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"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



terça-feira, 23 de junho de 2009

MAIS SOBRE AS ELEIÇÕES NO IRÃ


por James Petras (foto)

"Mudança para os pobres significa comida e empregos, não um código de vestuário descontraído ou recreações diversas... A política no Irão é muito mais sobre guerra de classe do que sobre religião". Editorial do Financial Times, 15/Junho/2009

Introdução


Dificilmente haverá qualquer eleição, na qual a Casa Branca tenha um interesse significativo, em que a derrota eleitoral do candidato pró EUA não seja denunciada como ilegítima por todos os políticos e mass media da elite. Nos últimos tempos, a Casa Branca e os seguidores gritaram infracção após as livres (e monitoradas) eleições na Venezuela e em Gaza, enquanto alegremente fabricaram um "êxito eleitoral" no Líbano apesar do facto de a coligação liderada pelo Hezbollah ter recebido mais de 53% dos votos.

As eleições concluídas a 12 de Junho de 2009 no Irão são um caso clássico. O candidato à reeleição, o nacionalista-populista presidente Mahmoud Ahmadinejad (MA) recebeu 63,3% da votação (ou 24,5 milhões de votos), ao passo que o principal candidato da oposição liberal, apoiado pelo Ocidente, Hossein Mousavi (HM) recebeu 34,2% (ou 13,2 milhões de votos).

A eleição presidencial iraniana atraiu um comparecimento recorde de mais de 80% do eleitorado, incluindo uma votação sem precedentes 234.812 do estrangeiro, na qual HM obteve 111.792 e MA 78.300. A oposição liderada por HM não aceitou a sua derrota e organizou uma série de manifestações de massa que se tornaram violentas, resultando na queima e destruição de automóveis, bancos, edifícios públicos e confrontações armadas com a polícia e outras autoridades. Quase todo o espectro de fazedores de opinião ocidentais, incluindo todos os grandes media electrónicos e impressos, os principais sítios web liberais, radicais, libertários e conservadores, reflectiram a queixa da oposição de fraude eleitoral desenfreada. Neo-conservadores, conservadores libertários e trotsquistas juntaram-se aos sionistas louvando os protestários da oposição como a guarda avançada de uma revolução democrática. Democratas e republicanos condenaram o regime, recusaram-se a reconhecer o resultado da votação e louvaram os esforços dos manifestantes para subverter o resultado eleitoral. O New York Times, a CNN, o Washington Post, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel e toda a liderança dos presidentes das principais organizações judias americanas clamaram por sanções mais duras contra o Irão e anunciaram o proposto diálogo de Obama com o Irão como esforço inútil.


A mentira da fraude eleitoral


Os líderes ocidentais rejeitaram os resultados porque "sabiam" que o seu candidato reformista não podia perder... Durante meses publicaram entrevistas diárias, editoriais e reportagens de campo "pormenorizando" os fracassos da administração de Ahmadinejad. Mencionaram o apoio de clérigos, antigos oficiais, comerciantes do bazar e acima de tudo mulheres e jovens de cidades fluentes em inglês para provar que Mousavi estava destinado a uma vitória esmagadora. Uma vitória de Mousavi foi descrita como uma vitória das "vozes moderadas", pelo menos na versão da Casa Branca daquele vago cliché. Eminentes académicos liberais deduziram que a contagem de votos fora fraudulenta porque o candidato da oposição, Mousavi, perdeu no seu próprio enclave étnico entre os azeris. Outros académicos afirmaram que o voto da juventude" – baseado nas suas entrevistas com estudantes universitários da alta e média classe média das vizinhanças do Norte de Teerão eram esmagadoramente a favor do candidato "reformista".

O que é espantoso acerca da condenação universal do Ocidente do resultado eleitoral como fraudulento é que nem uma única partícula de evidência, tanto na forma escrita como de observação, foi apresentada tanto antes como uma semana após a contagem de votos. Durante toda a campanha eleitoral, nenhuma acusação crível (ou mesmo dúbia) de interferência junto aos eleitores foi levantada. Como os media ocidentais acreditaram na sua própria propaganda de uma vitória intrínseca do seu candidato, o processo eleitoral foi descrito como altamente competitivo, com debates públicos candentes e níveis sem precedentes de actividade pública e desembaraçada pelos prosélitos dos candidatos. A crença numa eleição livre e aberta era tão forte que os líderes ocidentais e os mass media acreditaram que o seu candidato favorito venceria.

Os media ocidentais confiaram nos seus repórteres que cobriam a manifestações de massa dos apoiantes da oposição, ignorando e subestimando o enorme comparecimento a favor de Ahmadinejad. Pior ainda, os media ocidentais ignoraram a composição de classe das manifestações competidoras – o facto de que o candidato à reeleição estava a ter o apoio da muito mais numerosa classe trabalhadora pobre, camponeses, artesões e empregados de sectores públicos ao passo que o grosso dos manifestantes da oposição provinha de estudantes da classe alta e média, da classe dos negócios e dos profissionais.

Além disso, a maior parte dos líderes de opinião e repórteres ocidentais baseados em Teerão extrapolou as suas projecções a partir das suas observações na capital – poucos aventuraram-se nas províncias, cidades e aldeias de pequena e média dimensão, onde Ahmadinejad tem a sua base de massa de apoio. Além do mais, os apoiantes da oposição eram uma minoria activista de estudantes facilmente mobilizada para actividades de rua, ao passo que o apoio de Ahmadinejad provinha da maioria da juventude trabalhadora e donas de casa que exprimiriam o seu ponto de vista na urna eleitoral mas tinham pouco tempo ou inclinação para empenhar-se em política de rua.

Um certo número de sabichões dos jornais, incluindo Gideon Rachmn do Financial Times, apresenta como evidência de fraude eleitoral o facto de Ahmadinejad ter ganho 63% dos votos numa província de língua azeri contra o seu oponente, Mousavi, de etnia azeri. A suposição simplista é que a identidade étnica ou a pertença a um grupo linguístico é a única explicação possível do comportamento eleitoral, ao invés de outros interesses sociais ou de classe.

Um olhar mais atento ao padrão de votação na região Leste-Azerbaijão do Irão revela que Mousavi venceu apenas na cidade de Shabestar entre as classes alta e média (e apenas por uma pequena margem), dado que foi completamente derrotado nas áreas rurais mais vastas, onde as políticas redistributivas do governo Ahmadinejad ajudaram os de etnia azeri a cancelarem dividas, obterem créditos baratos e empréstimos fáceis para os agricultores. Mousavi venceu na região do Azerbaijão Ocidental utilizando suas ligações étnicas para ganhar os eleitores urbanos. Na altamente populosa província de Teerão, Mousavi bateu Ahmadinejad nos centros urbanos de Teerão e Shemiranat ao ganhar o voto dos distritos da classe média e alta, ainda que tenha perdido duramente nos subúrbios adjacentes da classe trabalhadoras, pequenas cidades e áreas rurais.

A ênfase descuidada e distorcida sobre "votação étnica" citada por redactores do Financial Times e do New York Times a fim de apresentar a vitória de Ahmadinejda como uma "eleição roubada" é acompanhada pela obstinada e deliberada vontade dos media de recusarem um rigoroso inquérito de opinião à escala nacional efectuado por dois peritos dos EUA apenas três semanas antes da votação, o qual mostrava Ahmadinejad a liderar por uma margem de 2 para 1 – ainda maior do que a sua vitória eleitoral de 12 de Junho. Este inquérito revelava que entre os de etnia azeri Ahmadinejad era favorecido por uma margem de 2 para 1 em relação a Mousavi, demonstrando como os interesses de classe representados por um candidato podem ultrapassar a identidade étnica do outro candidato ( Washington Post, 15/Junho/2009). O inquérito também demonstrava como as questões de classe, dentro de grupos etários, eram mais influentes na moldagem de preferências políticas do que o "estilo de vida geracional". De acordo com este inquérito, mais de dois terços da juventude iraniana era demasiado pobre para ter acesso a um computador e aqueles com idade dos 18 aos 24 anos "incluíram o bloco eleitoral mais forte a favor de Ahmadinejad entre todos os outros grupos" ( Washington Post, 15/Junho/2009).

O único grupo de apoiou fortemente Mousavi foi o dos estudantes universitários e dos licenciados, donos de negócios e classe média alta. O "voto da juventude", o qual os media ocidentais louvou como "pró reformista", era uma clara minora de menos de 30% mas veio de um grupo altamente privilegiado, eloquente e que em grande parte falava inglês, com um monopólio sobre os media ocidentais. A sua presença esmagadora nas reportagens ocidentais criou o que foi mencionado como o "Síndroma de Teerão Norte", o confortável enclave da classe alta do qual provieram muitos destes estudantes. Se bem que eles pudessem ser articulados, bem vestidos e fluentes em inglês, no segredo da urna eleitoral foram profundamente derrotados.

Na generalidade, Ahmadinejad saiu-se muito bem nas províncias produtoras de petróleo e petroquímica. Isto pode ter sido um reflexo da oposição dos trabalhadores do petróleo ao programa "reformista", o qual incluía propostas para "privatizar" empresas públicas. Da mesma forma, o presidente em exercício saiu-se muito bem junto às províncias fronteiriças devido à sua ênfase no fortalecimento da segurança nacional em relação às ameaças estado-unidenses e israelenses depois de uma escalada de ataques terroristas transfronteiriços patrocinados pelos EUA a partir do Paquistão e de incursões apoiadas por Israel a partir do Curdistão iraquiano, as quais mataram grande número de cidadãos iranianos. O patrocínio e o financiamento maciço dos grupos por trás destes ataques é uma política oficial dos EUA desde a administração Bush, a qual não foi repudiada pelo presidente Obama. De facto, ele escalou-a como preparação para as eleições.

