança“. Marina mistura oportunismo e desorientação espacial.A senadora do PV sabe que, uma vez derrubada, a floresta não se recompõe. Que tipo de “empates” se propõe travar com as alianças escolhidas? O partido que a convidou para bailar sobrevive de parcerias antagônicas a sua antiga história de combatividade, coerência e superação. Como nas matas degradadas, a política tem fios de navalha onde tudo perde a cor e dificilmente se refaz.

A rua e a vizinhança são decorrências geográficas de escolhas caras. No caso de Marina, tudo mudou.Chico Mendes reafirmava que “se descesse um enviado dos Céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Então eu quero viver”. Por sua discípula isso está cada vez mais improvável.

DEBATE PROGRAMÁTICO DA LBI - 4ª INTERNACIONAL


DEBATE PROGRAMÁTICO
POR QUE NÃO VOTAR CRITICAMENTE EM PARTIDOS DA “OPOSIÇÃO DE ESQUERDA” AO GOVERNO LULA?
LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA

Estamos às vésperas do 03 de outubro. Durante todo o período que precedeu as eleições acompanhamos a campanha do PSOL, PSTU e PCB, partidos que conformaram a fragmentada “Frente de Esquerda” ao governo Lula, além do PCO, que gradualmente se integrou a esse arco político. Muitos ativistas honestos, mesmo desconfiados com o circo eleitoral burguês, se perguntam por que não votar, ainda que criticamente, em um desses partidos ou indicar o voto em todos eles, política defendida por alguns grupos regionais e, mais recentemente, por correntes como a Negação da Negação ou mesmo a LER-QI.

Para responder a essa questão constatamos, antes de qualquer coisa, que uma característica política comum deste “bloco” das quatro legendas em toda a campanha foi sua ilusão de que as eleições burguesas poderiam ser democráticas, com seus presidenciáveis exigindo sistematicamente da burguesia condições iguais de disputa para todas as candidaturas, fossem elas burguesas ou operárias. Dessa compreensão adveio a limitada denúncia contra a mídia capitalista e sua “prática excludente”, que acabou por se constituir no eixo principal de campanha desses partidos. Muito mais do que aproveitar o momento para denunciar o caráter de classe da imprensa, que toma partido nestas e em todas as eleições, o bloco focou seu eixo na lamentação de que estava sendo excluído da mídia.

No debate promovido pelo Brasil de Fato entre os “presidenciáveis de esquerda”, tudo registrado em vídeo, Rui Costa Pimenta (PCO) protestou contra o que chamou de “jogo desleal das eleições”, no que foi prontamente apoiado pelo candidato do PCB que reclamou, como um bom ex-stalinista, que “não há possibilidade de democracia quando a igualdade de condições não é respeitada”. Mas quem melhor sintetizou a reivindicação de que a burguesia dê “condições justas” para uma disputa entre “esquerda” e “direita” foi José Maria de Almeida (PSTU). No mesmo debate afirmou em tom de desabafo: “Tiram das nossas candidaturas o direito de levar a toda a população as nossas ideias e as propostas que temos para o país e tiram do povo o direito de conhecer quais são os candidatos, quais são as propostas de cada candidato para este escolher de forma consciente se concorda com esse, se discorda daquele, vou votar dessa forma”.

É desnecessário reproduzir qualquer fala de Plínio de Arruda Sampaio, paladino da justiça social, para saber que tem pleno acordo com as lamúrias de seus “companheiros”. As quatro candidaturas, não por ingenuidade e sim por uma profunda adaptação político-programática ao regime bastardo reclamam por uma imprensa imparcial e um processo eleitoral justo para que “o povo possa votar consciente”. Trata-se do oposto do que fazem os revolucionários que denunciam o caráter de classe das eleições no Estado capitalista e a impossibilidade de regular esse embuste montado justamente para enganar o povo nos marcos das instituições desse regime infame. Nenhuma das quatro candidaturas presidenciais cumpriu a tarefa revolucionária elementar para os marxistas-leninistas de denunciar o circo eleitoral e desmascará-lo frente às massas como um processo de renovação dos gerentes dos negócios da burguesia, que têm os institutos de pesquisas, a fraudulenta urna eletrônica e a mídia capitalista para auxiliá-los.


A utopia reacionária de “aperfeiçoar a democracia” se refletiu diretamente no programa reformista dessas candidaturas. A exceção do PSOL, que no máximo reivindica a igualdade social, os outros três partidos até chegaram a defender o socialismo e a revolução, mas se limitam a apresentar propostas de reforma do capitalismo, através de um sindicalismo economicista. Longe de cumprir um papel progressivo para avançar na consciência de classe dos trabalhadores e de sua vanguarda, PSTU, PCO e PCB acabaram por confundir as massas, levando setores da classe que os têm como referência a ter ilusões na democracia burguesa e a fazer da luta direta um recurso auxiliar para conquistar pequenas concessões econômicas ou políticas no interior do regime capitalista.

O mais tragicômico é que apesar disso, esses partidos têm recebido apoio de grupos ou correntes que até ontem defendiam o voto nulo. O exemplo mais escandaloso é a “Negação da Negação”. Seu jornal Transição Socialista 28 (agosto/2010) pontificava em artigo intitulado “Confusão programática domina candidaturas de esquerda” que: “Neste processo eleitoral, no entanto, não participam apenas os candidatos do PT, do PSDB, do PV e do PSOL. Participam também partidos com menor representação eleitoral, como PSTU, PCO e PCB... No entanto, apesar das diferenças entre eles, todos os programas apresentados perdem-se em milhões de particularidades que aparecem aqui e ali, formando muito mais um amontoado sem princípio de diversas reivindicações isoladas... É por isso que o NN, por defender a bandeira do PROGRAMA ÚNICO, e diante da nossa impossibilidade de participar do processo eleitoral e da ausência total da noção do PROGRAMA ÚNICO nos ‘programas’ das candidaturas de esquerda, neste processo eleitoral, se posiciona pelo VOTO NULO”.

Já em setembro, o mesmo grupo, que não por acaso usa o apropriado nome de Negação da Negação negava tudo que havia escrito e sem qualquer autocrítica afirma que “Nesse sentido o NN, não sendo ainda legalizado, convoca todos os companheiros socialistas e todo o povo brasileiro a votar contra a vitória de Dilma e do lulismo. Apoiamos, nesse sentido, o voto no PSTU, no PCB, no PSOL, no PCO. VOTAR PELA LIBERDADE!” (Transição Socialista 29, setembro/2010). Triste fim dos catastrofistas da NN! Diziam que o capitalismo estava em crise terminal com a revolução batendo à porta e acabaram como reféns de uma política desastrosa de constituir uma mini-frente popular para combater o “bonapartismo lulista” que segundo eles mesmos projetam, terá vida longa!

Quem achou que essa esquizofrenia havia atingido “apenas” a Negação viu uma metamorfose muito parecida ocorrer na LER. No Palavra Operária 69 (agosto/2010), a LER analisava que “A denúncia da democracia burguesa é uma tarefa fundamental que a esquerda tem se isentado a cumprir assim como a de defender os lutadores e dar visibilidade às lutas em curso. Neste sentido os partidos se limitam a realizarem denúncias do regime ligadas exclusivamente a processos antidemocráticos que afetam seus próprios candidatos, como no caso do PSTU e PCO, sem fazerem uma denúncia de conjunto do processo eleitoral que tenta excluir toda e esquerda e trabalhadores que não apóiam os partidos burgueses. Neste mesmo sentido é necessário um programa independente dos trabalhadores e não semear ilusões nesta democracia. Do que adianta uma série de consignas anticapitalistas corretas que o PSTU levanta, se elas vêem diluídas em consignas burguesas como a da constituição de uma nova polícia e da redução das taxas dos juros. De que adianta falar contra a democracia burguesa e depois defender ‘um programa de um governo socialista’, como se fosse possível chegar ao socialismo pela via das eleições?”

Boa pergunta que deve ser respondida pelos próprios militantes da LER! De que adianta se delimitar com o PSTU, que no último mês da campanha eleitoral só aprofundou sua política de adaptação do regime democrático burguês, dando apoio inclusive ao plebiscito pela limitação da propriedade através de mudanças na legislação burguesa pelo parlamento corrupto em uma frente com a CUT e a Igreja Católica, para logo depois a mesma LER apoiá-lo eleitoralmente vendendo gato por lebre ao afirmar que o voto no PSTU é o voto contra os partidos burgueses e a conciliação de classes? De que adianta alardear que a atuação sindical domesticada do PSTU é parte de sua adaptação ao regime democrático burguês, para depois seus militantes apoiarem esse mesmo partido oportunista nas eleições?


A LER que antes questionava globalmente a política do PSTU, acusando-o de ficar em Cuba “no mesmo bloco que Obama, pedindo mais democracia sem limites de classe, incluindo em sua reivindicação até a burguesia restauracionalista” agora defende no Palavra Operária 70 (setembro/2010) que “O PSTU é um partido independente da burguesia e que levanta pontos programáticos corretos. O voto nos candidatos do PSTU podem representar um passo significativo de setores de vanguarda contra os partidos burgueses e a conciliação de classes...”. E a direção da LER ainda tem a ousadia de falar, depois dessa “significativa” apologia à política do PSTU, que se trata de apoio crítico aos morenistas!!!

Para a LBI o apoio a qualquer uma dessas legendas do bloco revisionista, sem que tenham nenhum peso de massas, significaria a abolição do combate político, programático e ideológico pela construção do Partido Operário Revolucionário e um tremendo desserviço a formação teórica dos melhores ativistas da vanguarda classista.


LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA

NOTA DO COLETIVO HIP HOP LUTARMADA

O Coletivo Hip Hop LUTARMADA, os partidos e as eleições.

contato: lutarmada@yahoo.com.br


Galhardetes, baners, faixas, carros de som, panfletagem profissional, promessas, mentiras, acusações e bravatas. De 2 em 2 anos somos submetidos autoritariamente a esse martírio. A propaganda oficial diz sobre o seu Direito ao voto. De acordo com Marilena Chauí “a função do Direito é fazer com que a dominação não pareça uma violência. Se o Estado e o Direito fossem percebidos como instrumentos de dominação, os dominados se revoltariam”. E hoje o que fazem os partidos, inclusive os de esquerda? Se valem desse Direito ao voto para disputar espaço no Estado. E reparem que no caso das eleições, sob as cortinas do Direito se esconde uma obrigação. Se a pessoa com idade eleitoral resolve não votar, ela estará obrigada a uma multa ou será submetida a punições que trarão transtornos à sua vida social e pessoal. Ou seja, o que se propagandeia como um direito seu, na verdade é uma imposição.

As candidaturas de esquerda muitas vezes são justificadas com o argumento de que o Estado é um fato que independe da nossa aprovação como militantes, e que por isso devemos ocupar esses espaços com nossos representantes para serem um contra-ponto aos políticos de direita. Começamos aqui denunciando a possível ingenuidade que há em acreditar nisso. Para quem concorda que O Estado é o comitê executivo da burguesia, é um tanto quanto equivocado levar a nossa luta para um campo onde a burguesia tem mais força. Pela experiência acumulada nesses dinâmicos anos de “democracia”, percebemos que “nossos representantes” não ocupam espaços no aparato do Estado. Eles são, sim, consumidos, tragados, abduzidos pelo Estado.

Se os partidos surgem como forma de organizar o povo para a luta, esse propósito se desvirtuou com o tempo. Hoje, em função das eleições, os partidos não só abdicam da organização da luta popular, como desorganizam algumas iniciativas em construção. Em primeiro lugar ninguém seria leviano em negar que em período de eleição não há luta, a não ser por votos. Toda a esquerda, inclusive a que não é cúmplice disso, é pautada pelo processo eleitoral (vide o atual insucesso do Plebiscito Popular Pelo Limite da Propriedade de Terra, pro qual já se sabe, teve uma participação bem inferior aos plebiscitos anteriores ). Numa segunda análise nota-se que algumas organizações passam um período de 1 ano e meio em suas bases num trabalho de formação sob um alerta de Karl Marx de que “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”. Até que a campanha eleitoral começa e boa parte da esquerda atravessa o nosso caminho dizendo que “o seu voto pode fazer a diferença”.

Com tanta gente falando sobre o voto como caminho para o progresso, a justiça social e a paz, e como a defesa do processo eleitoral está presente tanto no discurso da direita como no da maioria esmagadora da esquerda, como o grito de “vote” ecoa bem mais e em maior volume do que o grito de “lute”, por fim as bases se convencem de que a emancipação dos trabalhadores será obra... do “meu representante” no congresso, na assembléia, na câmara municipal, e no palácio do governo. Só que como a máquina de propaganda (e compra de votos) da direita é infinitamente mais forte do que a da esquerda, a grande maioria dessas pessoas convencidas a votar, votam em conditatos de partidos conservadores. Isso fica difícil de ser enxergado por uma esquerda distante das “comunidades baixa-renda”. Porém, mesmo de longe isso pode ser constatado quando se observa que quase a totalidade de moradores dessas comunidades que se candidatam, o fazem por partidos de direita. Esse é o resultado do desserviço prestado pela esquerda partidária, que legitima a perpetuação de nossos inimigos no poder.

Numa das primeiras paginas da tão comemorada constituição de 1988, consta que “todo poder emana do povo (...)”, mas, por exemplo, na esfera federal, 15,5 bilhões do nosso dinheiro foram gastos saldando a dívida do Estado brasileiro com o FMI; no Estado do rio, com um déficit de aproximadamente 10 mil professores, o governo gasta R$ 45 milhões com carros e helicópteros blindados para a sua polícia, em maior segurança, atirar em cabeça de pobre; no Rio, a prefeitura proibiu a utilização de escolas municipais para a realização de cursos pré-vestibulares comunitários. Cursos esses que capacitaram muitos jovens de periferia a prestar, com sucesso, um vestibular que nem deveria existir. Se o poder de fato emana do povo e se o povo é diretamente afetado com tais medidas, por que o povo não pode debater e decidir?

Alguns militantes de partidos de esquerda dizem que o voto nulo, hoje, no Brasil é despolitizado. Podemos até concordar com isso, mas a mesma coisa pode se afirmar sobre o voto válido: sua esmagadora maioria se baseia em critérios os mais variados e absurdos que não o histórico, a orientação e plataforma política de cada candidato. Para ilustrar tal fato basta ver a projeção de votos para o candidato a deputado em São Paulo, Tiririca, cujo slogan é “Vote no Tiririca. Pior do que tá não fica”. E esse processo de deseducação política do nosso povo tem enorme colaboração dessa esquerda que promove campanhas como “Fora Sarney”, “Fora Arruda” e outras semelhantes, atacando um sintoma da nossa sociedade e não a sua estrutura.

Por que? Seria por que não é interesse implodir uma estrutura da qual querem se beneficiar? Em artigo publicado em junho deste ano no metamorfozesnacidade.blogspot.com, o sociólogo Antonio Ozai dá a sua opinião sobre essa questão: “cada vez mais aumenta o número dos que passam a viver da política. A missão revolucionária, viver para a política, é sutilmente substituída pela dependência econômica em relação ao aparato burocrático do partido e do Estado”.

Para o político honesto da esquerda que quiser de fato combater a corrupção na nossa política, o primeiro passo deveria ser não emprestar a credibilidade de seu nome a um jogo que permite a acessão ao poder de figuras como Collor, Sarney, Maluf, Arruda, Álvaro Lins, Celso Pita, José Dirceu e tantas outras. Também não se sustenta o argumento de que pode se votar no candidato X para impedir que o candidato Y se eleja. A dinâmica da política institucional é muito suja. Os opositores de hoje “num toque de mágica” amanhã se tornam aliados. Um bom exemplo era a polarização entre PP e o PT, principalmente em São Paulo. Essa prática de votar para excluir funcionou até 2003. Quando o PT chega à presidência o PP – que já se chamou PDS, PPR e que tem origem na Aliança Renovadora Nacional (ARENA, partido de sustentação da ditadura de 1964) – se alia ao antigo rival. Como dissemos, o jogo é sujo.

Respeitamos todas as formas do povo organizar a luta contra-hegemônica. E se criticamos a atitude dos partidos que disputam eleições é porque acreditamos que essa não é uma forma de organizar, mas sim, o contrário, ela desorganiza a nossa classe para a luta.

Então, não é só pelo que representa o Estado; não é só pelo impacto negativo que o processo eleitoral tem sobre as organizações populares; não é só por legitimar o poder exercido pelos nossos inimigos de classe; não é só pela corrupção das que são eleitas; não é só pela sangria de militantes das ruas para o aparato burocrático, tanto do Estado quanto dos partidos; não é só pelo fato de esse modelo institucional usurpar o poder que deveria emanar do povo. É por tudo isso junto que nós do Coletivo de Hip Hop LUTARMADA acreditamos que o caminho que nos levará ao socialismo não passa pelas eleições. É por isso que nós defendemos o voto nulo.


TODO PODER AO POVO.

Coletivo de Hip Hop LUTARMADA.

LUTARMADA
Mobilizar entretendo. Entreter mobilizando.

sábado, 25 de setembro de 2010

COLABORACIONISMO DE CLASSES REALIZA CONGRESSO EM ANGOLA, ÁFRICA.

Congresso Sindical angolano
UNTA-CS defende sindicalismo de proximidade
A mesma política de colaboração de classes que entrega os trabalhadores à exploração capitalista em toda parte.


Luanda – O secretário-geral da Unta Confederação Sindical, Manuel António Viage, defendeu hoje, sábado, em Luanda, o exercício de um sindicalismo de proximidade entre empregadores e empregados, com vista a uma melhor relação laboral entre as partes.

Este facto foi manifestado pelo secretário-geral da UNTA-CS durante o IV congresso da organização, do qual saiu reeleito para dirigir os destinos da agremiação para os próximos cinco anos.

Manuel Viage assegurou que esta relação deve manter-se saudável e qualitativamente consolidada para cimentar a confiança e a determinação na defesa dos interesses económico, sociais e profissional dos filiados.

“A legalidade é um princípio a respeitar sempre. Todas nossas manifestações e luta sindicais devem sempre observar o disposto na lei, de outro modo, será a negação da liberdade sindical, afinal um direito que assiste apenas aos cidadãos com vínculo activo no mercado de emprego”, destacou.

O sindicalista considerou positiva a melhoria registadas na questão do género com indicadores a reflectirem uma integração em 37,6 porcento da mulher no trabalho associativo, tendo em conta os inúmeros problemas de acesso ao mercado de emprego.

Segundo o secretário-geral da UNTA-CS, com estes pressupostos está aberto o caminho que deve ser percorrido milimetricamente por todos os sindicatos e por todas as associações filiadas na UNTA, com elevado sentido de missão e em estreita observância das disposições da agremiação.

O secretário-geral da UNTA Confederação Sindical foi reeleito com 438 votos a favor, 31 contra e 16 nulo por 485 delegados que participaram no conclave que teve lugar no Centro de Convenções de Belas.

A União Nacional dos Trabalhadores Angolanos (UNTA) controla em todo país mais de 215 mil e 598 filiados dos ramos da função pública e privada.

CUBA: ESTADO CUBANO ABRE A ECONOMIA A INICIATIVA PRIVADA.


250 mil novas licenças para pequenos empresários
Cuba abre profissões à iniciativa privada para "preservar o sistema socialista"



Por Rita Siza


O Governo de Cuba publicou uma lista com as 178 actividades que a partir de Outubro passarão a estar abertas à iniciativa privada, e que incluem profissões tão díspares quanto mecânico, jardineiro, encadernador, vendedor de frutas e legumes, relojoeiro, palhaço e contabilista.
Vender vinho ou servir de motorista particular era até aqui proibido (Reuters)

No próximo mês começarão a ser emitidas 250 mil novas licenças para “cuentapropistas”, isto é, empresários individuais ou pequenos comerciantes, que agora até serão autorizados a contratar trabalhadores que não pertençam à sua família e eventualmente a obter empréstimos bancários para montar os seus negócios.

