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"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



quinta-feira, 29 de julho de 2010

É ASSIM QUE OS EUA GUARDAM SUAS FRONTEIRAS: NEONAZISTAS FORTEMENTE ARMADOS PRONTOS PARA ATIRAR.


Neonazistas fazem patrulha no Arizona
Grupo fortemente armado e com ideias radicais organiza patrulhas e vigílias a 80 quilômetros ao sul de Phoenix
AP 29/07/2010 08:25 (IG último segundo)


Grupos de Minutemen, uma nova onda de agentes da Patrulha de Fronteira e uma nova e rigorosa lei imigratória não são suficientes para um famoso neonazista que lidera uma milícia no deserto do Arizona.


Foto: © AP
Fortemente armado, Jason "J.T." Ready lidera patrulha fronteira dos EUA


Jason "J.T." Ready decidiu resolver a questão da imigração ilegal por conta própria, declarando guerra aos "narcoterroristas" e ficando de olho em imigrantes ilegais. Até agora, ele diz que sua patrulha encontrou apenas algumas pessoas cruzando a fronteira - elas receberam água e foram entregues à Patrulha da Fronteira. Certa vez, eles também encontraram um corpo em decomposição em fosso e alertaram as autoridades.

Mas as autoridades policiais locais estão inquietas, uma vez que o grupo de Ready é fortemente armado e se identifica com o Movimento Nacional Socialista, uma organização que acredita que apenas brancos, heterossexuais e não-judeus devem ser cidadãos americanos e que todos que não são brancos devem deixar o país "pacificamente ou pela força". "Nós não vamos mais sentar e esperar pelo governo", disse Ready. "Isso é o que nossos pais fundadores fizeram."

O Arizona testemunhou um aumento no número de patrulhas civis nos últimos anos, incluindo o movimento Minutemen. Vários grupos patrulham o deserto a pé, a cavalo e em aviões e relatam atividades suspeitas para a Patrulha da Fronteira. Geralmente, eles não causam problemas para os agentes da lei.

Mas Ready, um ex-fuzileiro naval de 37 anos, é diferente. Ele e seus amigos são equipados com uniformes militares, coletes e máscaras de gás, e portam armas de fogo de alto calibre. Ready se sente ofendido com o termo "neonazista", mas admite que se identifica com o Movimento Nacional Socialista. "Eles são nazistas explícitos", disse Mark Potok do Projeto Inteligência do Centro de Direito Southern Poverty. "Essas são pessoas que usam suásticas em suas mangas."

Ready é um reflexo da raiva sobre a imigração ilegal no Arizona. A governadora Jan Brewer assinou uma lei imigratória controversa em abril, que exige que polícia, enquanto age sobre outras leis, questione a situação legal de uma pessoa caso suspeitem de que ela esteja no país ilegalmente. Na quarta-feira, uma juíza bloqueou partes da lei enquanto as ações judiciais contra a medida correm nos tribunais federais.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

GRÉCIA: BUROCRACIA SINDICAL E PARTIDO COMUNISTA DIVIDEM AS LUTAS DOS TRABALHADORES


Informe sobre a greve geral de 08 de julho
Escrito por Sotiris Martalis *
Quarta, 28 de Julho de 2010 11:28

Caro camarada Didi [1]

Envio-lhe um relatório sucinto sobre a greve geral na quinta-feira, dia 8 de Julho.

Com a aprovação pelo Parlamento da nova lei sobre o sistema de Previdência Social e a nova lei trabalhista na quinta-feira 8/7/2010 um capítulo acaba. É o fim do “primeiro tempo” da luta dos trabalhadores contra o governo e a "troika" (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, FMI). Esta primeira rodada acaba com a 7ª greve geral desde que os social-democratas foram eleitos ao governo central em Outubro passado e a 6ª greve geral deste ano.

A greve geral foi bem-sucedida e as manifestações nas grandes cidades foram grandes, embora não tenham sido tão grandes quanto às da greve geral em 5 de Maio (que era o momento mais ativo do movimento). Entre as greves gerais, os mais diferentes setores entraram em greve e continuam a lutar. O transporte público (ônibus, metrô), estivadores, trabalhadores do hospital, médicos e outros organizaram greves significativas. Mesmo agora, enquanto escrevo este relatório, em 13 de Julho, funcionários públicos (empregados de governos regionais, municipais, etc.) estão ocupando as prefeituras (sedes dos governos regionais) em muitas cidades. As pessoas que trabalham no sistema de Previdência Social pretendem ocupar os edifícios do serviço amanhã. Para esta quinta-feira, 15 de Julho, os trabalhadores do setor público estão convocando uma paralisação de trabalho e uma demonstração em frente ao Parlamento.

As últimas sondagens de opinião mostram que os partidos políticos da burguesia têm o menor apoio da história, enquanto 90% das pessoas rejeitam as políticas do governo. A classe trabalhadora lutou e continua a lutar nesta batalha e o próximo capítulo vai ser muito intenso. Apesar disso, a questão permanece: por que as greves gerais mais recentes não alcançaram a intensidade de 5 de Maio? Uma primeira razão é a maneira pela qual a burocracia sindical está organizando a luta. Eles não mantêm a pressão, eles deixam um longo tempo de distância entre cada greve geral, eles chamam as greves gerais, mas não as organizam seriamente nos locais de trabalho.

A este motivo, podemos adicionar as táticas sectárias de sindicalistas ligados ao Partido Comunista da Grécia (um partido reformista-stalinista). Vou apenas mencionar que eles organizam suas próprias demonstrações, a quilômetros da principal manifestação sindical. Mas o principal problema, que pressiona os trabalhadores á decisão de ir à greve ou não, é a falta de uma solução alternativa, de uma perspectiva política contra os ataques da classe dirigente. Neste tema, a esquerda não conseguiu aproveitar a oportunidade; ela não conseguiu produzir uma expressão política do movimento que está lutando esta guerra.

Nos próximos meses e dias, a classe operária vai sentir os efeitos destas políticas reacionárias em sua vida quotidiana. E essas políticas aprofundarão a crise, pela criação de todo um "exército" de desempregados. Estes fatos, eventualmente, abrirão uma nova rodada de confronto com o governo e a "troika", com seus esforços para implementar as leis aprovadas.

Nos sindicatos as conversas sobre as próximas etapas já estão sendo feitas. Eles decidiram: uma demonstração nos primeiros dias de setembro, durante a Feira Internacional de Salônica (a Feira Internacional de Salônica é um evento comercial anual, durante o qual o primeiro-ministro geralmente anuncia a política econômica para a próxima temporada). Em meados de setembro, mobilizações contra a chegada de autoridades da "troika", que estão chegando à Grécia para verificar o andamento das suas políticas e pedir novas medidas de austeridade.

No dia 29 de setembro, organizar e participar da greve pan-europeia. A batalha à nossa frente é realmente fundamental. Se eles vencerem, será uma derrota muito dura para os trabalhadores, e não apenas da Grécia. Se nós ganharmos, será uma derrota ainda mais dura para a classe dirigente, pois todo seu sistema político baseia-se nesta política. Se suas medidas forem derrotadas, será criada uma nova perspectiva, não só para a Grécia, mas para toda a Europa.

(*) Dirigente da ADEY – Federação dos Funcionários Públicos da Grécia

[1] Didi – Dirceu Travesso (dirigente da Conlutas – Central Sindical e Popular)

A REVOLUÇÃO RONDA A EUROPA: IMPERIALISMO PODERÁ INTERVIR A QUALQUER MOMENTO














Revolução e contrarrevolução no Quirguistão

Escrito por Pietrovick Onivechea Istzenko - Rússia
Ter, 27 de Julho de 2010 18:33
Tradução: Érika Andreassy

É necessário derrotar os planos do imperialismo e dos patrões quirguiz.

Em junho os meios de comunicação em massa trouxeram à luz os acontecimentos no Quirguistão: um massacre inter étnico que deixou centenas de mortos entre os lados uzbeque e quirguiz, bairros inteiros queimados na cidade de Osh e milhares de desalojados e refugiados.

Muitos meios informativos mostraram os fatos como simples loucura, mas por trás desses terríveis acontecimentos esconde-se a tentativa de organizar uma ação contrarrevolucionária com o objetivo de, com esta carnificina, deter o mais profundo processo revolucionário, ainda em curso, que vive a região nas últimas décadas.