O que os comentadores ocidentais e os seus protegidos iranianos ignoraram é o impacto poderoso que as devastadoras guerras dos EUA e a sua ocupação do Iraque e do Afeganistão têm sobre a opinião pública iraniana: a posição forte de Ahmadinejad em matéria de defesa contrastou com a postura pró ocidental e fraca de muitos dos propagandistas da campanha da oposição.

A grande maioria dos eleitores favoráveis ao presidente em exercício provavelmente sentiu que os interesses da segurança nacional, da integridade do pais e do sistema de previdência social, com todas as suas falhas, podiam ser melhor defendidos e melhorados com Ahmadinejad do que com os tecnocratas das classe alta apoiados pela juventude privilegiada orientada para o ocidente que aprecia mais os estilos de vida individualistas do que os valores da comunidade e solidariedade.

A demografia dos votos revela uma polarização de classe real contrapondo capitalistas individualistas de alto rendimento e orientados para o mercado livre à classe trabalhadora, de baixo rendimento, apoiantes de uma "economia moral" baseada na comunidade na qual a usura e a especulação são limitadas por preceitos religiosos. Os ataques abertos de economistas da oposição às despesas do governo com a previdência, com o crédito fácil e com os pesados subsídios a alimentos básicos não os favoreceram junto à maioria dos iranianos beneficiários daqueles programas. O Estado era encarado como o protector e benfeitor dos trabalhadores pobres contra o "mercado", o qual representava riqueza, poder, privilégio e corrupção. O ataque da oposição à "intransigência" da política externa do regime e a posições "isolando" o Ocidente só tinha eco junto a estudantes liberais da universidade e grupos de negócios do import-export. Para muitos iranianos, o fortalecimento militar do regime foi vista como tendo impedido um ataque dos EUA ou de Israel.

A escala do défice eleitoral da oposição deveria contar-nos quão fora de sintonia ela está em relação às preocupações vitais do seu próprio povo. Deveria recordar-nos que ao mover-se para mais perto da opinião ocidental, ela removeu-se dos interesses quotidianos da segurança, habitação, emprego e preços subsidiados dos alimentos que tornam a vida tolerável para aqueles que vivem abaixo da classe média e do lado de fora dos portões privilegiados da Universidade de Teerão.

O êxito eleitoral de Ahmadinejad, visto na perspectiva do contexto histórico, não deveria surpreender. Em competições eleitorais semelhantes entre nacionalistas-populistas contra liberais pró ocidentais, os populistas ganharam. Os exemplos passados incluem Perón na Argentina e, mais recentemente, Chávez da Venezuela, Evo Morales na Bolívia e mesmo Lula da Silva no Brasil, todos eles tendo demonstrado uma capacidade para assegurar margens próximas ou mesmo superiores a 60% em eleições livres. As maiorias votantes nestes países preferem a previdência social em relação a mercados sem restrições, a segurança nacional e não alinhamentos com impérios militares.

As consequências da vitória eleitoral de Ahmadinejad estão abertas a debate. Os EUA podem concluir que continuar a apoiar uma minoria barulhenta, mas pesadamente derrotada, tem poucas perspectivas de assegurar concessões sobre o enriquecimento nuclear e um abandono do apoio do Irão ao Hesbollah e ao Hamas. Uma abordagem realista seria abrir uma discussão ampla com o Irão e reconhecer, como o senador Kerry destacou recentemente, que o enriquecimento de urânio não é uma ameaça existencial para ninguém. Esta abordagem diferiria agudamente daquela dos sionistas americanos, incorporada no regime Obama, que segue a orientação de Israel de pressionar por uma guerra antecipativa com o Irão e que utiliza o argumento especiosos de que nenhuma negociação é possível com um governo "ilegítimo" em Teerão que "roubou uma eleição".

Acontecimentos recentes sugerem que líderes políticos na Europa, e mesmo alguns em Washington, não aceitam a linha dos mass media sionistas de "eleições roubadas". A Casa Branca não suspendeu a sua oferta de negociações com o governo recém-eleitos mas centrou-se ao invés na repressão dos protestatários da oposição (e não na contagem de votos). Da mesma forma, os 27 países da União Europeia exprimiram "séria preocupação acerca da violência" e apelaram a que "as aspirações do povo iraniano sejam alcançadas através de meios pacíficos e que a liberdade de expressão seja respeitada" ( Financial Times, 16/Junho/2009, p.4). Excepto quanto a Sarkozy da França, nenhum líder da UE questionou o resultado da votação.


A interrogação na sequência das eleições é a resposta israelense. Netanyahu assinalou aos seus seguidores sionistas americanos que eles deveriam utilizar o ardil da "fraude eleitoral" para exercer a máxima pressão sobre o regime Obama no sentido de acabar com todos os planos para encontrar-se com o novamente reeleito Ahmadinejad.

Paradoxalmente, comentaristas estado-unidenses (da esquerda, direita e centro) que "compraram" a mentira da fraude eleitoral estão de forma não intencional a proporcionar a Netanyahu e seus seguidores americanos argumentos e falsificações: Onde eles vêm guerras religiosas, nós vemos guerras de classe; onde eles vêem fraude eleitoral, nós vemos desestabilização imperial.


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O BRASIL DE LULA IMPÕE RESPEITO (PUBLICADO A PEDIDOS)


Rui Martins: o Brasil de Lula impõe respeito

Atualizado e Publicado em 23 de junho de 2009 às 09:59


por Rui Martins (FOTO),em Direto da Redação

Berna (Suiça) - Não sei se a grande imprensa brasileira deu o destaque devido, só vi alguma coisa num parágrafo no texto distribuído pela BBC para o Estadão online. Porém, embora com atraso, acho importante deixar aqui o depoimento.

Com a experiência de ter feito tantas outras coberturas no Palácio das Nações, da ONU, em Genebra, posso afirmar ser coisa rara o que se viu na assembléia-geral da OIT, onde os discursos de Lula, um escrito e outro improvisado, foram entrecortados de aplausos, e, ao final, todos os presentes - representantes governamentais, sindicais e patronais – puseram-se de pé, numa consagradora standing ovation.

Isso sem esquecer que, logo depois de anunciada a próxima chegada de Lula, os membros das delegações de todos os países voltaram a tomar seus lugares para ouvir a fala do presidente brasileiro. Ora, para quem não sabe, são 193 discursos de presidentes, com tempo limitado, que se sucedem, geralmente com o grande auditório vazio.

Uma antiga jornalista do Palácio das Nações, comentou para mim – igual a essa consagração, que considero histórica, só me lembro da visita de Lech Walena e de Nelson Mandela.

É verdade, foi uma consagração. Nosso sapo barbudo, chamado de analfabeto por tantos ilustres e intelectuais da oposição, transmitiu a melhor mensagem, fez a melhor análise da crise, apontando os culpados.


Lula pode tropeçar nas concordâncias mas há um concordância geral – o homem é esperto, sabido, sabe dar o recado e dominar os auditórios.

Em síntese, honra o cargo que exerce, sem ser prepotente, sempre guardando aquele carisma do militante popular.

O discurso de Lula foi precedido de uma recepção por sindicalistas de todo mundo, na qual o presidente brasileiro se sentia à vontade e, em dado momento, surpreendeu a todos, levantando-se de sua cadeira para distribuir aos presentes uns folhetos sobre a proteção dos trabalhadores na cana-de-açúcar. O que provocou o comentário de um sindicalista brasileiro – ele está com saudades da época de militante sindical.

Uma grande parte de seu discurso foi voltada à questão dos imigrantes, expulsos e rechaçados na Europa, quando aproveitou para contar que o Brasil acaba de legalizar a todos imigrantes sem papéis.

“Porque no Brasil, disse ele, acabamos de dar um exemplo – enquanto o mundo rico anda jogando a culpa em cima dos imigrantes, esta semana, no Brasil, foi aprovada pelo Congresso Nacional, por iniciativa do governo, a legalização de todos os emigrantes que não estavam legalizados no Brasil”

Foi justamente como um líder sindical, atentamente ouvido, que Lula denunciou os responsáveis pela atual crise, sem perder em nada seu carisma e sua linguagem coloquial e nada formal no seu discurso.

“Porque quem trabalha com papel, vendendo papel, comprando papel, sem produzir nada, um dia quebra e aconteceu. Este momento exige de empresários, de trabalhadores e do governo uma atitude mais dura, nós não podemos conviver com paraísos fiscais, nós não podemos viver com um sistema financeiro que especula papel com mais papel sem gerar um posto de trabalho, sem produzir um parafuso, um sapato, uma camisa, uma gravata. Não é possível que a gente não se dê conta de que mais de um bilhão de seres humanos ainda tem dificuldades para conseguir comer uma vez por dia”.

É por essa e outras que, embora ainda minoritário, acho ser importante para o Brasil e para nosso povo não se trocar quem vem conseguindo dar o respeito e o destaque ao nosso país. O PT não quer e o próprio Lula não quer, mas o povo quer. É hora de se começar a ouvir e organizar o desejo popular para que o Congresso abra o caminho e o povo possa votar mais um mandato para Lula.


* Rui Martins é jornalista

SARNEY, O HOMEM INCOMUM - CAPITULO 2


Leandro Fortes: Sarney, o homem incomum

Atualizado em 23 de junho de 2009 às 18:32 Publicado em 23 de junho de 2009 às 17:12

por Leandro Fortes (foto), no blog Brasília eu Vi

Há anos, nem me lembro mais quantos, os principais colunistas e repórteres de política do Brasil, sobretudo os de Brasília, reputam ao senador José Sarney uma aura divinal de grande articulador político, uma espécie de gênio da raça dotado do dom da ponderação, da mediação e do diálogo. Na selva de preservação de fontes que é o Congresso Nacional, estabeleceu-se entre os repórteres ali lotados que gente como Sarney – ou como Antonio Carlos Magalhães, em tempos não tão idos – não precisa ser olhada pelas raízes, mas apenas pelas folhagens. Esse expediente é, no fim das contas, a razão desse descolamento absurdo do jornalismo brasiliense da realidade política brasileira e, ato contínuo, da desenvoltura criminosa com que deputados e senadores passeiam por certos setores da mídia.

