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"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



quarta-feira, 28 de julho de 2010

GRÉCIA: BUROCRACIA SINDICAL E PARTIDO COMUNISTA DIVIDEM AS LUTAS DOS TRABALHADORES


Informe sobre a greve geral de 08 de julho
Escrito por Sotiris Martalis *
Quarta, 28 de Julho de 2010 11:28

Caro camarada Didi [1]

Envio-lhe um relatório sucinto sobre a greve geral na quinta-feira, dia 8 de Julho.

Com a aprovação pelo Parlamento da nova lei sobre o sistema de Previdência Social e a nova lei trabalhista na quinta-feira 8/7/2010 um capítulo acaba. É o fim do “primeiro tempo” da luta dos trabalhadores contra o governo e a "troika" (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, FMI). Esta primeira rodada acaba com a 7ª greve geral desde que os social-democratas foram eleitos ao governo central em Outubro passado e a 6ª greve geral deste ano.

A greve geral foi bem-sucedida e as manifestações nas grandes cidades foram grandes, embora não tenham sido tão grandes quanto às da greve geral em 5 de Maio (que era o momento mais ativo do movimento). Entre as greves gerais, os mais diferentes setores entraram em greve e continuam a lutar. O transporte público (ônibus, metrô), estivadores, trabalhadores do hospital, médicos e outros organizaram greves significativas. Mesmo agora, enquanto escrevo este relatório, em 13 de Julho, funcionários públicos (empregados de governos regionais, municipais, etc.) estão ocupando as prefeituras (sedes dos governos regionais) em muitas cidades. As pessoas que trabalham no sistema de Previdência Social pretendem ocupar os edifícios do serviço amanhã. Para esta quinta-feira, 15 de Julho, os trabalhadores do setor público estão convocando uma paralisação de trabalho e uma demonstração em frente ao Parlamento.

As últimas sondagens de opinião mostram que os partidos políticos da burguesia têm o menor apoio da história, enquanto 90% das pessoas rejeitam as políticas do governo. A classe trabalhadora lutou e continua a lutar nesta batalha e o próximo capítulo vai ser muito intenso. Apesar disso, a questão permanece: por que as greves gerais mais recentes não alcançaram a intensidade de 5 de Maio? Uma primeira razão é a maneira pela qual a burocracia sindical está organizando a luta. Eles não mantêm a pressão, eles deixam um longo tempo de distância entre cada greve geral, eles chamam as greves gerais, mas não as organizam seriamente nos locais de trabalho.

A este motivo, podemos adicionar as táticas sectárias de sindicalistas ligados ao Partido Comunista da Grécia (um partido reformista-stalinista). Vou apenas mencionar que eles organizam suas próprias demonstrações, a quilômetros da principal manifestação sindical. Mas o principal problema, que pressiona os trabalhadores á decisão de ir à greve ou não, é a falta de uma solução alternativa, de uma perspectiva política contra os ataques da classe dirigente. Neste tema, a esquerda não conseguiu aproveitar a oportunidade; ela não conseguiu produzir uma expressão política do movimento que está lutando esta guerra.

Nos próximos meses e dias, a classe operária vai sentir os efeitos destas políticas reacionárias em sua vida quotidiana. E essas políticas aprofundarão a crise, pela criação de todo um "exército" de desempregados. Estes fatos, eventualmente, abrirão uma nova rodada de confronto com o governo e a "troika", com seus esforços para implementar as leis aprovadas.

Nos sindicatos as conversas sobre as próximas etapas já estão sendo feitas. Eles decidiram: uma demonstração nos primeiros dias de setembro, durante a Feira Internacional de Salônica (a Feira Internacional de Salônica é um evento comercial anual, durante o qual o primeiro-ministro geralmente anuncia a política econômica para a próxima temporada). Em meados de setembro, mobilizações contra a chegada de autoridades da "troika", que estão chegando à Grécia para verificar o andamento das suas políticas e pedir novas medidas de austeridade.

No dia 29 de setembro, organizar e participar da greve pan-europeia. A batalha à nossa frente é realmente fundamental. Se eles vencerem, será uma derrota muito dura para os trabalhadores, e não apenas da Grécia. Se nós ganharmos, será uma derrota ainda mais dura para a classe dirigente, pois todo seu sistema político baseia-se nesta política. Se suas medidas forem derrotadas, será criada uma nova perspectiva, não só para a Grécia, mas para toda a Europa.

(*) Dirigente da ADEY – Federação dos Funcionários Públicos da Grécia

[1] Didi – Dirceu Travesso (dirigente da Conlutas – Central Sindical e Popular)

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AÇÃO DIRETA

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O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

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