Um profundo processo revolucionário

Por trás do massacre no Quirguistão há a intenção de deter a revolução que tem levado a um avanço sem precedentes na vida política desta república, a qual desde a restauração do capitalismo sofre a imposição de planos colonizadores neoliberais no terreno econômico (sobretudo seguindo as recomendações do FMI que faz desta república a mais pobre da região), e no plano militar (no território do Quirguistão se encontram duas bases militares estrangeiras: uma russa e outra norte-americana, localizada diretamente no aeroporto da capital Bishkek, por onde se abastecem os exércitos de ocupação da OTAN que operam no Afeganistão).

Em 2005 deu-se uma revolução de massas, levada até as últimas conseqüências, que derrubou um governo que se encontrava no poder desde 1990.

No lugar do presidente Akaev tomou posse Bakiev (um antigo membro da oposição ao governo de Akaev).

Bakiev acelerou em rápida escala a política de privatizações e a transferência das empresas às corporações multinacionais e deu um salto no processo de recolonização da república.

A crise econômica agudizou a situação: fez cair à arrecadação orçamentária e aumentar a dívida. Reduziram-se os ingressos provenientes dos imigrantes quirguizes que trabalham na Rússia, muitos dos quais regressaram a pátria para fazer parte das fileiras de desempregados. Além disso, buscando recompor o orçamento, Bakiev aumentou brutalmente as tarifas da administração de serviços públicos, levando o povo pobre a pagar as conseqüências da crise.

O governo tratou de tapar o crescente descontentamento da população com um ataque aberto às liberdades democráticas. Esta nova revolução transformou-se na resposta de massas aos ataques econômicos do governo e às detenções políticas. Revolução que em abril de 2010 desafiou o governo de Bakiev.

As massas rebeldes nas ruas desarmaram a polícia que disparava contra o povo, venceram os franco-atiradores mercenários já desmoralizados e o exército que se negou a disparar contra a população. Os rebeldes capturaram armas e organizaram-se em Kurultay (assembléias populares), as mesmas que haviam surgido em 2005, porém bem mais fortes.

Após a derrubada de Bakiev, subiu ao poder o governo provisório de Otunbaeva (uma antiga integrante dos governos de Akayev, que depois junto com Bakiev passou à oposição; transformando-se numa pessoa chave do imperialismo, trabalhando no Ministério de Assuntos Exteriores da URSS, foi embaixadora de Quirguistão nos EUA e representante na ONU). Tratando de deter a revolução, o novo governo foi obrigado a cumprir com algumas exigências da população (baixar as tarifas da administração de serviços públicos) e abandonar uma série de promessas (deter os planos privatizantes de Bakiev assim como a venda dos recursos e das empresas ao capital estrangeiro). Entretanto, o governo da república semicolonial não dispõe de meios, para a realização da maioria das promessas econômicas, especialmente em condições de crise. O novo governo é extraordinariamente frágil, porém vê-se obrigado a resistir a esta potente revolução.

A magnitude da revolução assustou os regimes ditatoriais das repúblicas vizinhas. O presidente do Uzbequistão, Carimov (após a queda de Akayev em 2005 fuzilou manifestantes nos protestos, temendo a repetição do caso quirguiz no país), de todos os refugiados uzbeques, tem deixado passar somente mulheres e crianças através da fronteira para assim, ante a primeira possibilidade de transbordamento do movimento, mandá-los de volta ao Quirguistão, temendo que o Uzbequistão seja contagiado pela revolução.

A revolução desferiu um duro golpe nos interesses do imperialismo em uma região estratégica

Através dessa região atualmente passa a via de abastecimento mais estável para as tropas de ocupação no vizinho Afeganistão.

No aeroporto da capital em Bishkek está localizado o principal centro aéreo de transporte para o abastecimento do exército da OTAN.

O imperialismo não pode permitir a extensão da revolução, e ante a debilidade do governo vê-se obrigado a se intrometer, deixando, inclusive, aberta a possibilidade de uma invasão militar. Para frear a revolução, o imperialismo usa qualquer tática, neste caso faz com que as etnias combatam entre si.

Isto, por um lado aniquila a potente energia da classe operária multi étnica quirguiz e de seus vizinhos das outras repúblicas. Por outro, dá o pretexto para o desarmamento da população sob a alegação de garantir a paz. Finalmente dá um motivo para que as tropas intervenham e joguem um papel como "mediadores entre as partes", na realidade para reforçar a colonização e impor o controle militar direto sobre os países. Agora mesmo toda a burguesia discute amplamente a necessidade do envio de tropas estrangeiras ao Quirguistão.

Intervençãoestrangeira: todos de acordo

O imperialismo através da provocação de um massacre inter étnico prepara terreno para a possibilidade do envio de suas tropas. E apesar de todas as divergências que possam ter, todos estão de acordo com a intervenção militar. Logo após sua queda, Bakiev exigiu o envio de tropas da ONU, tratando assim de defender seus interesses econômicos ao preço da ocupação de seu próprio país por tropas estrangeiras.

Neste momento ele encontrou asilo político em Londres e proporciona ao imperialismo um grande serviço com a provocação do massacre inter étnico no sul do país. O novo governo de Otumbaeva, débil, fiel ao imperialismo e dependente dele, do mesmo modo chamou a intervenção estrangeira. O governo russo não nega a possibilidade de intervir, mas não quer arriscar ficar isolado e por isso não se apressa a adentrar no conflito sozinho, buscando desta maneira um lugar cômodo neste grande jogo do imperialismo, em particular do imperialismo ianque. Por trás do consenso que une a todos quanto à intervenção há uma idéia clara: deter a revolução.

Duas ameaças à revolução

Hoje em dia existem dois perigos para os trabalhadores do Quirguistão e sua revolução.

Em primeiro lugar, a intervenção de tropas estrangeiras do imperialismo e de seus aliados sob a máscara de “forças de paz". No marco deste plano o governo de Otumbaevoy tenta desarmar o povo, que possui grande quantidade de armas em suas mãos. Armas que podem ser dirigidas contra os ocupantes e contra o governo mas também, no sentido inverso pode levar à limpeza étnica dos uzbeques no marco da lógica dos provocadores.

Em segundo lugar, o massacre inter étnico que divide à população no lugar de unificar contra o governo entreguista já preparado para deixar o país à mercê de tropas estrangeiras somente para poder conservar seu poder e seus privilégios.

Derrotemos o plano do imperialismo e dos governos entreguistas!

Hoje é indispensável derrotar o plano contrarrevolucionário do imperialismo e das classes proprietárias!

Deter o suicídio inter étnico dos trabalhadores, provocado por Bakiev, pelos patrões, governos entreguistas e o imperialismo. Os uzbeques e quirguizes não têm nenhum motivo para se dividir. É necessário recusar categoricamente as provocações e a inimizade criada artificialmente por instigadores. É necessário combater à morte os mercenários e provocadores!

Formar milícias inter étnicas de operários e camponeses independentes do governo para se opor aos bandos de provocadores, às guarnições da policia estatal que desarmam o povo e para resistir à possível ocupação do país por tropas estrangeiras.

Impedir as tropas estrangeiras! Expulsar as bases militares estrangeiras

Não à armadilha do "desarmamento" sob a consigna de “paz"! O imperialismo, o governo de Otunbaeva e Bakiev querem desarmar a população para que seja mais fácil subordiná-los aos senhores locais e as tropas estrangeiras.

A repressão contra o povo sob a cúpula de Bakiev claramente demonstrou que a população deve possuir armas para sua autodefesa e proteção de seus interesses. É necessário obter armamento após cada ataque às fileiras da polícia, despojando-a de suas armas, capturando as mesmas dos depósitos e estabelecendo relações estreitas com os soldados recrutas, atraindo-os para seu lado.

Exigir da Grã-Bretanha a extradição de Bakiev, que ordenou os disparos contra a população em abril e tomou parte na organização dos massacres em Osh em junho de 2010.

Romper relações diplomáticas e econômicas com o Reino Unido da Grã-Bretanha uma vez que Bakiev foi abrigado por este, expropriar imediatamente todos os capitais ingleses e bloquear o abastecimento de soldados britânicos no Afeganistão através do Quirguistão. Proibir o transporte de carga para os exércitos da OTAN.

Os altos índices de miséria do povo não são resultado dos pobres operários de outras nacionalidades, mas da concentração da terra, recursos, empresas e finanças nas mãos das classes dominadoras e de capitais das multinacionais estrangeiras.