A medida insere-se num plano mais vasto para a reorganização da economia cubana e que prevê o despedimento de um milhão de funcionários públicos considerados “redundantes”: 500 mil vão abandonar os quadros estatais já nos próximos seis meses.

De acordo com o jornal do Partido Comunista “Granma”, o plano destina-se a “preservar o sistema socialista” na ilha. “A decisão de alargar as regras para o emprego privado é uma das medidas que vai permitir aumentar os níveis de produção e eficiência da economia”, escreveu o jornal. “É assim que defendemos e aperfeiçoamos o socialismo”, lê-se.

Segundo as estatísticas oficiais, 85 por cento da força de trabalho cubana (cerca de cinco milhões de pessoas) depende directamente do estado, que detém os meios de produção e paga salários médios de 20 dólares.

Actualmente, só existem 143 mil licenças para empregos privados – que, mesmo assim, são altamente regulados pelo Estado. Por exemplo, as licenças de restaurante só permitem um número máximo de 12 mesas, e é o Governo quem estipula quais são os menus a servir aos clientes. Essa regra vai mudar agora, e os donos de restaurantes vão poder escolher quais os pratos e os preços para os seus estabelecimentos.

Algumas das actividades que vão ficar disponíveis para os funcionários públicos interessados em começar uma nova carreira eram anteriormente proibidas, como por exemplo vender vinho ou servir de motorista particular.

Os rendimentos destes novos empresários vão ser fortemente condicionados pelo estado, que vai cobrar entre 10 a 40 por cento dos lucros a título de imposto e reter uma parcela de 25 por cento para a Segurança Social.

ESPANHA:: ETA PRESTES A DESISTIR DA SOBERÂNIA DO PAÍS BASCO.

ETA está disposta a trégua permanente
(AFP) – Há 10 horas


MADRI — A organização separatista basca ETA manifestou neste sábado sua "disposição" de observar um cessar-fogo permanente e verificável, podendo ir "mais além", revela o jornal Gara, que entrevistou dois "representantes" do grupo.

"ETA está disposta a dar esse passo", respeitar um cessar-fogo permanente e verificável, "e, inclusive, ir mais longe se houver condições", declararam os dois "etarras" ao jornal independente.

"Nosso objetivo é resolver, de maneira democrática, o conflito político (basco) e fechar para sempre a ferida, e isto exige de todos uma ação responsável".

O governo espanhol rejeitou este novo anúncio da ETA, o terceiro no mês, tal como fez com os anteriores.

"Já não valem comunicados ou entrevistas, apenas o abandono definitivo da violência", disse um funcionário citado pelo site do jornal El Mundo.

Segundo o Gara, os dois "etarras" garantem que a suspensão das ações violentas, anunciada no dia 5 de setembro passado, tem caráter estável.

"ETA quer avançar pelo caminho da resolução de maneira mais profunda e pretende um "processo de diálogo" (...) com a formação de um grupo de discussões com os "partidos e agentes sociais bascos".

A organização separatista anunciou no início de setembro que "não efetuaria mais ações ofensivas armadas", sem precisar se a decisão era temporária ou definitiva.

A pedido do Batasuna e dos demais partidos separatista, Eusko Alkartasuna, Aralar, Abertzaleen Batasuna (AB) e Alternatiba, os dois "etarras" propuseram um "cessar-fogo permanente, unilateral e verificável pela comunidade internacional" e esperam que esta trégua seja "a expressão de vontade para um abandono definitivo de sua atividade armada".

Paralelamente, reivindicaram ao Estado espanhol a legalização do Batasuna, com a anulação da "Lei de Partidos Políticos" que permitiu sua proibição, e a suspensão de instruções e do julgamento em andamento contra seus dirigentes políticos, inclusive o líder histórico Arnaldo Otegi, que está detido.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

CENAS DA FARSA ELEITORAL "DEMOCRÁTICA".

Cenas da farsa eleitoral
Debates expõem mentiras, cinismo e hipocrisia


O que segue é a opinião do Jornal A Nova Democracia, que defente o boicote às eleições burguesas


Não basta obrigar o povo a votar, têm que fazê-lo de bobo. Esse é o pacto do monopólio dos meios de comunicação com os candidatos do partido único para a sua aparição nos debates, telejornais e programas eleitorais.

Falam muito e não dizem nada, pois a regra geral é elevar às alturas o nível da desfaçatez. Assim determinam os marqueteiros, canalhas formados na especialização de enganar as massas, ao impor aos seus contratantes o vestuário, o modo de falar, as caras e bocas para cada situação, além dos temas a serem evitados e os que devem ser repetidos à exaustão para se transformarem em "verdade".

A SUBSERVIÊNCIA COMO PONTO DE PARTIDA


Como já afirmamos neste espaço os programas dos três candidatos escalados pela imprensa dos monopólios, no caso, Dilma Roussef, José Serra e Marina Silva, embutem um núcleo comum de conteúdo baseado nos compromissos assumidos por Luiz Inácio em 2002 com a famigerada "Carta ao povo brasileiro". Esta revelava toda a subserviência do candidato de então aos desígnios do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, da Organização Mundial do Comércio e os demais organismos comandados pela Casa Branca e pelas oligarquias financeiras internacionais.



Ora, se no atacado há uma extrema convergência, fica então uma margem muito estreita para a diferenciação entre as propostas, ou seja, a fala de cada um tem sempre que afirmar, direta ou subliminarmente, o compromisso com o imperialismo, com a grande burguesia e com o latifúndio de velho e novo tipo. Resta, então, buscar esta diferenciação no varejo. É aí que vem o grande esforço de cada candidato de mentir mais e ser mais cínico do que o outro no papel de fazer o povo de bobo, contando para isso com o processo de entorpecimento e alienação das massas , já levado a efeito pela programação, principalmente televisiva, sistematicamente imposta pelos monopólios de comunicação.


SAÚDE, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE, BLÁ,BLÁ,BLÁ...


Como os recursos arrecadados do povo pelo apodrecido Estado brasileiro destinam-se a nutrir o imperialismo e o que sobra é distribuído com as classes dominantes lacaias e com os oportunistas de plantão no gerenciamento do velho Estado, logicamente não sobra recursos para garantir às massas o mínimo possível em termos de suas necessidades mais prementes, como a terra, o emprego, a saúde e a educação, gerando, assim, esse quadro de instabilidade social do qual a delinquência e a criminalidade são o efeito e não a causa, mas que as classes médias, principalmente, têm em alta conta.Este é o caldo de cultura para a proliferação de toda a sorte de demagogia, falsas promessas e hipocrisia.


Prometer construir cinco mil postos de saúde, dez mil escolas técnicas, vinte mil creches, mil clínicas para recuperação de drogados, mais mil disto, três mil daquilo e outras promessas por quilo ou tonelada.Esta é a lógica dos marqueteiros para ludibriar as massas: partir de suas necessidades básicas para, usando um formato novelístico, onde pessoas do povo são usadas como atores, passar para a sociedade a ilusão de que este problema já está sendo resolvido por sua facção e será atacado definitivamente caso o povo destine o seu voto ao hipócrita que lhes fala. Enquanto Dilma Roussef diz que o presidente Lula já fez isso, José Serra fala que em São Paulo seu governo fez aquilo, Marina Silva afirma que no Acre tal coisa está dando certo há anos e, portanto, caso eleitos estenderão para todo o Brasil essas "fabulosas" experiências.

Esta é também a lógica dos aproveitadores: criar vitrines para vender a ilusão às massas de que um dia cada indivíduo terá chegada a sua vez.Não é de Cardoso nem de Luiz Inácio a autoria dos programas de focalização como Bolsa Família, Prouni, Minha Casa Minha Vida. Todos eles são do receituário de "políticas compensatórias" do Banco Mundial e para surtirem o efeito da ilusão nas massas precisam ser acompanhados de uma massiva carga de propaganda. Não é à toa, portanto, que no período pré-eleitoral vultosas somas de dinheiro foram gastas pelas frações do partido único.

MAS O POVO NÃO É BOBO


A tremenda pressão exercida sobre as massas para levá-la ao voto, inclusive, a propaganda do órgão responsável pela realização da eleição, se por um lado ainda consegue enquadrar uma razoável parcela do eleitorado, por outro é expressiva a parcela que rechaça o processo eleitoral farsante. E ela é cada vez mais crescente, não se deixando levar pela chantagem que as classes dominantes fazem para ter seus quadros "democraticamente" eleitos e "legitimamente" dar continuidade à exploração e opressão da imensa maioria do povo por mais quatro anos.


A iniciar pela juventude, que mesmo tendo o "direito" de voto aos dezesseis anos, recusa-se a comparecer ao Cartório Eleitoral para tirar o Título de Eleitor, passando pela organização de comitês contra a farsa eleitoral. Estes comitês se alastram por todo o país, tanto nas cidades quanto no campo, constituindo-se num movimento de significativa importância pelo fato de revelar uma elevação da consciência das massas sobre o caráter das eleições burguesas e a busca da verdadeira saída para uma transformação de profundidade da realidade brasileira.

O BOICOTE ATIVO É O FATO NOVO DESTA ELEIÇÃO


Em todas as eleições realizadas anteriormente, uma parcela do eleitorado protestou não comparecendo às urnas ou comparecendo e anulando seu voto ou, ainda, votando em branco. O surgimento dos comitês de luta contra a farsa eleitoral, concitando as massas a não só boicotarem as eleições, mas a iniciarem a preparação da revolução como a única via de efetivar uma verdadeira transformação no país, é o que podemos chamar de fato novo no cenário político brasileiro.


As consignas de "Abaixo a farsa eleitoral", "Não vote, organize-se e lute", "Eleição Não, Revolução Sim" e mesmo de "Voto nulo" surgidas ao longo dos últimos anos e já vistas pelos muros de todo o país, circulando em panfletos e convocatórias de reuniões dos comitês, revelam que, diferentemente dos protestos individuais e dispersos, inicia-se um processo que demonstra não só uma elevação do nível de politização como também de organização.


