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"Trabalhadores e trabalhadoras, uni-vos contra a tirania, mas uni-vos sobretudo contra a inércia que se torna coadjuvante da opressão"

Vladimir Maiakovski - operário, poeta e revolucionário soviético.



domingo, 5 de abril de 2015

UMA PEQUENA ANALISE DA REPRESSÃO SEXUAL E O CAPITALISMO

O SIGNIFICADO IDEOLÓGICO DA REPRESSÃO SEXUAL
Nas sociedades onde a liberdade do individuo é uma mera aparência de liberdade todos os aspectos da vida sofrem a repressão do estado e das suas instituições. A repressão aberta ou disfarçada tem por objetivo coisificar os indivíduos fazendo com que assimilem ideologicamente as suas funções como força de trabalho, reprodutores da ordem e defensores do sistema.

Tudo realizado de uma maneira que o individuo jamais se de conta que ele é apenas uma marionete manipulada de acordo com os interesses de uma minoria que através do seu poder econômico controla o estado e a sociedade como um todo.

E para que a ordem seja mantida os indivíduos devem se comportar de acordo com os “ensinamentos” perpetrados culturalmente pela minoria. E a questão sexual, assim como todas as demais, não poderia deixar de ser reprimida evitando que através dela o individuo se reencontrasse consigo mesmo, deixando de ser coisa e retornando a sua condição básica de ser humano livre e dono do seu corpo e de sua vida.

Assim, através dos séculos, uma verdadeira máquina de repressão sexual foi sendo montada para fazer com que os indivíduos passassem a se relacionar socialmente como meros reprodutores do sistema. Otimizados esses indivíduos deixaram de pensar, de questionar e de se apropriarem dos próprios corpos e dos seus órgãos sexuais. Sentir prazer pelo prazer se tornou um verdadeiro crime a ser combatido pelas instituições tais como as igrejas e as escolas onde a liberdade criadora individual não tem lugar.

Para as religiões o sexo só pode ter uma razão: a procriação.
No cristianismo, no judaísmo, no islamismo e no catolicismo o ato sexual é abominado. Em vários países islâmicos, principalmente nos da África, as mulheres são mutiladas tendo o seu clitóris arrancado para que não possam sentir prazer durante o ato sexual. No ocidente a máxima da igreja é o cresceis e multiplicais, ou seja, sexo somente para a reprodução. Não esta escrito nos livros sagrados do judaísmo e do cristianismo cresceis e gozais porque gozar é pecado.

O escravo para ser obediente ao seu senhor deve ser condicionado ao máximo para aceitar a sua condição de escravo. O sexo com prazer torna-o desobediente uma vez que ele acaba percebendo que a vida pode ser vivida de outra maneira, de maneira livre, sem amos e senhores. Que ele pode ser o senhor da sua própria vida e dono do seu corpo.

E para assegurar que essa repressão sexual tenha sucesso surgem o machismo, a homofobia, o casamento monogâmico e a prostituição. Essa última uma maneira onde os indivíduos, principalmente aqueles das classes trabalhadoras, podem comprar um pouco do prazer sexual se tornando assim livres por um certo momento.
E essa liberdade momentânea tem um custo tanto para o homem quanto para a mulher que se torna uma mercadoria a ser consumida por cliente, por um comprador. O sexo e o prazer sexual se tornam uma relação comercial e não mais o encontro entre duas pessoas que se desejam, que se querem, que se entregam livremente aos prazeres do sexo.
Somente os senhores, donos da sociedade, podem se realizar enquanto indivíduos livres através do sexo e do próprio corpo. Para eles tudo é permitido, não existem leis e nem uma regra que não seja passível de ser burlada, quebrada, ignorada. Enquanto essa minoria de parasitas se alimenta da alienação da maioria cresce a violência contra as mulheres, o preconceito contra aqueles que decidiram se apropriar do seu corpo e sentir prazer com ele, cresce a violência contra os homossexuais, travestis e transgêneros.
E essa violência tem um só objetivo: reprimir o desejo sexual e a liberdade que o prazer sexual cria nos indivíduos. Por isso que o casamento, seja de que forma for, monogâmico ou não, na verdade é uma prisão disfarçada que obriga os seus componentes a se comportarem de acordo com as regras estabelecidas pelo estado e a moral judaico-cristã ideologicamente repassada de geração a geração. Aqueles e aquelas que ousam fugir desse padrão são apontados e nomeados de libertinos, de imorais, de lascivos e perniciosos.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

SIM, SOU MACHISTA E ISSO ME INCOMODA

EU RECONHEÇO: SOU MACHISTA E TENHO QUE MUDAR


Rui Amaro Gil Marques


Sim, assumo com todas as letras. Sou machista e isso me incomoda muito. Incomoda porque o machismo não é uma virtude, muito pelo contrário, é mais que um defeito. É uma deformação.

O machista, mesmo aqueles que não têm consciência de serem machistas, não conseguem enxergar a opressão que perpetuam sobre as mulheres. E é essa opressão que o machista passa de pai para filho. Uma opressão que se expressa nos mínimos detalhes do cotidiano.

Exemplos temos vários: as piadinhas sexistas, a falta de respeito com a opinião das mulheres, a violência doméstica, as propagandas dos mais variados produtos que reduzem a mulher a um objeto a ser consumido com cerveja, carros, motos e por aí vai.

Não queria ser machista mas o machismo é uma das bases ideológicas da sociedade, é uma doença que contamina a todos, inclusive muitas mulheres que, sem saber, educam as suas filhas para serem o que elas são: reprodutoras inconscientes do machismo.

O machismo não tem nada a ver com ser homem. Ser homem é outra coisa. O machismo é apenas outro nome, uma outra face da violência psicológica, física e moral a que todas as mulheres são submetidas constantemente.  Os olhos do machismo não enxergam na mulher nada além de uma vagina, bunda e peitos. Ou seja, um pedaço de carne a ser devorado e danem-se sentimentos, valores e até mesmo o direito dela recusar ser tratada dessa forma. É o machismo que afirma que quando a mulher diz não a uma investida sexual do homem, na verdade ela esta dizendo sim. É absurdo, mas é verdade.

Sim, infelizmente sou machista e tenho consciência disso e por ter consciência desse defeito, dessa deformação, quero mudar. Quero deixar de ser mais um doente, de ser mais um reproduzindo essa opressão contra as mulheres.

Deixar de ser machista não vai me fazer menos homem, mas vai me ajudar a construir uma sociedade livre e combater a violência que agride e mata uma mulher a cada 4 horas todos os dias.

O mundo não precisa de machistas, as mulheres não precisam de machistas, os homem não precisam do machismo. O que todos nós precisamos é de um mundo de paz, as mulheres precisam ser respeitadas e nós, homens, precisamos enxergar os nossos defeitos e modificá-los.

Sim, eu sou machista e não suporto ser assim.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

LUTAR CONTRA OS PRECONCEITOS É LUTAR CONTRA O CAPITALISMO E O ESTADO

VIVA AS DIFERENÇAS PORQUE LÁ NO FUNDO, NO VERMELHO DO SANGUE E NO BRANCO DOS OSSOS, SOMOS TODOS IGUAIS.

Rui Amaro Gil Marques


Sim, estou preocupado. E essa minha preocupação se deve a uma questão que poucas pessoas, principalmente aquelas que se colocam no campo da esquerda, independente do partido ao qual pertençam, não estão dando a devida atenção ao crescente preconceito contra as diferenças, sejam elas raciais, sociais, religiosas e de gênero. 

O ódio aos pobres, mendigos, moradores de rua, prostitutas, desempregados, negros e nordestinos cresce assustadoramente. Na região sul do Brasil (PR, SC e RS) isso se vê claramente. Ainda nesta semana alguns moradores de um balneário de Florianópolis (SC) realizaram uma manifestação publica contra a presença de mendigos e de moradores de rua na cidade. Não fizeram uma manifestação contra esse sistema violento que reproduz a miséria e indigentes, não, para essa elite branca (e os que se consideram parte dela mesmo não sendo arianos de olhos azuis) o sistema é algo a parte.

A violência contra homossexuais também cresce de maneira assustadora. Apesar das paradas da diversidade que hoje em dia acontecem em quase todo o país o número de gays, lésbicas, travestis e transgêneros agredidos, assassinados, violados em seus direitos, desrespeitos e que por conta do preconceito cometeram suicídio cresce diariamente.

Lutar contra todas as formas de preconceito é, antes de tudo, lutar contra esse sistema global que reproduz o egoísmo e a miséria humana de forma radical e profunda. Devemos ter claro que não basta exigirmos que as autoridades tomem providências até porque muitas delas compartilham desses preconceitos. Somos nós, os excluídos, marginalizados, explorados, violentados, violados e agredidos que temos que levantar os punhos e dar um basta nisso.