Para superar a pobreza é necessário cessar os pagamentos da dívida externa e a subtração dos meios de produção do país, nacionalizar sem indenização a terra, o capital estrangeiro, os recursos naturais, as grandes empresas da república e os bancos do país sob o controle das assembléias populares! Dar a terra a todos que desejem nela trabalhar! Nenhuma confiança no novo governo nem na “república parlamentar”!

Sob Otunbaeva o poder e a propriedade permanecem nas mãos da minoria e do capital estrangeiro, além disso, enquanto este governo se mantém no poder permite bases militares estrangeiras no território do país, cujos governantes clamam pela intervenção militar direta.

Unir os trabalhadores do país todo através do sistema de Kurultay (Assembléias populares) em todos os níveis: dos pequenos povoados à república inteira. Organizar urgentemente a Assembléia Kurultay suprema através de eleições de delegados de base que trabalhem para a discussão e a decisão dos problemas do povo. Os donos do país devem ser os trabalhadores quirguizes e não os proprietários das terras, a burguesia, os chefes dos clãs, as corporações estrangeiras, o exército ou os governos servis.

Com o governo de Otumbaeva a vida da população não melhorará porque este é um governo do imperialismo, dos latifundiários e dos patrões.

Para uma verdadeira mudança em favor dos trabalhadores será necessário derrotar o governo de Otunbaevoy, tomar o poder e estabelecer o poder operário, isto é, um governo dos trabalhadores!

Uma região com história em comum

A Ásia Central possui uma história antiga em comum, compreendida pelos territórios do atual Quirguistão, Uzbequistão, Turquemenistão, o sul de Cazaquistão, o noroeste da China (Uyguri), partes do Afeganistão e Irã. A combinação dos desertos com vales fluviais criou a base para a divisão dos povos nômades e agrícolas e para a diversidade étnica. O território sempre sofreu com os choques entre os povos nômades e as tentativas de formar estados de agricultores e com os choques entre estes últimos.

No território formaram-se e destruíram-se estados nas fronteiras que se diferenciavam por completo das atuais, contribuindo para o aparecimento de diferentes nacionalidades e ao mesmo tempo para o seu fracionamento. O desenvolvimento capitalista chegou ao território muito tarde e pelas mãos do capitalismo atrasado russo, que conservou as reminiscências feudais e a divisão entre clãs, etnias e nacionalidades.

Com a Revolução de Outubro na Rússia, os povos do antigo império czarista conquistaram a independência e na região surgiu uma série de repúblicas soviéticas no marco da URSS, com suas fronteiras inevitavelmente “cortando” os territórios onde viviam estes povos devido à variedade étnica e migrações internas.

Na região da Ásia Central vivem quirguizes, uzbeques, tadjiques, os uigures (hoje também os turcos-meshetintsy mandados por Stalin para este local, e os russos) etc. As fronteiras do Quirguistão, Uzbequistão, Tadjiquistão são muito confusas, situação agravada pelas populações de outros povos que vivem dentro da cada república vizinha. As fronteiras reais nacionais foram fortemente destruídas. Assim na cidade de Osh “quirguiz” a metade da população é uzbeque, nas cidades Bujará “uzbeque” e Samarkanda a maior parte da população é tadjique (também o grupo nacional importante no Afeganistão) etc.

Com o estabelecimento do poder soviético, o triunfo do internacionalismo revolucionário e o avanço no desenvolvimento social, tudo isto não representava um grande problema. Mesmo nas condições da política repressiva nacional de Stalin e da burocracia que se combinava harmoniosamente com os medievais clãs nacional-familiares (a forma de governo tradicional na região), os lucros socioeconômicos do estado operário asseguravam a paz na região, quando os operários de todas as nacionalidades viviam fraternalmente, sem conflitos. Até hoje a região recorda a época do estado operário como a idade de ouro, quando não existia inimizade entre os povos, quando todos viviam juntos. Mas tudo isto foi modificado com a restauração capitalista: a região entrou em um período de guerras e choques inter étnicos sangrentos.

Revolução e a contrarrevolução no Quirguistão

O sul do Quirguistão encontra-se na região do vale de Fergana, região mais alta no território da ex-URSS, com a maior densidade populacional, maior quantidade de latifundiários e variedade étnica. A situação complica-se com a existência dos clãs familiares. E o variado quadro nacional da região sempre foi utilizado pelos governos e a elite para dividir o povo trabalhador.

Acontecimentos similares aos atuais, já se sucederam nesta região do Quirguistão. Nessa época ainda, no final dos anos 80 a República Socialista Soviética do Quirguistão quando a burocracia estalinista dirigente do PCUS restaurou o capitalismo e, em toda a URSS começaram a surgir levantes revolucionários contra a ditadura restauracionista.

Nas repúblicas nacionais isto foi concretizado através da luta dos povos por sua autodeterminação, derrotada com o uso da força pelo governo restauracionista de Gorbachov. Para debilitar a luta dos trabalhadores e dos povos, o governo e a nova burguesia organizaram provocações que levaram os diferentes povos ao enfrentamento entre si. Como por exemplo, no lado quirguiz onde se espalharam rumores, que em algum lugar os uzbeques atacaram um jardim da infância e assassinaram as crianças.

Analogicamente tais rumores espalharam-se pelo lado uzbeque. Este esquema funcionou em todas as regiões das diferentes nacionalidades, onde as provocações encontraram solo fértil nos preconceitos que existiam historicamente, e alimentaram a desconfiança entre os povos.

No marco do processo revolucionário e da oposição contrarrevolucionária, em muitas repúblicas, especialmente na Ásia Central e no Cáucaso, onde o mapa nacional é bastante complexo, produziram-se sangrentos choques inter étnicos.

Desta maneira a luta dos operários e dos povos é desviada pela burocracia restauracionista e pela nova burguesia que faz com que os trabalhadores se posicionem do seu lado. Exatamente assim em 1990, na mesma cidade de Osh foi provocada uma guerra entre uzbeques e quirguizes, que passou à história como "o massacre de Osh".

As provocações nas condições específicas da região constituem-se em uma faísca num barril de pólvora. Desta vez os acontecimentos desenvolvem-se do mesmo modo, a partir das provocações análogas (neste caso «os uzbeques atacaram uma residência comunal feminina»).

PARAGUAI: FERNANDO LUGO E SEU GOVERNO DE TRAIÇÃO AOS TRABALHADORES E CAMPONESES


Dois anos da chegada de Lugo ao poder

Escrito por Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional
Seg, 26 de Julho de 2010 18:36

Em 15 de agosto de 2010 se cumprirão dois anos da ascensão ao poder do governo de Fernando Lugo no Paraguai. Ele chegou ao governo na histórica jornada de 20 de abril de 2008, na qual o povo pobre, farto de 61 anos de miséria e repressão, desferiu uma derrota eleitoral ao odioso Partido Colorado¹. A disputa eleitoral deu, no entanto, o poder a um governo de colaboração de classes, um governo que seguiria governando para os ricos.

Desde sua aparição na cena política, Fernando Lugo despertou um legítimo sentimento de esperança na maioria do povo trabalhador. As massas exploradas depositaram nele sua confiança e legítimos anseios de mudança real ².

As principais direções sociais e de esquerda, prontamente, começaram a pregar às massas que se devia apoiar a candidatura de Lugo para conseguir “a alternância” no poder, derrotar a “rosca mafiosa”³, e assim “abrir as comportas” e “democratizar” o país. Lugo no governo chegou a ser declarado pela maioria da esquerda paraguaia, nem mais nem menos, como o “primeiro passo rumo ao socialismo”.

A estas alturas e considerados os fatos, os obstinados fatos, as vanguardas e direções sociais e políticas de esquerda paraguaia devem fazer-se perguntas simples, mas que consideramos centrais: Para qual interesse de classe governa Lugo? O que mudou, efetiva e favoravelmente, na vida da classe trabalhadora, dos camponeses pobres, dos habitantes dos bairros e dos demais setores explorados do Paraguai? O governo é “nosso”?

Para qual lado joga Lugo?

Fernando Lugo se autoproclamou “de centro” entre todos os setores políticos que o apoiavam e anunciou que não responderia, no terreno ideológico, nem à direita nem à esquerda. Disse que sua política seria de “centro”, tal como o “juru poncho” [4]. Atrativas palavras, puras mentiras, armadilha mortal.

Constituímos uma sociedade dividida em classes sociais que lutam entre si defendendo cada uma interesses antagônicos. Não existe mais a mínima possibilidade, objetivamente, de manter neutralidade ou permanecer “no centro”. A luta de classes não admite meio-termos.

