Click na imagem para acessar o site

Click na imagem para acessar o site
click na imagem para acessar o site
"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



terça-feira, 31 de agosto de 2010

ÍNDIOS E AGRICULTORES LUTAM CONTRA HIDRELÉTRICAS

O Estado de S. Paulo

Índios e agricultores unem-se contra construção de usinas
Fátima Lessa

Em Itaituba, no Pará, foi fechada uma aliança para barrar obras nos rios Madeira, Teles Pires, Tapajós e Xingu



Cerca de 600 lideranças de ribeirinhos, pequenos agricultores, e indígenas das etnias Munukuru, Karitiana, Tupaia, Borari, Arara, Juruna, Xicrin e Kaiapo , decidiram fechar aliança contra "as investidas" do governo federal na construção de projetos hidrelétricos nos rios Madeira, em Rondônia; Teles Pires, no Mato Grosso; Tapajós, no Pará; e Xingu, no Pará (Usina de Belo Monte). O encontro ocorreu em Itaituba, Pará.

Durante o evento, que contou com a presença do procurador da República no Pará, Felício Pontes, e de especialistas de diversas áreas, foram relatados os graves impactos sociais que já ocorrem em Rondônia e apontadas supostas ilegalidades que marcaram os processos de licenciamento e instalação dos projetos do rio Madeira e de Belo Monte. De acordo com o procurador, há nove ações civis públicas do Ministério Público Federal (MPF) que ainda tramitam na Justiça contra a Belo Monte, englobando o período de 2001 a 2010, e abordam irregularidades.

Segundo a assessoria do encontro, em Mato Grosso existem dezenas de projetos em andamento para construção de hidrelétricas. No rio Teles Pires estão projetadas a implantação de cinco usinas. Três delas em Sinop, Colider e Foz do Apiacás. Segundo o MPF, outras duas - São Manoel e Teles Pires -, aguardam o licenciamento ambiental. De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia 2008/2017, todos estes empreendimentos estão previstos para começarem a operar em 2017.

Miséria. Representantes dos atingidos pelas obras de Santo Antonio e Jirau descreveram a situação de miséria da população e problemas com aumento nos preços de alimentos, violência, prostituição e drogas. "Em Porto Velho, o quilo de farinha de mandioca chega a custar R$ 8,00. O peixe vem de Manaus. Muitas famílias de Jaci Paraná estão apavoradas, trancando suas filhas em casa, por medo de estupros e dos aliciadores.

"Conheci um velhor pescador que teve de internar o seu filho, viciado em crack. Em Jaci, as únicas formas de lazer para os trabalhadores das obras são bebidas, prostituição e drogas", contou Iremar Ferreira, líder em Itaituba.

Apesar de estarem em estágios diferentes, lideranças avaliam que os projetos das usinas de Belo Monte, Complexo Tapajós e Complexo Teles Pires apresentam problemas similares. Segundo eles, a recém-criada "articulação de resistência às usinas" nos quatros rios prevê uma série de ações conjuntas, como a reprodução das análises jurídicas já existentes e de ações contra os projetos; e mobilização social conjunta em novembro deste ano.


PARA LEMBRAR

Protestos de populações indígenas que vivem nas áreas onde há grandes projetos de infraestrutura são constantes. Ultimamente, tem sido mais frequente manifestações contra a construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu. Os índios da região sempre se opuseram à obra e têm usado violência em seus protestos. Eles ameaçam levar a luta contra a hidrelétrica às últimas consequências.

VERDADES SOBRE TROTSKI: O QUE OS TROTSKISTAS NÃO CONTAM


70 anos do assassinato de León Trotski: Fatos históricos que os trotskistas omitem sobre o idealizador da IV Internacional


Rui Amaro Gil Marques
Coletivo de Ação Direta Comunistas no Brasil ADC


Este ano o assassinato a mando de Stálin do criador do Exército Vermelho e um dos principais líderes do Partido Bolchevique durante a Revolução Russa, Léon Trotski, completou 70 anos. Exilado por ordem do ditador Josef Stálin e banido da historiografia oficial da União Soviética, Trotski se concentrou na crítica ferrenha contra a burocracia do Partido Bolchevique e do estado soviético, pilares principais da ditadura de Stálin. Em 1938 no exílio lança o chamado internacional pela organização da IV Internacional Comunista, organização revolucionária que, teoricamente, teria a finalidade de aglutinar os partidos operários, socialistas e comunistas rompidos com a III Internacional, então dominada pela política stalinista e pelo culto a personalidade de Josef Stálin.

