"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

AVANTE OS POUCOS QUE LUTAM. REVOLUÇÃO!

INDO CONTRA A CORRENTE: A REVOLUÇÃO NÃO É UMA UTOPIA. É UMA NECESSIDADE HISTÓRICA.

Rui Amaro Gil Marques

Coletivo de Ação Direta Comunistas no Brasil - ADC

Hoje aqueles e aquelas que escolheram o caminho da verdadeira contestação, da rebeldia anti-sistema, os que acreditam na transformação revolucionária da sociedade atual, percebo, são poucos. E esses poucos são rotulados pela maioria adesista, essa gente que jogou fora valores humanitários que movem as nossas lutas em troca das boquinhas nos cargos do estado, de minoria radicalóide, esquerdistas, inimigos da democracia e de dinossauros da esquerda, agentes úteis da direita.

Dos seus gabinetes nos parlamentos, prefeituras, governos estaduais e Federal, protegidos pelas redomas de vidro que criaram esses “senhores” da razão, donos da verdade, se aliam aos que antes combatiam para, juntos combater aqueles que hoje exigem transformações econômicas, políticas e sociais num mundo cada vez mais marcado pela violência das classes dominantes e pelo consumismo desenfreado.

Para essa maioria, que enterrou Marx e o comunismo junto com os tijolos do famigerado muro de Berlin, ser de esquerda hoje nada mais tem haver com a destruição do capitalismo e sua sociedade de classes. Pelo contrário, acreditam e propagam que as classes sociais devem conviver em paz, trabalhando juntas para o progresso social e econômico de todos. Afirmam categoricamente que os trabalhadores explorados devem aceitar a exploração porque ela faz parte do processo de desenvolvimento capitalista e que só assim a economia poderá crescer trazendo benefícios para todos os membros da sociedade, independentemente de sua condição social, seja ele trabalhador ou empresário, rico ou pobre, empregado ou desempregado.

Afirmam em seus discursos mofados, já repetidos em tempos passados pelos bajuladores das classes dominantes, que o importante é fortalecer o estado elaborando leis que obriguem as classes possuidoras a dar melhores condições de trabalho, salários razoáveis, respeitar os direitos humanos e a conceder direitos trabalhistas e sociais aos membros das classes inferiores. Seus tentáculos e sua política de conciliação e de rendição se estenderam aos sindicatos, associações e movimentos sociais que antes eram baluartes das lutas contra a exploração e a miséria causada pela voracidade do capital.

Hoje, assim como antes, esses poucos que ousam gritar em defesa da liberdade e de uma sociedade sem donos e sem explorados são perseguidos, taxados de terroristas. Suas idéias incomodam não só as classes dominantes, mas principalmente essa esquerda acomodada e covarde que hoje, no frescor dos seus gabinetes, parasita as estruturas do estado defendendo os interesses mesquinhos de banqueiros, latifundiários, agiotas e especuladores da Bolsa, empresários e das quadrilhas que nos roubam diariamente desviando verbas dos serviços públicos que, diga-se de passagem, sempre foram uma droga.

Trocaram a militância social pelos corredores arejados dos palácios onde vestidos como aqueles que nos exploram desfilam sua arrogância contra aqueles que teimam em se manterem fieis aos seus ideais de justiça baseados na superação da realidade cruel que cerca os pobres, excluídos, marginalizados, trabalhadores e grande parte da juventude, vitima preferencial da violência policial e das drogas. Para eles, assim como os traidores do passado, a luta agora é pelo voto do “povo”. Defendem a democracia não porque ela seja o melhor dos regimes políticos, até porque não é, mas sim porque como populistas e demagogos precisam dos votos dos “desafortunados pela sorte” para continuarem parasitando nas estruturas dos governos e dos parlamentos, sejam como “representantes do povo”ou como assessores de gabinete. Trocaram a revolução pela contra-revolução. Trocaram a libertação da humanidade pela manutenção de nossa prisão fazendo com que nela sejam colocadas mais janelas para que possamos enxergar e receber a luz do sol nos fazendo crer que devemos aceitar o “mal menor” porque, por enquanto, isso é o possível a ser feito.

E de eleição em eleição aumentam a sua arrogância, o seu patrimônio e a sua distância dos verdadeiros interesses populares e das lutas dos trabalhadores. Greves? Para quê se tudo pode ser resolvido numa “negociação” entre o capital e o trabalho. Manifestações populares só aquelas em que os seus interesses eleitoreiros podem ser beneficiados pelo descontentamento da população. Enquanto isso os problemas reais são empurrados com a barriga para as próximas gerações na forma de heranças malditas que aos poucos se transformam em verdadeiros cânceres sociais.

Assim temos situações iguais ou similares as do massacre dos Sem Terra em Eldorado dos Carajás nos anos 90, o massacre do Carandiru também nos anos 90, a chacina dos meninos de rua na Candelária (RJ), o assassinato de lideranças camponesas, populares e sindicais que acontecem em todo o país, o trabalho escravo, crime hediondo contra a humanidade e que persiste no Brasil e, agora mais recentemente, a barbárie cometida pelo estado contra os moradores da ocupação do bairro Pinheirinho em São Paulo.

O caos social cresce lentamente empurrado para debaixo do tapete dos interesses das classes dominantes e daqueles que um dia juraram combater tal situação, mas que agora, cooptados pela fraseologia do respeito às “instituições democráticas e ao estado de direito” fecham os olhos e viram as costas ao sofrimento de milhares de seres humanos espalhados por este imenso país. Para tentar apaziguar a voz de suas consciências (se é que ainda têm) se apegam as estatísticas oficiais que demonstram a melhoria na qualidade de vida de uma parcela da sociedade.

Por isto e por outras razões a minoria “xiita” rema firme contra as correntezas do comodismo e persiste no seu caminho contra a corrente daqueles que escolheram a rendição como forma de acertar suas próprias vidas aceitando sempre o “mal menor”. Tolos que se esquecem que o mal menor também pode crescer na terra fértil da conciliação de classes tornando-se assim o mal puro e simplesmente. Todo câncer nasce pequeno até tomar conta do organismo matando-o lentamente.

A revolução nos dias de hoje não só uma utopia enraizada nos corações de uma minoria radical. Ela é, antes de mais nada, uma necessidade história global porque sem ela a humanidade sucumbirá diante da ganância de uns poucos que se acham donos de tudo, do mundo e dos outros seres humanos. Eu me coloco no campo dessa minoria de “loucos” que não se curvam e não se rendem. A morte é uma certeza. Quando ela chegar quero que me encontre lutando, firme e em pé, contra as injustiças deste mundo. É preferível terminar meus dias assim a curvado de joelhos conformado bajulando os parasitas que nos oprimem.

sábado, 28 de janeiro de 2012

ELEIÇÃO SINDICAL NO PARANÁ

DISPUTA ENTRE CUT E FORÇA SINDICAL

APESAR DE TODOS OS METODOS UTILIZADOS PELA FORÇA SINDICAL CHAPA DA CUT VENCE ELEIÇÃO SINDICAL EM CARAMBEÍ (PR).

CHAPA DA FORÇA SINDICAL FOI APOIADA PELA BRF (PERDIGÃO) ATÉ O ÚLTIMO MPOMENTO DO PROCESSO ELEITORAL.

FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO DO PARANÁ (FTIA PR - CUT) DEMONSTROU CAPACIDADE DE MOBILIZAÇÃO E DERROTOU NOVAMENTE FEDERAÇÃO ADVERSÁRIA LIGADA A FORÇA SINDICAL.

Rui Amaro Gil Marques
Direto de Carambeí, Campos Gerais - Paraná.


Num processo eleitoral tumultuado pela Força Sindical que contou com o apoio explicito da empresa BRF (antiga Perdigão) a chapa Alimentando a Luta – CUT foi reeleita para mais 05 anos de administração a frente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Congelados, Laticínios e Derivados, Rações Balanceadas e Derivados e de Alimentação de Castro/Carambeí (SINTAC).