As mudanças que defendemos não vão cair do céu como por um milagre da virgem maria ou de outro ente qualquer. Uma pessoa é uma pessoa independente da cor dos seus olhos ou da sua pele, de quem ela gosta e da sua condição sexual. A humanidade é uma só e ela esta em toda a parte. Infelizmente a maioria adormecida e anestesiada por essa sociedade alienante e desumana se comporta como gado no pasto dando o seu apoio aos felicianos da vida, esses picaretas que usam da religião para subirem na pirâmide social, terem os seus currais eleitorais e um exército de zumbis prontos a atacar todos (as) aqueles (as) que forem considerados pecadores por esses falsos profetas, verdadeiros pastores da religião do ódio e do falso moralismo.

Por tanto devemos tomar uma posição radical frente a toda essa violência e contra todas as formas de preconceito. O primeiro passo é não termos medo do debate e do enfrentamento onde quer que estivermos. A igualdade e a liberdade não são palavras vazias, elas têm um sentido pratico em nossas vidas e onde existir qualquer tipo de segregação e de preconceito não poderá haver nem igualdade e muito menos liberdade.
VIVAS AS DIFERENÇAS PORQUE MESMO COM ELAS SOMOS TODOS IGUAIS. POR UM MUNDO LIVRE E FELIZ. POR UMA SOCIEDADE LIBERTÁRIA E ANARQUISTA!

sábado, 21 de setembro de 2013

BRASIL FOODS (PERDIGÃO, SADIA E BATAVO) É CONDENADA POR DANO MORAL A TRABALHADORA

Trabalhadora será indenizada por ter de andar seminua entre setores da empresa.

Uma trabalhadora que era obrigada a circular seminua no vestiário da BRF Brasil Foods, companhia que engloba a Perdigão, Sadia e Batavo, conseguiu no TST o direito de ser indenizada em R$ 10.104,00 pelo constrangimento diário de expor desnecessariamente o corpo às colegas.

A trabalhadora foi contratada em julho de 2003 como pratico de frigorífico e pediu demissão em maio de 2011, sem ter recebido verbas que considerava devidas. Além de horas extras e horas in itinere, ela requereu o pagamento de R$ 7 mil de indenização por danos morais porque, durante a dinâmica diária de troca de uniformes no vestiário da empresa, era obrigada a transitar somente de lingerie entre os setores (sujo ao limpo e vice e versa), o que lhe gerava vergonha e sofrimento.

Ainda segundo a empregada, não havia proteção entre os chuveiros, o que obrigava as funcionárias a ficarem totalmente despidas durante o banho, em afronta ao direito de intimidade. 

A empresa sustentou que o vestiário era dividido em área suja (área em que as funcionárias entravam com suas próprias roupas) e área limpa (para a vestimenta dos uniformes) por necessidade de higiene, a fim de evitar contaminação nos produtos da indústria alimentícia.

Informou ainda que, na entrevista de contratação, a empregada foi informada das condições de trabalho e procedimentos de higiene, não podendo alegar constrangimento porque tinha de percorrer curto espaço com roupas íntimas.

A 1ª Vara do Trabalho de Rio Verde (Goiás) julgou improcedente o pedido da trabalhadora porque testemunhas afirmaram que a passagem pela barreira sanitária poderia ser feita com bermuda e camiseta, o que não expõe a intimidade da pessoa no local de trabalho.

A empregada recorreu da decisão para o Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO), que também considerou que o deslocamento das funcionárias vestidas somente com roupas íntimas não viola a intimidade, uma vez que a segurança dos alimentos consumidos pela coletividade se sobrepõe aos valores de proteção da esfera íntima.

A trabalhadora recorreu da decisão para o TST, alegando que ter que andar seminua na frente das colegas lhe gerava sofrimento. A Terceira Turma do TST deu razão à empregada e sustentou que as empresas devem dispor de métodos menos ultrajantes para o deslocamento interno dos funcionários, a exemplo da oferta de jalecos esterilizados ou descartáveis, meios capazes de atender às normas de higiene sem violar a intimidade dos empregados.

Em seu voto, o ministro relator, Alexandre Agra Belmonte, destacou que o TST tem se pronunciado dessa forma em casos semelhantes, como o da revista íntima, que fere a dignidade dos empregados e leva ao pagamento de indenização por dano moral quando o funcionário é obrigado a mostrar partes do seu corpo. "No caso em tela trata-se de situação ainda mais grave, uma vez que os empregados são obrigados a circular seminus no local de trabalho", afirmou o ministro.

A Terceira Turma conheceu do recurso da trabalhadora por violação ao artigo 5º, X, da Constituição Federal e deu provimento ao pedido para determinar que a empresa arque com indenização por danos morais.


( RR-1106-42.2012.5.18.0101 )

- O TST possui oito Turmas julgadoras, cada uma composta por três ministros, com a atribuição de analisar recursos de revista, agravos, agravos de instrumento, agravos regimentais e recursos ordinários em ação cautelar. Das decisões das Turmas, a parte ainda pode, em alguns casos, recorrer à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1).


Fonte: Tribunal Superior do Trabalho, por Fernanda Loureiro, 20.09.2013

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

APUCARANA: FRIGORÍFICO POLUI NASCENTE DE RIO, MP MULTA E TRABALHADORES SÃO USADOS COMO MASSA DE MANOBRA


TRABALHADORES DE FRIGORÍFICO LOTAM CÂMARA MUNICIPAL DE APUCARANA EM PROTESTO CONTRA MINISTÉRIO PÚBLICO



Vereadores pressionados pediram moderação e bom senso ao Ministério Público em relação aos crimes ambientais praticados pelo frigorífico na cidade





Rui Amaro Gil Marques
De Apucarana (PR)




Cerca de 300 trabalhadores (as) do frigorífico Oregon/Frigobeto de Apucarana estiveram na noite desta terça-feira, 10 de setembro, na Câmara Municipal da cidade para protestar contra a decisão do Ministério Público que deu um prazo para a empresa se adequar a legislação ambiental e, caso isso não ocorra, terá que encerrar as suas atividades na cidade.

O frigorífico é de propriedade de uma das famílias tradicionais da cidade e esta em funcionamento há 40 anos quase ininterruptos. Ele é um dos poucos no Paraná que abate cavalos para exportação e, devido a problemas financeiros, passou a abater também bovinos oriundos da região.



Crimes Ambientais



O Ministério Público vem a cerca de 1 ano monitorando o funcionamento do frigorífico e nesse período constatou várias irregularidades cometidas pela empresa em relação ao cumprimento das normas e da legislação ambiental como despejos de dejetos e restos de animais nas nascentes do rio Pirapó, um dos principais fornecedores de água potável para as cidades da região e Sarandi e Maringá.

Por causa disso num primeiro momento o Ministério Público convocou os responsáveis pela empresa para prestar esclarecimentos a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) se responsabilizando pelos prejuízos causados ao meio ambiente e se comprometendo em se adequar construindo novas instalações para tratar os resíduos, dejetos e vísceras de animais que eram jogados no rio.

Não tendo cumprindo com o Termo assinado e ainda continuar, repetidamente, cometido os mesmos crimes ambientais o Ministério Público não teve outra atitude se não multar a empresa em R$10 mil por dia pelo não cumprimento do acordo e mais R$100 mil pelos crimes ambientais cometidos, inclusive solicitando a prisão de um dos sócios por desacato e flagrante por despejo de restos de animais na nascente do rio Pirapó.



Trabalhadores como massa de manobra



A empresa para pressionar a prefeitura de Apucarana e os vereadores em defesa dos seus interesses organizou o protesto dos seus funcionários na Câmara Municipal na noite desta terça-feira. Com cartazes onde se lia mensagens como Queremos trabalhar, Chega de perseguição, Somos trabalhadores e exigimos respeito, os trabalhadores lotaram as dependências da Câmara local.

Em seus discursos vários vereadores pediram bom senso ao Ministério Público porque os trabalhadores não poderiam perder os seus empregos e nem a empresa poderia fechar porque seria um grande prejuízo para a cidade e a região.

Acredito eu que o Ministério Público já esta agindo com o devido bom senso ao exigir da empresa que cumpra a legislação ambiental e para de poluir uma nascente de um dos mais importantes rios da região responsável pelo abastecimento de água para várias cidades do norte do estado, entre elas Maringá.

Esperar que o Ministério Público agisse de outra maneira é nada mais que premiar aqueles que enriquecem desrespeitando as leis e a própria sobrevivência do planeta e da humanidade porque sem água de qualidade ninguém pode sobreviver.

Mas vamos ver o que ainda pode acontecer porque vereadores e o prefeito, todos juntos, já sinalizaram que vão agir para preservar os interesses do grupo proprietário desse frigorífico que tem longa tradição de “ajudar” generosamente nas campanhas eleitorais dos políticos da cidade e da região.