Olhassem Sarney como ele é, um coronel arcaico, chefe de um clã político que há quatro décadas domina a ferro e fogo o Maranhão, estado mais miserável da nação, os jornalistas brasileiros poderiam inaugurar um novo tipo de cobertura política no Brasil. Começariam por ignorar as mentiras do senador (maranhense, mas eleito pelo Amapá), o que reduziria a exposição de Sarney em mais de 90% no noticiário nacional. No Maranhão, a família Sarney montou um feudo de cores patéticas por onde desfilam parentes e aliados assentados em cargos públicos, cada qual com uma cópia da chave do tesouro estadual, ao qual recorrem com constância e avidez. O aparato de segurança é utilizado para perseguir a população pobre e, não raras vezes, para trucidar opositores. A influência política de Sarney foi forte o bastante para garantir a derrubada do g overnador Jackson Lago, no início do ano, para que a filha, Roseana, fosse reentronizada no cargo que, por direito, imaginam os Sarney, cabem a eles, os donatários do lugar.

José Sarney é uma vergonha para o Brasil desde sempre. Desde antes da Nova República, quando era um político subordinado à ditadura militar e um representante mais do que típico da elite brasileira eleita pelos generais para arruinar o projeto de nação – rico e popular – que se anunciava nos anos 1960. Conservador, patrimonialista e cheio dessa falsa erudição tão típica aos escritores de quinta, José Sarney foi o último pesadelo coletivo a nós impingido pela ditadura, a mesma que ele

TODOS A POSTOS PARA A GUERRA CONTRA O DEMÔNIO IRANIANO?






Atualizado em 17 de junho de 2009 às 18:29 Publicado em 17 de junho de 2009 às 13:36



por Paul Craig Roberts, Counterpunch



Tradução: Coletivo Política para Todos



Que atenção merecem, da mídia dos EUA, eleições no Japão, na Índia, na Argentina, onde for? Quantos norte-americanos e jornalistas norte-americanos algum dia ouviram falar de que há vida eleitoral em outros países além de Inglaterra, França e Alemanha? Quem sabe dizer o nome de algum político importante da Suíça, da Holanda, do Brasil, do Japão ou, mesmo da China?
Pois é. Mas milhões de norte-americans conhecem o presidente do Iran, Ahmadinejad. A razão é óbvia. O presidente do Iran é diariamente demonizado pela mídia dos EUA.


A demonização de Ahmadinejad pela mídia dos EUA é, ela própria, prova da ignorância da imprensa e dos cidadãos norte-americanos.
O presidente do Iran manda muito pouco. Não é o comandante-em-chefe das Forças Armadas. Não tem poder para definir políticas próprias. É simples executor de políticas definidas pelos aiatolás. Os aiatolás, esses, sim, estão decididos a impedir que a revolução popular democrática iraniana seja arrendada pelo dinheiro dos EUA e convertida em algum tipo de 'sub-revolução' codificada pela CIA em tabelas em tons degradés de vermelho.

Os iranianos têm experiência muito amarga com governos dos EUA. A primeira eleição democrática iraniana, depois de o Iran ter sobrevivido à ocupação e à colonização, nos anos 50, foi desqualificada, de fato, foi destruída pelo governo dos EUA. Em lugar do candidato legítima e democraticamente eleito, os EUA impuseram um ditador que torturou e assassinou dissidentes cujo único 'crime' foi lutar por um Iran independente, que não fosse mais um fantoche norte-americano na Região.

O 'superpoder' que governa os EUA jamais perdoou os aiatolás islâmicos pelo sucesso da revolução democrática iraniana dos anos 70s, que derrubou aquele governo fantoche lá instalado e tomou como reféns o pessoal diplomático na embaixada dos EUA, definida como "covil de espiões", enquanto estudantes iranianos desenterravam, dos cofres daquela embaixada, todos os documentos necessários para provar que os EUA trabalhavam dia e noite para destruir a democracia iraniana.


A mídia corporativa controlada pelo governo dos EUA é um perfeito Ministério da Propaganda, respondeu à reeleição de Ahmadinejad com uma tempestade de noticiário sobre os 'violentos protestos' contra eleição que teria sido fraudada.
A fraude eleitoral que não houve foi apresentada como fato, mesmo sem haver uma única evidência de qualquer fraude. Durante o governo de George W. Bush/Karl Rove, a única resposta da mídia dos EUA a eleições comprovadamente fraudadas foi ignorar todas as evidências de fraude real em eleições roubadas.


Líderes fantoches na Inglaterra e na Alemanha alinharam-se imediatamente à operação de guerra psicológica liderada pelos EUA. O muito desacreditado secretário de Relações Exteriores da Inglaterra, David Miliband, resfolegava, de tanta pressa para manifestar "sérias dúvidas" sobre a vitória de Ahmadinejad, num encontro de ministros da União Europeia em Luxembourg. Miliband, é claro, não recebe informações de fontes independentes. Sempre, e só, repete instruções que recebe de Washington e confia no que diga o candidato derrotado nas urnas, no Iran, mas preferido do governo dos EUA.


Angela Merkel, Chanceler alemã, também foi dominada; dobraram-lhe o braço. Mandou chamar o embaixador iraniano e disse que exigia "mais transparência" nas eleições.
Até a esquerda norte-americana endossou o golpe de propaganda do governo dos EUA. Em seu blog nem The Nation, Robert Dreyfus reproduziu as frases histéricas de um dissidente iraniano, como se ali falasse a voz da verdade sobre "eleições ilegítimas" que levariam a um "golpe de Estado".

Qual, afinal, é a fonte das informações que a mídia nos EUA e em todos os Estados fantoches repete sobre as eleições iranianas? Fonte? Não há fonte. Todos só fazem repetir os discursos do candidato derrotado, que os EUA 'prefeririam' ver eleito.
Houve pelo menos uma pesquisa séria, independente, conduzida no Iran, antes das eleições. Ken Ballen, do Center for Public Opinion, organização sem fins lucrativos; e Patrick Doherty, da New America Foundation, também sem fins lucrativos, comentaram os resultados de suas pesquisas, ontem, 15/6, no Washington Post.

A pesquisa foi financiada pelo Rockefeller Brothers Fund e conduzida em Farsi, "por empresa de pesquisas que opera na região para as redes ABC News e BBC e já premiada com um prêmio Emmy" (Washington Post, 15/6/2009, "Pesquisa Ballen-Doherty,
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/06/14/AR2009061401757.html?nav=rss_opinion/columns).

Os resultados dessa pesquisa, a única fonte de informação confiável que há hoje, indicam que o resultado eleitoral manifesta o desejo dos eleitores iranianos. Dentre outras informações interessantíssimas que a pesquisa revela, lê-se:
"Muitos especialistas têm repetido que a vitória do atual presidente Máhmude Ahmadinejad teria sido resultado de fraude ou manipulação, mas a pesquisa de opinião pública que fizemos em todo o Iran, três semanas antes da eleição, já mostrava que Ahmadinejad podia esperar ser eleito no primeiro turno, com maioria significativa, e, de fato, pelos nossos resultados, com diferença ainda maior do que a que se constatou na apuração final dos votos".

Ao mesmo tempo em que todos os noticiários ocidentais com notícias de Teeran repetiam que haveria crescimento nas expectativas eleitorais a favor de Mir Hossein Moussavi, todos os nossos resultados de pesquisa, com dados recolhidos em todas as 30 províncias do Iran, já mostravam enorme diferença a favor de Ahmadinejad nas intenções de voto.
A acentuada preferência dos eleitores pelo candidato Ahmadinejad já era muito evidente desde nossas primeiras pesquisas. Durante a campanha, por exemplo, Moussavi esforçou-se por identificar-se como "Azeri" (o segundo maior grupo étnico na composição populacional do Iran, depois dos persas), com vistas a atrair o voto dos Azeri. Nossa pesquisa mostrou claramente que também entre os Azeri, Ahmadinejad venceria Moussavi, também com mais que o dobro dos votos.


Também falou-se da juventude iraniana e da Internet como fatores decisivos nas eleições. Nossa pesquisa mostrou que menos de 1/3 dos iranianos têm acesso a internet, o que é insuficiente para que a internet possa ser considerado fator decisivo; e que o grupo dos jovens (18-24 anos) é, dentre todos os grupos etários, o que manifesta mais acentuada diferença a favor de Ahmadinejad.

Os únicos grupos sociodemográficos no quais a pesquisa identificou preferência mais significativa pelo candidato Moussavi (embora nem aí Moussavi apareça em primeiro lugar em todos os subgrupos) são o grupo identificado como "estudantes universitários e profissionais liberais" e o grupo identificado como "mais alta renda nacional".

Quando nossa pesquisa foi realizada, quase 1/3 dos iranianos declararam-se indecisos. Mesmo assim, todas as tendências que traçamos, por procedimentos estatísticos regulares e conhecidos, espelham os resultados finais apresentados pelas autoridades iranianas (todos esses procedimentos podem ser auditados e confirmados, a partir dos dados do relatório da pesquisa), o que confirma que os resultados eleitorais apresentados sejam rigorosamente autênticos, sem que se justifique qualquer suspeita de fraude."


Vários jornais e jornalistas têm insistido em noticiar que haveria em andamento um plano para desestabilizar o Iran. Há quem fale de os EUA financiarem ataques terroristas, bombas e assassinatos no Iran. Parte da mídia nos EUA usa esses informes como ilustração de autopromoção do poder dos EUA para controlar e manter sob 'rédea curta' países 'dissidentes'; essa parte da mídia favorece o terror como política admissível contra esses países 'dissidentes'. Outra parte da mídia, na maioria a mídia estrangeira, vê esse tipo de noticiário como evidência da inerente imoralidade do governo norte-americano.