A eleição aconteceu nos dias 24 e 25 últimos e desde o inicio a oposição, composta por chefes, encarregados e ex-diretores do sindicato, apoiada pela empresa e pela Força Sindical e Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana, tentou melar o processo eleitoral.

Inscrição das Chapas

A chapa da Força Sindical não conseguiu a sua inscrição por várias irregularidades, entre elas a presença de pessoas sem o tempo de filiação sindical e de trabalho na categoria exigidos pelo Estatuto do sindicato. Também tiveram a sua inscrição indeferida ex-diretores do sindicato que haviam tido o seu mandato cassado por condutas anti-sindicais e que não podem mais participar do SINTAC.

Convocados pela Comissão Eleitoral para resolver essas questões os representantes da chapa da FS se recusaram a atender as solicitações encaminhadas preferindo buscar na Justiça do Trabalho uma decisão que lhes fosse favorável sem levar em conta as regras impostas pelo Estatuto da entidade que pretendiam disputar.

Decisões da Justiça

Na Justiça do Trabalho a FS conseguiu com que fosse aberto novo prazo para a inscrição de sua chapa. Mas mesmo assim ela não fez as adequações exigidas pelo Estatuto do SINTAC e ainda perdeu o prazo para se inscrever uma vez que não conseguiu o número mínimo de membros para participar da disputa eleitoral.

A Comissão Eleitoral através do depto. Jurídico do sindicato conseguiu demonstrar na Justiça do Trabalho que os argumentos apresentados pela Força Sindical eram falsos e que, de acordo com as regras estatutárias, não poderiam inscrever a sua chapa devido as irregularidades constatadas. Desta forma a própria Justiça do Trabalho manteve a decisão da Comissão Eleitoral e ordenou o prosseguimento do processo eleitoral.


Pressão, truculência e ameaças

Tendo perdido na Justiça do Trabalho a FS passou a pressionar os trabalhadores e trabalhadoras da BRF (antiga Perdigão) para não irem votar para que o quorum necessário não fosse alcançado. O que reabriria o processo eleitoral dando-lhes nova oportunidade para se inscrever.

Em cima de um caminhão de som estacionado em frente à empresa diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e da Força Sindical ameaçaram os membros da Chapa cutista e os trabalhadores que demonstrassem simpatia pela atual direção do sindicato.

O clima era tenso e somente com a presença de um forte destacamento policial foi que a coleta dos votos pode prosseguir com segurança e normalidade.


Vitória dos Trabalhadores!

Ao final da apuração dos votos a chapa apoiada pela CUT e pela FTIA PR obteve 486 votos de um total de cerca de 800 eleitores aptos a votar. A Força Sindical prometeu recorrer à Justiça mais uma vez para tentar anular o processo eleitoral.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

COCA-COLA DEMITE DIRIGENTES SINDICAIS NO PARANÁ

A Coca-Cola, dona da marca Mate Leão, indústria de bebidas gelas e chas no Paraná, demitiu todos os dirigentes sindicais que trabalhavam nessa fábrica. A razão das demissões é uma represália da empresa devido a uma greve de cerca de 12 dias onde ela teve que atender a maioria das reivindicações apresentadas pelos trabalhadores e encabeçadas pelo sindicato da categoria. As demissões ocorreram antes do Natal e até o momento a Coca-Cola tem se recusado a rever o seu posicionamento mesmo que esteja atentando contra a legislação trabalhista que garante estabilidade no emprego para dirigentes sindicais. Essa é a Coca-Cola que não aparece nas propagandas hipócritas e demagogas da empresa.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

SEARA: UMA EMPRESA QUE DESRESPEITA AS MÃES TRABALHADORAS.

LIMINAR OBRIGA SEARA A INSTALAR BERÇÁRIO PARA FILHOS DE LACTANTES

Campinas (SP) - A Seara Alimentos S/A foi obrigada liminarmente pela Justiça do Trabalho de Orlândia (SP) a providenciar berçário dentro da fábrica da empresa em Nuporanga (SP) para os filhos das funcionárias que estão no período de amamentação. A decisão dá a opção de firmar convênio com creche municipal ao invés de instalar o berçário, mas a empresa deve fornecer condução para as mães até o local e aumentar o período de intervalo de 30 para 50 minutos. Na decisão ainda há uma terceira opção: a Seara pode ampliar a licença-maternidade para seis meses, prazo mínimo recomendado pelo Ministério da Saúde para amamentação.

A obrigação deve ser cumprida imediatamente, sob pena de multa no valor de R$ 10 mil por dia. Se optar pela construção do berçário, a Seara deve obedecer algumas regras: o local deve ser mantido sob vigilância e assistência às crianças, inclusive no período noturno, e deve conter área mínima de 3 metros quadrados por criança, espaço de pelo menos 50 centímetros entre os berços e a entre eles e as paredes, saleta de amamentação com cadeiras ou bancos de encosto, cozinha, piso e paredes de material impermeável e lavável e instalações sanitárias.

Segundo consta do artigo 389 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), as empresas que possuem mais de 30 empregadas, com mais de 16 anos de idade, têm a obrigação de prover local apropriado para manter os filhos próximos das mães, seja dentro da empresa ou em creche conveniada ou contratada (seja pública ou privada). O artigo 396 garante, ainda, a concessão de dois intervalos de 30 minutos durante a jornada (além do intervalo para descanso e alimentação, chamado de intrajornada) para que haja a amamentação.

Segundo investigado pelo MPT em Ribeirão Preto, a Seara não vinha garantindo este direito às suas funcionárias. Uma delas, inclusive, ingressou com ação trabalhista pedindo a suspensão do seu contrato por seis meses, sem prejuízo ao salário, para que ela pudesse amamentar o filho, já que a creche conveniada com a empresa mantinha uma boa distância da fábrica, impossibilitando-a de deslocar-se em tempo à instituição. Seu pedido foi aceito pela justiça.
No inquérito, o MPT apurou que a distância entre a fábrica e a creche de Nuporanga chega a três quilômetros. A conclusão foi de que em trinta minutos seria impossível fazer o trajeto de ida e volta a pé e ainda amamentar a criança.

“A requerida, ao longo da instrução do inquérito civil, juntou fotos do local, segundo a mesma, reservado para amamentação. O espaço não se destina à guarda de bebês, na forma preconizada pela CLT, tampouco há pessoas encarregadas da vigilância daqueles. Há, tão-somente, uma poltrona, duas cadeira de plástico, absolutamente desconfortáveis para amamentação, uma mesa e cartazes esclarecendo a importância do aleitamento materno”, esclarece a procuradora Regina Duarte da Silva, autora da ação.

Outra reclamação trabalhista individual foi remetida pela justiça do trabalho ao MPT, em cujos autos foi proferida liminar suspendendo o contrato de trabalho por seis meses, em conformidade com a decisão dada em outro processo.

Em audiência foi proposta a assinatura de Termo de Ajuste de Conduta (TAC), mas a Seara se recusou a celebrar o acordo. Sem alternativas, o MPT ingressou com ação civil pública.
“As normas em comento têm por finalidade a proteção da saúde, e em última instância, da vida do recém-nascido, considerando o imenso benefício que o aleitamento materno concede àquele. Ressalta-se que a Organização Mundial de Saúde e a Unicef são uníssonas em apregoar que o aleitamento materno é indispensável até os seis meses de vida, postura seguida pelo Ministério da Saúde, no âmbito interno. A conduta da ré causou danos de alcance transindividual.

A negativa em fornecer às mães local apropriado para a guarda, sob vigilância, de seus filhos, no período destinado de amamentação, gerou sofrimento moral e abalo psicológico. A conduta, além de danos patrimoniais de natureza individual, produziu dano moral na coletividade de empregados da empresa e na sociedade, que reclama reparação em dimensão difusa e coletiva”, finaliza a procuradora.
No mérito da ação, além da efetivação dos pedidos liminares, o MPT pede a condenação da Seara ao pagamento de R$ 100 mil pelos danos causados à coletividade, reversível ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MILITANTES ROMPEM COM BUROCRATAS DO MST, CUT, CP E MTD.