Critico ferrenho de Stálin e de sua política contra-revolucionária de colaboração de classes, Trotski desenvolveu com uma firmeza jamais vista todo um trabalho teórico calcado no “resgate”da democracia operária na URSS e no Partido Bolchevique. Livros como A História da Revolução Russa, A Revolução Desfigurada e A Revolução Traída entre outras obras de destaque deram a Trotski reconhecimento mundial nos movimentos de esquerda e entre intelectuais dos cinco continentes comprometidos com as lutas operárias e pelo socialismo.

Trotski se tornava assim o profeta da Revolução Comunista Internacional, inimigo mortal da burocracia stalinista e do regime soviético, uma voz que clamava pela Revolução Permanente contra o “o socialismo num só país” de Stálin. Isto é o que os seguidores de Trotski tanto adoram publicar em seus jornais e periódicos partidários. Não que isto seja mentira. Acontece que a vida de Trotski como militante bolchevique e depois dirigente do partido e do Exército Vermelho também tem um lado que os trotskistas tentam esconder e manter na escuridão da história da Revolução Russa.
Trotski, após a tomada do poder pelos bolcheviques, insistiu que o novo governo deveria impor aos sindicatos a militarização e acabar com a sua independência frente ao partido e ao estado soviético. Trotski também insistiu no aumento da jornada de trabalho dos operários russos e na redução de suas provisões diárias para aplicar a política que ficou conhecida como “Comunismo de Guerra” e, assim, tentar recuperar a economia soviética devastada pela fome e pela 1ª Guerra Mundial.

Para defender essa política dentro do partido e do estado Trotski colocou assim a nova situação da Rússia Soviética: “Os sindicatos pretendem defender os interesses da classe operária contra os capitalistas e o estado, mas, uma vez que não existem mais capitalistas na Rússia Soviética e que, o estado é agora um estado operário, essa defesa não tem qualquer sentido”. Os trotskistas não gostam de falar sobre essas contribuições teóricas de Trotski para a construção do socialismo na Rússia.

Em seu currículo também consta o comando das tropas do Exército Vermelho ao cerco e o posterior ataque militar a cidadela de Kronstadt em 1921 onde marinheiros, soldados, comunistas e operários lutavam contra as arbitrariedades do partido bolchevique e a consolidação da sua ditadura sobre as organizações operárias, principalmente, sobre os sovietes (conselhos de operários, soldados e camponeses) formados antes da revolução pelos trabalhadores. Existem vários livros publicados sobre mais essa atrocidade cometida pelos bolcheviques na sua ânsia de exercer o poder total em todo o território soviético. Entre eles aconselho a leitura de A Revolta de Kronstadt, de Henri Arvon, da Editora Brasiliense.

Trotski também foi o responsável pelo ataque do Exército Vermelho contra as brigadas camponesas de Nestor Makhno, anarquistas da Ucrânia, que lutavam contra os exércitos brancos durante a guerra civil ao lado dos bolcheviques. Contrários a ditadura do partido os makhnovistas, como ficaram conhecidos, foram perseguidos e assassinados como inimigos do estado soviético assim que a guerra civil acabou. Anos mais tarde Trotski afirmou que os makhnovistas eram um bando de anarquistas contra-revolucionários inimigos da República Soviética a serviço das potencias capitalistas. Os mesmos argumentos utilizados por Stálin para perseguir a Oposição de Esquerda dentro do partido bolchevique e posteriormente o próprio Trotski.

Sobre essas questões os seguidores de Trotski inventam desculpas mirabolantes e acusam os que trazem esses fatos a tona de inimigos do socialismo e da revolução mundial. A verdade é que Trotski, assim como Stálin, colaborou para desfigurar uma revolução social feita pelos trabalhadores russos em 1917 em benefício do partido. Assim como Stálin, Trotski utilizou das baionetas e da repressão para silenciar operários, marinheiros, soldados, anarquistas, anarco-comunistas e comunistas contrários a ditadura bolchevique.