E, mesmo levando-se em consideração que ainda não é um movimento massivo, isto deve ser enaltecido como um avanço na compreensão de que através de eleições sob o domínio das classes reacionárias a única coisa que podemos esperar é a reprodução da velha política da velha democracia burguesa corrupta desde a medula e que só através da revolução pode-se marchar para uma democracia nova, na qual, ao invés do predomínio das classes reacionárias, a hegemonia seja dos setores populares nucleados pela aliança operário-camponesa.Somente uma República Popular, saída de um processo revolucionário, poderá efetivamente corresponder aos verdadeiros anseios democráticos de terra, emprego, saúde, educação e justiça. Fora disso, são as mentiras, o cinismo e a hipocrisia imperante.
LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA===http://www.lbiqi.org

EMPRESA É CONDENADA POR MAUS TRATOS A FUNCIONÁRIA.


Maus-tratos resultam em indenização de R$ 20 mil e rescisão indireta do contrato.

Empregada da Internacional Restaurante do Brasil Ltda., vítima de maus-tratos na empresa, conseguiu na Justiça do Trabalho indenização por dano moral de R$ 20 mil e o seu desligamento com direito a todas as verbas trabalhistas equivalentes a uma demissão sem justa causa.

Essa decisão foi mantida pela Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que rejeitou (não conheceu) recurso do restaurante, condenado na primeira e na segunda instância da Justiça do Trabalho.

A trabalhadora ajuizou ação na 4ª Vara do Trabalho de Guarulhos (SP) com denúncias de maus-tratos. Logo depois, pediu o seu desligamento, ou seja, a rescisão indireta do contrato de emprego.

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), ao julgar recurso do restaurante, confirmou o entendimento de rescisão indireta. “A prova do processo revelou a adoção pela empresa de forma injuriosa de gestão, imposta (...) pelo superior hierárquico.”


De acordo o TRT, o chefe em questão promoveu “brutal degradação do ambiente de trabalho” ao agredir publicamente as mulheres, valendo-se de expressões como “incompetente e idiota”, na frente inclusive dos clientes. Além de tratar “os subordinados de forma grosseira, estúpida, com palavrões e xingamentos”.

Para o Tribunal Regional, da mesma forma que “a justa causa exige configuração da gravidade da falta do empregado e reação imediata do empregador para a ruptura do contrato (artigo 482 da CLT), a situação inversa, ou seja, falta grave do patrão, há de ser exigida no mesmo contexto”.

A ministra Maria de Assis Calsing, relatora do processo na Quarta Turma do TST, ao analisar a questão, afirmou que o recurso da empresa desafia os termos da Súmula n.º 126 do TST. “O Colegiado de origem, com apoio na prova dos autos, entendeu que foi provado o tratamento humilhante e os maus-tratos praticados contra a Reclamante, o que serviu de amparo para a rescisão indireta”.

Quanto ao valor da indenização por dano moral, majorada em R$ 20 mil pelo TRT, a ministra entendeu que a quantia está pautada nos princípios da “razoabilidade/proporcionalidade, considerando como parâmetros a condição socioeconômica das partes”.

(RR 92000-37.2001.5.02.0314)
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho, Augusto Fontenele, 24.09.2010

DISCRIMINAÇÃO NOS BANCOS: JUSTIÇA BRINCA DE CONDENAR BANQUEIROS.


Banco é multado por discriminação estética.


Uma decisão da Justiça do Trabalho de Salvador acendeu um alerta para a prática de discriminação de trabalhadores com base em traços estéticos. A 7ª Vara do Trabalho de Salvador condenou o Bradesco a pagar R$ 100 mil de indenização por danos morais coletivos, valor que será revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O motivo: o banco proibia seus empregados de usarem barba.

A ação foi ajuizada em 2008 pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O juiz Guilherme Ludwig ainda determinou que o banco publique, no primeiro caderno dos jornais de maior circulação da Bahia e em todas as redes de televisão aberta em âmbito nacional, uma mensagem explicando que a prática discriminatória viola princípios da Constituição Federal e que a instituição vai mudar sua conduta.

Deve constar na mensagem: "Cumpre salientar ainda que o Bradesco, ao reconhecer a ilicitude do seu comportamento relativo à proibição de que seus trabalhadores do sexo masculino usassem barba, vem a público esclarecer que alterou o seu Manual de Pessoal para incluir expressamente tal possibilidade, porque entende que o direito à construção da imagem física é direito fundamental de todo trabalhador brasileiro".

A nota nos jornais deve sair uma vez por dia, durante dez dias seguidos, em cada um dos jornais. Na televisão, deve ser divulgada uma mensagem por cada rede, em horário anterior ao principal jornal de informações do canal. O Bradesco, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que o assunto está sub júdice e que o banco não comenta.

O advogado Marcel Cordeiro, especialista em direito trabalhista do escritório Salusse Marangoni Advogados, afirma que a decisão preocupa. "Parece que não poder usar barba é um pedido normal e a decisão pune a empresa por estabelecer meras normas de conduta", diz. Para ele, a decisão é singular, pois hoje é difícil que haja esse tipo de ação civil pública. "Não vejo problema em vetar o uso de barba", completa.

A advogada Maria Lucia Benhame Puglisi, sócia do Benhame Sociedade de Advogados, afirma que de fato esse tipo de proibição é rara e costuma ser mais pontual e justificado. Ela, no entanto, discorda da ideia de que a decisão é preocupante.

De acordo com a especialista, a sentença é justa. "A empresa pode exigir que o empregado esteja asseado e fazer recomendações quanto ao vestuário. Mas não há justificativa para um banco vetar o uso de barba. Isso seria aceitável se fosse questão de segurança", afirma.

Na decisão, segundo informa o MPT, o juiz concluiu que a proibição patronal toma por base o puro e simples preconceito. "As medidas pretendidas pelo Ministério Público do Trabalho mostram-se úteis e necessárias, pois visam a tornar efetivamente público a toda a sociedade que se fez cessar a discriminação em prejuízo dos seus empregados do sexo masculino que desejam utilizar barba, o que, em última análise, inibe evidentemente a conduta patronal transgressora para o futuro, tutelando de forma efetiva a situação de direito substancial referida.", destaca Ludwig. A Constituição diz que são direitos de todos os trabalhadores a preservação de sua dignidade e proteção contra qualquer prática discriminatória.

Fonte: Diário Comércio, Indústria & Serviços, por Andréia Henriques, 24.09.2010

PARANÁ: Campanha Salarial dos Trabalhadores da Alimentação 2010


PARANÁ: Campanha Salarial dos Trabalhadores da Alimentação 2010


Federação e sindicatos convocam trabalhadores de Jacarezinho, Cambará, Cascavel e Marechal Cândido Rondon para fortalecer reivindicações.


Em muitas empresas os trabalhadores reclamaram das condições de trabalho e dos baixos salários. Greves podem acontecer.


Federação e sindicatos percorreram o estado divulgando as reivindicações deste ano e a contra-proposta apresentada pelos patrões.


Rui Amaro Gil Marques
Assessoria de Comunicação da FTIA e sindicatos
Da região oeste do estado



Depois de visitarem as principais indústrias de Alimentação das cidades de Apucarana, Arapongas, Rolândia, Cianorte e Umuarama onde distribuíram material da Campanha Salarial data base de setembro para os trabalhadores, os diretores da FTIA PR e dos sindicatos filiados se dirigiram na manhã de quarta-feira (22) para os municípios de Jacarezinho e Cambará aonde permaneceram por quase todo o dia. Nesses municípios também conversaram com os funcionários das empresas Yoki Alimentos e Panco onde fizeram panfletagens.


Dos 80 mil jornais da Campanha Salarial foram entregues aos trabalhadores em torno de 85% de todo o material impresso. Vale registrar que a grande maioria dos trabalhadores e trabalhadoras tem demonstrado apoio ao movimento em todas as empresas que foram visitadas até o momento. Em muitas delas os funcionários aproveitaram a presença dos sindicalistas para denunciarem as péssimas condições de trabalho, banco de horas irregulares, horas extras que não são pagas pelas empresas, perseguições, assédio moral, jornadas de trabalho excessivas e desrespeito aos direitos trabalhistas.

Raio X da realidade


A Federação está aproveitando a oportunidade para fazer uma radiografia da situação das empresas visitadas e da sua relação com os trabalhadores e sindicatos locais. Esses dados vão facilitar na compreensão das realidades regionais e das necessidades dos trabalhadores dessas empresas. Essas informações serão úteis para que a FTIA possa planejar ações futuras em cada região visitada.

Descontentamento Generalizado


Na quinta-feira (23) os sindicalistas estiveram em Marechal Cândido Rondon onde realizaram panfletagens nas empresas Lorenz e Faville Alimentos. O Presidente da Federação dos Trabalhadores, Ernane Ferreira, registrou que ficou evidente o descontentamento generalizado dos trabalhadores nas várias reclamações feitas por causa dos baixos salários e a falta de reconhecimento dos empregadores, pois sempre há uma desculpa para não atender as reivindicações.


Acrescentou ainda, Ferreira, que muitos criticaram o desrespeito das organizações sindicais patronais, pelo fato de sempre atrasem o fechamento das negociações salariais e com isso aumentam o descontentamento dos trabalhadores que são lembrados para parcerias somente quando interessa para o aumento da produtividade das empresas. Diante disso o movimento de mobilização dos trabalhadores nas indústrias de alimentação com data base em setembro, ainda vai prosseguir intenso até a próxima semana quando será realizada a segunda rodada de negociação salarial com os patrões na quarta-feira (29) em Curitiba.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

PARANÁ: TRABALHADORES DA ALIMENTAÇÃO VÃO À LUTA POR REAJUSTE SALARIAL ACIMA DA INFLAÇÃO.


Paraná: Trabalhadores das Indústrias de Alimentação
Federação e sindicatos intensificam Campanha Salarial por reajuste de 10%. Patrões ofereceram apenas 4,29% (INPC).


Rui Amaro Gil Marques
Assessor de Comunicação da FTIA e sindicatos
Direto da região noroeste do estado.