Carta de rompimento de militantes com o MST, MTD, Consulta Popular e Via Campesina:

Carta de saída das nossas organizações (MST, MTD, Consulta Popular e Via Campesina)e do projeto estratégico defendido por elas.

Primavera de 2011

Dentro dos limites de um documento como este, pretendemos esclarecer quais os motivos que nos
levaram a tomar a decisão da saída, fazer uma análise do contexto histórico em que ocorre esta decisão e,
com base nestes dois aspectos, fazer um diálogo franco com a militância.

São tempos de aparente melhoria das condições de vida da classe trabalhadora no Brasil, pelo menos até a próxima crise. Mas será que está tudo tão bem assim? O resultado do desenvolvimento e crescimento econômico dos últimos anos são migalhas para os trabalhadores e lucros gigantescos para o capital: aumenta a concentração da terra, os trabalhadores se endividam, intensifica-se a precarização do trabalho e a flexibilização de direitos, garantidos pela violência do aparelho repressivo do Estado.

Isto tem sido sustentado por um pacto de colaboração de classes, feito pelas organizações que representam os trabalhadores com o objetivo de contê-los.

O processo histórico que nos produziu Dois acontecimentos são fundamentais para analisarmos a situação das atuais organizações de esquerda no Brasil: o impacto da queda do muro de Berlim, tão determinante quanto foi a referência da Revolução Russa no século passado, e a reestruturação produtiva do capital.

Nas décadas de 1950 e 60, a principal concepção da esquerda afirmava que para superar o
capitalismo no país era fundamental completar o seu desenvolvimento. A ditadura militar interrompe
estas lutas, que são retomadas nas décadas de 1970 e 80, diante de uma grande crise para a qual o regime
militar não encontrou saída. Ressurgem greves, oposições sindicais e ocupações de terra num novo
caráter, mas trazendo em boa medida heranças da estratégia do ciclo anterior.

A CUT e o PT surgem nesse período, questionando o capitalismo e colocando o socialismo no
horizonte. Dentro da mesma estratégia, surge logo depois o MST, lutando contra a concentração de terras,
pela Reforma Agrária e o Socialismo. Neste período, qualquer luta de caráter popular ou democrático se
transformava numa luta contra a ordem, devido ao limite imposto pela ditadura militar.

Baseada na análise de que o capitalismo no Brasil era dependente dos países centrais, tendo como inimigo principal o capital internacional, e uma burguesia comprometida com as oligarquias rurais, que não realizou as tarefas típicas de uma revolução burguesa clássica (“tarefas em atraso”), esse bloco histórico construiu uma estratégia: o Projeto Democrático e Popular. Os trabalhadores organizados e em luta deveriam realizar essas reformas, utilizando a via eleitoral como acúmulo de forças para chegar ao
Socialismo.

O PT se construiu como pólo aglutinador desse projeto, junto com outras organizações. As organizações de massa na cidade e no campo - CUT e MST - deveriam cumprir o papel de organizar e desenvolver estas lutas.

Ao crescerem e se desenvolverem, organizações que tinham na sua origem uma postura combativa e táticas radicais (como PT, CUT e MST) vão obtendo vitórias importantes, sobretudo conquistando espaços institucionais, mas também sindicatos, terras, escolas, cooperativas de produção, cooperativas de
crédito, convênios com governos, políticas públicas e compensatórias. À medida que cresceram essas
organizações, a luta institucional e os espaços institucionais tornaram-se centrais.

Neste cenário surge a Consulta Popular, criticando o PT por ter colocado a centralidade na luta
institucional e eleitoral e cada vez menos nas lutas de massas. A CP se apresenta como alternativa na luta
por uma Revolução Socialista. Surge também o MTD, a partir da Consulta Popular, inspirado no exemplo do MST, com a tarefa de ser uma ferramenta de luta e organização urbana.

As contradições desse processo Agora nossas organizações, cada uma a seu tempo e não sem contradições, estão dependentes do capital e seu Estado. As lutas de enfrentamento passaram a ameaçar as alianças políticas do pacto de classes, necessárias para manter os grandes aparelhos que conquistamos e construímos. O que em algum momento nos permitiu resistir e crescer, se desenvolveu de tal maneira que se descolou da necessidade das famílias e da luta, adquirindo vida própria. O que viabilizou a luta hoje se vê ameaçado por ela: o que antes impulsionava a luta passa a contê-la.

O MST, até as eleições de 2002, caminhou desenvolvendo suas lutas e enfrentando grandes contradições relacionadas à hegemonia do agronegócio no campo. Nas últimas décadas, houve uma reformulação do papel do Brasil na divisão internacional do trabalho a partir da reestruturação produtiva do capital. O agronegócio promoveu no campo brasileiro mudanças estruturais, integrando latifúndio e indústria sob nova perspectiva de produtividade e o trabalho sob nova ótica de exploração. Este modelo inviabiliza a Reforma Agrária como possibilidade de organização produtiva dos trabalhadores para o campo brasileiro nos marcos do capital.

Com a expansão e o fortalecimento do agronegócio, evidenciaram-se os vínculos dos governos do PT com os setores estratégicos da classe dominante. Alguns elementos confirmam esta análise: a desigualdade de investimentos entre agronegócio e reforma agrária, a aprovação das sementes transgênicas, a expansão da fronteira agrícola e com isso a legalização da grilagem nas terras de até 1500 hectares, a permanência dos atuais índices de produtividade e as recentes alterações no novo código florestal. Nesse sentido, enfrentar as forças do agronegócio seria uma crítica direta ao governo petista, colocando por terra a tese do “governo em disputa”.

Essas transformações ocorridas no campo influenciaram nas formas de organização da vida material de nossa base, cada vez mais proletarizada, exigindo novas formas de organização e luta, que poderiam nos levar a outro patamar. Como opção de enfrentamento a esta realidade, o MST, contraditoriamente, segue idealizando o “camponês autônomo” e os “territórios livres”. Ao mesmo tempo, pactua com segmentos do proletariado rural, como CUT, Contag e Fetraf, com o objetivo de acumular forças contra o agronegócio.
A questão que se coloca é: estas opções nos levarão a outro patamar de luta e organização para enfrentar o agronegócio, dado o grau de comprometimento destas organizações com a estratégia do Governo e do capital?
O MTD, no último período, se reduziu a reivindicar políticas compensatórias, como as Frentes de Trabalho ou Pontos Populares de Trabalho, fechando os olhos para a nova realidade do aumento de empregos e suas contradições. Mesmo quando colocado o desafio da organização sindical, ela não foi implementada, para não ameaçar as atuais alianças políticas e a sobrevivência imediata, reduzindo a pauta à reivindicação de programas de governo para qualificação profissional.

Ao abandonar as lutas de enfrentamento, embora sigamos fazendo mobilizações, nossas lutas passaram a servir para movimentar a massa dentro dos limites da ordem e para ampliar projetos assistencialistas dos governos, legitimando-os e fortalecendo-os. Agora o que as organizações necessitam é de administradores, técnicos e burocratas; e não de militantes que exponham as contradições e impulsionem a luta.

Não é de hoje que existem críticas ao rumo que tomaram estas organizações, não só externas, mas sobretudo críticas elaboradas internamente. E este processo não ocorreu sem resistências por parte da base, militantes e alguns dirigentes. As ações de enfrentamento ao capital que marcaram o último período expressam esse conflito, por exemplo: as ações contra a Vale no Pará, a ação de destruição da Cooperativa de Crédito (Crenhor) no RS e as ações das mulheres no 8 de março em diferentes estados.

Este último processo impulsionou um debate profundo sobre a relação entre o patriarcado e capitalismo, rompendo o limite da questão de gênero e da participação das mulheres nas organizações, e
propondo o feminismo e o socialismo juntos como estratégia de emancipação da classe. Todas essas
ações sofreram severas críticas internas e passaram a ser boicotadas política e financeiramente.

