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"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



terça-feira, 10 de novembro de 2009

EMPRESAS NO BRASIL DISCUTEM IMPLICAÇÕES DO USO DA INTERNERT NO TRABALHO

Twitter, facebook, msn...: Empresas no Brasil discutem as implicações do novo uso da internet no ambiente de trabalho :Funcionários não conseguem se desconectar.


Na Yahoo! não há restrições, mas recomendações para evitar vírus e saturação da rede. "Contamos com a maturidade e o bom senso dos nossos colaboradores", afirma a diretora de RH Carolina Borghi. Os funcionários brasileiros gastam em média 23 minutos por dia conectados na internet em páginas que nada tem a ver com o trabalho. Pode parecer muito, mas, na média, eles são um dos mais comportados no uso da rede.

Os mexicanos, por exemplo, admitiram passar 84 minutos navegando durante o expediente por razões pessoais. A discussão sobre o uso da internet no trabalho vem crescendo nas empresas de todo o mundo, especialmente entre gestores de recursos humanos e de tecnologia da informação.
Se por um lado as organizações temem uma possível perda de produtividade de seus empregados, por outro é impossível ignorar que ferramentas como o Twitter já estão inseridas no próprio trabalho.

Esses dados fazem parte de um estudo da empresa de soluções de segurança para o uso da internet Websense realizado com 350 diretores de TI e 350 colaboradores de companhias de toda a América Latina.
Nele, 100% das pessoas admitiram usar a internet no ambiente corporativo também para razões pessoais. Além de gastarem menos tempo do que os outros países da região, os funcionários brasileiros também são os que menos acessam conteúdo adulto no trabalho - apenas 2%. No Chile, o índice chega aos 16%.

Para Fernando Fontão, gerente de engenharia de vendas da Websense para a América Latina, há uma consciência maior hoje sobre os riscos que essas práticas representam no meio corporativo.
Isso porque os colaboradores sabem que podem estar sendo monitorados e que usar a internet de maneira inadequada pode acabar em demissão. "Além disso, as pessoas hoje têm conexão em casa e deixam para abrir conteúdos duvidosos no próprio computador", afirma.

A pesquisa mostra que, atualmente, as páginas de notícias, de compras, de previsão do tempo, e de mapas estão entre as mais acessadas pelos brasileiros durante o horário de trabalho.
Consultas pessoais em sites de bancos e de órgãos governamentais - como licenciamento de veículos, imposto de renda e segunda via de documentos - também são feitas pela grande maioria dos pesquisados.

Um dos maiores dilemas das organizações, porém, são as redes sociais. "A pessoa não consegue ficar 10 horas, por exemplo, sem acessar seu perfil e interagir com os amigos", diz Fontão. E este é um fenômeno global.
Uma pesquisa realizada no Reino Unido pela provedora de serviços de tecnologia da informação Morse, com 1.460 trabalhadores, revelou que mais da metade deles passam 40 minutos por semana em redes de relacionamento como o Twitter e o Facebook enquanto estão trabalhando.
Segundo o estudo, publicado recentemente pelo "Financial Times", isso representa pouco menos de uma semana inteira de trabalho perdida a cada ano, o que custa às empresas um valor estimado em 1,4 bilhão de libras.

Waldir Arevolo, consultor sênior da TGT Consult diz que é ilusão das empresas esperarem que seus funcionários produzam durante todo o expediente, sem intervalos. "As pessoas fazem pausas para fumar, para o lanche e para o café, assim como visitam um ou outro site que não diz respeito a negócios. A produtividade vai cair proporcionalmente ao descuido e a falta de planejamento que a organização possui sobre sua força de trabalho", diz.

Na Sodexo Cheques e Cartões de Serviço são 480 funcionários com acesso direto a computador e a internet. Para garantir a integridade do sistema, alguns sites e as redes sociais são bloqueadas.
"Temos uma política interna de uso de recursos tecnológicos presente tanto em normativa quanto no código de ética e compromisso da Sodexo no desenvolvimento sustentável", afirma o diretor de recursos humanos Thiago Zanon.