Fernando Lugo governa sem limites para os capitalistas e o imperialismo. Seu governo frustrou aquela confiança e esperanças populares. Demonstrou ser “mais do mesmo, um lamentável continuísmo dos colorados e, em certos assuntos, inclusive pior.

Nomeou ministro da Fazenda Dionísio Borda, o mesmo do governo colorado de Duarte Frutos e pactuou com setores empresariais e latifundiários agrupados no PLRA [5]. A partir do poder, começou a aplicar um verdadeiro “nicanorismo econômico” [6], com projetos privatizantes [7] e um forte aumento da dívida externa através do BID e do Banco Mundial que abriram uma “linha de crédito” para o país de mais de um bilhão de dólares.

Quanto à Reforma Agrária, Lugo anuncia “resultados” para 2003, ao mesmo tempo em que passou a reprimir brutalmente as ocupações de terra que se deram no início de seu governo. Militarizou o norte do país com cinco operativos conjuntos da FFAA-Polícia entre outubro de 2009 e abril de 2010, um deles no marco de um estado de sítio em cinco dos mais extensos departamentos do país.

A reforma agrária de Lugo se concretizou em centenas de camponeses processados, presos, feridos e vários dirigentes assassinados pela polícia. Foi com este governo “democrático e progressista” como gosta de chamá-lo o PCP [8], que o Ministério do Interior e a polícia fizeram voar pelos ares seu orçamento.

A política repressiva se aprofundou, caminhando para uma aberta “colombianização” das forças repressivas. Lugo se orgulha publicamente dos acordos que assina com o criminoso governo de Uribe, de quem se provê de armas e assessores treinados nos EUA.

O governo de Lugo-PLRA arriou inclusive a bandeira da tão célebre democrática renegociação do leonino Tratado de Itaipu [9] com o Brasil. O próprio diretor paraguaio da hidrelétrica “binacional”, Gustavo Codas [10], anunciou a capitulação do governo renunciando a “alterar os termos” do tratado de Itaipu.

Não se pode não apontar os escândalos por irresponsabilidade paterna e machismo, ou os casos de grosseiro nepotismo dentro da administração pública com a justificativa de que “a família também tem direito de trabalhar”.

O governo de Lugo-PLRA, ao contrário do que se faz com os pobres nunca atacou aos ricos ou aos interesses do imperialismo. Por exemplo, atualmente no Paraguai, a soja registra uma colheita recorde e lucros enormes aos seus produtores. Lugo lhes garantiu a “paz social” e a proteção mediante uma brutal repressão às lutas camponesas e a cooptação de suas principais direções.

No terreno da classe trabalhadora urbana, Lugo arrancou os direitos adquiridos dos servidores públicos. A perseguição sindical é freqüente e as violações dos direitos trabalhistas por parte dos empresários (como a obrigação de pagar o salário mínimo ou o pagamento do seguro social), seguem impunes.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A coerência política do Presidente Lula — exemplo de estadista correto e...

A OLIGARQUIA SARNEY COM DILMA-LULA PARA CONTINUAR SUGANDO O MARANHÃO




ROSEANA: A MULHER-SÍMBOLO DE DILMA



Publicado por John Cutrim, jornalista no Maranhão.


Roseana Sarney (PMDB), filha de José Sarney (PMDB), irmã de Fernando Sarney, é a mulher-símbolo da campanha de Dilma Rousseff (PT). Não adianta vir com Princesa Isabel, Anita Garibaldi ou Maria da Penha.

Para apoiar Roseana Sarney, Dilma Rousseff obrigou o PT do Maranhão, o estado mais miserável do Brasil justamente por ser escravizado pela Família Sarney, a não ter candidato e a não apoiar o PCdoB de Flávio Dino, seu aliado, rasgando o resultado da convenção partidária e intervindo no estado através do Diretório Nacional.

Militantes petistas maranhenses chamaram o presidente do PT de Hitler. Deputados e fundadores do PT estão em greve de fome. O episódio marca uma das mais sujas e abjetas troca de apoios que já se viu na política brasileira.

O apoio de Dilma para Roseana Sarney é simbólico. Além de significar a perpetuação da pobreza e mortalidade infantil no estado com a pior expectativa de vida do país, representa a grande mentira em que o PT se transformou.

É Lula apoiando Dilma, é Dilma apoiando Collor

LULA-COLLOR-DILMA: A PODRIDÃO DA POLITICANALHA ELEITORAL BURGUESA


ELEIÇOES 2010: TODOS ELES SÃO FARINHA DO MESMO SACO. TODOS ELES ESTÃO CONTRA NÓS


No final das contas eles são todos iguais mesmo. Adivinhem quem é o candidato do Lula e da Dilma ao governo de Alagoas? Se você pensou em Fernando Collor de Mello acertou nas moscas. Isto mesmo, moscas. Numa coligação tão podre quanto essa só pode ter moscas, vermes, necrófilos, sangue-sugas, parasitas e todo o tipo de seres hediondos que fazem das nossas vidas uma escatológica exploração cotidiana.


CONTRA TODOS ELES AÇÃO DIRETA E INDEPENDÊNCIA DE CLASSE. VOTAR É DELEGAR O NOSSO PODER PARA QUE SEJA USADO CONTRA NÓS. SÓ AS LUTAS CONSCIENTES PODEM MUDAR A SITUAÇÃO. NÃO VOTE EM NINGUÉM. UNAM-SE A NÓS E VAMOS ACABAR COM ESSA FARSA TODA. CHEGA DE CORRUPÇÃO, DE VIOLÊNCIA, DE MANIPULAÇÃO, DE EXPLORAÇÃO E SUBSERVIÊNCIA. FAÇAMOS UNIDOS A NOSSA REVOLUÇÃO.

QUANDO A MÁSCARA CAI: PETISTAS SE DIZEM EM CASA EM EVENTO DE RURALISTAS DO DEM.




Fotos: A senadora Kátia Abreu (DEM), Binho Marques (PT) e Aldo Rebelo (PCdoB). Os interesses de classe dos ruralistas acima de divergências partidárias e ideológicas. A reforma agrária e o meio ambiente que se danem!



Petistas do Acre se dizem em casa com ruralistas do DEM

Jean-philip Struck
FSP


Em um evento com a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), o governador do Acre, Binho Marques (PT), foi aplaudido por uma plateia formada por pecuaristas ao afirmar que se sentia em casa diante de tantos fazendeiros. Kátia Abreu retribuiu com elogios aos pecuaristas acrianos. Eu vejo imagens da boiada no Acre e sinto meu coração estalar, meu peito se encher de orgulho, disse a senadora. As declarações foram feitas na segunda-feira, em Rio Branco (AC), durante a inauguração da sede da Faeac (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre). Compareceram ainda à inauguração o ex-governador e candidato ao Senado Jorge Viana e o prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, ambos também petistas.

A Faeac é filiada à CNA (Confederação Nacional de Agricultura), presidida pela senadora Kátia Abreu, defensora de uma anistia aos proprietários rurais que desmataram ilegalmente. Em seu discurso, Kátia Abreu reclamou dos ambientalistas, que chamou de fundamentalistas extremamente radicais, e defendeu a expansão da área plantada no Acre e no resto do Brasil:
Essas pessoas precisam entender que não se planta arroz em cima de árvore.

Tanto ela quanto o governador do Acre elogiaram o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B), relator do novo Código Florestal. Aldo é um símbolo porque não é da direita e não é fazendeiro, portanto as pessoas puderam enxergar honestidade, bom senso e isenção na matéria, disse ela.
Já o governador, que é amigo da senadora Marina Silva (PV) desde os tempos da faculdade e disse ter sido companheiro do ecologista Chico Mendes, declarou que custou a entender a posição de Rebelo, mas disse que mudou muito e que os comunistas sempre tiveram quedinha pelos ruralistas.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

GUERRILHA COMUNISTA ATACA MILITARES NAS FILIPINAS


Ação Direta: Rebeldes comunistas matam sete soldados nas Filipinas


Rebeldes comunistas fizeram uma emboscada hoje contra um caminhão do Exército em uma zona remota do norte das Filipinas, matando todos os sete soldados a bordo, informaram funcionários. As tropas estavam se preparando para uma missão médica, segundo as autoridades.

A rebelião de 41 anos dos comunistas é uma das mais longevas insurgências da Ásia. Os rebeldes maoistas, que estão na lista de terroristas dos Estados Unidos, tornaram-se mais ativos nos últimos meses, atacando militares em zonas pouco povoadas e postos policiais, a fim de conseguir armas.