Em minha opinião esse frigorífico vai ficar impune mais uma vez. Os trabalhadores, esses coitados, amanhã ou depois receberão um chute na bunda para que a empresa possa aumentar os seus lucros cortando os custos de produção. Afinal de contas para o capital os lucros são mais importantes que a própria vida, seja ela dos trabalhadores ou do próprio planeta onde vivemos.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

TEMPOS DE VIOLÊNCIA - UMA REFLEXÃO SOBRE O QUE POUCOS TÊM CORAGEM DE FALAR

ARTIGO – TEMPOS DE VIOLÊNCIA

Autor: Rui Amaro Gil Marques – jornalista e assessor de comunicação sindical

Nos últimos 12 anos temos constatado que juntamente com a melhora do nível de vida de milhões de brasileiros, infelizmente também vemos o aumento da violência em vários segmentos da sociedade.
Não bastasse a violência gerada pela exclusão social temos ainda a violência produzida pelo machismo, pelo preconceito e pela homofobia. Segundo dados divulgados pelos próprios governos e Organizações Não Governamentais (Ongs) ligadas aos Direitos Humanos e as minorias os números são mais que preocupantes, são assustadores.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

As mulheres mesmo depois de ter uma lei especifica aprovada para protegê-las de agressões sofridas dos seus próprios maridos e companheiros continuam sendo vítimas as centenas de espancamentos, ameaças de morte e de assassinatos dos mais cruéis. Mesmo com a Lei Maria da Penha os agressores continuam fazendo suas vítimas sem que as autoridades desenvolvam políticas e ações repressivas para diminuir e tentar acabar com esse problema que aflige principalmente as mulheres mais desamparadas devido a sua condição social. Não que isto deixe de acontecer nas classes média e alta. O que demonstra principalmente uma confiança na impunidade presumida pelos agressores. Raramente alguém é condenado por agredir a esposa ou namorada.

VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS

Outro dado muito preocupante é sobre a violência praticada contra crianças e adolescentes que, segundo várias pesquisas, também tem crescido nos últimos anos. Abandonos, espancamentos, trabalho infantil, estupros e prostituição se tornaram palavras corriqueiras na imprensa em relação a situação da criança no Brasil.

As autoridades, mais uma vez, parecem impotentes para combater essa situação de risco. Crianças dormindo pelas ruas, outras sendo exploradas em trabalhos perigosos para a saúde, pedofilia, abusos sexuais por familiares e conhecidos e prostituição infantil viraram rotina e parecem não comover mais ninguém. O que é pior ainda existe o tráfico de bebes onde quadrilhas formadas por enfermeiras, médicos, advogados, servidores públicos e até mesmo pessoas ligadas a entidades de defesa da criança ganham dinheiro vendendo recéns nascidos.

TRÁFICO DE PESSOAS

Outro tipo de crime que também vem crescendo muito nos últimos anos é o tráfico de pessoas, principalmente de mulheres que são enganadas e levadas para outros países para servirem de escravas sexuais na Europa e Estados Unidos. Até uma novela já foi feita baseada nesse crime hediondo, mas o sensacionalismo pulverizou o debate sério sobre o tema. As autoridades novamente se vêm sem muito poder fazer porque a falta de verbas, de estrutura e de pessoal especializado contribui para a impunidade dos criminosos.

PRECONCEITO, HOMOFOBIA E VIOLÊNCIA

O preconceito racial e social também produz a sua violência cotidiana contra nordestinos, negros, índios, mestiços e pobres. Quanto mais os negros conseguem chegar as escolas e universidades mais cresce a violência racial contra eles.

Isto ficou muito explicitado com as campanhas desenvolvidas em quase todos os estados do país contra o Programa de Cotas Raciais nas Universidades Públicas. O debate foi pautado mais sobre o preconceito racial do que verdadeiramente sobre a situação histórica do negro no Brasil e a dívida histórica que a sociedade branca tem com esse povo.
Para muitos os negros ainda são vistos e tratados como seres humanos inferiores que não podem se misturar com os filhos das pessoas bem nascidas nos bancos escolares e universitários. É o poder branco saindo das sombras para mais uma vez demonstrar a sua incompreensão sobre o que é a humanidade.

HOMOFOBIA

Outros que sofrem com a violência crescente na sociedade brasileira são os chamados gays, lésbicas, transexuais, transgêneros, travestis e homossexuais. Recentemente dois irmãos foram assassinados por estarem se abraçando numa praça em Belo Horizonte. Em São Paulo um pai e o filho foram espancados por estarem caminhando de mãos dadas pelas ruas quando ambos voltavam para casa. Lésbicas foram agredidas em boates e lanchonetes no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis.
Gays são atacados em plena luz do dia principalmente em Porto Alegre e São Paulo por grupos neo-nazistas, os assim chamados Carecas. E, tragicamente, mais uma vez as autoridades se demonstram incapazes para combater esses criminosos. Uma incapacidade real e também desprezivelmente fundamentada no preconceito contra essas minorias marginalizadas.

Na cidade de Guarulhos (SP) um travesti foi assassinado com mais de 20 facadas no rosto. Na grande São Paulo dezenas de travestis e transexuais são agredidos e assassinados quase que diariamente.

DEPOIMENTOS COLHIDOS POR MIM EM SÃO PAULO (SP)

Luana Marchiore (22 anos), nome verdadeiro Luis Roberto Vellas, que vive de programas nas noites no bairro da República já foi agredido várias vezes, inclusive por policiais militares. “Não adianta chamar a polícia, pois eles jamais ficam contra os agressores”, afirmou.

Amanda Keller (21 anos), não quis revelar o verdadeiro nome, é amiga de Luana e divide um quarto com ela, também já sofreu agressões e depois de chamar a polícia acabou sendo detida e encaminhada a uma delegacia para prestar depoimento. “Me senti um lixo, foi como se eu tivesse agredido e não sido agredida”.

Karla Brunni Liz (19 anos), nome de batismo Marcio da Silva de Carvalho, veio de Campinas para São Paulo há 6 meses e, segundo relatou, também já foi vitima de agressão física por parte de grupos homofóbicos. “Chegaram de carro, estacionaram e me fizeram sinais. Fui em direção deles e quando cheguei perto todos saíram do carro e passaram a me empurrar, dar socos, chutes, rasgaram minhas roupas, me roubaram, cuspiram em mim, foi horrível, ainda tenho algumas marcas no corpo”.E

ASSASSINATOS DE "MORADORES DE RUA"

Outro fato que vem acontecendo muito nos últimos anos é o assassinato de mendigos, sem teto e indígenas que acabam passando as noites nas praças das grandes cidades.

Em Campinas, Belo Horizonte, São Caetano do Sul, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba só para citar alguns casos mendigos foram espancados ou assassinados a tiros, e ainda pior, queimados vivos por grupos de extermínio formados em sua maioria por ex-policiais militares a serviço de comerciantes locais.

Em Belo Horizonte um individuo que se afirma neo-nazista atacou e agrediu um mendigo a socos e a ponta pés postando depois as fotos da agressão em seu perfil no facebook afirmando que "como cidadão de bem" estava limpando a cidade.

VIOLÊNCIA POLICIAL NAS FAVELAS E NAS PERIFERIAS

Outro dado assustador é o aumento dos assassinatos cometidos por policiais militares onde os do estado de São Paulo lideram o ranking da violência policial com folga em comparação aos de outros estados.

As vítimas são em geral moradores dos bairros das periferias e das favelas das grandes cidades do estado. No Rio de Janeiro a situação não é muito diferente. Lá a PM é acusada de ter sequestrado e sumido com o pedreiro Amarildo entre outros casos de violência policial naquele estado.

Mesmo os dados apresentados pelo governo e pelas ONGs esses números ainda podem ser questionados porque não refletem bem a realidade, uma vez que nem todos estão dispostos a falar. O medo colabora para que esses criminosos fiquem impunes e o preconceito transforma as vitimas em culpados pelas agressões sofridas. É como disse um rapaz demonstrando toda a força da homofobia e do preconceito:“viado tem apanhar para virar homem”.

Enquanto a sociedade, governos e autoridades não fizerem nada para coibir essas crescentes ondas de violência o futuro não será nada promissor, mesmo com todas as conquistas sociais e econômicas que os brasileiros obtiveram nos últimos anos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

CENTRAIS SINDICAIS CONVOCAM DIA NACIONAL DE LUTA PARA JULHO

DIA NACIONAL DE LUTA E AQUELES QUE LUTAM TODOS OS DIAS

AS CENTRAIS SINDICAIS - DA "extrema esquerda" até aquelas comprovadamente pelegas a serviço do capital no movimento sindical estão convocando os trabalhadores e a juventude para o Dia Nacional de Lutas, que será realizado no mês de julho.