Assim, todos os funcionários recebem dicas sobre o uso do e-mail e o comportamento que deve ter on-line. "É preciso definir como esses recursos devem ser usados para evitar riscos e garantir uma melhor gestão", afirma Zanon.
Na outra ponta está a Yahoo! Brasil, empresa que lida essencialmente com negócios na internet. "No nosso caso não faz sentido qualquer tipo de restrição. Contamos com a maturidade e o bom senso dos nossos colaboradores para que acessem apenas sites legais e confiáveis", explica a diretora de RH da empresa, Carolina Borghi.

De qualquer modo, a Yahoo! Brasil também possui um código de ética que trata sobre a confidencialidade de informações e de projetos. "Além disso, fazemos algumas recomendações para evitar possíveis vírus e saturação na rede", diz.
Já a farmacêutica multinacional Eli Lilly buscou uma saída que vem se tornando cada vez mais comum: o meio-termo. A empresa vinha registrando excesso de tráfego em sua rede, que acabava atrapalhando os processos de rotina.

"Identificamos que 55% dos acessos eram a sites que nada tinham a ver com os negócios da Lilly. Havia uma perda de aproximadamente 30% na produtividade, além de custos desnecessários com infraestrutura e helpdesk", revela Luis Urso, gerente regional de infraestrutura de TI.
No início do ano passado, a companhia adotou ferramentas para gerenciar o uso da internet no trabalho, sob a supervisão da alta direção e do departamento de recursos humanos. Atualmente, quando alguma página é bloqueada, o funcionário pode pedir a liberação enviando um formulário que justifique esse acesso.

"Além disso, agora os sites de relacionamento são liberados apenas em horários específicos, como o do almoço. Nosso objetivo não é expor as pessoas ou restringir o uso dos recursos, mas aperfeiçoá-los", afirma Urso.
Arevolo, da TGT Consult, ressalta que nem sempre se chega facilmente a um consenso sobre o que se deve ou não ser liberado, especialmente no caso das redes sociais como o Twitter. "Hoje as coisas se confundem, pois as próprias empresas estão inseridas nesse contexto.

Fazem negócios e se comunicam com seus consumidores, clientes e parceiros por essas redes", afirma. O ideal, segundo ele, é que os gestores discutam com seus funcionários o que é importante ou não para eles acessarem durante o expediente e o por quê. "Se esse questionamento é feito de forma democrática, a discussão é canalizada para um ponto comum, que pode resultar em inovação", afirma.
Na opinião do consultor, as empresas não podem apenas bloquear o acesso a determinadas páginas, pois a internet é dinâmica, mutável e não dá para prever o comportamento de seus usuários.

"Novas ferramentas, sites e softwares aparecem na rede a cada dia, mudando os hábitos e as preferências de navegação." Na lista das febres virtuais já estiveram chats, blogs, fotologs, Orkut e comunidades do tipo Second Life, por exemplo.
"É preciso educá-los e orientá-los para que tirem melhor proveito das possibilidades on-line, sem colocar a segurança da companhia em risco e nem desperdiçar recursos e tempo."
Para Fontão, da Websense, as empresas no Brasil ainda mais assustam do que orientam seus funcionários a respeito do uso da internet. "As melhores companhias já perceberam que devem buscar soluções melhores do que simplesmente proibir tudo. Mas esse ainda é um processo demorado", afirma.

Fonte: Valor Econômico, por Rafael Sigollo,09.11.2009

BALANÇO CRITICO DOS 4 ANOS DO GOVERNO EVO MORALES


Balanço dos 4 anos do governo de Evo Morales


- GRUPO LUTA SOCIALISTA





Ao finalizar o primeiro mandato, é necessário fazer um balanço entre o discurso e as verdadeiras medidas implementadas pelo Governo. Primeiro, é importante recordar que o povo boliviano com sua luta na guerra pela água (2000), a guerra do gás (2003) e depois em 2005, abriu um processo de mudança tão profundo que golpeou duramente a burguesia derrubando 2 presidentes e instaurou uma crise dentro das Forças Armadas. Ao ascender à presidência, Evo tinha grande apoio popular e camponês, cheio de expectativas de que se aprovaria uma Nova Constituição para refundar a Bolívia. Os setores operários tinham a esperança de que fosse aplicada a Agenda de Outubro[1] e revogada a lei de pensões neoliberal (1732).