Estamos há anos fazendo lutas dessa natureza e elaborando essa crítica nas mais diferentes instâncias dos movimentos, e como essas ações não tiveram força nem de provocar o debate da estratégia, quanto menos modificá-la, acabaram por legitimar o rumo das organizações.

Mudança de rumo ou continuidade do projeto estratégico?

A questão fundamental para nós não é só criticar a burocratização, institucionalização, o abandono
das lutas de enfrentamento, a política de alianças, que aparecem como um problema nas organizações, mas sim identificar o processo que levou estas organizações políticas a assumirem essa postura. A crítica restrita ao resultado leva a refundar o mesmo processo, cometendo os mesmos erros.

O problema em questão não é que houve uma traição da direção ou um abandono/rebaixamento do projeto político; um erro na escolha das táticas ou dos aliados. A questão fundamental é a contradição entre o objetivo e os caminhos escolhidos para atingir tais objetivos: propúnhamos o Socialismo como objetivo, mas o projeto estratégico que traçamos ou ajudamos a trilhar não nos leva a esse objetivo.

Tal estratégia política não é nova na luta de classes: sua origem está na social-democracia européia de há mais de um século, adaptada às condições históricas do Brasil numa versão rebaixada, que foi reproduzida nas últimas décadas pelo PT e CUT e recentemente por MST/Via Campesina, MTD e CP.

Atualmente, se apresenta na forma do Projeto Democrático Popular e Projeto Popular para o Brasil.
A Consulta Popular foi sendo construída negando a experiência do PT: não só porque o PT se transformara em partido eleitoral, mas também pelas conseqüências que essa transformação causou em sua forma organizativa. No entanto, a Consulta Popular não nega o Programa Democrático Popular, sua crítica se limita ao “rebaixamento” do Programa.

Para nós, este é um governo Democrático e Popular. Não da forma idealizada como querem alguns, mas com as concessões necessárias para uma ampla aliança. O PDP deu nisto. Nesse sentido, nossas organizações foram vitoriosas quanto ao que se propuseram. E nós contribuímos com este processo, no entanto hoje percebemos que esta estratégia não leva ao Socialismo, ao contrário, transforma as organizações da classe em colaboradoras da expansão e acumulação do capital. O que se apresenta como uma vitória para nossas organizações, na perspectiva da luta de classe, é uma derrota.

Considerações finais

Diante desta crítica, concluímos que não seria coerente que em nome da luta continuássemos em nossas organizações, implementando um projeto de conciliação de classes.

Somos resultado deste processo histórico, nele constituímos nossa experiência de luta política e
formação teórica, mesmo que em geral ativista e pragmática. A crítica no interior do pensamento
socialista sempre cumpriu um papel revolucionário e por isto julgamos ser uma tarefa a produção de um
pensamento crítico sobre este período de vida das nossas organizações e para isto a apropriação da teoria crítica marxista é urgente. Não podemos querer compreender profundamente nossas contradições
dividindo as posições entre “reformistas e revolucionários”, entre “camponeses e urbanos” ou entre “socialistas já e socialistas nunca”, pois assim ajudamos a despolitizar o processo de reflexão.

É preciso considerar que vem se conformando uma ampla aliança política, consolidando um consenso que envolve as principais centrais sindicais e partidos políticos, MST, MTD, Via Campesina,Consulta Popular, em torno de um projeto de desenvolvimento para o Brasil, subordinado às linhas políticas do Governo, conformando assim uma esquerda pró-capital. O grau de comprometimento a que chegamos com o capital e o Estado nos levam a concluir que esse processo não tem volta.

Esse alinhamento político não ocorre sem conseqüências: operam-se mudanças decisivas nas
formas organizativas e no plano de lutas das organizações, na formação da consciência de seus militantes e na postura que a organização tomará no momento de ascenso. Neste momento, as “forças acumuladas” não atuarão na perspectiva de ruptura.

Compreender esta conformação da esquerda não significa afirmar a tese sobre o fim da história, e dizer que não há o que fazer. Ao contrário, é preciso atuar na fragmentação da classe para retomar seu movimento na perspectiva de ruptura. Nos propomos a permanecer com a classe, buscando construir a luta contra o capital, seu Estado, o patriarcado, por uma sociedade sem classes.

Compreendemos que não estão geradas as organizações do próximo período, assim como sabemos que não haverá nunca se não houver militantes com iniciativa e dispostos à construí-las.

Os combates que travamos, o trabalho de base, os processos organizativos nos ensinaram muito e
nos tornaram o que somos hoje, nos ensinaram a lutar. Seguiremos a partir dessa experiência, aprofundando a crítica e procurando ir além do que nos produziu.

"Aquele que conta ao povo falsas lendas evolucionárias, que o diverte com histórias sedutoras, é tão criminoso quanto o geógrafo que traça falsos mapas para os futuros navegadores" (Hippolyte Lissagaray – Comuna de Paris)

“As Revoluções são impossíveis... até que se tornem inevitáveis.”

1. Ana Hanauer (MST e CP RS)
2. Bianca (MST RS)
3. Carmen Farias (MST SP)
4. Claudia Ávila (MST RS)
5. Claudia Camatti (MTD RS)
6. Claudio Weschenfelder (MPA SC)
7. Cleber (MTD RS)
8. Darlin (MTD RS)
9. Débora (MTD RS)
10. Eder (MST RS)
11. Ezequiel (MTD RS)
12. Fábio Henrique (MST SP)
13. Fernanda (MTD BSB)
14. Gilson (MST RS)
15. Greice (MTD RS)
16. Irma (MST RS)
17. João Campos (MST SP)
18. João Nélio (MST SP)
19. Jesus (MST RJ)
20. Juarez (MST RS)
21. Jussara (MST SP)
22. Letícia (MTD RS)
23. Lucianinha (MST RS)
24. Luís (MPA SC)
25. Marcia Merisse (MST SP)
26. Marcionei (MTD RS)
27. Maria Irany (MST AL)
28. Maurício do Amaral (MST SP)
29. Michel (MTD DF)
30. Micheline (MST RS)
31. Mila (MST e CP SC)
32. Neiva (MST RS)
33. Nina (MST e CP RS)
34. Oscar (MST RS)
35. Paulinho (MST SP)
36. Pedroso (MST RS)
37. Pincel (MST RS)
38. Portela (MTD RS)
39. Raquel (MST RS)
40. Ricardo Camatti (MTD RS)
41. Salete (MTD RS)
42. Socorro Lima (MST CE)
43. Soraia Soriano (MST SP)
44. Tatiana Oliveira (MST SP)
45. Telma (MST SP)
46. Telmo Moreira (MST RS)
47. Thiago (MTD BSB)
48. Valdir Nascimento (MST SP)
49. Vanderlei Moreira (MST CE)
50. Verinha (MST RS)
51. Zé da Mata (MST SP)

É importante ressaltar que alguns dos que assinam este documento já se afastaram ou foram expulsos
das organizações que faziam parte em 2009 e 2010 sem poderem expor seus motivos, o fazem agora
nesta carta.

domingo, 13 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

PARANÁ: UPES REALIZA SEU 50º CONGRESSO ESTADUAL EM ARAPONGAS.



Movimentos

UPES REALIZA SEU 50º CONGRESSO ESTADUAL EM ARAPONGAS

PARTICIPARAM CERCA DE 400 ESTUDANTES DE VÁRIAS REGIÕES DO ESTADO

Rui Amaro Gil Marques

Coletivo de Ação Direta Comunistas No Brasil – ADC

A União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES) realizou o seu 50º Congresso Estadual no último final de semana (05 e 06 de novembro) no município de Arapongas, região norte do estado. Compareceram ao evento de acordo com a organização 400 estudantes de várias regiões do Paraná. Fundada em 17 de junho de 1945 a entidade foi reativada na década de 80 quando começou a ganhar força o movimento pela redemocratização do país.