Dia Nacional de Lutas - Um dia que vai mudar os rumos do país. Um único dia. 

Por que essas mesmas centrais não aproveitam e já vem pras ruas agora enfrentar a repressão das PMs e dos governos que muitas delas apoiam e recebem dividendos através dos vários cabides de empregos que ocupam como burocratas em ministérios e secretarias?

Dia Nacional de Lutas - Se dependesse dessa turma ainda estaríamos trabalhando 16, 17 horas por dia, sem descanso semanal, sem férias remuneradas, sem 13º salário, sem direito a aposentadoria e etc.

Vou dar só um exemplo do que estou dizendo. Temos o famigerado Fator Previdenciário instituído pelo não menos famigerado Fernando Henrique Cardoso e ainda mantido nestes últimos 12 anos pelos governos do PT/PCdoB.

Pois bem, onde aconteceram as grandes manifestações contra esse crime praticado pelo governo contra os trabalhadores brasileiros? Onde aconteceram as greves gerais para acabar com o Fator Previdenciário?

Outro exemplo - A diminuição da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas sem a redução de salários. Reivindicação que todas as centrais dizem defender. Pergunto mais uma vez - onde aconteceram as grandes manifestações e protestos em todo o país exigindo que governo e empresários atendessem essa reivindicação dos trabalhadores?

Quando realizaram a greve geral nacional para lutar por essa reivindicação?

Não chamaram e nem realizaram nenhuma greve geral e nem tão pouco envolveram os trabalhadores nessa luta. O que fizeram foi só mais um dia de luta na Esplanada dos Ministérios em Brasília.

E só. Nunca mais tocaram no assunto. Agora, por causa da "revolução do toddynho" e do sucesso das manifestações levadas a cabo pelo Movimento Passe Livre em todo o país elas aparecem das sombras saindo dos seus gabinetes e escritórios para promover só mais um dia nacional de luta.

Um dia nacional de luta e depois voltam todos para o conforto dos seus sofás, para as intrigas palacianas e para os seus feudos em que transformaram os sindicatos.

Um dia nacional de luta para resolver todos os problemas dos trabalhadores lá em Brasília na Esplanada dos Ministérios para não atrapalhar o trânsito da Paulista, para não incomodar o comércio na Brigadeiro Faria Lima, para não pressionar governadores e nem prefeitos.

Mas somente para aparecerem nas capas dos grandes jornais, nas redes de tv e ficarem com as suas consciências tranquilas, afinal também foram a luta, mesmo que essa luta tenha sido apenas por um dia lá em Brasília onde não vão incomodar a FIESP e nem a CNI.

Um dia nacional de luta conforme o roteiro de um movimento sindical burocratizado que esta cada vez mais distante daqueles que diz representar - os trabalhadores e trabalhadores que carregam nos ombros diariamente os sangue-sugas que exploram e roubam a nossa gente.

Um dia de luta que será apenas e tão somente só mais um dia de festa em Brasília.

PARA NÓS, TRABALHADORES E TRABALHADORAS, TODOS OS DIAS SÃO DIAS DE LUTA. TODOS OS DIAS ENFRENTAMOS A GANÂNCIA DOS PATRÕES E A OPRESSÃO DA SOCIEDADE CAPITALISTA.

PARA OS QUE LUTAM CONTRA O CAPITALISMO E SEUS PARASITAS TODOS OS DIAS SÃO DE LUTA E LUTAMOS EM TODAS AS CIDADES, GRANDES, MÉDIAS E PEQUENAS.

SOMENTE AS LUTAS DIÁRIAS E CONSTANTES, NAS RUAS, PRAÇAS E AVENIDAS, MUDAM A REALIDADE. Fora disso só temos um dia nacional de luta que não muda nada em lugar nenhum.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

SOCIEDADE, ESTADO, CONTROLE E VIOLÊNCIA

SOCIEDADE PÓS-MODERNA, CONTROLE DO ESTADO E VIOLÊNCIA.

Rui Amaro Gil Marques

Nas estruturas da sociedade pós-moderna a violência estatal vem assumindo cada vez mais importância para controlar e submeter os indivíduos, principalmente os das periferias marginalizadas, a “paz social” tão importante para assegurar que a submissão de milhares de pessoas seja possível e, desta maneira, manter a exploração e a alienação das camadas populares.

A violência estatal utilizada para manter os interesses das classes dominantes na periferia passa pela própria ausência do estado na oferta de serviços públicos de qualidade e em obras de infraestrutura como saneamento básico, ruas asfaltadas entre outras.

A ausência desses serviços públicos fundamentais nasce da lógica de que na periferia não existem cidadãos, mas sim pobres, negros, prostitutas e marginais e de o estado deve estar a serviço das “pessoas de bem”, ou seja, daquelas que usam gravatas e desfilam pelas avenidas das grandes cidades nos seus belos e magníficos veículos conduzidos por motoristas particulares ou também na condição de condutores dos seus carrões cheios de novidades tecnológicas.

Contra o descaso e a violência das classes dominantes asseguradas, defendidas e perpetradas pelo estado o individuo atomizado e posto na condição de marginalizado e de cidadão sem direito a cidade só pode e tem como se defender com a lógica da reação que podemos dividir da seguinte maneira: 1) passividade; 2) apego a religiosidade como solução dos seus problemas; 3) banditismo como forma de tirar proveito da sua condição de exclusão social; 4) servilismo por entender que é a melhor forma de conseguir tirar algum proveito da sua condição de excluído; 5) colaboração com as instituições e aparatos de repressão do estado como demonstração de aceitação das condições impostas e 6) PROMOÇÃO E ORGANIZAÇÃO DE MANIFESTAÇÕES, ATOS, PROTESTOS, MARCHAS E DEMAIS MÉTODOS DE LUTA POPULAR CONTRA A EXCLUSÃO SOCIAL E DENTRE ESSES METÓDOS DE MANIFESTAÇÃO E PROTESTOS ENCONTRAMOS AQUILO QUE A MÍDIA E AS CLASSES DOMINANTES ROTULAM DE VANDALISMO E VIOLÊNCIA.

Mas essa violência das classes populares contra a sua condição de marginalizados e de abandonados pelo estado não é uma violência sem causa, sem legitimidade. Segundo alguns teóricos, a violência repressora do estado deve-se denominar-se de força, uso da força de repressão. Por tanto, a violência das camadas populares deve ser compreendida como legítima, uma reação daqueles que só podem se expressar contra a força do estado que os oprime, vigia e viola desta única maneira. Neste caso essa violência é o verdadeiro grito dos excluídos, alguns até mesmo excluídos dos protestos populares regulamentados e aceitos pelo estado. Afinal, numa sociedade de classes até mesmo as liberdades individuais e coletivas daqueles que não fazem parte das classes dominantes e dos servidores e burocratas dos governos e do estado devem e têm que ser objeto de leis, decretos e de todo o tipo de controle estatal.

A democracia numa sociedade de classes tem os seus limites demarcados pelos interesses das classes dominantes. Interesses assegurados constitucionalmente pelo estado e defendidos por ele com o uso da força, seja ela em todas as suas formas. Para conter a insatisfação e a rebeldia dos pobres, dos vagabundos, dos negros, dos marginalizados, dos sem teto, sem terra, dos sem direitos a força bruta do estado é garantia primordial a existência e manutenção do “estado democrático de direito” e de todos os tipos de ditaduras.

Aos explorados resta uma única arma para transformar a sua realidade e enfrentar a força repressora do estado: a violência.


Neste caso a violência deixa de ser apenas violência assumindo a condição de reação radical para buscar a solução e o fim de uma situação de exclusão perpetrada por uma sociedade radicalmente dividida entre os que tudo tem e aqueles que nem mesmo o direito a vida possuem. 

sábado, 15 de junho de 2013

TODO APOIO ÀS LUTAS DOS ESTUDANTES


PARA COMPREENDERMOS O MOVIMENTO PASSE LIVRE E AS NOVAS (VELHAS) LUTAS DA JUVENTUDE

AINDA SOBRE O MOVIMENTO PASSE LIVRE - Vamos esclarecer alguns pontos importantes:

1) O movimento é composto em sua maioria por jovens estudantes secundaristas, universitários, trabalhadores e desempregados que não acreditam nos partidos políticos e nem nos políticos;

2) Muitos se dizem anarquistas, outros se dizem sem ideologia e alguns carregam as bandeiras dos seus partidos (a minoria) PSTU, PSOL, PCB e PCO;

3) As influências do movimento vem de movimentos da juventude da Europa em crise (Grécia, Espanha, Turquia);

4) Não existem lideranças definidas como tal, tudo é tratado nas redes sociais de maneira ampla a contemplar todos os pontos de vistas dos envolvidos;

5) O MPL não se considera de esquerda, direita ou de centro. Se consideram apenas um grupo de jovens cansados e indignados com o sistema de transporte coletivo e como a cidade de São Paulo vem sendo administrada pelos políticos.