Trotski só passou a criticar a burocracia partidária e o estado autoritário quando percebeu que não tinha mais espaço em seus cargos de direção e que já havia perdido a luta contra a facção de Stálin. Até então Trotski defendeu os mesmos métodos para silenciar aqueles que exigiam que as fábricas fossem entregues aos operários, as terras aos camponeses e que os sovietes voltassem a serem os verdadeiros organismos políticos do poder operário na Rússia Soviética. O Partido Bolchevique usurpou a Revolução Soviética transformando-a num estado autoritário, policialesco, burocrático e que, ao invés do socialismo, acabou criando o capitalismo de estado através da NEP Nova Política Econômica, medida elaborada por Lênin com a firme colaboração de Trotski e Stálin para substituir a política do “comunismo de guerra” do período anterior.

Os erros cometidos no passado devem ser lembrados para que no presente não sejam repetidos. E o culto a personalidade é um dos piores erros que um militante revolucionário pode cometer. Assim como os seguidores de Stálin os trotskistas seguem pelo mesmo caminho da idolatria há 70 anos. O que transformou o trotskismo em mais uma seita onde o “salvador da revolução mundial” é colocado como um profeta que jamais cometeu erros ou desvios de conduta. Trotski é descrito como o “gênio” do marxismo revolucionário, a chama que jamais se apaga na luta contra a burocracia e pela redenção da revolução mundial. Ele é endeusado, beatificado e idolatrado de tal maneira que o tornaram maior que o próprio comunismo e as lutas dos trabalhadores.

Uma pratica política que é antes de mais nada anti-materialista, contra-revolucionária e distante do marxismo uma vez que o coloca na condição de personagem principal de uma história onde ele foi apenas mais um homem entre os milhões envolvidos na luta pela superação revolucionária da sociedade capitalista mundial. Construíram um mito em torno da figura de Trotski depois do seu assassinato no México em 1940. Um mito que transformou a organização política dos trabalhadores e nossas experiências históricas em meros reflexos da vontade inabalável de um líder, transformado em depositário fiel da única teoria verdadeiramente revolucionária que deveria ser seguida’’, sem questionamentos, por todos nós que lutamos pela revolução e pelo socialismo.

Para encerrar não devemos nos esquecer que a revolução mundial será obra dos próprios trabalhadores conscientes e organizados ou não será revolução. Os partidos políticos e seus membros sejam eles “comunistas”, “operários” ou dos “trabalhadores” jamais serão maiores que a classe trabalhadora e as nossas lutas contra a exploração capitalista. Acreditar no contrário é fazer o jogo dos capitalistas e retardar a tomada de consciência por parte dos trabalhadores e, desta forma, nos manter alienados do nosso próprio poder de transformar o mundo.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

PT, PCdoB O PSOL E O ABANDONO DA INDEPENDÊNCIA DE CLASSE


O que é classismo?


Henrique Canary
de São Paulo (SP)
www.pstu.org.br




• E m recente entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Lula declarou: “Essa mistura de um sindicalista com um grande empresário e um documento que fosse factível e compreensível pela esquerda e pela direita, pelos ricos e pelos pobres, é que garantiu a minha chegada à Presidência”. Essa declaração demonstra até que ponto o presidente se afastou dos princípios que deram origem ao PT e à CUT e o lançaram no centro da cena política no início dos anos 80.

Lula é fruto de uma ideia que ele mesmo renega: a de que operários e patrões são classes sociais inimigas. Por isso, os trabalhadores, em suas lutas, devem trilhar um caminho próprio, ter sua própria política e suas próprias organizações. A essa ideia de independência dos trabalhadores em relação à burguesia chamamos classismo.

O classismo foi a inspiração do movimento de massas nos anos 1980. Foi em nome dessa ideia que Lula, na época, rejeitou a proposta de Fernando Henrique Cardoso de formar, por fora do MDB, um novo partido democrático que unisse trabalhadores e patrões. Pressionado pela força do ascenso operário, Lula aderiu à ideia de construir um partido só de trabalhadores. Nascia o PT, que combatia a ditadura e ao mesmo tempo não aceitava em seu interior patrões e empresários.

Os trabalhadores haviam derrotado a ditadura através da ação direta e se sentiam fortes para se organizar e lutar de maneira independente, sem concessões ou acordos políticos com a burguesia e o governo. O 3º Congresso da CUT, realizado em 1988, proclamava: “A CUT entende que não pode haver pacto entre desiguais, e que nesse tipo de pacto os trabalhadores só têm a perder. Por isso, a CUT se manifesta firmemente contra qualquer tentativa de acordo ou pacto que tenha por objetivo retirar conquistas ou restringir a liberdade que a classe trabalhadora deve ter para avançar nas suas conquistas”.