O coronel Eliseo Posadas, comandante de uma brigada do Exército local, disse que os soldados foram atacados pouco após deixar o posto de comando na cidade de Bontoc, província de Mountain. Eles coordenariam uma missão médica marcada para o sábado. Os rebeldes tomaram as armas e, antes de fugir, mataram os soldados. Posadas disse que eles estavam agora sendo procurados na montanhosa região. "Nós estamos buscando na área para ver se há baixas do lado inimigo."

A ex-presidente Gloria Macapagal Arroyo ordenou que os militares derrotassem os rebeldes até o fim de seu mandato, em 30 de junho, mas esse prazo não foi cumprido. As conversas de paz estão estagnadas desde 2004, quando os rebeldes acusaram o governo de instigar a inclusão do grupo em listas de grupos terroristas dos EUA e da União Europeia (UE).

sexta-feira, 16 de julho de 2010

ALERTA!!! ARROZ TRANSGÊNICO: BRASIL PODERÁ SER COBAIA

Arroz transgênico: Brasil poderá ser cobaia


Dentro de poucos dias o Brasil pode o primeiro país do mundo a permitir o plantio e o consumo de arroz transgênico não aprovado em nenhuma outra nação



Divulgação/EcoAgência

pedido da empresa alemã Bayer está praticamente pronto para ser votado pela CTNBio

Por Em Pratos Limpos

O pedido da empresa alemã Bayer está praticamente pronto para ser votado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio. Trata-se do Arroz Liberty Link LL 601, resistente ao herbicida glufosinato de amônio (processo 01200.003386/2003-79). Neste caso, até os produtores e a Embrapa Arroz e Feijão estão contra. Parece que só a CTNBio está do lado da Bayer. Como vai se posicionar o governo LULA?

Arroz com herbicida – riscos para a saúde

A modificação genética torna o arroz resistente ao herbicida de princípio ativo glufosinato de amônio e nome comercial Basta ou Finale (ambos da Bayer). Ou seja, não há nenhum benefício para o consumidor. Pelo contrário. Com a resistência ao agrotóxico, a pulverização se dará sobre toda a lavoura, inclusive sobre o próprio arroz, que não morrerá mas absorverá o veneno, que irá também para os grãos.

O glufosinto é considerado tóxico para mamíferos e por este motivo será proibido na União Europeia a partir de 2017 por determinação do Parlamento Europeu [1]. Pesquisadores japoneses mostraram que a substância pode dificultar o desenvolvimento e a atividade do cérebro humano, provocando convulsões em roedores e humanos [2].

A Bayer é a empresa que mais vende agrotóxicos no Brasil e sua aposta no arroz transgênico visa ampliar ainda mais esse mercado. A venda casada com o glufosinato reforça a posição do Brasil como principal destino de produtos tóxicos não mais aceitos em outros países [3].

Problemas agronômicos – a posição da Embrapa

Em audiência pública, o pesquisador Flávio Breseghello, da Embrapa Arroz e Feijão, apresentou a posição oficial “autorizada pela presidência”, frisando que a empresa não é contra os trangênicos e nem contra a modificação genética do arroz, mas que neste caso o produto da Bayer “agravará os problemas já existentes”. “Não devemos usar tecnologias que terão validade de poucas safras”, disse Breseghello.

O principal entrave técnico enfrentado pelos produtores de arroz é o controle do arroz vermelho, espécie ancestral do arroz comercial, que compete com a cultura. A preocupação é a constatação de que a planta transgênica inevitavelmente cruzará com sua parente vermelha, dando origem a arroz vermelho transgênico resistente a herbicida. O arroz vermelho pode germinar após mais de anos de dormência no solo. Segundo Breseguello, “a contaminação é irreversível” [4].

Problemas econômicos – a posição dos produtores

Na mesma audiência pública, os representantes dos produtores de arroz também manifestaram sua preocupação. Receiam perder mercado interno e externo caso a variedade seja liberada. “Considerando que não existe consumo corrente nem mercado global para o arroz transgênico, concluímos que a entidade não é favorável nesse momento à liberação”, disse Renato Caiaffo Rocha, em nome dos produtores reunidos na Farsul e na Federarroz e do Instituto Rio Grandense do Arroz – IRGA.

Contaminação inevitável

Mais de 7 mil produtores de arroz processam a Bayer nos Estados Unidos por prejuízos sofridos pela contaminação de suas colheitas pelo arroz Liberty Link. A Justiça estadunidense já determinou o pagamento de mais de 50 milhões de dólares como indenização por danos materiais. A Justiça do estado de Arkansas determinou também indenização por danos morais por entender que houve má fé por parte da empresa [5].

Entre 1999 e 2001 a empresa realizou nos Estados Unidos testes de campo com o arroz modificado, mas não chegou a propor sua liberação comercial. A contaminação só foi descoberta cinco anos após a conclusão dos experimentos, quando o mercado europeu suspendeu as importações do produto. O Japão seguiu o mesmo caminho. Na ocasião, a empresa eximiu-se de qualquer responsabilidade pelo ocorrido, alegando tratar-se de “circunstâncias inevitáveis, ato de Deus e negligência dos agricultores” [6].

Recentemente, um repesentante da Bayer no Brasil afirmou que o problema não está na contaminação, mas sim no fato de ela não estar prevista e regulamentada pelas leis de biossegurança. Para André Abreu, enquanto permanecer um regime de intolerância (sic) em relação à contaminação, problemas como esse continuarão acontecendo [7].

Falta transparência

Muitos questionamentos foram apresentados por pesquisadores, produtores e representantes da sociedade civil na audiência publica realizada em março de 2009, mas até hoje nenhum deles foi respondido. Não se sabe, por exemplo, o que a empresa pretende fazer para evitar a contaminação do arroz comum nem qual o nível previsto de resíduo de agrotóxico no grão. A CTNBio nega acesso aos dados apresentados pela empresa. Essa falta de transparência é prejudicial à participação da sociedade, à biossegurança e à saúde pública.

Falta isenção – a avaliação pela CTNBio

Até hoje a CTNBio aprovou todos os pedidos a ela submetidos. Nunca recusou nenhum. Suas decisões ocorrem por maioria simples, isto é, 14 de 27 votos. Cabe destacar que é grande a controvérsia técnica dentro da própria Comissão. O melhor exemplo está no fato de que até hoje todas as aprovações tiveram votos contrários fundamentados dos ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário. Anvisa e Ibama apresentaram formalmente recursos técnicos contra as liberações dos milhos LL da Bayer, MON810 da Monsanto e Bt 11 da Syngenta, mas o governo Lula delegou à CTNBio a decisão. Pior para todos nós que teremos produtos contendo esses milhos transgênicos, apesar da discordância da ANVISA e do IBAMA.

A falta de imparcialidade começa pelo próprio presidente da Comissão, que ao assumir o cargo no início deste ano já se declarou favorável à liberação do arroz transgênico [8], contra a rotulagem dos produtos [9] e a favor da exclusão do monitoramento dos impactos à saúde dos transgênicos. Antes de ser presidente, para defender a soja transgênica da Monsanto, Edílson Paiva, falando do glifosato usado na soja da Monsanto, chegou a dizer que os “humanos poderiam até beber e não morrer porque não temos a via metabólica das plantas” [10].

Alterações genéticas imprevistas

O método de transformação utilizado para o arroz Liberty Link foi o da aceleração de partículas (biolística). A biolística é um método de transferência direta que consiste em projetar transgenes dentro das células alvo através de partículas de ouro ou tungstênio cobertos com moléculas de DNA recombinante (transgenes) aceleradas por um sistema de propulsão por hélio. Neste método, há total descontrole do local da inserção dos transgenes nas células e genoma vegetal. O transgene pode tanto ser inserido no genoma nuclear quanto no DNA de organelas. Além disso, o número de transgenes também não é controlado. Várias partículas podem integrar-se no genoma e em diferentes lugares. Finalmente, a integridade do transgene (sua sequência genética) também pode não ser mantida, ou seja, o transgene pode integrar-se no genoma de forma truncada, com deleções ou ainda com inserções de fragmentos de DNA da própria célula entre os transgenes.

No caso do arroz LL, nenhum estudo cientificamente robusto foi apresentado pela proponente a fim de confirmar o que foi inserido. Isto significa que sequer temos a certeza do que foi inserido, muito menos das conseqüências.