NEM ANTIIMPERIALISTA NEM ANTICAPITALISTA


O controle do imperialismo sobre o nosso país sempre se deu mediante a presença e o controle das multinacionais sobre os recursos naturais e a dívida externa. As multinacionais seguem operando no país, e não somente vêm, mas, o governo se encarrega de buscá-las. A Petrobras produz quase 60% do gás e do petróleo da Bolívia A anunciada "nacionalização" de Evo no início do seu governo foi dando lugar a uma renegociação de contrato com as multinacionais e algumas compras de ações, como as das refinarias. Multinacionais como a Petrobras do Brasil e a Repsol da Espanha, Total da França, Shell da Holanda, Enron dos Estados Unidos e BG da Inglaterra continuam operando, sem cumprir com a totalidade dos contratos com o Estado boliviano. A Petrobras é a maior operadora de gás e petróleo na Bolívia. Segundo o CEDLA[2], a Petrobras controla 60% da produção de gás e petróleo do País. Antes de Evo, a Petrobras controlava 54 %. Hoje opera nos mega-campos San Alberto e Sábalo e, inclusive, não cumpre os contratos: neste ano a empresa brasileira diminuiu seu compromisso de compra de gás de 30 para 19 MMC[3] sem pagar a obrigação estabelecida no contrato, que foi perdoado por Evo na última visita de Lula ao país. A petroleira espanhola Repsol YPF possui 31 poços de exploração Após sua visita ao Rei da Espanha e ao presidente da Repsol YPF e demais empresários, Evo anunciou como uma grande vitória a anistia pelo governo espanhol de 60 % da dívida da Bolívia com aquele país. O que o Presidente não disse, é que por trás desta anistia estão às exigências do Rei com regras claras e uma política econômica, sem incertezas, para as multinacionais espanholas em solo boliviano. Ou seja, que estas empresas tenham garantias para seus ganhos. A Repsol possui 31 unidades de exploração nos poços de Beni, Pé do Monte, Sub andino Sul e Sub andino Norte, além de controlar 49 % das ações da sociedade YPFB-Andina e anunciou um investimento de 1.600 milhões de dólares, depois que o governo lhe confirmou a entrega do campo do Camiri Profundo (Sararenda) e do Carohuaicho. Para isso, o país tem que importar 25 % dos hidrocarbonetos líquidos que consome e, atualmente, somente 5 % da população urbana tem acesso ao gás domiciliar e mais de dois terços da população rural continua usando lenha como combustível (dados da CEDLA). Assim, Evo encerrou a Agenda de Outubro. Incentivo à mineração privada As "nacionalizações" anunciadas em 2006 concretizaram-se com a incorporação de cerca de 4 mil ex mineiros cooperativistas à empresa estatal Huanuni, após o conflito entre trabalhadores que terminou em vários mortos, e a nacionalização da fundição de Vinto. Mas a coisa ficou por aí, a política mineira do governo se orienta principalmente pelo apoio aos cooperativistas e a mineração privada. "O Mutún" foi entregue à empresa Jindal Steel and Power por 40 anos, com uma negociação de 5.537 hectares, denunciada como um escândalo de corrupção onde o ex gerente da Mutún e ex ministro das Minas, G Dallence está implicado. O governo deu total apoio ao maior projeto de mineração privada já iniciado em governos neo liberais, o Projeto San Cristóbal, em mãos de uma empresa japonesa. A mina de Corocoro foi entregue à coreana Kores. O projeto San Bartolomé que explora os ricos desmontes de Cerro Rico de Potosí, está ao cargo da empresa privada Manquiri SA filial da norte-americana Coeur D´Alene Mines. San Vicente, também foi entregue à canadense Pan American Silver num compartilhamento de risco com a estatal COMIBOL. Agora a promessa do governo para um segundo governo é industrializar o país com o lítio (em 2005 foi industrializar com o gás.). Financeiras e o crescimento das dívidas A boa relação entre as entidades financeiras e o governo fez crescer a dívida interna. O governo de acordo com a macro economia neoliberal, implementou políticas anti-inflacionárias restritivas, isto é, emitiu bônus do Banco Central com altas taxas de juros, para "enxugar o mercado" e evitar a inflação derivada da entrada de uma grande quantidade de dólares (já que nos países vizinhos baixou o dólar, mas na Bolívia o governo pôs dinheiro público para evitar esta queda). Este movimento gerou uma dívida do Banco Central de 2.542 milhões de dólares somando à dívida interna do Tesouro Geral da Nação de 2.895 milhões de dólares, elevando ferozmente a dívida interna. Não é casual que não houve queixa dos bancos, estes tiveram extraordinários ganhos de Bs 308,5 milhões, cifra 19,7% superior à registrada no mesmo período de 2008. E a dívida externa que vem paulatinamente crescendo, em 13 de março de 2009 somava 2.417 milhões de dólares.