6) Querem mudanças e estão lutando por elas. A questão das tarifas do transporte coletivo foi o que uniu os seus integrantes mas suas reivindicações podem (e vão) além disso.

Os partidos tradicionais não têm o controle sobre o MPL e um movimento sem controle feito por pessoas que não aceitam serem controladas assusta os políticos, governos, a mídia e o estado.

Por causa desses detalhes é que a maioria dos partidos, incluindo o PT e o PCdoB, estão contra o movimento.

O movimento poderá pender para a extrema esquerda? Sim, poderá. Depende de como se dará o seu desenvolvimento ideológico interior como também poderá se tornar um movimento catalizado pela direita e isso graças aos partidos tradicionais da esquerda, que desde o primeiro momento os trataram como inimigos por causa das criticas desferidas ao prefeito Fernando Hadad, do PT/PCdoB.

Em minha opinião esses movimentos são a grande novidade política no Brasil nos últimos anos uma vez que modelos similares existem em Goias, Curitiba, Natal, Brasília e em outros estados.

É a juventude brasileira saindo do ostracismo e mostrando a sua cara, falando por si mesma, sem interlocutores, sem velhos métodos de organização, desconfiada e desconfiando de tudo e todos, fazendo criticas profundas principalmente aos partidos de esquerda por esses terem se perdido no fisiologismo e nas práticas políticas que antes tanto condenavam.

Rotular essa gurizada toda de isso e aquilo é muito fácil. Difícil é descer do pedestal das verdades absolutas e dialogar com eles, conhecer suas demandas, ter contato com os seus sonhos e angústias. A direita (PSDB e a mídia) e a esquerda (PT/PCdoB) se uniram para combater esse "movimento de vândalos" e com essa união dos opostos quem mais perdeu foi a própria esquerda.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

CHEGA DE ILUSÃO

CHEGA DE ILUSÃO, SOMENTE A LUTA MUDA A VIDA.

SINAIS - Independentemente das entidades sindicais e estudantis estarem nas mãos de pessoas extremamente ligadas ao partidos governistas (PT, PCdoB) estudantes e trabalhadores começam a se mobilizar contra a ganância do capital e o descaso dos governos para com o atendimento das reivindicações da população.

A luta contra os aumentos das tarifas do transporte coletivo se espalhou pelo país inteiro a partir de Porto Alegre (RS). Como sempre as forças policiais usaram de toda a sua força bruta para acabar com essas manifestações.

Os movimentos sociais começam a sair de sua letargia e lideranças ligadas aos partidos governistas começam a ser questionadas e até mesmo deixadas de lado, como é o caso dos trabalhadores dos correios.

A luta pela reforma agrária e pela demarcação das terras indígenas volta com toda a força sacudindo a estabilidade do governo da Dilma Tucana e do PT atucanado de agora.

A MÍDIA GOLPISTA mais uma vez vem socorrer os interesses das empresas de transporte coletivo, dos latifundiários e dos governos sejam eles estaduais, municipais e federal. Todos os movimentos que estão fugindo do controle do PT/PCdoB são retratados pela imprensa como baderneiros, terroristas e radicais numa demonstração clara de colocar o resto da população contra eles.

De olho nas eleições de 2014 o PT abandona paulatinamente os movimentos sociais e a Dilma Tucana opta por abraçar Kátia Abreu representante mor dos ruralistas e latifundiários e os "evangélicos" de extrema direita.

Não devemos ter mais nenhuma ilusão no PT e em "seu" governo que a cada dia vai pendendo sempre mais a direita. Somente a nossa luta e independência política poderão fazer frente aos ataques patronais e do governo aos nossos direitos e conquistas.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

FASCISMO NO BRASIL: A SERPENTE VAI CRESCENDO COM A AJUDA DO PT E DO PSDB - OS SINAIS ESTÃO SENDO DADOS.

FASCISMO NO BRASIL: A SERPENTE VAI CRESCENDO COM A AJUDA DO PT E DO PSDB

Enquanto petistas ficam ainda ressuscitando Fernando Henrique Cardos e o moribundo PSDB na tentativa de manter viva a falsa polaridade PT x PSDB criada para desviar a nossa atenção da realidade que nos cerca o fascismo vai, aos poucos, tomando conta do país.

E isso vem acontecendo por culpa do próprio PT que para manter a sua gelatinosa base de apoio composta pela direita fisiológica, corrupta, reacionária, ruralista, latifundiária, "evangélica" e preconceituosa vem cedendo espaços cada vez mais importantes para os extremistas de direita disfarçados de pastores.

PT e PSDB são faces da mesma moeda por isso aplicam a mesma política monetária e econômica. Ambos usando eufemismos dilapidam o patrimônio público e privatizam as riquezas nacionais. Tucanos e petistas estão prostrados e de quatro para atender aos interesses de lobistas, banqueiros, conglomerados, empresários e dos que desde 1500 vem roubando o povo brasileiro.

Reforma agrária e a demarcação das terras indígenas - que se encontram paradas - demonstram claramente como esses partidos agem de forma igual quando os interesses dos poderosos se encontram em risco.

Sindicalistas, ambientalistas, militantes sociais, religiosos e índios são assassinados e nada é feito de forma séria para prender os assassinos. Só nesses 2 anos de governo Dilma 12 sindicalistas e 4 índios foram assassinados a mando do latifúndio.

Os barões da mídia deitam e rolam manipulando a informação e pressionando tanto o governo da Dilma Tucana como o PT atucanado a abandonar as pautas populares e assim os movimentos sociais e suas reivindicações são postos de lado.

Essa é a realidade. Mas em 2014 novamente teremos uma Dilma com um pseudo discurso de esquerda atacando o seu oponente tucano, chamando-o de privatizante enquanto tenta-rá se esquivar das suas próprias privatizações: aeroportos, portos, rodovias federais, hospitais universitários, as "concessões" do patrimônio público dadas a "iniciativa" privada por 30 anos de uso-fruto, os leilões do petróleo do pré-sal e a permissão para o plantio de cana de açúcar na Amazônia Legal e nas áreas de serrado.

Vai enaltecer os seus programas sociais como o Bolsa Família e, igual ao PSDB e seus aliados escrotos, reduzir ao máximo o debate sobre as alternativas políticas que possam ser postas em pratica e realmente transformar o Brasil para atender as necessidades do povo brasileiro, necessidades mínimas que nunca saem dos discursos dos candidatos de todos os partidos mas que jamais são tratadas como prioridades.

E, para ter o apoio dos fascistas religiosos, ambos, PT e PSDB vão, sem a menor desfaçatez e vergonha na cara, rifar conquistas históricas das minorias marginalizadas deste país.

Os trabalhadores também estão correndo sérios riscos de perderem direitos históricos conquistados com muita luta, de ter a CLT flexibilizada, para agradar aos grupos empresariais poderosos que vão financiar petistas e tucanos em 2014 assim como já fizeram em eleições anteriores. Só que desta vez esses grupos vão pressionar ainda mais para que o próximo "governante" adote de vez a sua agenda modernizante das relações de trabalho para, como gostam de dizer, acabar com o "custo Brasil" e alavancar a economia brasileira.

O FASCISMO DISFARÇADO DE RELIGIÃO TOMOU CONTA DA DILMA, DO PT, DO PSDB e se permitirmos esses fanáticos de extrema direita tomarão conta do país. E o que é pior, com eles virão os movimentos neo-nazistas e fascistas declarados.

OS SINAIS ESTÃO SENDO DADOS.

terça-feira, 5 de março de 2013

MORRE HUGO CHÁVEZ. VENEZUELA DE LUTO.


Morre Hugo Chávez. E agora trabalhadores da Venezuela?


Rui Amaro Gil Marques


Hoje a tarde (06 de março) morreu em Caracas o presidente venezuelano Hugo Chávez. Militar por formação ascendeu ao poder depois se tornar uma forte liderança popular. Em 1992 juntamente com outros militares reformistas organizou o Movimento Popular Revolucionário Bolivariano tentou um golpe de estado. Derrotado, acabou preso juntamente com os seus principais aliados militares e civis. Absolvido, reorganizou o Movimento Popular Revolucionário transformando-o em partido político, o Partido Socialista Unificado da Venezuela. com o qual participou das eleições presidenciais vencendo todos os seus adversários. 