Durante a audiência pública, um participante mencionou a possibilidade de ter ocorrido deleção de um nucleotídio (Adenina) no local de regulação da expressão da proteína que confere a tolerância ao herbicida glufosinato de amônio. Posteriormente à audiência, a empresa admitiu a deleção, afirmando haver a alteração de um aminoácido na proteína. Essa alteração significa que a proteína produzida pelo arroz difere daquela produzida naturalmente pela bactéria Streptomyces, doadora do gene. No entanto, nenhum estudo foi apresentado a fim de investigar possíveis efeitos adversos na saúde humana e meio ambiente resultantes dessa alteração não intencional.

Ou seja, além da incerteza do que foi realmente inserido, ignora-se uma alteração genética detectada, mas não esperada. A proteína não perdeu a sua função de conferir a tolerância ao herbicida, mas pode gerar riscos não analisados.

A decisão está nas mãos do governo Lula

A Lei de Biossegurança (Lei 11.105/05) criou uma instância acima da CTNBio, o Conselho Nacional de Biossegurança, formado por 11 ministros e presidido pela Ministra Dilma Rousseff. O CNBS tem o poder de dar a última palavra em relação a uma liberação comercial de transgênico no país. Até o momento, a atuação do CNBS foi lamentável: deu razão à CTNBio e autorizou a liberação dos três milhos transgênicos que a ANVISA e o IBAMA recomendaram que não fossem autorizados.

A liberação do arroz LL tem também implicações econômicas bem graves, estando as principais entidades representativas dos produtores contra (Farsul, Federarroz e Instituto Rio Grandense do Arroz – IRGA). Como vai se posicionar o governo Lula: a favor da Bayer ou do Brasil?

Assinam este documento:

AAO Associação de Agricultura Orgânica – ABRANDH – Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos – ACAN Associação Catarinense de Nutrição – AEPAC Associação Estadual dos Pequenos Agricultores Catarinenses – ANA Articulação Nacional de Agroecologia – ANAC – Associação Nacional de Agricultura Camponesa – ANPA Associação Nacional dos Pequenos Agricultores – APA-TO Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins – APPA Associação Paranaense de Pequenos Agricultores – ARPA Associação Riograndense de Pequenos Agricultores – AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia – CESE Coordenadoria Ecumêmica de Serviços – Cooperfumos Cooperativa Mista de Fumicultores do Brasil Ltda. – CONESAN-GO Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Goiás – CONSEA-SC Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Santa Catarina – CPC-PR Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa do Paraná Ltda. – CPC-RS Cooperativa Mista de Comercialização Camponesa do Rio Grande do Sul Ltda. – CPT Comissão Pastoral da Terra – FASE Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional – FBSSAN Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional – FEAB Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FESANS-MS Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Mato Grosso do Sul – FNECDC Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor – FOSAN-ES – Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional do Espírito Santo – IDEC Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Instituto Cultural Padre Josimo – MAB Movimento dos Atingidos por Barragens – MMC Movimento de Mulheres Camponesas – MPA Movimento dos Pequenos Agricultores – MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – Plataforma Dhesca Relatoria de Direito Humano à Terra, Território e Alimentação – PJR Pastoral da Juventude Rural – RECID-GO Rede de Educação Cidadã de Goiás – Terra de Direitos – Via Campesiana.


Notas:

[1] EU Environment Ministers Keep Bans on Transgenic Maize. Environment News Service (ENS). http://www.ens-newswire.com/ens/mar2009/2009-03-02-01.asp


[2] Nobuko Matsumura, Chizuko Takeuchi, Keiichi Hishikawa,Tomoko Fujii, Toshio Nakaki. Glufosinate ammonium induces convulsion through N-methyl-d-aspartate receptors in mice. Neuroscience Letters 304 (2001) 123-125.

[3] Brasil é o principal destino de agrotóxico banido no exterior. O Estado de São Paulo, 30 de maio de 2010.

[4] A transcrição da audiência pública realizada em 18 de março de 2009 está disponível na página eletrônica da CTNBio, no endereço http://www.ctnbio.gov.br/index.php/content/view/13289.html

[5] Bayer ordered to pay farmer $1 million is tab for modified rice. Arkansas Democrat-Gazette, 10/03/2010. http://www.allbusiness.com/legal/torts-damages/14079681-1.html ;

Bayer to pay $1.5 mln in 2nd lawsuit over GM rice, Reuters, 05 de fevereiro de 2010. http://www.reuters.com/article/idUSLDE61421W20100205 e GM rice litigation: defense. Delta Farm Press, 04 de maio de 2010. http://deltafarmpress.com/rice/gm-rice-litigation-defense-0504/


[6] Firm Blames Farmers, ‘Act of God’ for Rice Contamination. Washington Post, 22 de novembro de 2006.
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/11/21/AR2006112101265.html

[7] Mesa redonda sobre arroz transgênico. CTNBio, 19 de maio de 2010, Brasília.

[8] Novo presidente da CTNBio defende arroz transgênico. O Estado de São Paulo, 11 de fevereiro de 2010. http://www.estadao.com.br/noticias/geral,novo-presidente-da-ctnbio-defende-arroz-transgenico,509722,0.htm

[9] Novo presidente da CTNBio se diz contra rotular transgênico. Folha de São Paulo, 11 de fevereiro de 2010. http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u692636.shtml

[10] Avanço da soja transgênica amplia uso de glifosato. Valor Econômico, 24 de abril de 2007.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

CAMPANHA NACIONAL CONTRA A OBRIGATORIEDADE DO VOTO: AÇÃO DIRETA NELES!

clique na imagem e, se quiser, imprima e distribua. Participe da nossa Campanha Nacional contra a obrigatoriedade do voto.


Eleições: votar é delegar o nosso poder para que outros façam o que quiser às nossas custas.


Novamente somos chamados a exercer o nosso dever de cidadãos. Devemos obrigatoriamente comparecer no dia escolhido para votarmos nos candidatos e nos partidos financiados pelos grupos empresariais que comandam, de fato, o governo e o país.

Os partidos políticos, mesmo com nomes diferentes, propostas diferentes e ideologias diferentes desejam a mesma coisa: a nossa submissão. Dizem-nos que devemos votar porque somente através do voto poderemos mudar as coisas, melhorar os hospitais públicos, o SUS, as escolas públicas, os nossos salários, a segurança pública, gerar mais empregos, acabar com os corruptos e etc.

Grande mentira! Obrigam-nos a votar em seus partidos e em seus candidatos porque assim fica muito mais fácil nos manterem longe das verdadeiras decisões políticas que podem mudar a nossa realidade. O nosso voto serve apenas para eleger uma minoria de políticos para governar o país para uma minoria que há séculos vêm nos roubando, explorando, enganando e vendendo as nossas riquezas naturais para os gringos.

Quanto mais votamos, mais essa minoria, formada pela burguesia, pelos patrões, banqueiros, latifundiários, burocratas do governo, empreiteiros, financistas, especuladores e políticos, se torna dona de tudo e de todos nós. Às custas do nosso trabalho e do nosso suor ficam cada vez mais ricos enquanto nos dão as migalhas que sobram dos seus banquetes.

Votar é dar o nosso poder para essa gente fazer o que bem entender com o nosso país e com os nossos direitos e interesses.

Chega de sermos obrigados a votar! Não vamos mais aceitar que picaretas nos governem. Não vamos mais aceitar que essa minoria continue nos sugando. Diga não à eleição.

terça-feira, 6 de julho de 2010

EL SALVADOR: A ESQUERDA TRAI OS TRABALHADORES


Um governo a serviço do imperialismo?


Escrito por Camilo Aguilar - UST de El Salvador

Dom, 04 de Julho de 2010 21:00

As esperanças estão se convertendo em desilusão

Os principais setores em luta em nosso país, os operários e operárias das zonas francas, as comunidades camponesas, os professores e professoras, vendedores ambulantes, etc. vêem suas esperanças de mudança minguarem diante das políticas e ações do governo da FMLN (Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional), que vão na direção de manter os privilégios da classe dominante e – o pior – a continuidade dos planos e projetos deixados pelo governo anterior da ARENA (Aliança Republicana Nacionalista).

Nas ruas da capital já podem ser vistas pichações acusando Maurício Funes e o governo de traidores e de estar governando para a burguesia de Cáceres e Salume [1], situação que põe em primeiro plano o enfrentamento a cada dia mais claro entre o conjunto das massas trabalhadoras e o governo.