Desde segunda-feira (20) a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Paraná (FTIA) juntamente com os sindicatos de Curitiba, Ponta Grossa, Castro-Carambeí, Apucarana, Arapongas-Rolândia, Porecatu, Jaguapitã, Toledo, Dois Vizinhos, Cascavel, Fco Beltrão, Marechal Cândido Rondon, Umuarama e Cianorte estão percorrendo o interior do estado para intensificar a Campanha Salarial dos trabalhadores do setor com data base em setembro.

Os sindicatos estão reivindicando reajuste salarial de 10% e aumento no valor da cesta-básica que atualmente é de R$ 50,00 para R$100,00, adicional por tempo de serviço além de outros benefícios. Os patrões, por outro lado, acenaram somente com 4,29% de reajuste baseado no Índice de Preços ao Consumidor (INPC). O que significa índice zero de aumento real uma vez que os patrões estão propondo apenas a reposição inflacionária do período anterior.

Para os sindicalistas a proposta feita pelos patrões não pode ser levada a sério porque segundo dados divulgados recentemente pelo governo e pelo DIEESE, mesmo com a recente crise financeira internacional (2008-2009), a economia brasileira vem se mantendo em crescimento com o aumento da produtividade basicamente em todos os setores industriais.

Com a segunda rodada de negociação agendada para a próxima quarta-feira (29) os sindicatos e a FTIA também já preparam uma ampla mobilização nas principais empresas que têm peso maior junto a bancada patronal. De acordo com os sindicalistas serão utilizadas todas as formas de pressão que estão a disposição dos trabalhadores e de suas organizações sindicais. “O tempo em que os nossos sindicatos estavam distantes de suas bases acabou. Depois que assumimos a Federação a nossa tarefa principal é a organização dos trabalhadores para fortalecer as nossas lutas econômicas e sociais. Caso for necessário radicalizar sabemos muito bem por quais empresas devemos começar”, alerta Ernane Garcia, presidente da FTIA.

Os sindicalistas continuarão distribuindo durante a semana os cerca de 80 mil exemplares do Jornal dos Trabalhadores da Alimentação pelas cidades do interior para conscientizar a categoria e a sociedade sobre a necessidade dos trabalhadores darem uma resposta a altura a “proposta” feita pelos patrões. Também esta sendo organizada uma caravana para levar o maior número de trabalhadores e trabalhadoras para Curitiba onde será realizado o próximo encontro entre sindicalistas e os representantes patronais. O movimento, segundo o sindicalista José Ap. Gomes, presidente do STIA de Apucarana e um dos organizadores da caravana, “vai surpreender os patrões este ano”.

Empresas visitadas
Da extensa lista das empresas “alvos” dos sindicalistas na campanha salarial de setembro já foram “premiadas” a Caramuru Alimentos e Óleo e Kowalski Alimentos (Apucarana), Adram (Mauá da Serra e Faxinal), Prodasa Alimentos (Arapongas), Balas Dori ((Rolândia), Inpal e Lorenz, Farinhas Pinduca (Cianorte), Zaeli Alimentos e Lorenz (Umuarama).

Apoio extra
Uma novidade nesta campanha salarial é a participação de um grupo de ativistas ligados a Central Internacional dos Trabalhadores (CIT) cujo perfil ideológico é esquerdista. Suas bandeiras rubro-negras já se tornaram freqüentes nas greves gerais realizadas desde 2008 na Grécia, Espanha, Portugal e mais recentemente nas manifestações contra a reforma da previdência social na França.
Além desse apoio extra os sindicatos do setor da Alimentação no estado contam ainda com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentos (CONTAC).

Para um dos assessores jurídicos da Federação, Dr. Vanderlei Sartori Junior, esses apoios são muito importantes para o fortalecimento das organizações sindicais dos trabalhadores do setor de Alimentação do Paraná. “Somente com a troca de experiências é que podemos fazer avançar as nossas lutas em defesa de mais direitos, aumentos reais de salário, melhores condições de trabalho, redução da jornada de trabalho e por uma sociedade onde a riqueza seja distribuída de forma mais justa”, finalizou.

sábado, 18 de setembro de 2010

ELEIÇÕES NO BRASIL: DECLARAÇÃO DO COLETIVO LENIN

O Coletivo de Ação Direta Comunistas no Brasil ADC publica neste blog a declaração política final do Congresso do Coletivo Lenin sobre as eleições. Estamos procedendo desta maneira para que todos os camaradas e compenheiros (as) tomem conhecimento do direcionamento político-ideológico do Coletivo Lenin.
Nos próximos dias nós do Ação Direta Comunista estaremos publicando nossas análises sobre o documento e os objeticos dos camaradas do Coletivo Lenin.
DECLARAÇÃO DO COLETIVO LENIN SOBRE AS ELEIÇÕES BURGUESAS: TRÊS TAREFAS
Setembro de 2010.

Em seu I Congresso Nacional, o Coletivo Lenin deliberou sobre sua posição no processo eleitoral burguês que se realizará no dia 3 de outubro. Nos demos durante esse período algumas tarefas, que acreditamos dever ser compartilhada por todos os revolucionários.


Primeira Tarefa


Antes de tudo é necessário rebater todos os ataques que os representantes das classes dominantes venham a desferir contra a classe trabalhadora e os movimentos sociais em geral. Aqui nos referimos ao bloco burguês de frente popular de Dilma (PT, PMDB, PSB, PCdoB, PR e PRB), à direita reacionária encabeçada por Serra (PSDB, DEM, PTB, PTdoB e PPS) e ao direitismo “verde” de Marina Silva (PV).



O governo Lula foi uma composição de partidos burgueses e operários que serviu tão bem à burguesia (enquanto lançava ataques de aparência “macia” à classe trabalhadora), que hoje conta com o apoio da maior parte dos banqueiros e empresários do país. O objetivo dos diversos setores da burguesia, portanto, é muito mais fazer pressão para afastar cada vez mais a candidatura de Dilma de seus laços já escassos com os movimentos sociais do que tentar colocar um fantoche mais óbvio no poder.


Diante disso, o papel das candidaturas de Serra e Marina (que encamparam o mesmo discurso durante todo o processo eleitoral) é atacar o sindicalismo, o MST e os pequenos partidos de esquerda. Assim, esperam influenciar a população contra os “radicais”, as “legendas de aluguel” (como Serra classifica os partidos de esquerda) e qualquer menção ao “abominável” socialismo. Temos visto que essa estratégia foi bem sucedida. A candidatura de Dilma aceitou prontamente como acusações as suas “ligações inapropriadas” com os movimentos dos trabalhadores (desde a troca do programa oficial de campanha por um “menos radical” até a garantia de que manterá a estabilidade da propriedade no campo – inclusive sendo contra o plebiscito pela limitação da propriedade fundiária recentemente realizado).


Parece que o discurso também atingiu outro alvo: a candidatura Plínio (PSOL), que tem feito de tudo para se enquadrar à respeitabilidade burguesa, sem falar em nenhum momento de como é o próprio Estado o sustentáculo do capitalismo que oprime e explora os trabalhadores. Nenhuma menção ao socialismo como “governo direto dos trabalhadores”, apenas como um conceito abstrato ligado às melhorias sociais. A candidatura Plínio refaz o velho discurso do PT, ou seja, melhorar a vida da população através do Estado “catando as migalhas” da burguesia. Achamos uma inconsistência que os dirigentes das correntes do PSOL que reivindicam o comunismo revolucionário (do Enlace à LSR) apóiem tal candidatura sem nenhuma restrição. É muito simples ver que a base parlamentar (e não operária) dos dirigentes do PSOL torna muito fácil encarar o Estado burguês com neutralidade. Assim, Plínio deixa sem resposta consequente os ataques da direita, pois se prende à mesma concepção neutra sobre o Estado da qual a direita se aproveita.


Segunda tarefa


Outra tarefa central para nós é o combate à Frente Popular de Lula/Dilma/Temer. Consideramos que os líderes operários da Frente Popular, tanto no governo quanto nos movimentos sociais (direções majoritárias da CUT e grandes centrais, do MST, da UNE, Assembléia Popular, etc.) traem os trabalhadores quando se associam e colaboram com um projeto que tem como objetivo central gerenciar os “negócios da burguesia”. Até porque entre os principais “negócios da burguesia” está explorar e manter quieta e calada a classe trabalhadora. Os respeitados dirigentes sindicais estudantis e populares que apóiam Lula fizeram isso com maestria durante seus 8 anos de governo.


Combatemos tais líderes traidores sem preferência. Cada um deles, nas organizações pequenas ou grandes que hoje chamam voto em Dilma, traem os trabalhadores e os mantém calados diante dos golpes da burguesia sob a desculpa de “não prejudicar o governo Lula”, num grande acordo de troca de favores, que só ajudam os patrões e os burocratas. O que nos surpreende é ver como é contraditória a candidatura de Zé Maria (PSTU) e como não consegue cumprir corretamente tal tarefa. Por um lado, está o disparate de considerar a CUT e demais centrais sindicais que apóiam Lula (CGT, UGT, Força Sindical) como organizações burguesas. O mesmo dizem sobre a UNE. Assim, confundem combater a direção traidora dessas organizações com combater as próprias organizações. Não vêem que quem está imerso na Frente Popular são burocratas sindicais e estudantis, não os estudantes e trabalhadores que lutam pela UNE e CUT apesar de tais burocratas. Nos perguntamos se o PSTU agiria com neutralidade diante de ataques da direita à CUT e outras centrais sindicais. Ou será que consideraria isso um conflito “interburguês”?


Por outro lado, o PSTU passa a mão na cabeça da direção majoritária do MST, sempre chamando-a fraternalmente a “dar um rumo melhor ao MST” e deixar de apoiar Dilma/Lula. Acreditamos, por isso, que a candidatura de Zé Maria faz um combate incompleto e incompetente à Frente Popular. Derrotar os líderes traiçoeiros nas direções majoritárias tanto da CUT (Articulação Sindical/PT) e UNE (UJS/PCdoB) quanto do MST (Consulta Popular) é o primeiro passo para dar aos trabalhadores dessas organizações uma perspectiva de combate (e não de conciliação) em relação aos seus inimigos – a burguesia nacional e estrangeira.