Com maioria no Congresso Chávez realizou várias reformas constitucionais que alteraram profundamente a ordem constitucional de seu país.  Investiu na melhoria dos serviços públicos, na educação pública, saúde pública, infraestrutura e colocou a estatal de petróleo PEDVESA para financiar programas sociais, principalmente o combate ao analfabetismo e a miséria.  Investiu no urbanismo das favelas de Caracas construindo moradias populares e acabando com os barracos de papelão.  Em consequência da intervenção do seu governo a indústria, em especial a construção civil, passou a gerar mais e novos postos de trabalho fazendo diminuir o desemprego e, em consequência, a violência social.

Combateu a corrupção em várias esferas da administração pública, incluído o Poder Judiciário e os sindicatos onde, através do Ministério Público, realizou uma profunda investigação para descobrir como juízes, promotores, policiais, sindicalistas e administradores de empresas estatais tinham constituído seus patrimônios.

Nas forças armadas também realizou mudanças profundas destituindo e aposentando generais, almirantes, brigadeiros e demais comandantes acusados de desrespeito aos direitos humanos e envolvidos na repressão nos anos 90 ao movimento popular conhecido como caracazo que realizou manifestações contra o governo de Andrés Perez então presidente venezuelano do partido social-democrático.

Odiado pela mídia, pela burguesia e pelo imperialismo, Chávez sofreu um golpe de estado em 2002 liderado pelas oligarquias e com a participação de velhos militares.  Salvo por militares e por civis voltou ao governo perdoando os golpistas com anistia.  

Hugo Chávez também desempenhou um papel importante na união de alguns países da América Latina e Caribe como Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Cuba, Nicarágua, Paraguai e Uruguai criando a Unasul.  Mas também cometeu erros importantes como a deportação de militantes das FARCs, que estavam refugiados em seu país de volta à Colômbia onde foram presos e julgados pelo governo direitista de Álvaro Uribe, aliado dos Estados Unidos no continente.

O câncer matou o comandante Hugo Chávez deixando órfã uma Venezuela muito diferente daquela que encontrou quanto assumiu o poder. O futuro da Venezuela sem o comandante depende, agora mais que antes, dos trabalhadores e da população em geral.  A oposição vê agora a melhor oportunidade para tentar voltar ao poder. O imperialismo também acredita que com a morte de Chávez o movimento criado e impulsionado por ele, o socialismo do século 21, também terá fim e que assim poderá voltar a mandar na Venezuela através das oligarquias que controlam os meios de comunicação.

domingo, 16 de dezembro de 2012

BRF BRASIL FOODS: TRABALHADORES DA UNIDADE DE PONTA GROSSA (PR) ENFRENTAM GIGANTE POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO










GREVE NA BRF DE PONTA GROSSA (PR): EMPRESA TENTA INTERDITO PROIBITÓRIO. JUSTIÇA NEGA E PARALISAÇÃO CONTINUA.

Em nova assembleia realizada nesta sexta-feira (14) trabalhadores reafirmaram disposição para a luta e apresentaram contraproposta à empresa.




Rui Amaro Gil Marques
Direto de Ponta Grossa (PR).



A paralisação dos trabalhadores e trabalhadoras na Brasil Foods (BRF) unidade de Ponta Grossa, região dos campos gerais do Paraná, completou nesta sexta-feira (14) o seu 3º dia.

Na tarde de quinta-feira (13) a empresa, através do seu departamento jurídico, entrou com pedido de Interdito Proibitório na Justiça do Trabalho em mais uma tentativa de intimidar os trabalhadores parados e enfraquecer a greve. No entanto a decisão da Justiça veio contra as pretensões da empresa validando a paralisação dos trabalhadores.


Cassação de Mandato Sindical

Um fato marcou a greve dos trabalhadores da BRF de Ponta Grossa na madrugada desta sexta-feira (14). Um diretor do Sindicato que decidiu por furar a greve e voltar ao trabalho acabou acirrando os ânimos dos trabalhadores que exigiram que ele tivesse o seu mandato revogado. O que acabou acontecendo por deliberação de uma assembleia convocada pelos próprios trabalhadores que exigiram que o sindicato tomasse uma decisão a respeito. Por maioria absoluta dos cerca de 600 trabalhadores presentes esse diretor teve o seu mandato cassado. Cabe recurso na Justiça, mas o sindicato afirmou que irá respeitar e acatar a decisão dos trabalhadores.


Contraproposta dos Trabalhadores

Para demonstrar que não estão fechados a reabertura das negociações os trabalhadores decidiram por encaminhar a empresa uma contraproposta.  Organizados todos discutiram os números apresentados anteriormente à BRF no início das negociações salariais e decidiram por fazer uma nova proposta:  Reajuste de 10% em substituição a primeira que era de 13%, cesta básica de R$150,00 em substituição a primeira que era de R$250,00.


Intransigência

Infelizmente a BRF não abre mão de sua intransigência e exige que os trabalhadores “aceitem” a sua proposta de reajuste salarial de 8,5% e cesta básica de R$120,00. A empresa também não quer cancelar as demissões dos trabalhadores que aderiram a greve e mantem os descontos dos que continuam parados. Desde o início das negociações com os sindicatos que a empresa tem forçado a barra utilizando de sua força para intimidar dirigentes sindicais e trabalhadores. Na verdade para a BRF negociar é o mesmo que fazer valer os seus interesses e só.


Lucros Cada Vez Maiores


A empresa Brasil Foods (BRF), criada a partir da fusão das gigantes Perdigão e Sadia é o exemplo mais acabado de como funciona o capitalismo selvagem praticado por essas verdadeiras predadoras do mercado globalizado. Para superá-la talvez só mesmo as gigantes do petróleo, as montadoras de veículos, as mineradoras e os bancos tamanha é a ferocidade com que atua na disputa por fatias cada vez maiores do mercado de produtos alimentícios industrializados.
Com lucros e investimentos cada vez maiores, contando ainda com a benevolência financeira do governo federal através dos polpudos empréstimos do BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, a gigante BRF ameaça e destróis os seus concorrentes tanto aqui no Brasil como no exterior onde a sua presença vai se tornando parte do cotidiano.
Tendo como investidores os famosos Fundos de Pensão de empresas estatais (Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal entre outros) e os chamados aplicadores no mercado de ações (os especuladores) a empresa tem se colocado como uma atraente fonte de dividendos para os que buscam lucros com menos riscos.
Afinal, fugir dos riscos do mercado tem sido a tônica do crescimento da BRF. A filosofia da empresa é aquela já conhecida de cortar gastos ao extremo para expandir os seus lucros e dos acionistas ao máximo, nem que para isso ser alcançado mantenha salários reduzidos e faça de tudo para peitar os sindicatos mais arredios ao seu controle e aqueles que optaram por ficar fora de sua “área de influência”.
E não são apenas os sindicatos de trabalhadores que sentem o seu enorme poder de fogo. Os produtores de frangos fornecedores da BRF também sentem a pressão da empresa na hora de negociar com ela. Não são eles quem ditam os preços das aves mas a BRF que impõe o valor que ela ser o adequado para os seus interesses.  Em 2011 na cidade paranaense de Dois Vizinhos os produtores locais se organizaram e promoveram uma manifestação contra a forma que a BRF se relaciona com eles. Muitos a beira da falência por causa da política de preços praticados pela empresa que paga o que quer pelo fornecimento de aves e não o quanto seria justo para ambas as partes.

Fugindo da Crise e Lucrando cada vez mais
No início de 2012 a BRF, maior exportadora global de carnes de aves, anunciou um lucro líquido de R$ 1,37 bilhão em 2011, alta de 70% na comparação com 2010, impulsionada pelo bom desempenho do mercado externo.
"A BRF fechou o ano de 2011 com resultados expressivos. A empresa superou as estimativas de crescimento de receitas líquidas e investimentos mesmo diante do cenário econômico instável que permeou o período no mercado internacional", afirmou a companhia em seu comunicado à imprensa especializada.  Ver o site do Grupo Globo de Comunicação:  http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2012/03/lucro-da-brf-salto-70-em-2011-com-impulso-do-mercado-externo.html. – dados divulgados pela própria empresa.
"Estamos contentes com o resultado, porque foi um ano de cenário muito hostil para o nosso setor (...) aumentamos o faturamento no ano em mais de R$ 3 bilhões", disse o presidente executivo, José Antonio do Prado Fay, em conferência de imprensa para comentar o balanço.
As vendas externas somaram R$ 10 bilhões no ano passado, incremento de 12,3% sobre o ano anterior. Segundo Fay, houve crescimento das vendas para a África e para os países do Oriente Médio, mesmo com os conflitos da Primavera Árabe, que chegaram a afetar os embarques para estes países. Ele acrescentou que o Japão, que apresentou importante incremento, também teve aumento após tsunami que devastou parte do país em 2011.
A companhia informou ainda que a receita líquida somou no ano passado R$ 25,7 bilhões, alta de 13,3% ante 2010, "sustentadas principalmente pelo bom desempenho do segmento de carnes no mercado interno, da área de food services e do mercado externo".
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortização) em 2011 aumentou 23%, atingindo resultado recorde de R$ 3,2 bilhões.