O abandono do classismo nos anos 1990

As fortes lutas dos anos 1980 levaram o PT a inúmeras prefeituras e mais tarde ao governo de alguns estados. Começou aí um processo de adaptação à ordem burguesa. O classismo foi sendo abandonado. Os métodos e princípios do antigo movimento deram lugar a uma única estratégia: a eleição de Lula à Presidência da República.

É nesse período que surgem, por iniciativa da direção da CUT, as câmaras setoriais: mesas permanentes de negociação, onde os gerentes das multinacionais sentam-se com os dirigentes sindicais para estabelecer, de comum acordo, metas de produção e venda e negociar o número de demitidos a cada crise. É aí também que o PT abandona o perfil classista para se tornar cada vez mais um partido da colaboração entre as classes. O “Vote no 3 que o resto é burguês!” do início dos anos 1980 virou “O PT que diz SIM” da campanha de 1996 à Prefeitura de São Paulo.

Lula e o PT no poder

O PT venceu as eleições em 2002 aliado ao PP, legenda de aluguel da alta burguesia industrial. No governo, Lula cumpriu a fundo a principal promessa feita na Carta ao Povo Brasileiro: governar com e para a burguesia. Colocou o banqueiro Henrique Meirelles no Banco Central, o latifundiário Roberto Rodrigues no Ministério da Agricultura, o empresário Fernando Furlan no Ministério da Indústria e Comércio e um longo etc. Apesar de algumas mudanças ao longo desses oito anos, a política ministerial de Lula permaneceu a mesma: os ministérios são ocupados por figuras de peso do empresariado nacional.

O resultado: Lula manteve os compromissos com o FMI e grandes credores internacionais, aplicou uma política de juros que beneficia o capital financeiro, assentou menos famílias do que FHC, manteve no Haiti uma ocupação militar cujo verdadeiro objetivo é impedir uma revolta do povo contra a exploração das multinacionais ali instaladas, introduziu modificações no sistema previdenciário que dificultam ainda mais a aposentadoria, acabou com a independência da CUT, manteve o MST paralisado, minou a confiança dos trabalhadores em suas próprias forças e comprou com o Bolsa Família a consciência de uma parte da população que vivia uma situação de miséria biológica.

Isso tudo aconteceu porque Lula decidiu governar com empresários e patrões. As ações do governo sempre tiveram como objetivo fundamental preservar “essa mistura de um sindicalista com um grande empresário”. O preço dessa mescla é que os trabalhadores sustentaram por oito anos a farra dos banqueiros, das empreiteiras, do agronegócio e das multinacionais.

Como a colaboração de classes se torna uma ideologia dominante

Mas por que os trabalhadores que votaram em Lula aceitam essa situação pacificamente? A resposta é simples: porque a burguesia e seus agentes trabalham incansavelmente para convencer os operários de que patrões e empregados têm, no fundo, os mesmos interesses. A colaboração de classes é um exemplo daquelas mentiras que, repetidas mil vezes, acabam virando verdade.
Quando a economia cresce, tenta-se convencer os trabalhadores de que não é hora de pedir aumento porque “o bolo ainda não cresceu o bastante; é preciso esperar o bolo crescer para repartir”. É uma imagem forte que convence muita gente. Afinal, quem, em sã consciência, retiraria um bolo cru do forno? O que a burguesia e seus agentes escondem é que nunca a vida dos trabalhadores melhora na mesma proporção do crescimento econômico. É o contrário: a lucratividade das empresas sempre aumenta em proporção maior do que o crescimento do país.

Para demonstrar isso, tomemos os dados dos últimos anos de crescimento (veja o gráfico à esquerda). Comparemos o crescimento da massa salarial da população com a remessa de lucros ao exterior por parte de empresas multinacionais e especuladores estrangeiros. Veremos que os dois itens crescem, porém em proporção muito distinta, o que demonstra a mentira da ideia do bolo que “cresce” e então é dividido “por todos”.

Como se vê, quem ganha para valer com o crescimento econômico não são os trabalhadores que produzem as riquezas do país, mas sim as multinacionais e especuladores estrangeiros. Para garantir uma melhoria real do nível de vida dos trabalhadores, é preciso interromper a pilhagem do país e a exploração do trabalho do povo.