FRENTE À CRISE ECONÔMICA: CRESCE O DESEMPREGO E SE EXIGE MAIOR PRODUTIVIDADE DOS OPERÁRIOS


Enquanto no governo de Evo as multinacionais pagam mais ao Estado, manteve-se como principal exportador para os governos neo liberais. Portanto, quando explodiu a crise econômica mundial capitalista, a economia boliviana foi duramente afetada pela queda dos preços do petróleo, do gás, do estanho, do zinco, etc. O governo que falava em "blindagem", em poucos meses teve que reconhecer uma redução de cerca de 40% nos Impostos Diretos aos Hidrocarbonetos (IDH). Segundo o CEDLA, o PIB em 2009 vai ser a metade do que foi em 2008, "o setor de hidrocarbonetos que tinha tido um crescimento de 8,6% em 2008, no mesmo período de 2009 registrou 2,04%. O setor minerador cresceria 5,16%, longe dos 56% registrados em 2008. E a manufatura apresentaria uma taxa de crescimento de 2,33%, menor que a de 2008." A consequência direta são as demissões, maior precariedade das fontes de trabalho e incremento da jornada. El Alto tem uma taxa de 13,5% de desemprego e La Paz 11,6%. Apesar de não ter dados precisos do impacto real, os mineiros assalariados como os de PORCO, tiveram conflitos e protagonizaram manifestações contra as demissões e o incremento da jornada de trabalho. No entanto, a questão do emprego não pode ser avaliada somente pelos números. A principal característica do mercado de trabalho herdada do neoliberalismo e mantido pelo governo, é o subemprego. Hoje 52% da população está subempregada, ou seja, não encontra colocação naquilo que sabe fazer e pela necessidade opta por cargos menores e com baixa remuneração. Geralmente se dedicam a vender qualquer produto nas ruas (CEDLA). Outra manifestação das medidas patronais, com total cumplicidade de governo, é o aumento do volume da produção para tentar fazer frente à queda dos preços, na mineração por exemplo. Este aumento de produtividade vem com o incremento da jornada de trabalho. O resultado é a super exploração. Os Bônus A política social do governo reduz-se aos bônus da Renda Dignidade[4], Juancito Pinto, Juana Azurduy e o bônus de Bs 1.000 aos servidores públicos que não se beneficiaram de aumentos salariais nos últimos governos, o que será pago de uma única vez este ano (coincidência que seja ano eleitoral!). Para o pagamento destes bônus, o governo gastará pelo menos 274 milhões de dólares em 2009. Os dois primeiros são pagamentos com a verba do IDH e do TGN. O Juana Azurduy precisará de 25 milhões de dólares, que serão assumidos em 50% pelo Banco Mundial. Implementar os bônus responde a uma recomendação de organismos como o BM e o FMI. Certamente o governo utiliza-os para manter o apoio popular e para que o povo não questione o pano de fundo do problema: falta de geração de empregos dignos, direitos trabalhistas e sociais permanentes. Lei de Pensões Quanto à principal reivindicação do movimento sindical de revogar a lei 1732 (de Goni) que criou a AFP´s, e ter uma nova Lei de Pensões que garanta uma aposentadoria pelo sistema solidário baseado na contribuição do Estado, patrões e trabalhadores com idade de 55 anos, o governo não levou em conta. Com um monte de mentiras, conseguiu postergar o tema para o próximo governo. Isso demonstra o caráter patronal do governo e sua relação com as financeiras.
O GOVERNO E O PAPEL DAS FORÇAS ARMADAS