BRF DIVULGA RESULTADOS DE 1º TRIMESTRE, COM CRESCIMENTO  DE 5,3% NA RECEITA E LUCRO DE R$ 153 MILHÕES

A companhia conquistou o grau de investimento na avaliação das três principais agências de rating.  A BRF fechou o primeiro trimestre de 2012 com receita líquida de R$ 6,3 bilhões, valor 5,3% superior ao mesmo período do ano anterior.  O lucro bruto no trimestre totalizou R$ 1,3 bilhão, recuo de 13%, refletindo primordialmente os desafios no mercado externo onde foram
experimentadas quedas importantes de preço. O lucro liquido no trimestre foi de R$ 153,2 milhões. Já o EBITDA atingiu R$ 532 milhões, margem de 8,4%, comparado com R$ 816 milhões do ano anterior e margem de 13,6%.  

Os resultados da companhia refletem cenário conjuntural desafiador  no mercado externo, como já observado no quarto trimestre de 2011. Alguns mercados importantes como  Japão e Oriente Médio ainda sofrem processo de ajuste e normalização do nível de estoques, e de fluxos de mercadorias. A receita com exportações foi de R$ 2,4 bilhões no trimestre, praticamente no mesmo patamar comparado com o primeiro trimestre do ano passado.

Por outro lado, a companhia teve bom desempenho com as vendas no mercado interno/varejo que somaram R$ 3 bilhões, crescimento de 11%, a despeito de consumo abaixo das expectativas no varejo brasileiro.   Da mesma forma, o segmento  de  food service apresentou boa performance e obteve receita 10,4% superior. Foram lançados 11 produtos entre linhas in natura e processados para grandes redes globais, plataforma de salgados, linha grill e produtos para rotisseria.

A companhia também conquistou o grau de investimento das três principais agências mundiais de classificação de risco (rating). As agências enfatizaram as vantagens competitivas como marca, distribuição, governança corporativa e solidez financeira entre outros.  Entre os meses de março e abril, a Standard & Poor´s e Moody´s atribuíram o grau de  investimento enquanto a Fitch Ratings reconfirmou a nota dada há um ano.
Fonte: http://www.brasilfoods.com/ri/siteri/web/arquivos/Release_1T12.pdf  - dados divulgados pela própria empresa.


A BRF, salários, benefícios e sindicatos: Arrocho, intimidação e troca de favores


Uma estratégia da BRF para manter os seus lucros protegidos das crises econômicas é a maneira como ela se relaciona com os seus “colaboradores” espalhados pelas suas plantas no Brasil. A sua política de Recursos Humanos também não é nova. Ela segue o velho receituário de tratar os salários como custos e não investimentos. Sendo assim ela arrocha salários e concede o mínimo de benefícios para os trabalhadores.

A sua relação com os sindicatos que representam os seus funcionários vai do agrado, da troca de favores, a intimidação e ao confronto aberto.  Sindicatos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, só para mencionar esses três estados onde ela tem uma presença muito forte na economia da região sul, são exemplos dessa sua lógica de proteção dos seus interesses econômicos.

Em Santa Catarina a maioria dos sindicatos, com raras exceções, sempre acabam por aceitar as imposições da empresa. Existem casos em que a empresa e o sindicato fizeram parcerias para a construção de academias e centros de lazer para os seus funcionários.  A BRF ajudou financeiramente nessas construções que passaram para o bem móvel do sindicato onde inclusive é taxativa a presença da empresa com propagandas na sede da entidade. No Rio Grande do Sul e no Paraná a realidade não é muito diferente.

Nas cidades de Carambeí e de Ponta Grossa os sindicatos ali existentes podem ser chamados de “ovelhas negras”, pois dificilmente se curvam aos interesses da empresa. O sindicato STIMLACA, da cidade de Ponta Grossa, é um exemplo de como a BRF trata os desobedientes. Os representantes da empresa que negociam os acordos coletivos de trabalho com os demais sindicatos do estado não o aceitam na mesma mesa de negociação, fazem campanhas internas contra a participação dos seus funcionários nesse sindicato e pressionam os dirigentes sindicais de todas as maneiras possíveis.

Para aqueles que optam por um relacionamento “harmônico” com a BRF existe a política da troca de favores, da premiação, do tratamento diferenciado na hora de negociar aumentos salariais e benefícios para os trabalhadores. Para os arredios, rebeldes e independentes temos a pressão, o arrocho e o confronto aberto puro e simples. Como é o caso das negociações salariais de 2012/2013 onde mais uma vez o sindicato de Ponta Grossa e seus dirigentes foram postos para fora das discussões iniciadas com os demais sindicatos de Toledo, Dois Vizinhos, Paranaguá e Francisco Beltrão.  Outro que ficou de fora foi o SINTAC da cidade de Carambeí onde a empresa tem uma de suas principais plantas no Paraná com cerca de 4,5 mil funcionários.

Ainda em Santa Catarina a BRF demitiu dirigentes sindicais e no Paraná, em Carambeí, ela demitiu trabalhadores da Comissão de Negociação criada pelo sindicato local para participar das rodadas de negociação salarial deste ano.  Somente com muita pressão do sindicato é que ela decidiu rever essas demissões. Por mais que ela tente se mostrar como uma empresa moderna, na realidade ela é só mais uma que explora ao máximo a força de trabalho passando por cima de tudo e de todos para conseguir cada vez mais lucros e o domínio completo do mercado onde atua. As doenças do trabalho também tem maior incidência entre os seus funcionários. Será apenas coincidência? Acredito que não.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

SOBRE A VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO: GOLPE A CAMINHO


AS CAUSAS DAS ONDAS DE VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO E O SILÊNCIO DA ESQUERDA


São Paulo, a maior metrópole brasileira, terceira maior cidade da América Latina, esta sendo o palco para mais um golpe contra o povo brasileiro e a esquerda em geral. Toda essa violência tem um propósito sórdido. Toda essa violência contra as comunidades, a população de rua, trabalhadores e a própria polícia militar não esta acontecendo a toa. Ela vem de encontro aos interesses das camadas mais
 reacionárias e extremistas da elite paulista e brasileira. Querem causar o caos, espalhar o medo, sofrimento e com isso abrir as portas para a intervenção de medidas duras e anti-democráticas pelo estado. Querem desestabilizar a sua própria democracia porque ela já não serve aos seus interesses políticos e econômicos. Querem que a esquerda seja responsabilizada pela violência e pelo crime organizado. Querem o povo contra a esquerda, mais precisamente contra o PT e seus aliados. Querem o exército nas ruas, desejam a todo custo a volta do estado de excessão e toda a sua política repressiva. E o pior é que eles não estão agindo sozinhos.




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terça-feira, 30 de outubro de 2012