Ex-comandante militar paquistanês, o general Mirza Aslam Beig, disse à Rádio Pashtum, na 2ª-feira, 15/6, que o serviço secreto paquistanês tem provas irrefutáveis de que os EUA trabalharam para tentar alterar o resultado das eleições no Iran. "Há provas de que a CIA gastou 400 milhões de dólares em território iraniano para fazer eclodir uma revolução 'pacífica', 'colorida', contra o governo dos aiatolás, imediatamente depois das eleições."

O sucesso dos EUA ao financiar outras revoluções 'coloridas' na Georgia e Ucrânia e em outras partes do ex-império soviético tem sido tema muito repetido na mídia dos EUA. Para a mídia norte-americana, todos esses 'feitos' seriam manifestação da onipotência 'natural', do direito 'natural' dos EUA, como principal potência do mundo ocidental. Para parte da mídia estrangeira, seriam sempre evidência de que os EUA jamais deixaram de tentar intervir nos assuntos internos de outros países.

No campo objetivo das probabilidades estatísticas, é mais provável que Mir Hossein Moussavi seja mais um fantoche alugado para servir a interesses inconfessáveis dos EUA, do que tenha sido vítima de alguma espécie de fraude eleitoral.
Sabe-se que o governo dos EUA sempre usou instrumentos de guerra psicológica tanto contra os próprios norte-americanos como contra estrangeiros, nos EUA ou fora dos EUA. Em todas essas operações de guerra psicológica a mídia sempre foi instrumento privilegiado, nos EUA e em outros países. Há inúmeros estudos sobre isso.

Consideremos a eleição iraniana do ponto de vista do bom-senso do cidadão comum. Nem eu nem a enorme maioria dos leitores de jornal ou dos públicos telespectadores somos especialistas em Iran.
Alguém supõe que, se meu país vivesse sob constante ameaça de ser atacado (sob ameaça também de ataque nuclear e, isso, sem falar das sanções econômicas!), e se a ameaça viesse de dois países muito mais fortemente armados que o meu (como é o caso do Iran – que vive sob eterna ameaça de ser atacado ou pelos EUA ou por Israel ou por ambos!)... alguém supõe que eu ou você desistiríamos de tentar defender nosso país... para eleger algum candidato que aparecesse... e que interessasse aos EUA, a Israel ou a ambos?!

Passa pela cabeça de alguém que a maioria do povo iraniano teria votado para eleger um candidato que a maioria do povo vê como fantoche dos EUA e de Israel... e que a maioria do povo vê como interessado em converter o Iran em mais um Estado-fantoche dos EUA e de Israel?
A sociedade iraniana é antiga e sofisticada. Os intelectuais são, na maioria, seculares. Uma pequena fração da juventude foi fisgada pelos 'ideais' ocidentais de culto obcecado da satisfação pessoal, do interesse individual, da auto-dedicação aos interesses pessoais. Essas pessoas podem muito facilmente ser organizadas mediante o sempre abundante dinheiro dos EUA para esse tipo de operação 'especial', para fazer oposição ao governo eleito e ao pensamento social islâmico que, sim, impõe limitações ao comportamento individual.


Os EUA estão usando esses iranianos ocidentalizados como base de manobra para, a partir deles, desacreditar as eleições iranianas e o governo legitimamente eleito pela maioria dos iranianos.
Dia 14/6, o McClatchy Washington Bureau, que várias vezes até tenta investigar a fundo as próprias notícias, cedeu também à guerra de propaganda de Washington e publicou: "O resultado das eleições no Iran dificulta ainda mais a já dificílima tarefa de Obama." O que aí se vê são os primeiros movimentos do que, adiante, será a feia caratonha de um "fracasso da diplomacia", que abrirá caminho para uma 'inevitável' intervenção militar. Já aconteceu outras vezes.

(...) O grande poder super-macho está decidido a recuperar a hegemonia que teve sobre o Iran e os iranianos; será a revanche com que os EUA sonham contra os aiatolás que, sim, derrotaram completamente os EUA em 1978.
O script é esse. Para assistir aos capítulos, basta acompanhar, minuto a minuto a televisão nos EUA.

Não faltarão 'especialistas' para explicar o script. Por exemplo, um, colhido ao acaso dentre muitos, lá estava Gary Sick, ex-funcionário do Conselho de Segurança Nacional, atualmente professor na Universidade de Columbia:
"Se tivessem sido mais modestos e anunciado vitória de Ahmadinejad com 51% dos votos" – disse Sick –, os iranianos desconfiariam, mas acabariam aceitando. Mas o governo dizer que Ahmadinejad venceu com 62,6% dos votos? Não, não é crível."
"Parece-me", continuou Sick, "que estamos realmente num ponto de virada decisivo na Revolução Iraniana, de uma posição em que se dizia que a legitimidade da revolução estava no apoio popular, para uma posição que depende cada vez mais da repressão. A voz do povo está sendo ignorada."


Bullshit. Opinionismo sem qualquer fundamento. A única referência confiável, de pesquisa séria que há sobre as eleições iranianas, é a pesquisa citada acima, que o Washington Post publicou. A pesquisa demonstrara, três semanas antes das eleições, que Ahmadinejad era o candidato preferido de mais da metade do universo de eleitores.
Mas nenhuma pesquisa séria interessa. Reinam as regras da propaganda e da mentira. Nada tem a ver com fatos. Reinam as regras da hegemonia que os EUA sempre viveram de impor a outros povos.


Consumidos por esse vício de aspirar cada vez mais ao poder hegemônico, os EUA atropelam qualquer equilíbrio, qualquer moralidade. A democracia que se dane! E assim prosseguirão o script e as ameaças contra todo o mundo, até que os EUA afundem-se, eles mesmos, cada vez mais, para o fundo do poço: falidos, quebrados, no plano interno; e isolados, no plano internacional, universalmente desprezados.



*Paul Craig Roberts foi secretário-assistente do Tesouro no governo Reagan. É co-autor de The Tyranny of Good Intentions.

Texto em inglês aqui: http://www.counterpunch.org/roberts06162009.html

sexta-feira, 19 de junho de 2009

MAIS UMA DO LULA BESTEIROL DA SILVA


Lula, Sarney e a “Casa da Mãe Joana”


Rui Amaro Gil Marques


Sinceramente bem que eu tento parar de criticar o presidente Luiz Inácio “Falastrão” Lula da Silva e os ilustres puxa-sacos que o rodeiam mas não consigo. E não consigo por culpa do próprio presidente que “nunca antes na história deste país” fez tanto para desacreditar os ideais que nortearam a sua primeira eleição.


Desta vez o “Lulinha Paz e Amor” foi longe demais. Ao comentar as denúncias comprovadas de corrupção no Senado da República que envolvem o ex-presidente e coronel do Maranhão e do Amapá, senador José Sarney (PMDB), Lula afirmou categoricamente que o ex-presidente é uma pessoa incomum, portanto, acima da lei e do bem e do mal.


Se José Sarney colocou toda a sua família e amigos para mamar nas tetas gordas do Senado, para Lula, isso é irrelevante e puro denuncismo. Aliás, Lula ainda criticou aqueles que levantaram esses fatos publicando-os na imprensa. Para Lula o que prejudica o país não é a atitude do senador Sarney, mas as denuncias publicadas nos principais jornais brasileiros.


Não é a corrupção e os desmandos promovidos por algumas autoridades e políticos que destroem a confiança popular nas falidas instituições democráticas nacionais. São os jornalistas que, não tendo nada de mais importante a fazer, ficam remexendo nas caixas pretas dos órgãos do governo federal e do Congresso Nacional. É isto que o presidente Lula deu a entender na sua defesa das maracutáias do Sarney.


Eu “nunca antes na história deste país” ouvi e vi tanta asneira sendo dita por alguém que até tempos atrás se considerava o porta voz do combate á corrupção e esperança de milhões de brasileiros que, cansados dos políticos vendilhões, votaram em Lula para que o Brasil definitivamente mudasse de rumo. Com a sua língua solta e sua falta de compreensão sobre o que é o certo e o que é o errado, Lula vem demonstrando que ele e o Sarney são políticos feitos da mesma massa, saídos do mesmo saco de farinha. E que o Brasil é isso mesmo, uma grande “Casa da Mãe Joana” onde as mamatas sempre serão defendidas. Para nós, pessoas comuns, resta rasgar o titulo de eleitor e deixar de participar como massa de manobra dos joguetes políticos dessa turma que sempre consegue um jeitinho para continuar se dando bem as nossas custas.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

BRASIL FOODS (PERDIGÃO/SADIA) MOBILIZA SINDICATOS



Fusão Perdigão/Sadia


Sindicatos e representantes das empresas se reúnem em Curitiba

Questões como saúde dos trabalhadores e manutenção de empregos deram a tônica do encontro


Rui Amaro Gil Marques

De Curitiba-PR.


Sindicalistas do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e da UITA – União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação estiveram reunidos com representantes das empresas Perdigão e Sadia nesta quarta-feira (17) na cidade de Curitiba (PR).


O encontro foi convocado pelas Federações dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Paraná e do Rio Grande do Sul e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do setor (Contac) para dar prosseguimento às discussões iniciadas no inicio deste ano sobre as conseqüências da fusão entre Perdigão e Sadia para os trabalhadores dessas empresas.


Neste novo encontro também compareceram representantes das duas empresas convidados pelos organizadores para esclarecer se haverá corte de funcionários depois de concretizada a fusão. Temas como doenças do trabalho, negociações coletivas e a relação empresas/sindicatos também foram abordados pelos participantes.

Segundo Vilço Medeiros, representante da Perdigão, os sindicalistas podem ficar tranqüilos que até o momento não haverá demissões na Perdigão e que as demais questões levantadas no encontro serão tratadas com cada sindicato especifico em sua própria localidade. “ A Perdigão sempre esteve aberta ao dialogo com os sindicatos que representam os seus empregados. A nossa tarefa é tentar resolver todos os problemas na mesa de negociação e vamos continuar agindo desta maneira.”, afirmou Medeiros.