Um dos aspectos que caracterizam um governo de conciliação de classes, como o de Evo Morales, é a defesa da hierarquia das Forças Armadas. A trágica experiência histórica dos golpes militares na América Latina, e hoje em Honduras, demonstra que não se pode depositar nenhuma confiança nas Forças Armadas. No Chile, em 1973, alguns dias antes do golpe, o presidente reformista Salvador Alllende posava para fotos com Pinochet para convencer as massas a confiar nos militares. A partir dos discursos de Evo Morales, muitos acham que houve uma aproximação das forças armadas com o povo e os movimentos sociais. Evo Morales diz que as Forças Armadas, agora são revolucionárias e estão com o povo. Mas não é assim. As forças armadas continuam sendo a principal instituição do Estado burguês e preservadora dos interesses da burguesia nacional e internacional, na contramão da classe operária e do povo pobre. Basta recordar que durante o governo de Evo Morales, dois mineiros foram assassinados pelo exército em Caihuasi. A política de Evo Morales para as Forças Armadas demonstra que este governo busca recompor a credibilidade das instituições burguesas, em crise desde 2003 (Parlamento, Congresso, Poder Judiciário e Forças Armadas). Nestes quatro anos, Evo Morales tem tido uma estreita relação com as Forças Armadas. O ex Comandante em Chefe da Instituição, Gral. Luis Trigo declarou: "acho que na história da Bolívia não houve um Presidente que, sagradamente, uma vez por semana se reúna com o Alto Comando militar". O orçamento para as FF.AA. aumentou significativamente, principalmente pelas contribuições feitas pela Venezuela e Argentina. "Para além do papel que a instituição castrense esteja jogando no país, a verdade é que o Presidente conta hoje com um Alto Comando agradecido. Forças Armadas bem tratadas em sua oficialidade, devidamente atendidas em suas necessidades e concentradas no exercício específico do uso legítimo da força" (Pulso, Jun-27-08-2008) Durante a ofensiva da oligarquia da Média Luna em setembro do ano passado, as FFAA demonstraram sua boa relação com o governo de Evo Morales. O vice-presidente García Linera ao fazer o balanço do fracasso da tentativa de golpe cívico afirma, "que o golpe não teve o apoio das FA porque elas, hoje são fiéis ao Presidente, à democracia e à Constituição Política do Estado". Para compensar a lealdade, o governo vem fortalecendo as Forças Armadas: "Os salários foram aumentados em 14%, os uniformes são novos e os equipamentos, modernos. Para completar, frequentemente, Evo promove confraternizações com os militares e visita aos quartéis pelo país" (Brasil de Fato, 06/03/2009). No mês de setembro de 2008, Evo Morales entregou aviões e um centro de manutenção. As aeronaves tiveram um custo de 740.000 dólares cada um, o centro teve um investimento de 1,2 milhões de dólares. Após aprovada a nova constituição em janeiro, o governo entregou 50 camionetes para o Exército. Em entrevista a um jornal brasileiro, o almirante das Forças Armadas, José Luis Cabas, destaca que, "apesar de não mudar o que sempre foi o papel das FFAA a nova Constituição deixa mais explícita sua real participação na nova estrutura do Estado". Nós achamos que não haverá possibilidade de avançar no processo revolucionário boliviano sem destruir as Forças Armadas burguesas. Todas as revoluções vitoriosas ocorridas até hoje têm tido que destruir esse pilar do Estado Burguês e o sistema capitalista. Elas são "a última reserva", encarregada de defender o Estado e a propriedade capitalista quando todos os outros mecanismos fracassam. Por isso, sem destruir as FF.AA. burguesas e construir alguma forma de organização militar dos trabalhadores e das massas, não há nenhuma possibilidade de liquidar o velho e iniciar a construção de um novo Estado.