Terceira tarefa


Por fim, achamos fundamental fazer o que faltou a todas as quatro candidaturas não-burguesas (PSOL, PSTU, PCB e PCO) – dizer aos trabalhadores que o processo eleitoral é uma farsa, nada além disso, para tentar legitimar os carrascos do povo. Essa deveria não apenas ser a tarefa de uma candidatura operária como também o discurso principal de qualquer parlamentar operário que fosse eleito. Esclarecer a classe sobre o caráter burguês do Estado e desmascarar os políticos burgueses. Só depois disso, pois aí estará sob uma ótica correta, vem a luta para arrancar reformas e melhorias à revelia das classes dominantes, deixando clara a insuficiência e a efemeridade de tais conquistas enquanto os trabalhadores não mandarem na sociedade. Nem precisamos dizer que isso não tem absolutamente nada a ver com a atividade dos parlamentares do PSOL.


Denunciar a farsa eleitoral abre um questionamento. “Se as eleições não mudam as coisas, então o que muda?” Na nossa opinião, o que mudará a sociedade radicalmente para melhor será o controle e a gestão dos trabalhadores sobre as empresas e territórios, sistemas de transporte, saúde, educação, comunicação e bancos, arrancando a sociedade das mãos dos patrões. Isso permitirá que as riquezas do trabalho sejam usadas para redução drástica do tempo de trabalho e fim do desemprego, a criação de sistemas plenos de educação e saúde, dar moradia e terra a quem precisa – tudo que os políticos burgueses prometem e não cumprem a cada 4 anos. Além disso, o controle dos trabalhadores sobre a sociedade também permitiria acabar com toda base para o machismo e o racismo e eliminar a violência da polícia, das milícias e das organizações do tráfico (que são todos parte do Estado burguês ou empresas capitalistas), instaurando a paz controlada democraticamente pelas organizações operárias.


Isso não será feito por “uma gestão melhor” do Estado, mas mudando o interesse e a classe que o comanda, passando a enorme parte da riqueza, hoje concentrada no bolso dos patrões, para a melhoria da vida de todos os trabalhadores. Isso só pode ser feito através de uma revolução. Para isso, achamos fundamental criar uma ferramenta que esteja nas lutas e organizações de luta dos trabalhadores, para prevenir que sejam encaminhadas para a derrota por líderes traiçoeiros (como o são o PT e seus aliados). Tal ferramenta é um Partido Revolucionário de Trabalhadores composto em maioria pelos setores mais explorados pelo capitalismo no Brasil – mulheres e negros. Construir esse partido é o objetivo pelo qual chamamos os trabalhadores e comprometidos para lutar, dando um primeiro passo para superar a farsa eleitoral. Esse é o maior objetivo do Coletivo Lenin. Junte-se a nós nessa luta!


Direção Nacional do Coletivo Lenin

INDÚSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO DO PARANÁ: PATRÕES SE RECUSAM EM DAR REAJUSTE DE SALÁRIOS ACIMA DA INFLAÇÃO

Indústrias de Alimentos do Paraná
Salários: Patrões acenam com apenas a reposição da inflação


Rui Amaro Gil Marques
Assessor de Comunicação da FTIA e sindicatos


Em reunião realizada, dia 15, na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), com representantes das indústrias de Alimentação e sindicalistas do setor para iniciar as negociações salariais deste ano, os patrões acenaram com apenas a reposição de 4,28% correspondentes ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período.

Para frustração maior dos sindicalistas os patrões ainda afirmaram que não “tiveram tempo” de analisar a pauta de reivindicações que lhes foi entregue há mais de 60 dias. Em decorrência disso, o clima esquentou no salão nobre da FIEP com os sindicalistas demonstrando forte indignação. Por esta razão os representantes patronais solicitaram que fosse marcada uma nova reunião para o dia 29 de setembro.

A Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Paraná (FTIA) e seus sindicatos já preparam um cronograma de mobilizações para pressionar as principais indústrias do setor que têm peso maior nas negociações, algumas com sede em municípios do interior do estado. “Não podemos aceitar essa proposta dos patrões. 4,28% é muito pouco! Os trabalhadores e trabalhadoras sabem o quanto as indústrias de alimentos lucraram nestes últimos anos. Nem mesmo a crise financeira internacional conseguiu abalar o crescimento da economia nacional e da produção industrial. Esperamos que os patrões usem do bom censo e na próxima reunião tragam uma contra-proposta que seja, no mínimo, atraente para os trabalhadores caso contrário só nos restará mobilizar a categoria para a greve”, ponderou o presidente da FTIA, Ernane Garcia.

Participaram da reunião sindicalistas de Toledo, Cianorte, Marechal Cândido Rondon, Fco Beltrão, Cascavel, Arapongas-Rolândia, Castro-Carambeí, Curitiba, Apucarana, Paranaguá, Ponta Grossa, Medianeira e Dois Vizinhos.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ELEIÇÕES NO PARANÁ: COORDENADOR DE BETO RICHA AGRIDE SINDICALISTA EM DEBATE PÚBLICO COM DEMAIS CANDIDATOS.




Fotos: Antonio Kava depois da agressão sofrida por parte do prefeito troglodita Moacyr Fadel (PDMB), um dos coordenadores da campanha de Beto Richa (PSDB-DEM) ao governo do estado.



Coordenador de campanha de Beto Richa agride sindicalista durante debate promovido pela APP-Sindicato em Curitiba.


Rui Amaro Gil Marques
Coletivo de Ação Direta Comunistas no Brasil ADC Paraná


O prefeito de Castro, Moacyr Fadel (PMDB), agrediu covardemente o servidor público Antonio Kava, presidente do SISMUCA – Sindicato dos Servidores Municipais de Castro, durante o debate com os candidatos ao governo do Paraná realizado pela APP-Sindicato em Curitiba dia 10.

O motivo, segundo diretores da entidade, pode ter sido as recentes denúncias feita pelo sindicato sobre possíveis irregularidades na contratação de uma empreiteira para realizar pavimentação nos Bairros Morada do Sol e Araucária na cidade de Castro. O Sismuca também distribuiu um jornal com críticas ao prefeito e aos vereadores que apóiam o seu governo. O nome do jornal é bem sugestivo: BAZZUCA.

Moacyr Fadel (PMDB), licenciado para trabalhar na campanha de Beto Richa, ultrapassou o bom-senso ao agredir o sindicalista e isso já reflete na campanha de Beto Richa, em Castro e, por conseqüência, no Paraná. Nas últimas pesquisas realizadas na região houve uma queda acentuada de Beto Richa na preferência do eleitor. A atitude truculenta de Moacyr Fadel contra o presidente do SISMUCA que apontou irregularidades em sua administração já atinge Richa, pois o prefeito é aliado de primeira hora do candidato tucano. O fato demonstra com que tipo de “correligionários” o candidato Beto Richa tenta ser eleito governador do Paraná. Normal se analisarmos que esse grupo é o mesmo que mandava e desmandava juntamente com Jaime Lerner (DEM) quando este foi por duas vezes governador do estado. Quem conhece essa gente sabe do que eles são capazes.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

POR QUE LUTAMOS? OS DILEMAS DAS ESQUERDAS


Por que lutamos? Os dilemas das esquerdas.

Regiane de Paula Sweredah da Silva
(professora universitária)
Coletivo de Ação Direta Comunistas no Brasil ADC, de São Paulo (SP).


Tenho conversado e trocado idéias com muitos militantes da esquerda oficial (PT e PCdoB) como também com os da oposição de esquerda (PCB, PSTU e PSOL) e todos eles, cada um ao seu jeito, me diz praticamente a mesma coisa. Ou seja, que temos que utilizar da política institucional para alavancar projetos de leis que beneficiem aos trabalhadores e os demais explorados pelo sistema. Que só assim poderemos promover reformas no sistema capitalista em beneficio dos trabalhadores e da ampla maioria da população. Os mais à esquerda dentro do PT fazem algumas criticas superficiais, mas sempre ressaltando os avanços do governo do presidente Lula. A oposição de esquerda trata o governo de “união nacional” de Lula como um governo subordinado ao capital que aplica uma forte política assistencialista. No que devemos concordar plenamente.

Mas acredito que as razões desse dilema não passam apenas por uma critica revolucionária ao reformismo social-liberal da esquerda institucionalizada. Elas têm a sua origem na maneira como cada organização compreende a realidade e dela tira a sua maneira de atuação frente a determinada situação histórica. E as situações históricas são produtos das lutas dos explorados contra os exploradores, dos escravos pelo fim do regime de escravidão, dos camponeses contra os latifúndios e assim por diante.

Desta forma devemos compreender que o sentido das nossas lutas não pode estar subordinado as atividades dos partidos políticos, dos sindicatos e do social-reformismo. Vejo que as nossas lutas têm como objetivo principal destruir o capitalismo e sua sociedade de classes e, assim, das mais variadas formas construirmos o socialismo e uma sociedade nova baseada na cooperação de todos e todas. Uma sociedade que todos nós acreditamos, apesar dos fracassos, que pode ser construída.

Aqueles que optaram pelo social-reformismo acreditam que as leis aprovadas em defesa dos trabalhadores e por avanços sociais e políticos podem levar o capitalismo a transformações estruturais que possibilitem uma maior distribuição da renda nacional, diminuição dos índices de pobreza e de analfabetismo. Em outras palavras o chamado capitalismo de face humana. Um sistema em que mesmo existindo a divisão social do trabalho, a dominação econômica e política de uma minoria de parasitas sobre a grande maioria que trabalha, possa beneficiar a maioria da população e aos trabalhadores. O que é uma contradição em si. Essa crença me lembra aquela história da mitologia grega onde um deus foi castigado, tendo que carregar uma enorme pedra sobre os ombros até o cume de uma montanha. Mas que todas as vezes que chegava ao topo a pedra escorregava caindo às profundezas. São organizações políticas que carregam pedras e com elas transformam as nossas lutas em meros slogans eleitorais que por eles nunca serão implementados.