Em relação a questão das doenças laborais que estão causando problemas à saúde dos trabalhadores nas duas empresas, Paulo Koda , da Sadia, salientou que essa questão é controversa uma vez que tais doenças profissionais ainda não são totalmente definidas pelo INSS. Segundo Koda, na Sadia os trabalhadores recebem todo o apoio necessário quando sofrem algum acidente ou adquirem problemas de saúde comprovadamente adquiridos durante o trabalho.

“Posso garantir que na Sadia existem casos de trabalhadores que estão há mais de 20 anos prestando serviços à empresa e nunca apresentaram sintomas de LER ou outro tipo de doença laboral”, alegou Koda depois de ser questionado pelos demais participantes do encontro.


Já o presidente da Contac, Ciderlei Oliveira argumentou que as duas empresas sempre trataram essas questões com descaso. “São inúmeros trabalhadores que se encontram afastados do trabalho devido a LER/DORT (lesões por esforços repetitivos) e os médicos da Perdigão e da Sadia fazem de tudo para que esses problemas não sejam reconhecidos como acidentes de trabalho. O que acarreta mais prejuízos para esses trabalhadores. Nós do movimento sindical não podemos permitir que esse tipo de tratamento continue acontecendo”, ponderou Oliveira.


Geraldo Iglessias (Uruguai), da UITA, informou que esses casos estão sendo denunciados mundialmente pela entidade que congrega os sindicatos dos trabalhadores do setor de produção de Alimentos. Para Iglessias o encontro foi uma oportunidade para que os sindicalistas e as empresas possam iniciar discussões sérias para resolver os problemas levantados durante o evento.


Já o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Paraná (FTIA), Ernane Garcia ressaltou a importância de todos os sindicatos desenvolverem conjuntamente ações que façam a Perdigão e a Sadia agirem de maneira diferente. Para Ernane somente com a união de todos os sindicatos, federações e confederações que representam os trabalhadores do setor todos os problemas discutidos poderão ser resolvidos. “A fusão entre a Perdigão e a Sadia já é uma realidade. O que devemos fazer agora é nos organizarmos melhor para defender de maneira adequada os trabalhadores que sempre são os mais atingidos na hora das empresas fazerem suas reestruturações visando o aumento dos lucros dos seus acionistas”, finalizou.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

PUBLlCADO A PEDIDOS


Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Nota politica do PCB

CONTRA A MP 458, EM DEFESA DA AMAZÔNIA

(Nota Política do PCB)


O Partido Comunista Brasileiro – PCB – vem a público externar seu mais veemente repúdio à Medida Provisória 458, editada pelo governo Lula e aprovada pelo Congresso Nacional, pois se trata de enorme empreendimento imobiliário a favor dos grileiros que, ao longo dos últimos anos, se apropriaram de terras públicas. Conforme denúncia feita pela Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), mais de 67 milhões de hectares (uma área superior ao território da França) foram ocupados irregularmente por grileiros na Amazônia Legal.

A Medida Provisória 458 legaliza o roubo, ao decretar o aumento de tamanho das áreas passíveis de regularização. Ela regulariza, sem licitação, áreas da Amazônia Legal que possuem até 1.500 hectares e cujas posses sejam anteriores a dezembro de 2004. As grandes propriedades podem ser adquiridas por meio de licitação, sendo garantido ao ocupante (ou seja, o grileiro) o “direito de preferência”. A MP ainda estabelece que as posses podem ser pagas em até 20 anos!

Sob o argumento oficial de legitimar os pequenos posseiros e combater a criminalidade, o ato do governo favorece justamente os que se apropriaram impunemente de grandes extensões de terras públicas. Valida, assim, a grilagem e contribui grandemente para a aceleração do desmatamento da Amazônia, aprofundando a tendência verificada neste governo de descaracterização da legislação ambiental e de mutilação do código florestal para beneficiar empreendimentos capitalistas, como o latifúndio e o agronegócio.

O grande problema da Amazônia sempre foi a questão fundiária. Foi exatamente a ausência de uma política definida anteriormente que permitiu a ocupação desordenada, o crescimento de uma pecuária de baixíssima produtividade (2 cabeças por hectare enquanto a média nacional é de 7) e de uma extração de madeira que corresponde a 35% do PIB de Rondônia. Agora o governo Lula e o Congresso Nacional, mais uma vez demonstrando de que lado estão na luta de classes, resolvem a questão em favor dos grandes proprietários e do capital.

O PCB, uma vez mais, se posiciona pela vida e contra o capital e se coloca ao lado dos movimentos sociais e ambientalistas, dos povos originários e trabalhadores da Amazônia, em defesa de uma reforma agrária sob controle popular, assim como de uma nova política agrícola voltada à vida e não ao lucro, uma política de autossustentação ecológica que trate o patrimônio ambiental como recurso indispensável à vida e não matéria prima para o lucro privado das corporações capitalistas.



PCB

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

Comissão Política Nacional

JUNHO DE 2009

LULA E O EMPRÉSTIMO AO FMI


Empréstimo ao FMI


17.Jun.2009 | Depois de figurar por décadas entre os maiores devedores do Fundo Monetário Internacional (FMI), fator que serviu, inclusive, como bandeira para a esquerda brasileira defender calote no principal fundo de empréstimo para as economias do chamado terceiro mundo, o Brasil está prestes a se tornar credor daquele que tanto condenou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender ontem a idéia de emprestar US$ 10 bilhões para o FMI, consagrando-se como o primeiro presidente brasileiro a emprestar recursos à instituição. Num primeiro momento, a iniciativa pode até simbolizar solidez da economia brasileira, mas, no fundo, o empréstimo configura uma violação aos direitos constitucionais da própria sociedade, uma vez que a população sofre com a falta de políticas públicas capazes de fazer valer as garantias individuais que estão asseguradas pela Constituição Federal. Uma nação que não consegue socorrer nem suas vítimas de flagelos, não deveria tentar posar de líder latino-americana.
Enquanto o Brasil ensaia empréstimo de US$ 10 bilhões ao Fundo Monetário Internacional, milhares de pessoas perdem a vida todos os anos em acidentes nas rodovias federais que estão em péssimo estado de conservação; milhões de contribuintes batem às portas dos hospitais públicos e postos de saúde todos os dias e retornam para casa sem atendimento médico adequado; milhares de brasileiros morrem vítimas da violência que é agravada pela falta de políticas públicas de segurança pública; milhões de crianças e adultos acordam todos os dias sem saber se terão o que comer e outras centenas de milhares perambulam pelas ruas engrossando a fileira dos miseráveis abandonados pelo poder público. O Brasil poderia até virar credor do FMI, desde que se preocupasse, primeiro, em solucionar problemas crônicos na saúde, saneamento básico, educação, segurança, transporte, habitação e infraestrutura. Se está sobrando dinheiro, como faz crer o governo brasileiro, por que não investir na recuperação das estradas nacionais?
Os US$ 10 bilhões sairão das reservas brasileiras, que hoje somam US$ 200 bilhões, com o objetivo de socorrer países que enfrentam escassez de capital devido à crise econômica internacional. Ora, por que o governo não usa US$ 50 bilhões dessas reservas para atacar a violência que assombra toda a nação e transforma pessoas de bem em prisioneiros nas suas próprias casas? Por que não usa US$ 50 bilhões para acabar com a falta de leitos nos hospitais públicos e garantir atenção básica melhor nos mais de 5.560 municípios brasileiros? Por que não usa US$ 50 bilhões para melhorar as escolas públicas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio? O Brasil tem problemas demais para solucionar e deveria pensar nisso antes de virar credor do Fundo Monetário Internacional. Aliás, o país não pode se encantar com os argumentos do diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, para quem as autoridades brasileiras demonstraram grande liderança e envolvimento em todo o processo de reforma do FMI e de expansão dos recursos do fundo.
Não é de hoje que o governo brasileiro inverte prioridades em detrimento da sociedade pagadora de imposto. Depois de perdoar mais de US$ 5 bilhões em dívidas que países tão pobres quanto o Brasil tinham com o tesouro nacional, o Palácio do Planalto anunciou, no ano passado, a liberação de quase R$ 1 bilhão para construção de novas rodovias em Cuba. O dinheiro saiu dos cofres do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poucos meses após a Confederação Nacional do Transporte (CNT) constatar que grande parte dos 64.699 quilômetros de estradas federais em todo o Brasil apresentavam problemas como pavimento de péssima qualidade, sinalização deficiente ou inexistente, geometria bisonha e buracos em quase toda sua extensão. No mesmo período, o BNDES liberou R$ 600 milhões para a construção de uma usina sucroalcooleira em Cuba e mais R$ 300 milhões para investimentos no setor hoteleiro da ilha de Fidel Castro. Poucos meses antes, o banco federal havia liberado US$ 600 milhões para a construção do metrô de Caracas, na Venezuela, ou seja, o governo Lula parece preocupado com o bem-estar de todos, menos dos brasileiros.




quarta-feira, 10 de junho de 2009

SAÚDE DO TRABALHADOR É TEMA DE ENCONTRO SINDICAL




Saúde do Trabalhador é tema de encontro sindical em Curitiba


Rui Amaro Gil Marques
De Curitiba


A CNTA – Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação realizou nesta terça-feira, 09 de junho, em Curitiba encontro nacional com representantes de sindicatos e federações para discutir a saúde do trabalhador de frigoríficos e abatedouros.

Representando a CNTA o presidente da entidade, Artur Bueno de Camargo, abriu o encontro discorrendo sobre a situação atual do movimento sindical e alertou para questões fundamentais na defesa dos interesses dos trabalhadores como a união de todos, apesar das diferenças de ordem política. Segundo Artur não interessa se o sindicato A é filiado a central sindical B, o que importa é a defesa dos trabalhadores.