A diretoria da entidade atualmente é composta por estudantes ligados a União da Juventude Socialista (UJS) vinculada ao PCdoB e Juventude do PT do Partido dos Trabalhadores. Além dessas organizações disputam espaço no movimento estudantil paranaense encabeçado pela UPES grupos minoritários como a União da Juventude Comunista (UJC) do PCB.

Nesse seu 50º Congresso a entidade debateu o fortalecimento das lutas em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, mais verbas para a educação como a proposta de repasse de 50% dos fundos do pré-sal para serem aplicados em escolas públicas, faculdades, universidades e pesquisa.

José Le Senechal Neto (foto acima), diretor financeiro da entidade, lembra que o movimento estudantil sempre esteve ligado a lutas históricas dos paranaenses a exemplo das campanhas contra a tentativa da privatização da Copel pelo então governador Jaime Lerner e mais recentemente contra a corrupção na Câmara Municipal de Curitiba no Fora Derosso, movimento que exige a saída do presidente da Câmara do cargo por irregularidades na administração da Casa.

Nesse congresso também serão escolhidos os estudantes do Paraná que irão representar o estado no 39º Congresso Nacional da União Brasileira dos Estudantes a ser realizado em São Paulo. José Neto também informa que a entidade conta com uma página na internet (WWW.portaldaupes.blogspot.com) onde os estudantes podem conferir todas as informações sobre o movimento estudantil no estado e também as lutas desenvolvidas pela UPES.

domingo, 30 de outubro de 2011

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA: A TERRA DA LIBERDADE QUE REPRIME E PRENDE MANIFESTAÇÕES.

Continua repressão contra grupo Ocupar Wall Street nos EUA.

Washington, 30 out (Prensa Latina) - Uma vintena de partidários do movimento de protesto Ocupar Wall Street (OWS) permaneciam encarcerados em Denver, ao mesmo tempo em que policiais estadunidenses dispararam novamente gases lacrimogêneos e pimenta contra as multidões.

Em Denver, Colorado, no centro do país, reuniram-se ontem cerca de dois mil ativistas e voluntários afins ao grupo que há mais de um mês se manifesta publicamente contra a ganância dos bancos e das corporações financeiras.

Apesar da chegada do inverno em várias cidades norte-americanas, a organização popular também não parece ter perdido força de convocação em Oakland, Califórnia, Atlanta, Nashville, San Diego e Nova York.

Trata-se da segunda ocasião em dois meses em que as forças antimotins usam técnicas sofisticadas para desestimular os manifestantes, que -segundo se proclama- defendem 99 por cento da população estadunidense, explorada pelas grandes empresas de capitais.

No caso de Denver testemunhas asseguram que uniformados recorreram a balas de pimenta, gás lacrimogêneo, bengalas elétricas, escudos plásticas e alguns oficiais chegaram a disparar balas de borracha contra as massas.

Assim mesmo que centenas de pessoas, gritando palavras-de-ordem anticapitalistas se somaram neste sábado a outra manifestação de rua contra a rede financeira e Wall Street pelas ruas de Washington, reportou o diário Boston Globe.

Promotores de Nova York abriram uma investigação penal contra os policiais dessa cidade que usaram gás pimenta contra ativistas civis do grupo OWS, confirmaram dantes fontes judiciais.

O magistrado distrital Cyrus Vance lidera a indagação contra os oficiais da ordem envolvidos nos fatos que foram gravados em videos.

Nosso escritório tomou em consideração todas as denúncias formuladas em referência às más condutas policiais. Esperamos que as detenções se tenham praticado sob os procedimentos corretos, manifestou Vance.

Também o chefe do Departamento de Polícia de Nova York, Raymond Kelly, admitiu que existem suspeitas críveis e o Birô de Assuntos Internos indagará sobre abusos de autoridade contra de mulheres vinculadas aos chamados Indignados de Wall Street.

De acordo com OWS, a maioria dos detentos têm sido acusados por obstrução de tráfico veicular, e alguns inclusive ficaram presos simplesmente por tirar fotos ou criticar os policiais.

No último 17 de setembro o movimento saiu às ruas para denunciar a crise econômica e política global. Protestam ademais contra o uso de dinheiro público para resgatar bancos privados, mas seus simpatizantes têm sido objeto de forte repressão policial.

sábado, 29 de outubro de 2011

FORÇA SINDICAL DÁ GOLPE EM SINDICATO CUTISTA NO PARANÁ.



FORÇA SINDICAL PATROCINA GOLPE CONTRA SINDICATO CUTISTA NO PARANÁ
Sindicato e Federação (FEIA) ligados a FS realizam “assembléia” para tomar base de sindicato cutista em Ponta Grossa – Paraná.

Rui Amaro Gil Marques
Assessoria de Comunicação da FTIA PR e sindicatos filiados.


Na tarde de sexta-feira (28) na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Bebidas de Ponta Grossa, filiado a Força Sindical, o “clima fechou” entre diretores dessas entidades e dos sindicatos do setor de Alimentação ligados a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Paraná (FTIA) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A razão da discórdia e da confusão que acabou em briga foi a realização de uma “assembléia”, convocada pelo sindicato “das bebidas” filiado a Federação dos Empregados nas Indústrias de Alimentos (FEIA) e da Força Sindical para incorporar parte da base do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Massas, laticínios e Derivados, Carnes e Derivados e de Alimentação em Geral de Ponta Grossa e Região (STIMLACA), que é filiado a FTIA PR e a CUT.

Segundo o presidente do STIMLACA, Ivo Ossoviz, ao tomarem conhecimento da realização dessa assembléia, através de edital publicado no Diário Oficial da União, durante a semana, tentaram entrar em contato com diretores do “sindicato das Bebidas”, mas infelizmente eles se recusaram a sentar para resolver o problema.

Para o presidente da FTIA PR, Ernane Garcia Ferreira, o fato demonstra o desrespeito por parte da Força Sindical a legislação sindical e aos trabalhadores que tiveram a sua representação sindical legal atacada por esse golpe desferido por um sindicato dessa central. “Vamos dar todo o apoio necessário ao STIMLACA e buscar reverter essa situação de maneira a manter a integridade da representação territorial desse sindicato. A justiça já bloqueou as contas do sindicato das Bebidas por irregularidades constatas na administração financeira da entidade ligada a Força Sindical. Agora eles cometem mais esse desrespeito a legislação sindical”, informou Garcia.

Durante o tumulto vários diretores sindicais da FTIA PR e da CUT foram agredidos pelos seguranças e diretores da Força Sindical e dos sindicatos dos Metalúrgicos de Curitiba e do próprio sindicato das Bebidas. A polícia militar foi acionada para por um fim a violência e conter os ânimos dos sindicalistas e trabalhadores mais exaltados e revoltados com toda a situação. Durante algumas horas aconteceram bate-bocas e provocações que acabaram resultando em agressões.

"A razão principal dessa atitude por parte do sindicato das Bebidas e da Força Sindical é a disputa pelos descontos que são feitos todos os meses nos salários dos trabalhadores. Não estão brigando para defender os trabalhadores, que já têm um sindicato atuante, no caso o STIMLACA, da exploração e ganância patronais. Querem apenas aumentar a arrecadação dos cofres do Sindibebidas e dessa tal de Farsa Sindical", desabafou um dos trabalhadores que foi impedido de participar da assembléia por ser contrário a mudança.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917: UMA REVOLUÇÃO QUE JAMAIS SERÁ ESQUECIDA.


94 anos da Revolução Russa: Uma revolução que jamais será esquecida

Coletivo de Ação Direta Comunistas no Brasil – ADC

No mês de outubro de 1917 os operários, operárias e demais trabalhadores russos tomaram as ruas de Petrogrado, pararam as fábricas, o comércio e iniciaram a sua marcha contra um governo incapaz de satisfazer as suas necessidades e de executar um programa que atendesse toda a população russa. Seguindo a trajetória revolucionária iniciada em 1905, quando os trabalhadores demonstraram que era possível acabar com a opressão do regime czarista e com a exploração a que estavam submetidos, a Grande Revolução de Outubro de 1917, como ficaria conhecida, trouxe com ela a instalação do poder popular.