Nós temos consciência disso porque compreendemos que o social-reformismo e o social-liberalismo não podem empreender reformas sociais, políticas e econômicas no sistema capitalista porque não possuem poder político e base social suficientes para isso. E não possuem porque desenvolvem uma política de colaboração de classe e de troca de querelas parlamentares contra os partidos dos patrões em que nada colaboram para a organização e conscientização dos trabalhadores e da população explorada. Esses partidos e organizações não se empenham mais na colaboração e organização de nossas lutas reais. Como defensores de reformas sociais graduais e discutidas jamais levarão a cabo atividades políticas que possam colocar em risco o poder político e econômico da classe dominante e do estado. O problema aqui é de cunho ideológico. E a ideologia, como todos nós sabemos, é o modo do pensar e do agir coletivo numa sociedade em que uma minoria detém o poder sobre a maioria. . Isto é, da sociedade de classes.

A classe que domina utiliza-se dos mais diversos meios para convencer a maioria dominada de que essa sua dominação é normal e legal. Que ela é a condição básica para a existência da humanidade e sua evolução social. Que sem essa dominação a maioria estará entregue a regressão social, ao barbarismo, ao totalitarismo e ao populismo político. Que a democracia não pode existir sem a sua dominação. Até porque essa dominação é condição fundamental para que exista a democracia. E a democracia já nasceu de um sistema político onde apenas uma minoria podia discutir assuntos da polis (cidades-estado na Grécia antiga), alterar e impor leis de seu interesse e escravizar ou banir os dissidentes e prisioneiros de guerra. Ela só não é a mesma porque os explorados por séculos a fio vêem lutando contra essa situação. E não foram as reformas que obrigaram as classes dominantes a aceitar e respeitar as reivindicações da maioria rebelada. Foram as revoluções. E como ato político coletivo fruto da vontade política coletiva a revolução é a violência coletiva destruidora que criará o novo. Uma revolução que não conduza nessa direção será apenas o seu contrário; uma contra-revolução, um ato reacionário.

E os sociais reformistas desejam realizar exatamente essa revolução social e política sem o uso da violência. São como os pastores que pregam no deserto. Levam os explorados a acreditar que a sua libertação não se dará em razão de suas lutas, mas sim pela atuação de um partido, de um líder e pela delegação de poderes. E esse tipo de atuação leva a maioria para longe dos seus verdadeiros interesses. Ao invés da maioria lutar pelo fim da dominação de classe ela é levada a acreditar que deve delegar essa função a um punhado de políticos eleitos através de eleições e que, quando empossados em seus gabinetes, farão leis para diminuir a exploração e democratizar o estado. Leis que serão obedecidas pelos exploradores sem nenhuma reação. Que não será necessária uma revolução violenta “onde milhares morrerão”. Dirão que as revoluções sangrentas sempre acabaram em tirania.

Que como cordeirinhos devemos esperar pelo milagre da benevolência da classe dominante para que ela concorde em diminuir um pouco a sua exploração. Devemos esperar que ela, através do dialogo e das instituições do estado, seja convencida a ceder e a abrir mão do seu poder de classe dominante. Enquanto esperamos vamos aproveitar para participarmos, como “bons cidadãos”, da construção e do fortalecimento dessa democracia votando em eleições periódicas. Mas se optarmos pelo boicote, pelo voto nulo e pela denuncia do sistema democrático e suas instituições como farsas da dominação do capital, como optamos, é necessária a formulação de uma alternativa de luta viável para esse momento de apatia da classe trabalhadora devido a sua ilusão política a respeito do governo Lula, do presidente Lula, do PT e do lulismo em geral.

Por outro lado, a esquerda marginal (aquela sem partidos oficiais, sem sindicatos burocráticos e sem líderes “carismáticos”) tem uma dificuldade enorme para se explicar enquanto movimento anti-sistema, anti-capitalista, anti-autoritário, anti-estatal, anti-liberal e anti-reformista. Se formos contrários (e somos!) a essas eleições que não mudam o essencial, mas apenas semeiam ilusões entre as massas trabalhadoras e populares, temos a obrigação de repensar nossa atuação.

Mais uma vez a questão passa pela ideologia e pela compreensão. O que somos nós? Quem somos nós? Por que somos assim? Quem são os nossos aliados? Quem são os nossos inimigos? Somos um produto do meio, de suas contradições sociais, econômicas e políticas. Podemos escolher ser parte desse meio. Uma adesão que nos levará ao nosso próprio fim e o de todo o planeta. Como também podemos escolher o caminho da luta, do confronto, das manifestações e das convulsões sociais. O caminho da revolução realizada de forma violenta contra a violência da reação da classe dominante e do estado. E as escolhas são atos de vontade política individual ou coletiva.

No caso dos partidos políticos reformistas a história já demonstrou aonde nos levam as suas políticas de desarme ideológico e de colaboração de classes. A Revolução Espanhola e a guerra civil, a Frente Popular na França, o fracasso da revolução alemã e a ascensão do nazi-fascismo, a política de coexistência pacifica entre o stalinismo e o capitalismo, a ditadura do Partido Comunista Chinês e o fim melancólico do socialismo cubano. Isto só para citar alguns exemplos.

E os nossos caminhos? Quais os caminhos que estamos fazendo e trilhando ao mesmo tempo? Em quais lutas reais estamos inseridos? Qual é o peso de nossas organizações junto aos movimentos sociais e aos trabalhadores? São questionamentos que nos devemos fazer periodicamente. Não devemos sentir vergonha em reformular nossas atitudes e métodos de atuação. Estou dizendo reformular e não abandonar. Acreditamos na possibilidade de derrotar o capitalismo e devemos pautar a nossa atuação por essa certeza. Devemos dizer aos trabalhadores no que acreditamos e porque lutamos. Devemos demonstrar a justeza de nossa luta no desenrolar de todas as demais lutas. É uma tarefa árdua. Mas quem disse que a revolução é algo fácil de ser realizado?

sábado, 11 de setembro de 2010

QUASE 4 ANOS DEPOIS, 1º POLICIAL CONDENADO PELA CHACINA DO BOREL VAI A NOVO JULGAMENTO.

Quase quatro anos depois, primeiro policial condenado pela Chacina do Borel vai a novo julgamento

No dia 18/10/2006 foi julgado e condenado o cabo PM Marcos Duarte Ramalho, a 52 anos de prisão, pelos homicídios qualificados e tentativa de homicídio conhecidos como Chacina do Borel, em 16/04/2003. Foi o primeiro dos cinco réus a a ser condenado, já que os policiais Sidnei Pereira Barreto e Rodrigo Lavandeira já haviam sido absolvidos, em julgamentos bastante controversos.

Como previa na época o Código Penal, o policial Ramalho teve direito a um novo júri porque sua pena ultrapassava 20 anos de prisão. O novo júri aconteceu em 27/11/2006 e confirmou a condenação, alterando a pena para 49 anos de prisão (45 por três homicídios e 4 por uma tentativa de homicídio).

No dia 12/03/2009 a 5a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, contrariando o parecer da relatora, a desembargadora Maria Helena Salcedo, decidiu por maioria aceitar o recurso apresentado pela defesa do cabo Marcos Duarte Ramalho, que já estava cumprindo pena, e anulou o julgamento de 27/11/2006. O novo julgamento foi então marcado para o próximo dia 29/09/2010, quase quatro anos depois da primeira condenação, portanto.

Essas sucessivas condenações e recursos são apenas uma das várias manobras judiciais que tem acontecido no caso há quase sete anos. Apresentando recursos em todas as instâncias possíveis, inclusive em Brasília, os policiais que restam ser julgados, Washington Luís de Oliveira Avelino e Paulo Marco da Silva Emilio, ambos defendidos pelo advogado Clóvis Sahione, bem como por Amaury Jorio, outro conhecido e caro advogado carioca, conseguiram adiar até hoje a realização do júri. Sahione, um dos mais caros e polêmicos advogados do Rio de Janeiro, que já recebeu punição da OAB mais de uma vez, foi o advogado dos PMs absolvidos, Sidnei e Lavandeira.
É totalmente improvável que os cinco policiais tenham recursos suficientes para manterem como advogados Sahione e Jorio por tanto tempo. Diante do suspeito apoio que eles estão recebendo, somente a mobilização e a solidariedade das vítimas, familiares, organizações defensoras dos direitos humanos e movimentos sociais é capaz de garantir a Justiça no caso.

Por isso convidamos todas e todos a estarem mais uma vez presentes ao julgamento, que será no dia 29/09/2010, às 13h no 2o Tribunal do Júri (Fórum do Rio).

Mais informações:

Dalva (mãe de Thiago da Costa Correia da Silva, uma das quatro vítimas da chacina) – tel. 9966-4028

Rede contra a Violência – tel. 2210-2906



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Acompanhe notícias da Rede em http://www.redecontraviolencia.org/Noticias e o calendário permanente de atividades em http://www.redecontraviolencia.org/Atividades

INTERNACIONAL: MOBILIZAÇÃO DE TRABALHADORES NA FRANÇA FOI A MAIOR DOS ÚLTIMOS ANOS

Internacional
Mobilização em França foi a maior dos últimos anos
Esquerda.Net

Sindicatos estimam que 2,7 milhões participaram das 190 manifestações. Greve teve grande impacto nos transportes. Sindicatos podem decidir nova mobilização ainda em Setembro.


Manifestação em Paris mobilizou 270 mil, segundo os sindicatos.



Os sindicatos franceses estimam ter realizado nesta terça-feira "a mais importante manifestação dos últimos anos", superior à greve anterior de 24 de Junho, mas também maior que as mobilizações de 1995, contra o plano Juppé para reformar a Segurança Social, e de 2003 contra a alteração da idade da reforma.

Mobilizaram-se agora 2,7 milhões de pessoas contra o aumento da idade da reforma de 60 para 62 anos, segundo os sindicatos, em 190 manifestações em todo o país. Segundo a polícia, foram 1,1milhão os que saíram à rua. Em Paris, a manif teve 270 mil pessoas.