Participaram do encontro cerca de 50 entidades sindicais de vários pontos do país. Do estado do Paraná marcaram presença, além dos sindicatos de Paranaguá, Jaguapitã, Cianorte, Toledo, Dois Vizinhos, Apucarana, Arapongas, Ponta Grossa, Carambeí, e Cascavel, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Paraná –FTIA PR, representada pelo seu presidente Ernane Garcia Ferreira.

A fusão da Perdigão/Sadia também foi um dos pontos de pauta. Os presentes levantaram questões como a carga horária de trabalho excessiva praticada nos frigoríficos e as doenças profissionais decorrentes que estão lesionando cada vez mais trabalhadores.

Ao final ficou marcado novo encontro, desta vez em Brasília no próximo dia 24, onde serão apresentadas as propostas do movimento sindical dos trabalhadores da Alimentação aos parlamentares para que algo seja feito em defesa da saúde dos trabalhadores do setor.

BERLUSCONI EM "OS EMBALOS DO FASCISMO"

EL PAÍS vs. BERLUSCONI - Os embalos do caudilho
Por Alberto Dines em 9/6/2009 - Observatório de Imprensa

Os partidos de direita e conservadores saíram reforçados nas eleições para o Parlamento Europeu e papi Sílvio Berlusconi nem sequer foi chamuscado pela publicação no respeitado diário espanhol El País das fotos das farras (ver aqui
que promove em sua mansão na Sardenha.

O fotógrafo italiano Antonello Zappadu não é um paparazzo, é um correspondente de guerra, ultimamente engajado na cobertura da luta do governo colombiano com as FARCs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Não estava interessado em escândalos sexuais (tanto assim que cobriu os rostos dos convivas que não ocupam funções públicas), deixou à mostra apenas o pênis ereto que se supõe ser do ministro tcheco Mirek Topolanek, um reacionário amigo de Bush e Berlusconi. Seus inabaláveis méritos físicos correram o mundo no último fim de semana e a sua explicação desvenda o estado de espírito que hoje domina a Europa: "Trata-se de uma fotomontagem socialista".

Zappadu pretendia denunciar as falcatruas do capo italiano que utiliza recursos públicos e inclusive aviões do Estado para seus bacanais. Estas fotos jamais poderiam ser publicadas na Itália: o país está dominado pelos tentáculos de Berlusconi, a justiça local seria facilmente cooptada a condenar um jornal italiano.
Se o fotógrafo residisse na Itália seria liquidado misteriosamente por algum mafioso. Zappadu vive na Colômbia e declarou que tem mais medo de Il Cavaliere do que de qualquer chefão do narcotráfico.

Dois inimigos

A publicação das fotos por El País dois dias antes das eleições européias aparentemente não prejudicou a direita italiana. Berlusconi passou incólume pelo Noemigate, o escandaloso romance com a amiguinha de 18 anos (que o chama de papi) Noemi Letízia, e culminou com o seu divórcio.
Estamos assistindo a um novo Renascimento – o dos caudilhos. De esquerda como de direita. O chamado Ocidente (que inclui o Velho e o Novo Mundo) não está interessado em valores morais, as classes médias estão viradas para dentro, preocupadas exclusivamente com suas entranhas, seus vinhos, sua glutonia e sua sobrevivência. Suas idéias cabem no Twitter e por meio dele fabrica-se o teflon que torna os caudilhos tão queridos e impermeáveis aos escândalos.
A recessão serviu aos facínoras que tomaram de assalto o poder nos anos 20 e 30 do século passado.
Outra recessão, talvez ainda mais forte, poderá produzir caudilhos ainda mais perigosos – os inofensivos, engraçadinhos, futebolistas. Na véspera das eleições, Berlusconi tranqüilizou os italianos garantindo que o atacante Kaká não trocaria o Milan pelo Real Madrid. Mas o craque trocou.

O caudilho tem dois formidáveis inimigos na melhor imprensa européia: o conservador The Economist e o progressista El País. Os dotes do tcheco Topolanek são mais úteis

terça-feira, 9 de junho de 2009

AS ILUSÕES DEMOCRÁTICAS QUE CRIAM MONSTROS


"Devemos fazer uma reflexão a respeito do que estamos vivendo hoje porque o amanhã será fruto daquilo que pudermos enxergar agora".



Texto de Rui Amaro Gil Marques


As eleições burguesas tendem a transformar as esperanças populares em desilusões. Foi assim aqui no Brasil com a eleição e reeleição de Lula para presidente. Mesmo que os petistas mais fanáticos e também aqueles mais iludidos (ainda) contestem minha argumentação afirmando que os índices de aprovação popular ao governo Lula ainda são altos a realidade é outra.
Primeiro essas pesquisas de “opinião” são feitas de acordo com os interesses políticos e econômicos que as contratam. Segundo que esses índices de apoio popular são baseados não em ações concretas do governo Lula, mas no assistencialismo que foi aprofundado nesses seus dois mandatos.

Se perguntarmos a qualquer desses petistas mais fanáticos ou aos mais iludidos qual foi a reforma constitucional feita por esse governo para beneficiar o conjunto dos trabalhadores e da população em geral duvido que saibam responder. E não saberão responder porque,infelizmente, esse governo não transformou em lei nenhuma antiga reivindicação dos trabalhadores.

Vão falar do Bolsa isso, bolsa aquilo...Vão falar do Pró-Uni, das cotas para negros nas universidades e só. Acredito que é muito pouco para 8 anos de mandato. Agora se perguntarmos quanto os banqueiros lucraram com o governo Lula, quanto os latifundiários cresceram para cima dos trabalhadores sem terra para combater a luta pela reforma agrária que continua do mesmo jeito que estava no governo de FHC, quantos km de floresta amazônica vem sendo desmatados até ontem e como o patronato, com a anuência do Ministério do Trabalho, vêm desrespeitando a legislação trabalhista e os direitos dos trabalhadores garanto que todos esses petistas farão aquele discurso do “estamos fazendo o que dá para fazer” ou “O Lula jamais prometeu o socialismo”. Ou seja, para os trabalhadores as migalhas de sempre. Para os patrões o dinheiro do BNDS e a ajuda do governo.

Nos EUA a população ainda vive a sua lua de mel com o recém eleito Barak Obama. É incrível como a burguesia consegue resolver seus problemas de gestão do sistema capitalista apenas mudado a cara dos lacaios que sentarão na cadeira de comando dos seus países. E os trabalhadores, tanto daqui como de lá, seguem acreditando que seus problemas históricos serão resolvidos por esses líderes que nos vendem todos os dias para o patronato.

Barak Obana não só manteve a política bélica do seu antecessor como já prometeu enviar mais soldados para o Afeganistão. E como George Bush, Obama também ataca verbalmente o Irã, a Síria, os palestinos que lutam contra a invasão Israelense dos seus territórios, a Coréia do Norte, a Venezuela e o regime cubano. Apesar das mudanças aparentes nada mudou.

Essa é a democracia de mentira que eles nos obrigam a engolir todos os dias. Na Venezuela os fascistas dentro das forças armadas já estão ameaçando Hugo Chaves com outro golpe de estado. Não interessa que foi reeleito pela vontade popular. O que vale é a defesa dos interesses dos mais ricos, dos pilantras e dos banqueiros.

E por causa dessa democracia que mantém a maioria cega e alienada criam-se ilusões que não colaboram para a verdadeira organização dos trabalhadores e dos demais iludidos. E quando o véu que cobre essa ditadura patronal disfarçada cair e os trabalhadores começarem a se mobilizar para garantir os seus direitos e mudar os rumos das coisas as botas da repressão, com ajuda dos democratas e socialistas governamentais, tratarão de instaurar novamente a paz das sepulturas em nosso país. Assim são as lutas de classes e assim é geralmente o fim de qualquer tipo de ilusão que se possa ter na democracia capitalista e nas “lideranças populares e sindicais” que pedem aos trabalhadores para “apertarem os cintos” porque agora não é o momento de brigarmos por aumentos salariais. Temos que nos aliar aos patrões para salva-los da crise internacional (não é isso seu Lula?).


E as demissões, apesar dos grandes lucros de quase uma década, são realizadas pelos patrões sem que ninguém do governo Lula ou do PT, da CUT e das demais centrais sindicais ameace fazer algo para parar com isso. O que temos ouvido não passa de conversa fiada para manter os trabalhadores quietos nas filas do seguro desemprego e amedronatdos dentro das fábricas para continuar empregado (sendo explorado).
E para manter esse teatrinho eles nos dão as CPIs na Câmara (agora é a da Petrobras) e as intrigas sobre quem vai ser candidato do Lula em 2010 (a Dilma é a mais provável) e quem vai ser o candidato da "oposição". Nos jornais dessa turma já temos pesquisas para todos os gostos e desgostos. Enquanto isso os patrões dão longas gargalhadas sentados sobre seus milhões.
Caso algum petista queira defender o governo Lula o espaço está garantido. Aqui não temos medos da controvérisa e do debate. É só enviar o texto que ele será postado da forma que foi redigido.

GOVERNO LULA NÃO DEFENDE O MEIO AMBIENTE



Por que a ´coalizão da motosserra` leva vantagem
Postado por Luiz Weis em 8/6/2009 às 5:42:13 PM


O poeta Fernando Pessoa ironizava o suicida hesitante no poema que começa perguntando: “Se te queres matar / por que não te queres matar?”. Versos à frente, no mesmo tom, diz que “serás lembrado / aniversariamente / no dia em que nascente / e no dia em que morreste.”
A imprensa lembra de muitos assuntos aniversariamente. O que pode ser bom – afinal é para isso que existem os aniversários e se criam as datas de uma infinidade de coisas –, dependendo de como ela trata aqueles assuntos nos outros 364 dias do ano.