Intitulamos este artigo com uma pergunta que achamos fundamental para o movimento de massas, já que a realidade está demonstrando que o rumo deste governo é semelhante ao que marcou a ARENA durante seus vinte anos no poder. Encontraremos a resposta no marco das lutas que estão se dando contra os planos imperialistas e na incapacidade deste governo em dar respostas às reivindicações da classe trabalhadora em plena crise capitalista.

Os megaprojetos de morte

Uma das principais aspirações dos setores populares em luta desde os governos da ARENA era que, com o governo de “esquerda” da FMLN, seriam definitivamente suspensos os megaprojetos, isto é, a construção de represas no norte do país, a Estrada Longitudinal do Norte e as licenças de exploração de minérios concedidas a uma transnacional canadense.

As mobilizações que estão ocorrendo nos últimos meses, onde as comunidades camponesas se vêem ameaçadas de perder o pouco que têm, já denunciam o governo como cúmplice das transnacionais e de estar a serviço dos ricos. Não se pode esquecer que a política do governo desde o início foi expressada por Funes, quando ele dizia que ia respeitar os acordos internacionais firmados pelo governo anterior.

Mas o que ele não disse é que estes são acordos com as principais potências do planeta. Enquanto as represas que fazem parte do plano energético do imperialismo norte-americano em nível regional seguem de vento em popa, o que menos passa pela cabeça deste governo é dar marcha à ré a este plano imperialista.

A ILEA e as bases militares ianques em Comalapa.

Outra demonstração crucial de que a política do governo é pró-imperialista diz respeito ao tema militar. Não é preciso ir muito longe: a ILEA [2] como escola de treinamento foi um sucesso em nosso país. Em abril deste ano, pôde-se ver o atual diretor da polícia celebrando sua graduação na ILEA. O mesmo ocorre com a base de operações logísticas localizada em Comalapa, parte do mapa militar dos EUA na região latino-americana, somada às bases militares que existem na Colômbia e em outros países do continente.

TLC e o novo acordo com a UE.

Para concluir a venda de nossa soberania, o governo atual não se limitou a respeitar o TLC (Tratado de Livre Comércio), assinado pelo governo de Saca [3] com o imperialismo norte-americano, mas também garantiu os interesse do bloco imperialista das principais potências européias (França, Alemanha, Itália e Espanha). Com isso, aprofunda-se nossa dependência, não só do imperialismo norte-americano, mas também do europeu, já que estes acordos dão mais liberdade aos saques das multinacionais em nosso país. Por isso, não há que se surpreender quando Funes sai em defesa das multinacionais telefônicas e a direção da Frente se cala e obedece.

Empréstimos do Banco Mundial, FMI E BID.

Com relação à política de endividamento junto às principais instituições financeiras do imperialismo, este governo está na linha de frente, já que, em março, anunciou as conquistas de Funes nas suas gestões em Washington em matéria de empréstimos. Um texto do FMI expressava claramente a política deste governo:

“O acordo do FMI tem como objetivo manter a confiança dos investidores e dos depositantes, respaldando o compromisso assumido pelas autoridades com a estabilidade macroeconômica e a dolarização oficial.” Depois, no mesmo documento, estabelece que: “Em vista da atenção dada pelas autoridades de El Salvador à redução da pobreza, o programa do FMI incorpora o Programa Geral Anti-Crises (PGA) do governo, que destinará quase 1% do PIB (ou aproximadamente 200 milhões de dólares por ano) aos gastos sociais em 2010-11”. Não poderia ficar mais claro que o interesse é garantir a estabilidade dos negócios das multinacionais e a submissão da classe trabalhadora e demais setores populares, condenados a pagar a odiosa dívida externa, grilhão que garante a subserviência de nosso país aos desejos do império.

O governo de Funes-FMLN e seu papel regional no reconhecimento do governo Pepe Lobo.

Uma das principais tarefas delegadas pelo imperialismo ao atual governo é ser peão, em âmbito regional, na linha de frente pelo reconhecimento do governo de Pepe Lobo [4], que representa a continuidade dos golpistas no poder, transformando-se no governo que continua assassinando os lutadores e revolucionários que se opuseram ao golpe de Estado em Honduras. Com esta posição, este governo não só é porta-bandeira na defesa do imperialismo em âmbito nacional, mas também regional. A atitude da direção da FMLN continua sendo a mesma, de cumplicidade e silêncio ante esta realidade.

A resposta à pergunta colocada no início salta à vista: impulsionar a mobilização e a luta se transforma em tarefa urgente.

Fonte: O Proletário, n° 2, Junho/2010

Tradução: Helton Ribeiro
_______________________________________________________________
NT:
[1] Referência ao banqueiro Juan Ramon Carlos Enrique Cáceres e ao empresário Nicolas Salume, representantes da burguesia que ocupam cargos no alto escalão do governo Funes.
[2] ILEA: International Law Enforcement Academy – academia instalada pelo governo norte-americano em El Salvador com o objetivo de treinar policiais e militares latino-americanos para o combate ao terrorismo e ao narcotráfico.
[3] Elías Antonio Saca González, político de direita, antecessor de Funes na presidência de El Salvador.
[4] Porfírio “Pepe” Lobo Sosa é o atual presidente de Honduras.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

COLAPSO ECONÔMICO A VISTA: MUNDO PODE MERGULHAR NO CAOS


Paul Krugman alerta para terceira depressão

dossier 30 Junho, 2010 - 15:14


O mundo pode estar nos primeiros estágios de uma terceira depressão, alerta o prémio Nobel da Economia Paul Krugman, com o custo de milhões de vidas arruinadas pela falta de empregos. Para ele, esta terceira depressão será o resultado do fracasso das políticas económicas espantosamente ortodoxas quanto a empréstimos e orçamentos equilibrados. Lead: O mundo pode estar nos primeiros estágios de uma terceira depressão, alerta o prémio Nobel da Economia Paul Krugman, com o custo de milhões de vidas arruinadas pela falta de empregos. Para ele, esta terceira depressão será o resultado do fracasso das políticas económicas espantosamente ortodoxas quanto a empréstimos e orçamentos equilibrados.

A terceira depressão

Por Paul Krugman

As recessões são comuns, mas as depressões são raras. Até onde eu sei, apenas dois períodos da história económica foram chamados na sua época de "depressões": os anos de deflação e instabilidade após o Pânico de 1873 e os anos de desemprego em massa após a crise de 1929 a 1931.

Nem a Longa Depressão do século XIX nem a Grande Depressão do século XX foram períodos de declínio ininterrupto – pelo contrário, ambas tiveram momentos em que a economia cresceu. Mas esses episódios de melhoria nunca foram suficientes para desfazer os danos do choque inicial e foram seguidos de recaídas.

Receio que estejamos nos primeiros estágios de uma terceira depressão. A probabilidade é que ela seja mais parecida com a Longa Depressão do que com a Grande Depressão. Mas o custo – para a economia mundial e, acima de tudo, para os milhões de vidas arruinadas pela falta de empregos – será ainda assim, imenso.

E essa terceira depressão será em primeiro lugar o resultado de um fracasso das políticas económicas. Em todo o mundo – mais recentemente na desanimadora reunião do G20 no último final de semana – os governos estão obcecados com a inflação, quando a grande ameaça é a deflação, e recomendam apertar o cinto, quando o verdadeiro problema são os gastos inadequados.

Em 2008 e 2009, parecia que tínhamos aprendido com a história. Diferente dos seus predecessores, que aumentaram as taxas de juros face à crise financeira, os líderes actuais da Reserva Federal e do Banco Central Europeu cortaram os juros e apoiaram os mercados de crédito. Diferente dos governos do passado, que tentaram equilibrar os orçamentos diante da economia em declínio, os governos de hoje permitiram que os défices aumentassem. E melhores políticas ajudaram o mundo a evitar o colapso total: a recessão provocada pela crise financeira possivelmente terminou no Verão passado.

Mas os historiadores nos dirão no futuro que este não foi o fim da terceira depressão, da mesma forma que a melhora económica em 1933 não foi o fim da Grande Depressão. Afinal de contas, o desemprego – especialmente o desemprego de longo prazo – mantém-se em níveis que seriam considerados catastróficos há alguns anos e não parecem estar a caminho do declínio. E tanto os Estados Unidos quando a Europa estão prestes a cair na armadilha deflacionária que atingiu o Japão.