CONCILIAÇÃO DE CLASSE: PACTOS COM A BURGUESIA E COOPTAÇÃO DA DIREÇÃO SINDICAL


Recentemente, os maiores empresários de Santa Cruz convidaram Evo para a abertura da Expocruz. Em agosto passado, na reunião da Câmera Boliviana de Hidrocarbonetos (CBH), realizada em Santa Cruz, o ministro dos hidrocarbonetos e o presidente da YPFB anunciaram concessões às petroleiras, especialmente a Petrobrás, enquanto os empresários do setor demandaram maiores vantagens e anunciaram seu beneplácito para com as decisões do governo. Esta situação era inimaginável antes da aprovação da Nova Constituição. O que mudou? Apesar do forte discurso do oficialismo de que a aprovação da Nova Constituição é uma vitória do povo, a burguesia nacional e as transnacionais reconhecem que seus interesses estão garantidos pela NCPE[5]. À diferença da polarização governo-oligarquías do segundo semestre do ano anterior, a tranquilidade e a estabilidade política deste ano não se deve a uma suposta derrota da burguesia, como quer fazer crer o oficialismo, senão ao seu oposto, se fortaleceu com os acordos e a aprovação da Constituição. O eixo central da economia está voltado para manter os negócios e ganhos da burguesia e esta já aprendeu como fazer para bloquear o Senado e tomar instituições - assim o governo cede, chamando ao dialogo e pactuando. Esta foi a lógica ao longo destes 4 anos. Por outro lado, ao cooptar a direção sindical cobista[6] o governo freia, tem o controle do movimento de massas e evita que este se enfrente com a burguesia oligárquica. Então podemos dizer que o que Evo fez, terminou fortalecendo os inimigos dos trabalhadores e camponeses. Independência sindical e política e novas direções Para que a contra-revolução não continue avançando, as bases devem romper a trava imposta pelo governo e por seus dirigentes, devem exigir que a direção da COB e da FSTMB[7] rompa o pacto com o governo; porque o balanço de 4 anos de governo, demonstra que este não é nosso governo. Sua política é anti-operária. Para evitar que a base se dê conta, para que não avance a consciência de classe, precisa da COB como "avaliadora" da sua política, sendo utilizada como instrumento que impeça a explosão das lutas. No segundo governo de Evo, o primeiro desafio para os trabalhadores é recuperar a bandeira da independência sindical e política, junto com a eleição de novas direções na COB, FSTMB e sindicatos de base, combativas e comprometidas com este princípio. Este é o único caminho para que os trabalhadores garantam as lutas por sua subsistência.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

MURO DE BERLIN: AINDA BEM QUE FOI DERRUBADO.




OS 20 ANOS DA DERRUBADA DO MURO DE BERLIN


Rui Amaro Gil Marques
Coletivo Comunistas no Brasil – Paraná.



O dia 09 de novembro de 2009 marcou os 20 anos da derrubada do vergonhoso e odioso Muro de Berlin. Construído durante a “Guerra Fria”* pela então República Democrática Alemã (RDA)*, “país” satélite da então ditadura burocrática que comandou a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)*, o muro serviu, não só apenas para dar argumentos aos inimigos do socialismo, mas também para demonstrar o quanto era frágil e ineficaz o modelo criado por Stálin* e seus asseclas depois da morte de Lênin* e o desvirtuamento da Revolução de Outubro de 1917*.

O Muro de Berlin não foi apenas um divisor sólido e ideológico que marcou o século 20. Foi também uma marca indelével da estupidez humana que, disfarçada de luta contra inimigos reais ou imaginários, transformou ideais de liberdade e de igualdade social em ditaduras cruéis e criminosas. A responsabilidade pela construção do muro foi a necessidade do stalinismo* que dominava o então regime comunista da Alemanha Oriental* em manter os seus cidadãos longe das garras e da ideologia capitalistas que governavam a Alemanha Ocidental*.