O mais recente marco do gênero foi o Dia Mundial do Meio Ambiente, na sexta-feira, 5, instituído pela ONU em 1972. Serviu para a Folha de S.Paulo produzir um excelente caderno especial sobre o tema, no Brasil. No seu melhor, focalizou o xis da questão ambiental no país, que o próprio jornal e os concorrentes abordam apenas fragmentariamente a maior parte do tempo, ao sabor dos fatos do dia-a-dia.


Trata-se da “tensão constante”, como se lê no título da principal matéria, que o assunto provoca no governo Lula, no qual os ambientalistas são uma ilha cercada de todos os lados por uma poderosa falange de interesses e doutrinas que convergem para um ponto: nas decisões dos poderes públicos, a economia deve ter prioridade sobre o ambiente.


A arena em que o economicismo leva ampla vantagem é, evidentemente, a Amazônia.
E essa vantagem muito pouco, ou nada, tem a ver com o estilo que a mídia costuma chamar “performático” do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Porque nos cinco anos e meio em que foi titular da Pasta, até 2008, a senadora Marina Silva – cujo comportamento é oposto ao do seu sucessor – praticamente só fez colecionar derrotas. Até que ela anunciou que perderia o cargo, “mas não o juízo”, e pediu as contas.


A hegemonia, no governo Lula, daquilo que pelo menos um jornal chamou “coalizão da motosserra”, não tem sido suficientemente explicada pela imprensa. De vez em quando, matérias e textos de análise chamam a atenção para a importância da bancada ruralista e os negócios miliardários que ela representa (quando não os seus próprios membros encarnam) na base parlamentar do Planalto.


Mas isso dá a falsa impressão de que, não dependesse ele do seu apoio, o presidente respaldaria pelo menos uma vez ou outra o Meio Ambiente, quem quer que fosse o seu ministro, contra o partido do agronegócio, cujo principal porta-voz, mas não o único, no Executivo. é o titular da Agricultura, Reinhold Stephanes.


No entanto, mais decisivas do que a armação política para a supremacia da turma da pesada – e menos trabalhadas do que merecem pela grande imprensa – são as convicções pessoais do presidente sobre as posições em confronto.


Essas convicções têm tudo a ver com a sua biografia. Lula começou a superar as imensas adversidades de sua origem social e a descobrir o mundo como torneiro-mecânico no ABC, matriz da vanguarda do desenvolvimento industrial brasileiro.


O país festejava o milagre econômico do regime militar, quando o ministro do Interior, Costa Cavalcanti, chefe da delegação brasileira à primeira conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente, em Estocolmo – onde, aliás, foi criado o respectivo Dia Mundial – fez história ao declarar “bem-vinda” a poluição.


Não se sabe ao certo o que o metalúrgico Luiz Inácio da Silva pudesse pensar a respeito, à época. Mas, se ele tivesse de escolher entre carteira assinada e ar puro, não pensaria duas vezes.
De mais a mais, assim como não levava a sério “os barbudinhos da USP” quando se pôs a transitar do sindicalismo para a política, no percurso que desembocaria na fundação do PT, tampouco tinha lá muito respeito pelos verdes.


Lula – o que só um texto de jornal lembrou outro dia – é um “desenvolvimentista à moda antiga”, do tempo em que só uns poucos no Brasil falavam em desenvolvimento sustentável e eram ignorados pela imensa maioria.


Entre a construção de uma hidrelétrica, ou a abertura de uma estrada, ou a expansão da fronteira agrícola nacional – especialmente para a produção de biocombustível – ou ainda o aumento do nível de emprego na Amazônia, de um lado, e a sujeição de qualquer dessas coisas a critérios de proteção ambiental, de outro, o presidente não hesita.


O que de mais revelador ele disse sobre as restrições ambientais – como bem lembrou o caderno especial da Folha – foi a comparação com o surgimento da nova capital. “Se o Juscelino Kubitschek fosse construir Brasília hoje”, afirmou Lula há questão de dois meses, “não teria nem licença ambiental para construir a pista para ele descer com seu aviãozinho.”
A imprensa não precisa atacar ou defender o presidente por isso. Basta que remeta o leitor à nascente das suas opiniões sobre o que ele considera progresso e os ambientalistas, retrocesso.

PERU: ALAN GARCIA ASSASSINO A SERVIÇO DO IMPERIALISMO


Alan Garcia e o processo genocida no Peru


Agência Latina de la Prensa. 09/07/2009





O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) encontra-se estarrecido com o assassinato de mais de 60 pessoas, dentre elas 30 indígenas do povo Awajun, que vive na Amazônia peruana. Parece impossível imaginar que, em pleno século 21, ocorra tal massacre genocida. No entanto, os fatos dos últimos dias no Peru revelam a face mais cruel de um processo colonialista continuado e atualizado com toda infâmia e violência contra os povos originários destas terras, os povos indígenas.
Infelizmente, o ataque contra os Awajun não é um fato isolado. Esse massacre é revelador da barbárie que a civilização das armas e da morte utiliza para continuar o saque dos recursos naturais, a invasão dos territórios indígenas e a negação dos direitos fundamentais desses povos. Trata-se de uma afronta às leis peruanas e aos acordos internacionais que garantem a esses povos suas terras e o usufruto dos recursos naturais.


Os indígenas foram assassinados durante mobilizações contra o Tratado do Livre Comércio (TLC) do Peru com os Estados Unidos, que possibilitará a invasão de terras indígenas e a exploração indiscriminada dos recursos ambientais. O governo do presidente Alan Garcia desrespeitou a Convenção n.169 da Organização Internacional do Trabalho, ao aprovar leis para o Tratado sem consultar os povos indígenas. Em protesto, os indígenas fizeram um ato numa estrada, onde foram violentamente reprimidos.


Esse fato é uma demonstração inequívoca do processo de criminalização e violência a que estão sendo submetidos a maior parte dos povos indígenas nas Américas, em Abya Yala. No Brasil, também há lideranças indígenas sendo assassinadas, presas e levadas aos tribunais, apenas por defenderem os direitos de seus povos.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

COMUNISTAS NA ALEMANHÃ SÃO O 5º MAIOR PARTIDO


Comunistas alemães "sobrevivem" e conquistam eleitor ocidental

Nenhum outro partido na Alemanha desperta tanta polêmica como A Esquerda. E nenhum outro troca tanto de nome. Afinal, quem é e de onde vem A Esquerda?



Em dezembro de 1989, a fronteira entre os dois estados alemães já estava aberta havia um mês. O Muro de Berlim caíra, e com ele todo um sistema político-partidário. No início do mês, a Volkskammer – nome pelo qual era conhecido o Parlamento da Alemanha Oriental – riscara da Constituição do país comunista a prerrogativa de liderança do Partido Socialista Unitário (SED).
Reunidos num congresso partidário especial, os filiados discutiam o futuro do SED. Havia duas opções: a dissolução ou uma renovação radical a partir das bases. A primeira opção foi descartada, e o partido foi renomeado e ganhou um novo programa. O SED passou a se chamar SED-PDS, sendo que a segunda parte da sigla significava Partido do Socialismo Democrático. Mas poucos acreditavam no futuro da agremiação. Das cerca de 4 mil pessoas que trabalhavam para o partido na época comunista, restavam apenas 200.
Partido regional
Quase 20 anos depois, o partido, hoje conhecido como A Esquerda, atua em toda a Alemanha e é a quarta maior agremiação partidária do país, atrás apenas de SPD, CDU e Partido Liberal Democrático.
No Leste alemão, disputa a preferência dos eleitores com a CDU e está à frente do SPD em alguns parlamentos estaduais. "Praticamente do nada criou-se um partido que alcança até 10% dos votos nas eleições parlamentares nacionais. Isso é extraordinário", afirma o cientista político Tim Spier, da Universidade de Göttingen.


Muitos analistas políticos consideravam o SED-PDS (que a partir de 4 de fevereiro de 1990 passou a se chamar apenas PDS) um fenônemo passageiro. De fato, em dezembro de 1990, nas primeiras eleições parlamentares da Alemanha reunificada, o PDS alcançou 11,1% dos votos no Leste e apenas 2,4% em todo o país. Com a equiparação da situação econômica e das condições de vida entre os dois lados, o "partido regional" perderia importância, afirmavam muitos observadores. Ascensão em alta velocidade Mas a ascensão do PDS foi contínua e inabalável. Nas eleições parlamentares de 1990 no estado da Turíngia, o partido alcançou 9,7% dos votos. Quatro anos depois, chegou a 16,6%. Em 1999, passou para 21,3% e, em 2004, já eram 26,2% dos votos. Demais para um partido tido como regional ou de protesto.
Em 1994, na Saxônia-Anhalt, formou-se o primeiro governo regional vermelho-verde numa aliança do SPD com o Partido Verde informalmente apoiada pelo PDS. A primeira coalizão vermelho-vermelha, entre SPD e PDS, foi criada em 1998 em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. E desde 2001 a capital Berlim é governada por uma aliança vermelho-vermelha. Para Spier, uma "evolução em alta velocidade".
Mas a participação no governo de Berlim não trouxe apenas flores, como também espinhos. Nas eleições legislativas de 2006, o partido perdeu até 20% dos votos nos seus bastiões no leste da cidade, administrada antigamente pelo regime comunista. Culpa, segundo os analistas políticos, da falta de um perfil definido.