CRISE NA EUROPA: TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA


Europa conflagrada por guerra da troika contra direitos sociais
Em Londres, Glasgow, Belfast e Roma multidões ocuparam as ruas no sábado (20) contra assalto a salários e pensões. Na quinta (18), a Grécia fora à greve geral e estudantes espanhóis pararam Madri
A Europa segue conflagrada com a guerra da Troika (FMI/BCE/Comissão Europeia) aos direitos sociais. 100 mil pessoas marcharam em Londres no sábado (20) contra os cortes nos salários e programas sociais, bem como dezenas de milhares se concentraram na Praça San Giovanni em Roma, aos brados de “Fora Monti!”. Na véspera, a Confederação Europeia dos Sindicatos anunciou que a data em que portugueses e também espanhóis vão à greve geral – 14 de novembro -, será de luta em todo o continente. Na quinta-feira, dezenas de milhares de estudantes se manifestaram em Madri. No mesmo dia, uma greve geral parou a Grécia.
Enquanto multidões repudiavam o arrocho de salários e aposentadorias e o corte de direitos, a cúpula europeia se reuniu em Bruxelas para reincidir na falida política de “austeridade”, com Angela Merkel, a primeira-ministra alemã, chegando ao ponto de propor um “comissário europeu”, que ninguém elegeu, com poderes para vetar orçamentos dos países da UE que não cumprissem “os limites”. Não passou, mas conseguiu adiar para 2014 a supervisão bancária na área do euro, deixando a Espanha à mercê de ter de engrossar sua dívida em 40 bilhões de euros destinados aos bancos privados em bancarrota.
Na capital inglesa, o secretário-geral da central TUC, que convocou a marcha, Brendan Barber, denunciou que o governo “está tornando a vida extremamente dura para milhões de pessoas com os cortes de salários dos trabalhadores, enquanto os ricos estão recebendo cortes de impostos”. Continuando, ele destacou que “mais de 2,5 milhões de pessoas estão sem emprego, outros três milhões não trabalham horas suficientes e os salários estão caindo a cada mês durante os últimos três anos”.
Em Roma, a líder da maior central sindical italiana, CGIL, Susanna Camusso, advertiu que “a política do rigor e da austeridade não só fracassou, como é a grande culpada das dificuldades do país”. Ela acrescentou que o arrocho “impactou a capacidade de consumo e não protegeu a indústria e os trabalhadores, esta é a razão pela qual o país está em uma recessão extraordinariamente profunda”.
Em Portugal, a central CGTP, que convocou greve geral no país no dia 14 de novembro, exigiu que o governo de Lisboa negocie com os demais países europeus para que o BCE passe a financiar diretamente os governos “a 0,75%, mesma taxa que cobra dos bancos privados”. No dia 31 de outubro, data do início da votação do novo orçamento de arrocho no país, haverá uma concentração diante do parlamento.
EDUCAÇÃO
A Espanha adotou a data portuguesa para a sua greve geral, conforme anúncio feito pelas duas centrais CCOO e UGT, junto com a Cúpula Social, que congrega 150 entidades. Em Madri, coroando uma greve de três dias contra o achaque do governo Rajoy à educação, dezenas de milhares de estudantes, pais e professores tomaram as ruas na quinta-feira (18), para denunciar o corte de 4 bilhões de euros na educação, o aumento das anuidades no ensino superior e a demissão de 50 mil professores. “Educação pública para todos”, exigiram os manifestantes, que começaram sua marcha na Praça Netuno e dali até o Ministério da Educação, dirigindo-se depois até a Porta do Sol.
A Grécia, no quinto ano consecutivo de recessão, e com o desemprego já empatando com o da Espanha, 25% da força de trabalho ativa, voltou na quinta-feira a se pronunciar contra o arrocho sem precedentes, que não cessa de ser reforçado, como no último pacote, em discussão com a Troika, de cortes de 13,5 bilhões de euros. Milhares de pessoas cercaram o parlamento e manifestantes entraram em choque com a polícia. Foi a segunda greve geral em três semanas, tempo de permanência dos monitores da Troika no país.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

UMA DISCUSSÃO PERTINENTE


Polêmica: Nem o centralismo “cupulocrático” do PSTU, nem o voluntarismo “direitizante” de algumas figuras públicas do PSOL.



Publicado em 17 de outubro de 2012 
Mail do autor: gshaibabibi@gmail.com



Foi alardeada nas redes sociais a aliança “direitizante” que o candidato do PSOL está tentando construir em Macapá para o segundo turno. Obviamente, buscar apoio eleitoral e fazer concessões a setores do DEM e do PSDB é um escândalo para todos os Socialistas Convictos, como nós o somos. Tal prática política é reflexo do voluntarismo “direitizante” de algumas Figuras Públicas do PSOL, que, sobretudo, revelam-se, agindo dessa forma, que estão adaptando-se à ordem capitalista, e, nesse caso específico, não servem como agentes da revolução, mas, sim, como agentes da reprodução das relações de produção capitalistas.

Ora, enquanto Socialista Livre, apoio os partidos da esquerda socialista: PSTU, PSOL, PCB e PCO. Contudo, sendo também Socialista Livre, sinto-me livre para discutir francamente, sem camisa de força nenhuma, os erros contra-revolucionários que, porventura, tais organizações cometam. E é um desvio “direitizante” grave apoiar essa aliança desse candidato do PSOL com setores da direita, simplesmente para se ganhar uma prefeitura. Esperamos e torcermos francamente para que os militantes do PSOL revertam internamente esse erro grave e digam não ao voluntarismo “direitizante” de algumas de suas figuras públicas.

Porém, queremos aqui também criticar outra falácia, também divulgada nas redes sociais, que alguns militantes do PSTU começam a fazer circular sempre que militantes isolados do PSOL cometem desvios “direitizantes”. Começam a ser simplistas e a anunciar que, no PSTU, “tudo é perfeito”, porque lá tem Centralismo Democrático e com o tal Centralismo tudo está resolvido. Doce ilusão. Fui militante durante 18 anos do PSTU até este presente ano de 2012 e também acreditei nessa ilusão do Centralismo Democrático como cura para todos os males.

Qual o problema e qual a falácia desse discurso? Na verdade, no PSTU, não existe esse tal de Centralismo Democrático perfeito, rezado pelos militantes em suas cartilhas revolucionárias. Lá a direção do PSTU manda e a base tem de obedecer, trata-se de um Centralismo “Cupulocrático”, ou seja, a cúpula da Direção Nacional do PSTU manda e ninguém, na base, tem o direito de criticar os erros dessa direção. Se você criticar erros da direção nacional publicamente você é simplesmente excluído do partido. No PSOL, a base não controla suas Figuras Públicas, isso é verdade, mas, no PSTU, a base também não tem direito de controlar e criticar sua Direção, porque, se você o fizer, a Direção dá um jeito de tirar você do partido. Isso é democracia? Isso ajuda em alguma coisa? Não. É trocar seis por meia-dúzia, como diz o bom ditado popular.

Na prática, para dar exemplo concreto desse Centralismo “Cúpulocrático” do PSTU, repito aqui, nesse Blog, como já o mostramos em outros artigos anteriores, o caso que se deu comigo, quando, este ano, fui excluído do PSTU, porque critiquei a falta de Democracia Operária da Direção Nacional do PSTU no Congresso da CSP-CONLUTAS. Portanto, quero desmistificar e questionar o ponto cego desse discurso de militantes do PSTU quando afirmam que o Centralismo ali existente resolve todos os conflitos. Não é verdade. É um Centralismo “Cupulocrático” que exclui militantes honestos como eu, quando não aceitamos desvios graves da direção.

Outro exemplo do Centralismo “Cupulocrático” da direção do PSTU. Muitos militantes honestos e sinceros do PSTU discordaram do partido se aliar com o PC do B / PSOL em Belém. Não quero entrar no mérito sobre quem estava certo ou não, se a direção nacional do PSTU ou a base descontente do partido. Mas uma coisa é certa: não houve espaço dentro do partido para a base decidir se essa política “cupulocrática” da Direção Nacional estava certa ou não. A direção simplesmente tomou a decisão e pronto. Daqui dois anos, no próximo congresso, talvez alguns militantes isolados possam fazer alguma crítica sobre essa aliança, mas, na prática, ficou do jeito que a Direção Nacional do PSTU quis. Ninguém da base tem o poder de criticar e de mudar as práticas cotidianas do partido, quando os militantes as consideram equivocadas. Eu tinha ilusão de que isso poderia ocorrer no Centralismo do PSTU, mas provei, na prática, que a cúpula não é controlável pela base. É o mesmo problema que militantes do PSOL estão sofrendo com algumas de suas Figuras Públicas quando estas resolvem cometer equívocos. Como corrigi-las? Como controlar as Hierarquias Políticas?  Eis a questão.

Na prática da luta socialista, compreendi uma dura lição e quero compartilhá-la, aqui, com todos os socialistas honestos e convictos como eu: NÃO EXISTE NENHUMA ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA PERFEITA. Todas as organizações políticas estão sujeitas a cometer erros graves, seja o PSTU, PSOL, PCB, PCO e outros. Diante dessa caracterização prática no seio da Esquerda Socialista, temos defendido a seguinte tese: a convicção socialista, a convicção do princípio de que só o socialismo muda nossa vida, a convicção na plena liberdade de crítica, a convicção de que a luta da classe trabalhadora é a luta de todos os socialistas são os fatores decisivos. Temos um artigo nesse Blog que se intitula: “Em defesa da Convicção Socialista”. Esse artigo não é por acaso. Não existe vacina contra os desvios não revolucionários que aparecem no seio das organizações da Esquerda Socialista. Somente nossa convicção socialista pode nos ajudar a NUNCA apoiar práticas políticas que ajudam a reprodução das relações de produção capitalistas ou que ajudam na burocratização das organizações da Esquerda Socialista.

Com essa experiência política, advertimos: mesmo que você faça parte de alguma organização política da Esquerda Socialista, Seja Socialista Livre, isto é, não se submeta às práticas políticas equivocadas de suas direções simplesmente para ficar bem com o grupo partidário. A revolução socialista não será obra de submissos, ao contrário, será obra de rebeldes, de livres, de lutadores sociais críticos que não se calam perante a opressão, perante a exploração, perante o atraso, perante os obscurantismos, perante os autoritarismos, perante as práticas políticas equivocadas, mesmo que os equívocos ocorram no seio da Esquerda Socialista. Leiam outros artigos em nosso Blog que discutem esses problemas. Saudações Socialistas Livres.


AÇÃO DIRETA

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O vermelho é o nosso sangue derramado e o preto o nosso luto por aqueles que tomabaram na luta.

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