Não é possível fazer isso com a “mistura de um sindicalista com um grande empresário” por um motivo muito simples: o grande empresário não vai abrir mão do seu lucro. A conclusão é lógica: mais uma vez, os trabalhadores é que terão que abrir mão de melhorar as suas vidas.

A colaboração de classes durante as crises

Após os períodos de crescimento, vêm as crises. Nesses momentos, o discurso dos patrões e dos burocratas sindicais muda, mas a lógica se mantém: a de que somente “com o sacrifício de todos” é possível evitar uma tragédia ainda maior. Nesse caso, o “sacrifício de todos” é a demissão de uma parte dos trabalhadores, a diminuição da jornada com redução de salário, o corte de direitos e o aumento das remessas de lucros ao exterior para salvar as matrizes.

Por isso, em 2008, ano em que estourou a crise econômica mundial, a remessa de lucros do Brasil para o exterior, ao invés de diminuir, aumentou, atingindo a cifra de 33 bilhões de dólares, 55% a mais do que havia sido enviado em 2007 (21 bilhões de dólares). Ou seja, foram os trabalhadores brasileiros que salvaram as matrizes da GM, Volkswagen, Renault, Fiat e tantas outras que, ainda assim, não deixaram de demitir e reduzir salários.

Quando a Embraer demitiu 4.200 funcionários, Lula disse que estava “torcendo pelos trabalhadores”. O governo, que é acionista da empresa, cobrou apenas explicações e nada mais. Quando as grandes montadoras ameaçaram demitir em massa, Lula correu com a ajuda de R$ 4 bilhões e a redução do IPI. Para os banqueiros foram liberados R$ 160 bilhões do compulsório. Já os trabalhadores ganharam somente a ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego, o que resultou num gasto de apenas R$ 126 milhões ao governo federal. Literalmente, menos de um milésimo do que foi distribuído a um punhado de bancos e grandes empresas.

Esses tristes episódios demostram claramente que, na “mistura de um sindicalista com um grande empresário” quem ganha é sempre o grande empresário. É para ele que Lula decidiu governar.

Em defesa do classismo!

A história demonstra que as grandes conquistas da classe operária foram arrancadas com a luta e a organização independente: a jornada de oito horas, as leis trabalhistas, a derrota da ditadura militar, as liberdades políticas e sindicais e tantas outras.

Em vez da colaboração de classes, defendida hoje pela maioria esmagadora da esquerda, o PSTU propõe o classismo: a noção de que trabalhadores e burgueses são classes sociais inimigas. Portanto, a unidade entre eles só é possível com a condição de que os trabalhadores abram mão de seus interesses em benefício dos lucros da burguesia. O classismo, que para muitos é uma palavra engraçada e fora de moda, para nós é um guia para a ação, um princípio que simplesmente nunca deveria ter sido abandonado.

Colaboração de classes:a herança stalinista

Nos anos 1930, o nazifascismo adquiriu peso de massas em vários países, chegando ao poder na Alemanha e na Itália. Na Alemanha, existia um poderoso partido social-democrata, de orientação reformista, mas operário em sua composição. Também o Partido Comunista Alemão, stalinista, era muito forte.

Juntos, esses dois partidos poderiam ter derrotado o nazismo, mas o stalinismo se negou a fazer qualquer unidade com a social-democracia. Afirmava que ela era na verdade “a ala esquerda do fascismo”. Essa política ultraesquerdista teve consequências desastrosas conhecidas: Hitler chegou ao poder em 1933 sem encontrar praticamente resistência do movimento operário, dividido pela política suicida de Stalin.

Depois que o nazismo chegou ao poder, o stalinismo deu uma guinada à direita: passou a dizer que para derrotar o nazismo era preciso uma aliança entre os trabalhadores e a burguesia democrática, mas não se tratava de uma aliança para lutar.

O que se propunha era a criação de governos de unidade com a burguesia dita “progressiva”. O objetivo de construir um governo só de trabalhadores era abandonado. O stalinismo chamou essa política de “Frente Popular”. Estava criada assim a expressão que seria sinônimo de derrota e desmoralização para a classe operária do mundo inteiro.