Perante perspectivas tão sombrias, esperávamos que os nossos políticos se dessem conta de que ainda não fizeram o suficiente para promover a recuperação. Mas não: nos últimos meses, observou-se a volta de um comportamento espantosamente ortodoxo com relação a empréstimos e orçamentos equilibrados.

No que diz respeito à retórica, o ressurgimento da velha religião é mais evidente na Europa, cujos representantes parecem estar a inspirar-se na colectânea de discursos de Herbert Hoover para compor as suas afirmações, incluindo a defesa de que impostos mais altos e cortes de gastos irão de facto expandir a economia, ao aumentar a confiança dos empresários. Na prática, no entanto, os Estados Unidos não estão muito melhor. A Reserva Federal parece ter consciência dos riscos da deflação – mas nada se propõe a fazer para contrariá-los. A administração Obama sabe dos perigos de uma austeridade fiscal prematura – mas, já que os republicanos e democratas conservadores se negam a autorizar um auxílio maior aos governos dos estados, essa austeridade é inevitável, na forma de cortes nos orçamentos estaduais e municipais.

Quais os motivos desta política errada? Os conservadores normalmente citam os problemas da Grécia e de outros países europeus para justificar as suas acções. É verdade que os investidores passaram a atacar os governos com défices incontroláveis. Mas não há provas de que a austeridade fiscal de curto-prazo, face a uma economia em depressão, os tranquilize. Muito pelo contrário: a Grécia optou pela austeridade severa e teve como resultado um aumento ainda maior das taxas de risco; a Irlanda impôs cortes ferozes nos gastos públicos e foi tratada pelos mercados como se oferecesse um risco maior do que a Espanha, bem mais relutante a aceitar os remédios dos conservadores.

É quase como se os mercados financeiros conseguissem entender o que os políticos não conseguem: que apesar de a responsabilidade fiscal de longo prazo ser importante, o corte de gastos no meio de uma depressão, que aumenta mais ainda essa depressão e abre o caminho à deflação, é na verdade uma estratégia contraproducente.

Por isso não penso que a questão seja a Grécia, ou sequer qualquer apreciação realista da relação entre empregos e défices. Trata-se, em vez disso, da vitória de uma ortodoxia que pouco tem a ver com análise racional e cujo maior dogma é impor sofrimento sobre os outros para mostrar liderança em épocas de crise.

E quem pagará o preço pelo triunfo da ortodoxia? Dezenas de milhões de trabalhadores desempregados, muitos dos quais ficarão sem trabalho durante anos, e alguns dos quais nunca mais voltarão a trabalhar.

Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prémio Nobel de economia de 2008.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

P-SOL HOMOLOGA CANDIDATURA. VICE AINDA É DÚVIDA.


P-SOL homologa pré-candidatura de Plínio (foto) e negocia indicação de vice

Agência Brasil


O P-SOL homologou nesta quarta-feira (30) a pré-candidatura de Plínio Arruda Sampaio à Presidência da República, ao destacar a necessidade de se fazer um contraponto ao PT e ao PSDB. Ainda sem definição quanto ao nome do vice-candidato, o partido socialista continua negociando com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) uma eventual coligação.

No último domingo (27), o próprio pré-candidato comunista ao Palácio do Planalto, Ivan Pinheiro, divulgou que o comitê central do PCB já admitia a possibilidade de a legenda desistir da pré-candidatura própria e apoiar o P-SOL. "O orgulho natural de ser o candidato a Presidente da República pelo PCB não pode se sobrepor à reflexão serena e responsável do que é melhor para o partido. E o melhor para o partido é sempre o que é melhor para a revolução socialista brasileira”, sustenta Pinheiro em texto publicado no site do PCB.

A coligação garantiria ao P-SOL mais tempo de propaganda eleitoral gratuita. Em troca, os comunistas esperam, além de indicar o nome do vice, participar da coordenação da campanha de Plínio em condições de igualdade. Já as parcerias nos estados ficariam em aberto para que cada diretório tomasse a decisão mais apropriada.

Hoje, durante a Convenção Nacional do P-SOL, que ocorre na Assembleia Legislativa de São Paulo, o secretário-geral do partido socialista, Afrânio Bopré, informou à militância que o acordo com o PCB ainda não foi fechado e que as conversas – inclusive internas – continuarão esta tarde. "As negociações com o partido-irmão ainda não se fecharam. É preciso discutir a pauta e ainda estamos estudando a possibilidade de o PCB indicar o nome do vice", comentou Bopré.

ALDO REBELO RECONHECE IDENTIDADE COM RURALISTAS.


Valor Econômico


Aldo reconhece identidade com ruralistas


Mauro Zanatta

O relator da reforma do Código Florestal Brasileiro, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) (foto), admitiu ontem ter identidade importante com produtores rurais

O relator da reforma do Código Florestal Brasileiro, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), admitiu ontem ter identidade importante com produtores rurais, mas afirmou que assumirá publicamente o compromisso de fechar todas as brechas ao desmatamento antes da votação de seu texto na comissão especial da Câmara, prevista para terça-feira.

Na semana em que anunciou 11 alterações em seu relatório original, Rebelo disse que vai vedar e proibir qualquer artigo que possa ser interpretado como incentivo à devastação. Desafio, a quem se dispuser, apontar onde há brechas para o desmatamento no relatório. Assumo publicamente o compromisso de vedar e proibir isso, disse no programa 3 a 1 da TV Brasil, para o qual o Valor foi convidado.

O deputado afirmou esperar apoio dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) à sua proposta. Não perguntei se apoiam, mas trabalho para ter esse apoio da ex-ministra Dilma e do ex-governador Serra, disse. Lideranças dos principais partidos fecharam um acordo para votar o relatório na comissão especial na próxima semana, mas há divergências internas que podem minar esse esforço.

Candidato à reeleição, Aldo Rebelo disse não temer retaliações de seus eleitores urbanos por causa do relatório considerado favorável aos ruralistas. Proponho tantos ganhos que até Marina Silva vai apoiar e evitar que se torne um fator de disputa eleitoral. E afirmou ter proximidade com a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e sua presidente, a líder ruralista e senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Temos uma identidade importante com a CNA. Não temo represálias. Respeito a senadora Kátia Abreu mesmo estando em outro campo ideológico.

Criticado pela bancada ambientalista da Câmara por apressar os debates, Rebelo afirmou ser possível votar o relatório depois das eleições, mas defendeu o direito dos parlamentares de apreciar temas polêmicos durante a campanha eleitoral. Deixar para depois não é problema para mim. Só deveria ser votado agora na comissão, disse. Mas se não podemos discutir polêmicas antes das eleições, o que vamos fazer no Congresso?, questionou.

No centro de várias polêmicas em torno do novo código, Aldo Rebelo reafirmou sua decisão de transferir aos Estados o poder de legislar sobre o ambiente, uma das mais graves divergências suscitadas pelo relatório. Quando algum Estado legislou, ampliou a proteção. Isso ocorreu em Minas, Acre, Mato Grosso, Rondônia e Pará, disse. Aliás, as principais queixas dos produtores são sempre contra os órgãos ambientais estaduais. Rebelo admitiu problemas de bandalheira, corrupção em secretarias estaduais de Meio Ambiente, como apontaram recentes operações da Polícia Federal em Mato Grosso, mas afirmou que com os Estados fora padeceremos dos mesmos problemas éticos. Se for discutir origem, é difícil achar quem não tenha mancha, disse.

Na entrevista, o relator afirmou que o país precisa tomar medidas para preservar um legado de 522 milhões de hectares de vegetação nativa em pé, e não apenas buscar culpados por desmatamentos anteriores. Proteger o que temos é melhor do que fazer um acerto de contas com o passado, defendeu. É uma batalha difícil porque não temos recursos nem pessoas suficientes.

Em defesa de seu relatório, Rebelo creditou as críticas dos ambientalistas a engano e desinformação. E afirmou buscar o interesse comum do país por meio do equilíbrio entre a recomposição de áreas devastadas e a preservação das florestas. Proponho o que é melhor para o meio ambiente. Estou fazendo um inventário sobre as florestas, que é mais avançado do que a legislação atual porque prevê cinco anos sem desmatamento. É uma lei concisa para problemas emergenciais, afirmou. O relator informou que busca consolidar, regularizar e ser o mais rigoroso com o que existe preservado nas áreas florestais. É preciso tornar a lei mais rigorosa, educar e punir. E também fazer um esforço para cumprir. Se ficar na dúvida se funciona ou não, aí não fazemos nada, afirmou.



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