Organizados nos Soviéts (Conselhos Populares) os operários, marinheiros e soldados de toda a Petrogrado e depois de toda a Rússia, puseram abaixo séculos de repressão política, de violência contra a população pobre e de abominável exploração contra a classe trabalhadora. Foi uma revolução que aconteceu não por causa do partido Bolchevique ou de outros partidos. Ela aconteceu pela vontade política de milhares de pessoas cansadas e revoltadas contra uma situação que se tornara insuportável, insustentável e politicamente inviável.

A Rússia Czarista estava em frangalhos pelas derrotas na primeira guerra mundial. A população passava fome, a miséria era crescente por todo o país e enquanto isso a nobreza, o clero, a burguesia que estava surgindo e a cúpula militar se comportavam como parasitas destoando do sofrimento popular.

Aos poucos foram surgindo as primeiras greves, os motins, as revoltas nas cidades, no exército e na marinha. A consciência revolucionária foi tomando conta dos indivíduos que passaram a exigir o fim da participação da Rússia na guerra, passaram a exigir paz, terra para os camponeses e as fábricas para os operários. Os trabalhadores eram a voz ativa e a consciência da revolução.

Lênin, o líder incontestável dos bolcheviques, foi o único em seu partido que percebeu e compreendeu o que realmente estava acontecendo. Enquanto o partido se encontrava sem saber o rumo a seguir Lênin indicou o caminho nas famosas Teses de Abril. Frio e calculista, Lênin foi verdadeiramente oportunista no sentido de perceber que a oportunidade para que o partido assumisse o controle da revolução estava dada. Somente depois dos bolcheviques dominarem completamente os soviéts é que ele exigiu que todo o poder fosse dado a eles. Esse foi o primeiro passo para a tomada do poder pelo partido tendo Lênin à sua frente.

Depois da tomada do poder pelos bolcheviques todos os outros partidos “operários” e “socialistas” foram sendo colocados na ilegalidade. O poder dos soviéts foi transferido para o partido que acabou se transformando em único representante da vontade dos trabalhadores de toda a Rússia, agora chamada de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Aos poucos o fervor revolucionário foi sendo substituído pela obediência cega aos líderes partidários. Aqueles que discordavam do rumo adotado pelo partido Bolchevique, agora renomeado para Partido Comunista da União Soviética (PCUS), eram expulsos do partido e das funções que ocupavam no estado. Muitos foram banidos, enviados para os campos de trabalho de forçado ou simplesmente acusados de contra-revolucionários e depois executados.

Lênin para proteger o estado soviético criou a Checa, a polícia política, que passou a vigiar os membros do partido, trabalhadores, soldados e marinheiros. Aos poucos a velha ordem foi sendo restabelecida sob uma nova roupagem. As fábricas não foram dadas aos operários, elas agora eram do estado. Os operários continuaram trabalhando como antes, tinham um patrão a quem eram obrigados a vender a sua força de trabalho. Os sindicatos, como antes, continuaram vigiados. Agora com uma novidade. Eram controlados pelo partido que também controlava o estado. As greves foram proibidas assim como era antes da revolução.

Em 1921, durante o 3º Congresso do Partido Comunista (PCUS) explode a Revolta de Kronstad. Marinheiros antes saudados por Lênin e Trotski como heróis da Revolução de Outubro, agora são acusados de contra-revolucionários, espiões a serviço das potências estrangeiras e de inimigos da União Soviética e do socialismo. O que queriam os rebelados de Kronstad para serem atacados com tamanha ferocidade pelos bolcheviques? Kronstad era uma cidadela no extremo da Rússia. Foi ali que os marinheiros iniciaram a revolta nas forças armadas do antigo regime em favor da revolução. Passados 4 anos foi novamente ali que os marinheiros e operários se levantaram contra a tirania, desta vez do partido Bolchevique dominado por Lênin, Trotski e depois Stálin.

Os marinheiros, operários e membros do próprio partido exigiam a volta aos objetivos primários da revolução de Outubro. Exigiam o fim da ditadura do partido comunista, liberdade para os sindicatos, as fábricas para os operários, as terras para os camponeses, fim dos privilégios para os funcionários do estado e do partido, igualdade para todos, fim da polícia secreta e liberdade de expressão. Não queriam a volta ao Czarismo e nem a restauração da dominação da burguesia com a sua democracia de fachada. Eles exigiam que o poder voltasse aos Soviéts e que os Soviéts voltassem a serem controlados pelos próprios trabalhadores. Eles não eram contra o partido, eram contra a ditadura do partido.

Depois de vários dias de tensão, de negociação com emissários do partido, Trotski ordenou que o Exército Vermelho atacasse a cidadela. Milhares foram mortos, outros tantos presos, julgados como traidores e depois executados. E assim o partido prosseguiu em sua marcha sem retorno para a edificação, não do socialismo, mas de outra ditadura. Uma ditadura disfarçada de sociedade socialista onde os trabalhadores continuaram sendo enganados e explorados e uma minoria de parasitas continuou se apropriando das riquezas produzidas.

Apesar de tudo isso a Revolução de Outubro continuará viva mostrando para todos os trabalhadores e explorados do mundo inteiro que é possível destruir o estado e acabar com a opressão. Dela aprendemos que o poder deve ficar em nossas mãos, que somos nós quem devemos construir o socialismo e não entregar esse poder e essa tarefa aos partidos, por mais numerosos que sejam os seus membros, eles jamais serão todos os trabalhadores. O partido da classe trabalhadora é a própria classe trabalhadora, não existem substitutos para executarem as tarefas que são dela apenas e que só ela pode levar adiante.

sábado, 15 de outubro de 2011

MANIPULAÇÃO DA CLASSE MÉDIA

A MÍDIA E AS MANIFESTAÇÕES CONTRA A CORRUPÇÃO

Rui Amaro Gil Marques

Coletivo de Ação Direta Comunistas No Brasil – ADC

Em várias cidades do país foram realizadas manifestações contra a corrupção que assola as esferas de governo e o próprio estado e suas instituições. O alvo dessas manifestações dos cidadãos “indignados”, manipulados pela mídia que serve aos interesses das classes dominantes, é o governo social-liberal do PT/PMDB/PCdoB como se ele fosse o centro de toda corrupção.

A corrupção não nasce do nada. A sua origem se dá na busca de favores e dos lucros fáceis nas negociatas realizadas entre aqueles que detêm o poder econômico e aqueles que fizeram da política um meio de vida, uma profissão, se tornando assim uma nova classe, a classe dos parasitas parlamentares.

Segundo o dicionário “a corrupção é o ato de obter vantagens ilícitas e manifesta-se por meio do suborno, intimidação, extorsão e abuso de poder econômico ou político”. Podemos afirmar que ela é o fruto de uma relação econômica promiscua entre duas ou mais pessoas interessadas em lucrar com a utilização de informações privilegiadas ou de cargos de comando em empresas privadas ou nas funções de governo e do estado.

Não existe o corrupto sem o agente corruptor que é aquele que se dispõe a pagar por certos serviços para obter vantagens para si. Não há corrupto sem corruptor. O corrupto é aquele que está disposto a fazer qualquer negócio para ganhar dinheiro fácil, muito dinheiro, mesmo que para isso prejudique outras pessoas e cometa os mais variados crimes para alcançar seus objetivos.

Mas nenhuma dessas manifestações “populares” financiadas por não se sabe quem tratou de atacar os empresários corruptores, pais de todos os políticos corruptos de que se tem conhecimento na história desse país. A própria mídia se beneficia da corrupção para conseguir informações em primeira mão e assim dar os seus grandes furos de reportagem. A mídia também corrompe, ela também compra funcionários públicos, parlamentares, agentes do estado e militantes de movimentos sociais e partidos políticos.