"O governo não pode minimizar uma mobilização nacional deste porte e deverá reflectir sobre a questão", afirmou Bernard Thibault, secretário-geral da CGT. Mas o ministro do Trabalho, Eric Woert, disse "não estar surpreendido com a dimensão dos protestos", e que "reformar-se aos 62 anos é algo normal porque hoje as pessoas vivem mais tempo".

Além do impacto das manifestações, a greve teve grande repercussão nos transportes, com importantes perturbações nos tráfego ferroviário, urbano e aéreo em inúmeras cidades: circulavam apenas dois em cada cinco comboios TGV e pela manhã os comboios Eurostar que ligam Paris a Londres eram os únicos a operar normalmente. Os principais aeroportos praticamente paralisaram, devido à greve dos controladores aéreos.

Nas escolas, o Ministério da Educação reconheceu uma adesão de professores de 25,8%, contra 10,3% em Junho. Os sindicatos afirmam que fizeram greve 55% a 60%.

Na quarta-feira, uma reunião intersindical deliberou sobre os próximos passos que serão dados pelas organizações sindicais e movimentos sociais que podem passar por uma nova mobilização ainda em Setembro.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"AS REFLEXÕES SOBRE A VIOLÊNCIA", DE GEORGE SOREL. VALE A LEITURA.



“As Reflexões sobre a Violência”, de George Sorel. Também leitura obrigatória para todos os militantes revolucionários anti-capitalistas e libertários.


Rui Amaro Gil Marques
Coletivo de Ação Direta Comunistas no Brasil ADC Paraná



É obrigação de todo militante revolucionário dedicar uma parte do seu tempo, o mínimo que seja para a busca e aprimoramento do seu conhecimento. Quanto mais sabermos sobre a realidade, o funcionar da sociedade atual, os seus métodos de dominação e exploração, suas armas de coerção e alienação, menos difícil será a nossa luta para modifica-la.

A destruição do sistema capitalista não virá pela vontade dos céus e nem pelas reformas promovidas por aqueles que ainda acreditam em Papai Noel. Ela virá de nossa organização, de nossa conscientização de explorados e de nossa disposição para a luta. E para isso é necessário o conhecimento.

Muitos de nós somos habituados com leituras de Marx, Engels, Bakunin, Rosa Luxemburgo, Guevara, Lênin, Trotsky, Mao e por aí vai. Mas muito poucos conhecem um teórico tão radical quanto George Sorel. Sua maior obra, Reflexões sobre a Violência, contribuiu para que o radicalismo político tivesse sua pratica militante alicerçada numa base teórica revolucionária.

George Sorel era um técnico e engenheiro que aos quarenta e cinco decidiu largar tudo para se dedicar ao estudo das “questões sociais”. Dizia ele que “o futuro moral do socialismo não pode encontrar-se mos baixos compromissos dos partidos políticos”. Acreditava na possibilidade de sindicatos independentes dos partidos políticos. Anarquista de inspiração Proudhonista desconfiava de tudo, desde os sindicalistas moderados, os partidos políticos e o estado. Deu ênfase na necessidade de um sindicalismo revolucionário.

Em “As Reflexões sobre a Violência”, Sorel expõe as diferenças entre os significados de força e de violência. Para ele força é aquilo que as classes dominantes fazem através do estado contra as classes dominadas. É tudo aquilo que os patrões fazem com os empregados, com os trabalhadores e com os operários. A força é antes de tudo uma condição para a dominação. Ainda mais quando quem exerce essa dominação é uma classe social formada por uma minoria de parasitas que vivem as nossas custas. Assim curto e grosso. Já a violência é descrita como a forma mais coerente de reação contra a dominação e a exploração sistemática a que estão submetidos os trabalhadores. Não poderia haver outra forma de luta que não contenha em si as razões para a violência.

Sorel ridicularizava assim como condenava também aqueles que acreditavam no reformismo parlamentar, nos partidos políticos e na transformação do estado pela via eleitoral. Certa vez disparou a seguinte frase contra um socialista parlamentar durante uma discussão política “A vossa democracia eleitoral se assemelha a Bolsa!”. Tinha certeza; a única arma capaz de destruir a sociedade e o estado era a violência. Um ato de reação consciente dos explorados, dos sem direitos, dos famintos, dos miseráveis e dos trabalhadores. Nele não há espaços para divagações que nos levam a lugar nenhum. “As Reflexões sobre a Violência” é uma obra marcada pelo seu tempo e lugar. Mas mesmo assim é importante para ajudar em nossas reflexões acerca da realidade e sobre nossos métodos de luta. Será que George Sorel continua atual? Leia e descubra.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

RURALISTAS PREPARAM NOVO MODELO AGRÍCOLA PARA O BRASIL

Página Rural
Quinta-feira, 9 de setembro de 2010
RS: CNA prepara novo modelo agrícola
Da Redação


A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) pretende concluir até fevereiro a proposta de um novo modelo de política agrícola para o país



A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) pretende concluir até fevereiro a proposta de um novo modelo de política agrícola para o país. A ideia é estabelecer um texto básico a ser negociado com o próximo governo federal e com os novos integrantes do Congresso Nacional. O cronograma foi definido em reunião das comissões de Cereais, Fibras e Oleaginosas e de Crédito da CNA na Expointer.

No encontro, também foram organizados grupos de trabalho para se debruçar sobre os pilares da proposta que deve conter mecanismos de garantia de renda, seguro rural e solução do passivo da agricultura, explica o vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira.

Na sua avaliação, grande parte dos agricultores brasileiros não sobreviverá economicamente à manutenção da política agrícola atual. Um dos problemas mais agudos é a dificuldade de acesso ao crédito.

Segundo Gedeão, no Estado, apenas 36% dos produtores de soja conseguem tomar dinheiro por meio das linhas públicas. Com isso, o produtor se vê obrigado a tomar dinheiro junto às tradings.

No Mato Grosso, o problema é maior, pois apenas 10% conseguem verba em condições diferenciadas, acrescenta o presidente da Comissão de Cereais da CNA, José Schreiner.


EMAIL: cna@knowtec.com

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

GREVE GERAL CONTRA GOLPISTAS EM HONDURAS

Milhares de hondurenhos na greve cívica
convocada pela Frente de Resistência Popular


Adital - 08/09/2010

Milhares de pessoas se mobilizaram ontem (7) em nível nacional no marco da "greve cívica" convocada pela Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), para repudiar e "exigir que se detenha esta ofensiva neoliberal contra os pobres". De acordo com a Frente, além de Tegucigalpa, houve atividade resistente em San Pedro Sula, Choluteca, Copan, El Progreso, La Ceiba, Colon Comayagua, Catacamas, Tela e Danlí.

As demandas das organizações populares, integradas na FNRP, são também "a) O aumento do salário mínimo; b). O aumento geral para os funcionários públicos; c) A rejeição às leis que o regime de fato promove para impulsionar o trabalho temporário e por horas; d) A eliminação da lei de investimento público-privado; e) A solidariedade com a luta dos trabalhadores da UNAH; f) A defesa do decreto 18-2008, que dá certas garantias aos campesinos; g) O rechaço à privatização dos recursos naturais, que se oculta de modo enganador atrás da fachada de produção de energia renovável".

Na capital, os manifestantes se concentraram nas imediações da Universidade Pedagógica Nacional Francisco Morazán (UPNFM) e da Universidade Nacional Autônoma de Honduras (UNAH), que se encontra militarizada por ordens da reitora Julieta Gonzalina Castellanos. Acompanhados pela militância do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), as juventudes em resistência tomaram o Boulevard Suyapa por mais de quatro horas, enquanto os afiliados às centrais trabalhadoras o fizeram no Boulevard América-Central por igual número de horas.

Uma vez mobilizados para o Congresso Nacional (CN), grupos de jovens, causaram alguns distúrbios que afetaram três edifícios de propriedade dos meios de comunicação promotores do golpe de Estado.

Os meios afetados foram o Canal Cinco, propriedade do empresário José Rafael Ferrari membro do grupo de empresários que participou no golpe, de igual maneira foi afetado o edifício de Rodrigo Wong Arévalo, um conhecido jornalista, ator importante na execução do rompimento constitucional. Também foi danificado o edifício onde se localiza o comissionado de direitos humanos.

Em um comunicado entregue hoje pela FNRP, denunciou que a oligarquia está demonstrando quais foram os motivos para dar o golpe de Estado de 28 de junho de 2009, contra o Presidente Manuel Zelaya Rosales.

Essas razões são "continuar ilimitadamente a contração de riquezas a partir do roubo do trabalho e dos recursos das grandes maiorias" através da aprovação de leis como a do emprego temporário ou por hora, que destruiria de fato o Código do Trabalho, produto da grande greve de 1954.

A Frente reiterou uma vez mais que todos os atos deste regime de Porfírio Lobo Sosa, são ilegítimos e ilegais porque se impõem desde poderes do Estado sequestrados por uma classe privilegiada na contramão da vontade do povo.

A FNRP deixa claro que as reivindicações populares são parte fundamental de sua agenda, e anuncia que se mobilizará sempre que se atente contra elas, mas expressa que para dar-lhe solução aos problemas estruturais da sociedade e deter definitivamente as injustiças que se dão no sistema capitalista neoliberal se deve avançar para a refundação do país.

Considera que "devemos avançar para a refundação do país, de seu sistema econômico, das leis que o regem e dos valores que se impõem para perpetuar a exploração" "para conseguir a instalação da Assembleia Nacional Constituinte é o primeiro passo para a transformação, por isso não descansaremos até consegui-la", afirma a Frente em comunicado dirigido à população hondurenha.

A mobilização terminou na praça La Merced, conhecida a partir do golpe de Estado como a Praça da Resistência, onde anunciaram uma grande mobilização para o próximo 15 de setembro, dia em que se celebra a independência do Reino da Espanha.

A notícia é da Red Morazánica de Información.

AÇÃO DIRETA

AÇÃO DIRETA
O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

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