A solução foi se aliar ao pequeno WASG (Alternativa Eleitoral por Trabalho e Justiça Social), uma união de políticos egressos do SPD e sindicalistas que havia criado um partido em 2005, em protesto contra as reformas políticas do então chanceler federal Gerhard Schröder, do SPD. Assim como o PDS, o WASG também defendia o socialismo democrático. Os dois partidos se uniram e passaram a se chamar A Esquerda.
Pequeno, mas consolidado Em maio de 2007, em Bremen, A Esquerda conseguiu pela primeira vez ingressar num parlamento estadual do lado ocidental do país. Hoje o partido está representado também nos legislativos de Hessen e da Baixa Saxônia.
Para Spier, o partido desenvolveu sensibilidade para falar aos sentimentos de uma parte da população alemã. Aparentemente, A Esquerda supre uma necessidade de justiça social melhor do que o SPD, o tradicional defensor das questões sociais. "Com isso, A Esquerda garantiu sua existência por um certo tempo", avalia Spier.
Sobre nenhum outro partido na Alemanha discute-se de forma tão acalorada e emocional. A Esquerda fez ressurgir velhas tendências anticomunistas dos partidos tradicionais. Mas também estes tiveram de reconhecer: no momento, e aparentemente ainda por muito tempo, o tradicional sistema alemão de quatro partidos políticos ganhou um quinto elemento.
O que ainda não está claro são os objetivos de A Esquerda. Nem o seu programa: membros do partido dizem defender a economia de mercado ao mesmo tempo que pregam o fim do capitalismo.

CARTA ABERTA AOS ESTUDANTES

Carta ao conjunto do movimento estudantil Brasileiro


Para o conjunto da classe trabalhadora, as últimas décadas significaram períodos de grandes transformações. Desde o período da ditadura ao ascenso do neoliberalismo na América Latina, a classe trabalhadora sofreu com constantes ataques aos seus direitos, numa ofensiva do capital em conseguir se estabelecer através da exploração. Todos estes processos fizeram com que a classe trabalhadora voltasse a compreender a necessidade de se organizar, fenômeno visível na eleição de um operário para a presidência do país. Infelizmente, o projeto reformista, conciliador e que não se propõe a acabar com a exploração da classe trabalhadora tem levado a classe trabalhadora em direção a intenção de lhe impor uma derrota em seu projeto histórico. O histórico de lutas de classes já mostrou para o conjunto da classe o que o reformismo tem a oferecer: Uma saída conciliatória, que não enfrenta de fato os problemas de classe, que leva os trabalhadores e trabalhadoras às mais brutais derrotas, transformando todo o seu potencial de luta e o dos movimentos sociais em instrumento de contenção das massas através de políticas assistencialistas e compensatórias, que nada fazem avançar a sua consciência, servindo apenas como meio de sustentação do imperialismo mundial.
Os processos de organização da classe trabalhadora após a eleição de Lula apontaram para uma dicotomia necessária: De um lado aqueles que acreditaram que a via reformista poderia fazer a classe trabalhadora avançar, que acreditaram que era possível através da conciliação com o capital dar mais a classe trabalhadora; De outro lado um novo movimento se construía – trabalhadores e estudantes, que enxergaram nas políticas adotadas pelo governo Lula os mesmos ataques neoliberais do governo FHC, com a diferença apenas de que Lula era o símbolo necessário para enganar o conjunto da classe, pois o seu passado de luta levou a classe trabalhadora a referenciá-lo como a alternativa da classe, que iria combater os problemas dos trabalhadores brasileiros. Infelizmente, as políticas de educação, de saúde e as reformas trabalhistas implementadas pelo governo Lula apenas mostram de que lado ele encontra-se e a quem serve o seu governo. Políticas neoliberais, que tiram da classe para dar aos banqueiros e para sustentar o imperialismo mundial, foi a alternativa escolhida pelo governo “dos trabalhadores”, uma alternativa que se consolida como a ponte necessária aos ataques do capital financeiro, não só no Brasil, mas em toda América Latina.

Ainda que alguns setores acreditem que um governo de conciliação, reformista, pode apontar respostas para a classe trabalhadora, os desdobramentos do imperialismo mundial só reafirmam os conceitos trazidos por Marx de que a exploração é inerente ao capitalismo e de que por ser um modelo econômico que nada mais tem a oferecer, a humanidade entrará em crises cíclicas, que, caso não haja uma resposta revolucionária, levará ao conjunto da classe trabalhadora a inúmeras derrotas. A crise econômica atual serviu para apontar ao conjunto da classe trabalhadora a necessidade de se construir uma alternativa de organização, reafirmando a necessidade de construção do socialismo.

A necessidade de se opor aos processos de opressão dos trabalhadores pelo capital, de construir resistência nas universidades às políticas neoliberais do governo Lula, fez com que milhares de jovens se forjassem nos processos de luta, construíssem um movimento estudantil combativo e, através das entidades dos estudantes, conseguissem mobilizar a juventude para diversas pautas. Comigo não foi diferente. A construção nos DA’s, DCE e executiva de curso, na construção de cada reunião, assembléia, encontro de estudantes me levou a enfrentamentos diversos com o capital. Construindo as lutas e me construindo enquanto militante combativo. Durante muito tempo dediquei minha militância, minha vida, aos processos de luta, à construção do movimento estudantil e às pautas específicas da saúde. Com o passar do tempo, enxerguei que precisava de mais, que as entidades já não davam conta de organizar todas as demandas que acreditava que deveriam ser tocadas, não conseguiam mais dar resposta aos meus anseios como militante. Algumas perguntas surgem então pra todo militante que se encontra nesta situação. O que fazer? Para onde ir? As respostas não são simples, mas as experiências deixadas pelos companheiros que viveram no passado apontam um caminho. Para nós (Trabalhadores, Estudantes), o capital nada tem mais a oferecer, e foi dessa leitura que a perspectiva revolucionária foi apontada como o caminho a ser seguido.
A experimentação com o governo de frente popular é cotidiana, nas universidades, nos espaços de discussão e mostra que não é o caminho da conciliação que dará respostas às demandas da classe trabalhadora. Essa experiência me fez avançar, avançar para a necessidade de construção de uma alternativa que realmente fosse capaz de dar respostas à classe trabalhadora. Isso significaria, então, construir um instrumento que colocasse na pauta do dia a vitória contra o capital e a emancipação da classe trabalhadora. Na minha visão, este instrumento não seria outro que não o Partido Revolucionário. Para mim, o Partido Revolucionário deve ser construído segundo o modelo proposto por Lênin, modelo hoje deixado de lado pela maioria da esquerda. Para esse abandono, em alguns casos, se considera que o “partido leninista” é a caricatura burocrática que os stalinistas defendiam. Defendo o modelo de partido leninista, adotado por Trotsky, que tem a capacidade de organizar o conjunto da classe trabalhadora para as lutas cotidianas. “O partido revolucionário condensa o mais seleto da classe avançada. Sem um partido capaz de orientar-se nas circunstâncias, de apreciar a marcha e o ritmo dos acontecimentos e de conquistar a tempo, a confiança das massas, a vitória da revolução proletária é impossível”(Trotsky).

Ao me deparar com essa constatação, mais perguntas surgiram. Se o modelo de organização é através do Partido Revolucionário, onde deveria então me organizar? As minhas vivências e análises apontaram o PSTU. Acredito que o PSTU reúne tudo aquilo que estou buscando enquanto organização. Em primeiro lugar, um partido classista, com programa que tivesse como centralidade a organização da classe operária para a tomada do poder e construção do socialismo como etapa à sociedade comunista. Em segundo lugar, um partido marxista, com base nos princípios do centralismo democrático, pautado no método leninista de organização, que tenha como horizonte a ditadura do proletariado, colocando o operariado na vanguarda da revolução. Em terceiro lugar, um partido de tipo bolchevique, de vanguarda, mas que busque o diálogo com as massas, pautado por um programa socialista e internacionalista, imprescindível na atual configuração do imperialismo.
Sei que o PSTU não está pronto, não expressa todas as experiências vividas pela classe trabalhadora mundial, mas acredito que os acordos estratégicos que tenho com o partido me levarão a uma construção muito saudável, pois sei que tenho muito a contribuir para que o Partido reúna o melhor da classe trabalhadora e o Partido tem muito a contribuir para a minha formação enquanto dirigente da Classe Operária mundial. O caráter classista e internacionalista representado através da ligação do partido com a Liga Internacional dos Trabalhadores – LIT, reivindicando a Quarta Internacional –QI, me faz apontar para esta organização como um lugar privilegiado de construção.

Em tempos de crise, onde a classe trabalhadora tem sofrido para pagar o prejuízo do capitalismo mundial, onde a juventude é um dos principais alvos da exploração do imperialismo mundial, a alternativa de organização no Partido Revolucionário para mim é cada vez mais acertada. A falta de direções que levassem o conjunto da classe trabalhadora à vitória já foi apresentada diversas vezes na história. Hoje, com a classe trabalhadora, em especial a juventude, pagando pela crise, se faz necessária a construção de alternativas de lutas combativas. Acredito que o Congresso Nacional de Estudantes é reflexo dessa reorganização, e que lá poderei juntamente com o conjunto dos companheiros que não cederam às pressões do capital construir nas lutas um novo movimento estudantil: Combativo, Classista e de Lutas. Um movimento que leve a Juventude a experimentar uma forma de organização democrática e anti-burocrática, que alie trabalhadores e estudante e onde cada estudante seja extremamente importante para contribuir com a construção do novo movimento estudantil.

Companheiros, sei que esta notícia trará, para aqueles que militaram comigo ao longo dos últimos anos, surpresa, desconfiança, alegria, mas é com o sentimento fraterno, de muita honestidade que expresso sem medo, para todos aqueles que ao meu lado militaram, a opção por essa alternativa de lutas para a esquerda. Acredito que num futuro próximo alguns companheiros estarão ao meu lado, construindo o Partido Revolucionário, pois acredito que a dinâmica da luta de classes aponta para os lutadores uma única alternativa: A radicalização nas lutas através da estratégia Revolucionária.

Saudações Revolucionárias,
Henrique Saldanha – Estudante de Fisioterapia da UNIME, Ex-Membro do Diretório Acadêmico de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Feira de Santana (2005-2006), Ex- Militante do Grupo OUSAR - UEFS(2005-2006), Dirigente do Diretório Acadêmico de Fisioterapia da UNIME – DAFISIO/UNIME (2006-2009), Dirigente da Executiva Nacional dos Estudantes de Fisioterapia – ENEFi (2006-2009)

AÇÃO DIRETA

AÇÃO DIRETA
O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

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