Insuflados pelos interesses eleitoreiros da mídia e dos seus partidos de aluguel esses “cidadãos de bem” saem às ruas protestando contra a corrupção, como saíram às ruas as mulheres de classe média nos idos de 1964 com a marcha pela família exigindo “respeito a democracia”, dando assim aos golpistas da época, o apoio que faltava para a derrubada de um governo e implantação de uma ditadura militar empresarial-fascista no Brasil.

Mais que derrubar um governo os golpistas de 64 buscavam frear os movimentos sindical e estudantil que exigiam as reformas de base (reforma agrária, urbana, universitária, política e social) de que tanto o Brasil precisa até os dias de hoje.

Essas manifestações contra a corrupção seguem roteiro semelhante. Seus mentores não desejam realmente combater a corrupção pretendem, isto sim, se aproveitar do descontentamento de uma parcela da classe média e da população em geral para beneficiar seus próprios interesses políticos. Tudo isso faz parte das disputas das frações das classes dominantes pelo controle do aparato de governo e do estado. Mais uma vez se utilizam da velha pratica da manipulação das massas para alcançar os seus objetivos imediatos que são os seguintes: a) desgastar o governo de colaboração de classes do PT/PMDB; b) se utilizar desse desgaste para obter mais vantagens desse mesmo governo e; c) angariar votos para os candidatos dos seus partidos nas próximas farsas eleitorais.

Lutar de verdade contra a corrupção é lutar contra o sistema, contra essa democracia de fachada e suas farsas eleitorais. Lutar contra a corrupção é pararmos de delegar o nosso poder a outros, é assumirmos nossas responsabilidades pelas mudanças que se fazem necessárias. Para acabar com a corrupção devemos destruir o capitalismo e tudo o que gira em torno dele lucrando com a exploração dos trabalhadores e a miséria de uma imensa maioria que sofre mundo afora.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

NR DOS FRIGORÍFICOS: SINDICATOS DO PARANÁ ENCERRAM CARAVANA


PARANÁ: “CARAVANA DA NR DOS FRIGORÍFICOS” CHEGA AO FINAL DE SUA CAMPANHA PELO ESTADO

Foram percorridos mais de 3.800 km, visitadas 17 cidades de 05 regiões, distribuídos 89.600 informativos, organizadas manifestações em 15 frigoríficos de médio e grande porte no estado.

Rui Amaro Gil Marques

Assessoria de Comunicação da FTIA PR e Sindicatos filiados.

Iniciada em 26 de setembro a Caravana da NR dos Frigoríficos, organizada pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Paraná (FTIA PR) e seus 17 sindicatos filiados, percorreu as regiões norte, noroeste, sudeste, sudoeste e sul do estado onde levou a população de 17 municípios a Campanha Nacional Pela Aprovação da Norma Regulamentadora (NR) para o setor frigorífico brasileiro.

Jacarezinho, Arapongas, Rolândia, Jaguapitã, Umuarama, Cianorte, Cidade Gaúcha, Rondon, Cascavel, Toledo, Pato Branco, Tapejara do Sul, Dois Vizinhos, Capanema, Francisco Beltrão, Carambeí e Ponta Grossa foram as cidades por onde a Caravana da NR dos Frigoríficos distribuiu 89.600 informativos de um total de 100 mil impressos.

Segundo o presidente da FTIA PR, Ernane Garcia, a Caravana cumpriu com o que foi estabelecido pelas entidades sindicais do setor depois dos vários seminários sobre a NR dos Frigoríficos realizados em Curitiba (PR) e da elaboração do seu anteprojeto pela Comissão tripartite formada por representantes dos trabalhadores, empresários e do Ministério do Trabalho e Emprego em Brasília (DF).

“O movimento sindical do setor de Alimentação do estado fez a sua parte levando aos trabalhadores dos frigoríficos e a população em geral informações importantes a respeito da triste realidade do setor e das mazelas que geram acidentes de trabalho e doenças profissionais. Vamos continuar pressionando os empresários do setor frigorífico a investir na melhora dos ambientes de trabalho para que os males que acontecem hoje sejam reduzidos e eliminados”, destacou.

A última cidade visitada foi Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, sul do estado, onde os dirigentes sindicais distribuíram seus informativos no comércio local, no calçadão e no terminal rodoviário do município. Antes, na parte da manhã, a Caravana da NR esteve em Carambeí onde realizou mais uma manifestação, desta vez na planta local da BRF (Perdigão) onde com um carro de som alertava trabalhadores e a população carambeiense sobre as doenças e os riscos que afligem milhares de homens e mulheres que trabalham nos frigoríficos brasileiros.

Acidente na Estrada

Um fato negativo que ficará registrado na lembrança de todos os participantes da Caravana da NR foi o acidente de carro com os diretores do SINTAC, entidade sindical da cidade de Carambeí, quando se dirigiam à Ponta Grossa para colaborar na panfletagem realizada naquele município. Felizmente ninguém se machucou ficando apenas o susto que atingiu a todos os participantes do movimento.


Cerceamento a livre manifestação em Ponta Grossa

Durante a distribuição dos informativos no calçadão de Ponta Grossa funcionários da prefeitura cercearam o direito a livre manifestação dos dirigentes sindicais da Caravana da NR dos Frigoríficos. Primeiro ameaçaram apreender o carro de som e depois impediram a continuidade da panfletagem no terminal rodoviário daquele município. Uma demonstração clara de que nessa cidade as liberdades individuais e coletivas não são respeitadas e nem garantidas por aqueles que deveriam defendê-las.

sábado, 8 de outubro de 2011

UM TEXTO PARA A REFLEXÃO.

O QUE REALMENTE INTERESSA?

Rui Amaro Gil Marques

Essa é a pergunta que eu me faço seguidamente quando penso nos partidos de esquerda como um todo. Como é sabido o termo partido de esquerda surgiu juntamente com a criação do parlamento burguês na Inglaterra para controlar os gastos da corte e diminuir o poder do rei. Na época, os parlamentares que apoiavam o rei formavam um bloco que se colocava sempre ao lado direito do trono real e os adversários do monarca eram colocados a sua esquerda.

Daí também se originou a dicotomia direita/esquerda tendo como eixo a diferença entre aqueles que apóiam um regime político e aqueles que lhes são contrários. Dicotomia essa que vem acompanhando o desenvolvimento da sociedade moderna e dos mais diversos regimes políticos até aos dias de hoje.

Esquerda não significa necessariamente revolução. A associação entre uma e a outra se deu na França de 1789 quando os populistas (termo que significava na época defensores do povo) organizados no partido dos Jacobinos que se situavam à esquerda dos girondinos, partido da burguesia monarquista francesa na Assembléia Nacional, levaram adiante a insurreição popular que culminou com a eclosão da Revolução Francesa e a deposição da realeza.

Desde então a esquerda ficou associada a movimentos subversivos, rebeliões e revoluções. Essa ligação quase que umbilical se fortaleceu com a revolta popular em Paris que deu origem a famosa Comuna de Paris onde socialistas e anarquistas se juntaram para tentar instaurar uma sociedade sem patrões e nem estado. No século 20 a esquerda e os movimentos revolucionários se tornaram (entre aspas) a mesma coisa depois da Revolução Russa de 1917.

Se esquerda e revolução passaram a ser uma coisa só com o desenvolvimento da democracia liberal e do parlamentarismo os partidos de esquerda foram fazendo o possível para se dissociar dos movimentos revolucionários. Em contra partida esses partidos, cada um a sua maneira, mas sempre pelos mesmos caminhos, optaram pela via eleitoral e as disputas parlamentares como tática para conquistar o poder de estado e transformarem o regime capitalista em uma socialdemocracia, a ante- sala da instalação do socialismo sem a necessidade da revolução.