O que se mostrou um grande fracasso porque mesmo com a existência do muro dividindo a cidade (e as pessoas) o engodo ideológico disfarçado de socialismo real* demonstrou que era ineficaz para acompanhar a evolução tecnológica, social, econômica e política que marcou o final do século 20. As ditaduras burocráticas do leste europeu criadas a partir do modelo stalinista se tornaram obsoletas, não apenas pela divisão mundial em dois blocos antagônicos, mas principalmente pelo nível excessivo de burocracia estatal, pelo colapso da economia brutalmente centralizada que se mostrou inviável e pelos desníveis econômicos existentes entre burocratas do estado/partido e dos demais cidadãos.

A derrubada do Muro de Berlin e conseqüentemente o fim do “mundo do socialismo real” não foi simplesmente a vitória do capitalismo. Foi principalmente a derrocada histórica de um modelo de sociedade que não teve razão de existir uma vez que a revolução que lhe deu vida surgiu das lutas de milhões contra a miséria, a fome, a exploração e a falta de liberdade. Seria uma verdadeira contradição histórica se o dito “socialismo real” se mantivesse mesmo depois da derrubada do muro e a reunificação da Alemanha.

Contradição histórica porque o muro era fruto de uma ideologia que já não encontrava mais respaldo nos movimentos socialistas, revolucionários e de libertação nacional que ainda buscavam no marxismo uma referencia para suas ações políticas na Europa e, principalmente no terceiro mundo. E sem esse respaldo essa ideologia (o stalinismo e suas variantes) acabou cedendo frente as pressões internas do próprio bloco que dominava. Depois para chegarmos ao desmantelamento total dos regimes “socialistas” do leste e da própria União Soviética (hoje dividida entre vários países sendo o maior a Rússia) foi apenas um salto de pelo menos três anos (1989-1992).

Quem mais ganhou com o fim desses regimes foi o próprio ideal socialista uma vez que se encontra livre das mazelas e crimes cometidos pelas ditaduras democráticas e populares que, ao invés de libertar o ser humano como prometeram, criaram mais entraves para os trabalhadores conseguirem superar o sistema capitalista internacional. Na verdade o socialismo real foi um grande aliado do capitalismo uma vez que davam aos capitalistas argumentos mais que convincentes para afastar os trabalhadores do ocidente das lutas pelo socialismo. O que devemos fazer é aprender com todos os processos históricos que antecederam a construção do muro e também com os processos que levaram a sua derrubada e, conseqüentemente, com o fim do próprio socialismo realmente existente (o stalinismo e suas variantes).

O socialismo não precisa de muros. Pelo contrário, o socialismo (e o comunismo) serão frutos de um mundo sem muros de qualquer espécie. O socialismo será obra de milhões em luta pela liberdade ou não será socialismo. E liberdade não rima com muro. Mesmo que esse muro esteja colorido de vermelho para proteger os trabalhadores da ideologia capitalista e dos seus vícios nefastos. Viva os 20 manos da derrubada do Muro de Berlin! Viva o fim das ditaduras stalinistas! Viva a luta internacional pelo socialismo!


*Guerra Fria= luta ideológica e armada entre EUA e a URSS pelo domínio do mundo depois da 2ª guerra mundial.
* RDA= País comunista criado pela divisão da Alemanha Nazista depois da 2ª guerra mundial pela ocupação militar dos EUA, Inglaterra e URSS. A RDA ficou sob dominação soviética enquanto a Alemanha Ocidental ficou sob dominação capitalista.
*URSS=União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, nome dado à Rússia pelo Partido Bolchevique (Comunista) depois da Revolução de Outubro de 1917 que pôs fim ao Czarismo e anexou outros países como a Ucrânia, Bielorússia, Azerbaijão, Geórgia, Letônia, Estônia e etc.
*Stálin=Um dos líderes do Partido Bolchevique (comunista) que juntamente com Lênin e Trotski tomaram em suas mãos as rédeas da revolução de Outubro de 1917 e criaram a URSS.
*Revolução de Outubro de 1917 também conhecida como Revolução Russa de 1917.
*Lênin= Principal líder do Partido Bolchevique (comunista) da Rússia em 1917. Foi o primeiro dirigente da URSS substituído após a sua morte por Stalin.

AÇÃO DIRETA

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O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

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