PSOL: o abandono do classismo

Infelizmente, o abandono do classismo e a adoção de uma política de colaboração de classes não são exclusividade de Lula e do PT. Nas eleições de 2008, o PSOL de Porto Alegre recebeu R$ 100 mil da Gerdau, uma das maiores fabricantes de aço do país. Apesar da indignação dos militantes, nenhuma medida foi tomada contra a direção do PSOL gaúcho. Luciana Genro, então candidata a prefeita, acabou utilizando o dinheiro e obteve 10% dos votos. A explicação foi surpreendente: “A empresa não pede nada em troca; se eu não aceitar, eu sou burra”.

Luciana não é burra nem ingênua. Sabe bem que, quando os patrões financiam campanhas de partidos de esquerda, o fazem para forçá-los a abandonar suas posições radicais e adotar um programa mais moderado. O resultado nunca é imediato. De fato, nunca se pede nada formalmente. Apenas se oferece dinheiro.

Mas, em médio prazo, com seguidos financiamentos, cria-se uma relação de dependência, e a burguesia acaba dobrando essas organizações. O PT é a expressão disso em sua forma mais degenerada. O PSOL, infelizmente, caminha no mesmo sentido. Tanto é assim que a tragédia da Gerdau acaba de se repetir: a conferência eleitoral do PSOL gaúcho já aprovou o recebimento de dinheiro de empresas para a campanha eleitoral deste ano.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

MOVIMENTO SINDICAL SETOR DE ALIMENTOS: SINDICALISTAS QUEREM NORMA REGULATÓRIA PARA AVICOLAS


Federação (FTIA) e sindicatos do Paraná participam de reunião com o Ministério Público do Trabalho para discutir elaboração de NR (Norma Regulatória) para a melhoria nas condições de trabalho em avícolas e frigoríficos

Rui Amaro Gil Marques

Assessor de Comunicação da Federação e sindicatos

Ernane Garcia, presidente da FTIA, juntamente com o coordenador geral do SINTAC, Élio Alves Cardoso, Ivo Ossovis, presidente do sindicato de Ponta Grossa, Vilson Bassanezi, presidente do sindicato de Dois Vizinhos, João Moacir, presidente do sindicato de Toledo, Aparecido Barbosa, diretor do sindicato de Arapongas, Dr. Vanderlei Sartori Junior, assessor jurídico da FTIA, Siderlei de Oliveira, presidente da CONTAC e representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e sindicatos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e do Mato Grosso do Sul estiveram reunidos nesta semana com membros do Ministério Público do Trabalho em Florianopólis (SC).

A razão da reunião foi a discussão sobre a elaboração de uma NR (norma regulatória) para o setor avícola e frigoríficos com o propósito de combater as péssimas condições de trabalho e as doenças laborais que afligem os milhões de trabalhadores e trabalhadoras dessas indústrias em todo o território nacional.

Representando o Ministério Público do Trabalho participaram os procuradores Sandro Sardá e Paulo Censo que enfatizaram a necessidade da regulamentação do setor avícola e de carnes para combater as mazelas e a exploração a que os trabalhadores são submetidos atualmente. Entre as propostas apresentadas pelos representantes dos trabalhadores estão itens como; a redução da jornada de trabalho nos setores penoso, ritmo, movimentos repetitivos, câmaras frias, aumento das pausas, instalações adequadas para a realização do trabalho, rodízio e a implantação de novas tecnologias que facilitem os movimentos dos trabalhadores.

Ernane Garcia acredita que a elaboração de uma NR com a participação de representantes dos trabalhadores do setor avícola é o passo inicial para que as empresas passem a respeitar a saúde dos seus funcionários e melhorar as péssimas condições de trabalho existentes no setor. A próxima reunião para discutir a criação dessa NR será dia 31 de agosto em Brasília.

Setor que mais adoece e mutila

O setor avícola e de frigoríficos, segundo dados do próprio Ministério do Público do Trabalho e das várias denuncias realizadas pelos sindicatos de trabalhadores é o que mais desrespeita a legislação trabalhista, que oferece as piores condições de trabalho, salários baixos, adoece e mutila os trabalhadores.

Em todo o Brasil as avícolas e frigoríficos não tratam as questões relacionadas a saúde dos trabalhadores como deveriam ser tratadas. Na maioria dessas empresas os trabalhadores, se quer, possuem material de segurança adequado e o ritmo de trabalho é mais que estafante e exaustivo.

AÇÃO DIRETA

AÇÃO DIRETA
O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

Marcadores