Mas voltemos a questão inicial que deu origem a toda esta dissertação. O que realmente interessa? Interessa mesmo continuar seguindo esses partidos de esquerda que se moldaram ao sistema parlamentar e a democracia dos ricos? Interessa mesmo lutarmos sempre em defesa do chamado mal menor para garantir pequenas reformas que jamais acabarão com a violência e a exploração das classes dominantes?

Interessa mesmo continuarmos delegando o nosso poder a esses políticos profissionais que depois de eleitos nos traem sem o menor arrependimento? Interessa continuar mantendo esse regime baseado na exploração e na exclusão de muitos em benefício de uma minoria de parasitas?

Olhemos ao redor. Observemos como vivem os “defensores” do povo e dos trabalhadores. Como os líderes desses partidos se parecem mais com aqueles que nos oprimem diariamente. Analisemos a pratica cotidiana desses partidos e veremos o que e quem eles realmente defendem. Sejamos críticos de nós mesmos e do que acreditamos.

É de nosso interesse nos mantermos alienados e submetidos as leis elaboradas para proteger e garantir a exploração e a mendicância em que somos obrigados a sobreviver enquanto o nosso sofrimento gera a felicidade e a riqueza de poucos?

É de nosso interesse viver sem nunca ter utilizado de todas as nossas potencialidades humanas sendo tratados como simples animais de carga que lutam pelo aumento das migalhas que nos são jogadas?

Ou é de nosso interesse destruir definitivamente esse regime econômico, político e social que transforma os seres humanos em mercadorias, em escravos do dinheiro e reféns um dos outros?

Mais democracia não significa mais liberdade porque o agente garantidor das liberdades democráticas é o estado. E se existe estado existem também aqueles que governam e os que são governados. Existem os que são obrigados ao trabalho para que alguns não precisem trabalhar. O estado é e será sempre o organismo repressor que defenderá os interesses daqueles que dominam a sociedade. Só haverá liberdade quando não houver mais o estado. E para haver liberdade todos nós devemos assumir as nossas responsabilidades, sem delegar o nosso poder a mais ninguém.

Afinal, o que realmente interessa? Vivermos como seres humanos ou como gado?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O GOVERNO DILMA E A RENDIÇÃO AOS TORTURADORES.

A farsa da Comissão da Verdade

Posted: 06 Oct 2011 02:31 PM PDT

por Niara de Oliveira em seu blog Pimenta com Limão.
















Texto publicado no Jornalismo B Impresso.

Desde que o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos foi apresentando pelo governo federal no final de 2009 (ainda no governo Lula) muita coisa mudou. O Supremo Tribunal Federal, indo na contramação dos países do cone sul, não só confirmou a Lei da Anistia como a estendeu aos torturadores. Os governos FHC, Lula e Dilma mantiveram o sigilo eterno dos documentos da ditadura e oprojeto de lei de acesso a informações públicas (PLC 41/2010) — artimanha da presidenta Dilma Rousseff de “jogar a bola para a arquibancada quando poderia ter decidido a jogada” — tramita agora no Senado Federal e enfrenta a resistência de senadores como Fernando Collor (relator do projeto) e José Sarney. O texto da Comissão da Verdade, previsto no corpo do III PNDH foi sendo mutilado até chegarmos à “Comissão da Verdade possível”, essa farsa que vimos ser aprovada na Câmara dos Deputados na noite do de 21 de setembro em regime de urgência.

Uma coisa era termos uma comissão apurando as violações dos direitos humanos para fins históricos, para conhecimento dessas páginas ainda nebulosas da nossa história, outra é o que será feito com essas informações. Afirmava o jornalista Marcos Rolim em artigo de 06/01/2010: “Uma “Comissão de Verdade” para investigar e reconstruir episódios de violação durante o período ditatorial é uma iniciativa elementar, óbvia até, que deveria ter sido tomada há muitos anos. Ela se situa acima de qualquer ideologia e deve implicar no levantamento de todas as violações cometidas, não importa por quem, nem em nome de que. Como uma das pessoas que auxiliou a redigir o Programa, afirmo que ela não tem a ver com punição, tem a ver com a história do Brasil e com a chance de afirmar a dignidade ali onde, até agora, só existe dor e humilhação. As vozes que se erguem contra esta iniciativa não são apenas as vozes de um passado tenebroso que, infelizmente, sequer é passado. São as vozes de um país que oscila entre a civilização e a barbárie, entre o direito e o privilégio, entre o respeito e o preconceito, entre a ordem democrática e a ordem das baionetas….e que prefere, sobretudo, a mentira.”

Mas antes de pensarmos em apurar fatos, conhecer a história, as forças reacionárias do país garantiram a perpetuação do silêncio e da impunidade das violações dos direitos humanos praticadas pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar. Entenda como funcionará a Comissão Nacional da Verdade e perceba o quanto ela será ineficaz e inócua. Aprovada às pressas, e não por acaso, durante a participação da presidenta Dilma Rousseff na assembléia geral da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque, servirá apenas para aliviar a pressão internacional sobre o Brasil por ser o ÚNICO país do cone sul que não fez nada sobre sua ditadura. (Enquanto isso, a Argentina condena à prisão perpétua até ex-presidente)

Poucos dias antes da aprovação da CV, Cecília Coimbra do Grupo Tortura Nunca Mais já dizia em entrevista à Rede Brasil Atual: “é preferível que não haja nenhuma comissão do que essa. Da forma como está, vai ser uma mise en scène do governo federal diante de todas as pressões internacionais por investigação. O que estão propondo é uma brincadeira, não é uma comissão.” – Veja aqui matéria sobre o posicionamento dos familiares dos Mortos e Desaparecidos sobre a Comissão da Verdade e o manifesto entregue a todos os deputados antes da votação.

Não fosse tudo isso suficiente para transformá-la em farsa, a Comissão da Verdade aprovada será composta por sete membros, indicados pela Presidência da República (por emenda do DEM, nenhum dos sete membros poderá ter filiação partidária ou ocupar cargo de confiança no governo), cada um receberá um salário mensal de R$ 11 mil e terão apenas dois anos para analisar um período de 42 anos (1946 a 1988) sem previsão orçamentária para sua atuação. Veja mais detalhes na reportagem de André Barrocal na Carta Maior. Apesar da emenda do PPS para que todo o material produzido pela Comissão da Verdade seja enviado ao Arquivo Nacional e fique disponível ao público (o que não garante que será público de fato, vide o caso dos documentos sobre Vladimir Herzog), as emendas do PSOL e da deputada Luiza Erundina (eles apresentaram e defenderam as emendas propostas pelos familiares dos mortos e desaparecidos), entre elas a que previa acesso irrestrito aos arquivos, sem a manutenção de sigilos e que toda a atuação da Comissão fosse pública, não passaram.

Não nos iludamos. Mesmo que essa comissão de meia verdade seja muito atuante e supere todos os impedimentos muito bem calculados pelas forças reacionárias do país, não faremos justiça nem iremos jogar luz alguma sobre os porões da ditadura. Eles permanecerão escuros, intactos e esquecidos. Os torturadores podem continuar dormindo tranquilos e em paz e o Estado brasileiro (através dos três poderes) estende e perpetua a dor, luto e humilhação dos familiares dos mortos e desaparecidos. A tortura continua e o Brasil continua vivendo um arremedo de democracia, sem garantia e respeito aos Direitos Humanos.

Parabéns a todos os envolvidos!
********************************

Leia entrevista com a cientista política do departamento de Ciências Políticas da Universidade de Minnesota Kathryn Sikkink, que afirma que julgamentos e punição de torturadores auxiliam na construção do Estado de Direito. Segundo ela, julgamentos também simbolizam valores de uma sociedade democrática, e a tortura, enquanto crime contra a humanidade, não prescreve. Durante a entrevista ela dá exemplos sobre como outros países do mundo superaram suas ditaduras e reviram leis de anistia.

AÇÃO DIRETA

AÇÃO DIRETA
O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

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